06/01/2009

...à saúde...

Uma saúde aqui vai, ao términos fulminante de tudo o que está mal na saúde em Portugal, para que se resolvam os pormenores imensos e estagnantes do momento, para que os nossos doentes sejam tratados com eficácia e celeridade e, para que dias como o de ontem, não tenham que ser vividos, por mais ninguém…desmoralizado pela doença e a falta de resposta a ela, assim como as suas famílias, não menos angustiadas…

Ontem, dia 5 de Janeiro de 2009, eu, e pelo menos uma dezena de pessoas, vivemos um episódio inacreditável…mau de mais para ser verdade, na ante sala de espera, do serviço de neurocirurgia dos hospital central de Coimbra, nos Covões… Ninguém estava nada à espera… e foi desesperante…!!!

È dramático ter alguém doente entre nós, numa lista de espera, a aguardar tratamento, solução, acompanhamento, cirurgia, esperança de vida prolongada…
Mais difícil ainda, quando alguém luta por permanecer sobrevivente, numa vida muito menos fácil do que o normal, complicada, em que o mais aceitável seria, desistir logo à primeira, ir-se abaixo, deixar-se levar pela doença, e não querer saber de mais nada… mas não…
Como já anteriormente reconheci…a minha mãe, uma simples mulher da aldeia e de pouca formação, e de pobres famílias, é das pessoas mais ricas e fortes de interior que conheço… é a ancora, aquela rocha firme, sempre a remar e a lutar contra a mais brava de qualquer maré…

Não tem vida… mas luta por ela a cada milésimo de segundo… Não tem quem a mime, apenas quem a desgaste e a use, mas dá sempre o tudo e o melhor de si, a qualquer um, que lhe apareça à frente, mesmo aos que a maltratam e a espezinham constantemente, dentro da sua própria casa…
Está à espera de uma operação à cabeça, que na sua cabeça, poderá aliviar-lhe o que sente, por mais uns tempos, porque se sente obrigada a continuar…a dar… porque sabe que todos ali precisamos dela, para continuar…

Mas apesar de não sabermos os pós, está muito complicada…essa cirurgia…complicada de resolver, para ver o assunto arrumado, em todas as nossas cabeças.
E… ainda não foi desta…!!!

Depois de mais de um ano com quedas aleatórias, com dores de cabeça intrigantes, com zumbidos desconcertantes e desequilíbrios vertiginosos, veio a confirmação por Ressonância Magnética em 2008, que fui fazer com a minha mãe a Leiria, a 15 de Maio.
Tem um Schwanoma instalado atrás do ouvido direito, e tem que ser removido porque, com o crescimento, pode provocar outras disfunções no cérebro e afectar outros órgãos. Como todos os neurinomas, também se sabe que o seu crescimento é lento e a cura é habitual após exérese completa…
Não é um caso de vida ou de morte, mas incomoda, arrelia, e quer-se tratado o quanto antes… e, nesta altura do campeonato:
A minha mãe já não ouve…
A minha mãe já não anda bem com zumbidos constantes e mal-estar associado ao tumor, há mais de um ano…
A minha mãe desequilibra-se e cai quando menos espera e, tem já medo de andar sozinha na rua, ou de tomar conta a sós do seu neto…
A minha mãe não pode tomar nada que alivie…
A minha mãe já teve dois ameaços de paralisia facial…
A minha mãe corre mesmo o risco de com esta operação ficar com paralisia facial irreversível, e nunca mais voltará a ouvir, e mesmo removendo o tumor, porque tem que ser, ele pode voltar a crescer, ou outros, e o que houver vai sempre soltar umas segregações esponjosas que lhe incham a face e os olhos e o contorno no ouvido e maxilar e incomodam constantemente, pelo que anda sempre em massagens de fisioterapia para promover o alívio possível…
A minha mãe sofre muito mais, e de mais do que aquilo que eu sei, ou que me conta…

E não dá mais para esperar…!!!

No mês de Maio fez a RM pedida pelo Otorrinolaringologista do Sto André em Leiria, o Dr. Paulo Enes, com resultado confirmador, que chegou ao médico de família no centro de saúde em Alcobaça, ao Dr. João Melo, em Junho de 2008.
Indicou um neurocirurgião à minha mãe, numa consulta onde também estive presente, numa clínica perto, na Marinha Grande, e disse logo e apenas: vai para boas mãos, que tudo corra bem…isso agora é para tirar…

Fomos à consulta com o Dr. Lozano Lopes. Só conseguimos quase pró final de Junho.
Viu o exame e disse: Isto é para operar, não é urgente para hoje, mas tem que ser removido, assim que possível.
Também fui… e esclareci que em Leiria, o Dr. P. Enes, já tinha pedido consulta de Neurocirurgia com Urgência, para a minha mãe, no sistema nacional de saúde, para darem desenvolvimento ao que havia para fazer. (não é assim tão cru e nem tão linear…primeiro que consigamos digerir e falar a linguagem do que é prático com os médicos, há muito medo, muitos fantasmas, muita emoção gritante que nos atinge, mas que com uma força vinda não sei de onde, nestas alturas, conseguimos pôr sempre de lado…e sei que os médicos não são imunes ao drama, à emoção, mas não é para um abraço amigo que ali estão, é para uma conversa clara, esclarecedora e para ajudarem profissionalmente como puderem que os procuramos)
O Dr. LL esclareceu que opera em Coimbra, nos Covões, mas só vasculares, e este não era caso para ele… há que passar ao colega…o Dr. Peliz…

Aguardamos o contacto telefónico, que aconteceu pouco mais de uma semana depois.
Recebo uma chamada de Coimbra, onde o Dr. Lozano pede, para eu estar com a minha mãe no dia seguinte nos covões, no serviço de neurocirurgia às 8 e meia da manhã com a minha mãe, para falar deste caso com o Dr. António Peliz.

Assim fomos… no dia seguinte… e quando o Dr. chamou pela dona Gracinda de Alcobaça… perguntou pelos exames para ver…
Não há exames, também é assim… na semana anterior tínhamos o exame, mas apenas o temos por 10 dias, depois de outros 10 anteriores os solicitarmos ao hospital de Sto André em Leiria, a quem eles pertencem e não a nós… e depois da consulta da semana anterior, tiveram que ser devolvidos… como manda o Sistema.
Vamos fazer de outra forma, sugeriu: … estamos em Julho… metem-se as férias de Verão em Agosto: Vocês vão pedir o exame ao hospital de Leiria, e na primeira semana de Setembro, na primeira quinta-feira do mês telefonam-me, para marcarmos para virem cá…

Assim foi…
Em Setembro, assim que tivemos os exames da mãe e conseguimos marcar com o Dr. Peliz, voltamos aos covões a neurocirurgia, e finalmente a 18-9-2008, a minha mãe entrava oficialmente no sistema e na lista de espera para cirurgia no Hospital Central, e trazia uma data já com a operação marcada à cabeça, e na cabeça; 5 de Novembro, com internamento dois dias antes, a 3 de Novembro.
Em Outubro já não seria possível, disse o Dr. que já havia muitas marcações, e, o tempo de espera permissível para a urgência da situação era de 2 meses, pelo que…estava tudo dentro dos limites… e programado dentro dos conformes.
Preparámos tudo, no regresso a Alcobaça…tudo desde organizar a ausência da minha mãe, que é o pilar e todas as sapatas lá de casa, até preparar mentalmente a nossa e a sua alma e pessoa, para a dita operação… que ela queria na altura como disse a todos prescindir de, mas que era inevitável.

Estava difícil, mas tudo preparado quando na sexta feira anterior, a 28 de Setembro, recebo uma chamada de um número que não conhecia, não de Coimbra mas da Figueira, da clínica onde está o Dr. Peliz, a deixar-me o recado, para não aparecer com a minha mãe nos Covões a dia 3 seguinte, porque a operação prevista para dia 5 tinha sido adiada, para 10 de Dezembro.
Mais nada…

Foi mais uma estalada na minha ateia cara…perante uma situação já de si, difícil de gerir, de entender, ou de aceitar e manter.
Se bem que o Dr. tinha dito, que se não dissessem nada em contrário a avisar, que seria a 5 de Novembro, o aviso veio quando já não se esperava por ele… e ligando para o serviço nos Covões, já em Novembro… no secretariado de apoio, ninguém sabia dizer-me se sim, se a minha mãe iria ser operada ou não a 10 de Dezembro, porque, só semana após semana, são informadas pelos cirurgiões, das pessoas que vão entrar para internamento e intervenção…

Falei então para o número que me ligara, isto na primeira sexta-feira de Novembro, porque na quinta não consegui apanhar o Dr. Peliz em Coimbra, e não estava a entender nada deste adiamento, nem qual era o dia agora do novo internamento, se seria no feriado, dia 8, segunda anterior à nova data prevista para operar, ou não.
Logo neste primeiro adiamento a situação da minha mãe tremeu, não sei se por efeito psicológico ou não…adiar, provocava ainda mais dor, ainda mais mal-estar, e ainda mais desequilíbrio quer físico, quer emocional…
Falei com o Dr. Peliz… Expliquei como pude o que se estava a passar na minha cabeça e na dela, e ele disse para tomar a medicação que suspendera, e que ligasse uma semana depois para fazermos o balanço…

A meio de Novembro, já a minha mãe estava conformada… em esperar pelo 10 de Dezembro, quando voltei a falar na sexta-feira seguinte com o Dr. Peliz, veio a sugestão, de mais um adiamento…
Não acredito…não me está a acontecer isto… pensei logo…e como vou eu dizer isto à minha mãe…!?
A conversa foi mais ou menos assim…
Olhe, a situação da sua mãe até está mais ou menos estável… e eu acho que operar a 10 de Dezembro, não é uma boa data… porque apanharia a época festiva do Natal, longe da Família e tal … (o internamento neste caso é de na melhor das hipóteses 12 a 15 dias) …
E conforme sugeriu o Dr., e para não contrariar, e para não pensar mais nisso e tal, e para facilitar ou não… aceitámos que a mãe ia passar connosco o Natal, em Alcobaça, e que a 5 de Janeiro seria internada, para finalmente operar a 7, … e que aqui e agora, não mais se mexia, para não mais destabilizar…
Depois de mais alguns telefonemas, ficámos com a garantia do Dr. Peliz, de que nada mais era preciso tratar…
Era apenas apresentarmo-nos ontem no serviço de neurocirurgia para internar a minha mãe… e amanhã, ela seria operada, e este pesadelo pelo menos terminava…

Mas não… Ainda não foi desta!!!

Entretanto, e porque tinham passado os tais dois meses de lista de espera aceitável para a intervenção marcada e não conseguida… o próprio serviço, emitiu como é de sistema, um vale, que recebemos na primeira semana de Dezembro, com prazo de 3 semanas, para que a minha mãe fosse operada numa clínica particular, sem qualquer custo adicional…
Vale esse que, sendo recusado embora com a devida justificação, manteria a minha mãe no seu lugar da lista de espera… e não sendo recusado, seria ainda pior… teria que ser operada, nas mesmas semanas que em Coimbra se tinha acordado que não fosse, para não passar pelo Natal… e em vez de Alcobaça – Coimbra, a distancia geográfica e familiar seria ainda maior, porque a minha mãe iria passar essas pelo menos duas semanas internada na tal clínica, em que a escolhida era no Porto….e nós vivemos em Alcobaça.
Enviei a justificação de recusa do Vale, a 10 de Dezembro, assim que o recebemos onde sublinhei que, já tínhamos agendamento da cirurgia pelo Dr. Peliz, e que decidíramos continuar a aguardar no nosso lugar, na lista de espera… era só até ontem…

Mas, ainda não foi desta!!!
Nem à terceira foi de vez…!!!

Em Jejum…saímos de casa às 6 e meia da manhã… e às oito, conforme o estabelecido, estávamos lá, no serviço de neurocirurgia dos Covões, em Coimbra…
Dos 5 que iriam ficar internados ontem, a minha mãe, foi a primeira doente a chegar…
A funcionária, que a recebeu no secretariado, chegou ao posto, perto das nove, e não era a que ali costuma estar, não sabia de nada…. E mandou esperar…esperar…
Os médicos neurocirurgiões, estagiários, membros da equipa, operadores, e entre eles o Dr. Clínico do serviço, que é nem mais que o nosso consultado anteriormente Dr. Lozano Lopes, por ali andavam, na sua rotina do costume… na salinha envidraçada de reunião e, entre uma sala e outra dos doentes da enfermaria, e pelos corredores se manifestavam presentes, mas com cara de caso… e perto das 10, ouvimo-lo dizer para a colega… temos que ir ver as vagas que ai temos… porque não há camas e está aqui esta gente toda para internamento à espera…
Eram 9 e meia, e todos ali esperavam naquela sala… pela chamada ainda, todos pensavam que iriam ser internados para ficar… mas entretanto…pelo palmilhar os corredores de um lado ao outro, e pelo corrupio que se verificava, tanto eu como a tia Paula, que me foi acompanhar no levar a minha mãe íamos perguntando e íamos ouvindo… A esta hora, já sabíamos, por esta e por aquele e por mais o outro, que não havia camas… e que não sabiam se daqueles, alguém iria ficar neste dia ali internado…
Mas alguém nos disse?! …Não!!! … A nós, ou aos doentes?! … Até aqui, não…!!!

Ainda não foi desta…!!!

A esta hora, já o Dr. Lozano e o Dr. Ricardo tinham adiantado que, ali, não havia condições de internamento, e que a assistente de secretaria não deveria ter aceite ninguém esta manhã… e, foi-me sugerido para falar com o Dr. Peliz, que estava a dar consulta, no edifício em frente…
Lá fui eu, e a minha mãe… e explicamos assim que houve um intervalito nas consultas ao Dr. que estava uma confusão enorme na enfermaria, que não havia camas, mas que estávamos ali todos, para internar…
Ele apenas confirmou que, era para operar amanhã, quarta-feira, mas se ontem, não havia camas, era para quem estava na enfermaria, um problema a por si resolver… e voltámos… e aguardámos, conforme nos foram sempre pedir…aguardámos…

Os médicos reuniram de novo no envidraçado, e toda esta gente ali, numa espera desesperante, no hall ao lado…
Víamos as suas caras de caso, uns sorrisos e uns olhares e uns silêncios em nada esclarecedores ou animadores vindos de todos os lados… e passámos horas inacreditáveis de incerteza, com a vida a passar-nos em filme a andar para trás, á frente dos olhos, e uma angustia e aperto inaceitáveis no sistema de saúde nacional… Um desconsolo, por estarmos ali, sem uma palavra…sem uma satisfação… sem uma certeza de ir ou ficar, que minimizasse o nosso drama…
Os processos individuais de cada um foram estudados bem vimos… foram decidir quais os casos mais urgentes entre os presentes… e teriam que escolher entre mandar já todos embora, ou pedir a um ou dois para ficarem, no tentarem arranjar cama… mas não… a todos continuavam sem dizer nada… a não ser nada…
Às 11 da manhã mais coisa menos coisa, o Dr. Lozano por nós questionado lá explicou ao fundo do corredor à minha tia acelerada com a situação e a mim que, iria colocar o problema á administração, e que eles resolvessem, e que havíamos de aguardar mais um pouco, e por essa resposta que não vinha…
Também explicou qual era para si, o problema: A enfermaria, a meio gás, porque o outro meio está em obras, foi ocupada na ultima semana de 2008, por pessoas que ali estavam, e os lugares vagos, por outras, e que em situações extremas e pelas urgências entraram naquele serviço e enfermaria, por no hospital já não haver mais camas, em mais lado algum onde os pôr…alguns com situações infecto-contagiosas, onde ninguém poderia ficar mais… e então, esse era o problema de não se poder internar ninguém hoje…não haver camas… pelo que tinha colocado a questão à administração, se seria possível arranjar após alguma alta, uma cama noutras enfermarias, em quaisquer outros serviços do hospital para pelo menos um caso mais urgente…e gritante, por ser já a terceira vez que se adiava, e por ser de longe e tal… que era a minha mãe…!!!
Mais angustiante ainda: estávamos ali há horas, era então quase meio dia…toda a gente… num impasse intolerável, sabendo eu, sem poder dizer, que, estava o hospital inteiro à procura de uma única cama, onde deixar de todas aquelas pessoas apenas uma única, a minha mãe…!!!

E as horas iam passando e iam dizendo que deveríamos ir esperando…

À uma e meia da tarde, vieram perguntar à minha mãe e á dona Hermínia (uma sofrida mulher-bomba com um aneurisma na cabeça a rebentar a qualquer instante, que só não foi considerada a mais grave a última a mandar embora, porque ali vive a 3 km de distancia do hospital e, a qualquer meia hora assim que houvesse cama poderiam chamá-la para operar), se queriam que mandassem vir almoço para elas… mas que teriam que continuar e esperar…
Não!!! … Era demais!!! … Todos em jejum…fomos todos ao bar… e…
Voltámos…duas da tarde, e sem novidades…

Minutos depois vejo vir ao fundo do corredor o Dr. Lozano que ao passar nos continua a mandar esperar… e esperar que mais um pouquinho e já fala connosco, para mim, para minha mãe e para a minha tia…
Entretanto o Dr. Armando Lopes e o Dr. Armando Rocha chamam os seus doentes ou dos colegas que não estão, desses outros 4, e dizem finalmente que não há vaga…terão que ir embora, mas pelo sim pelo não…esperem mais meia hora, se quiserem… e lá ficamos…

Uns queriam chamar a televisão, para denunciar este triste episodio, outros diziam que iam escrever tudo no jornal…
Outros diziam que assim não tinham condições para trabalhar e ainda ter que dar a cara, e que iriam suspender todas as cirurgias…
Foram-se todos os outros embora…
A minha mãe desesperada, queria mandar-se ao chão e entrar pelas urgências…queria ficar…queria livrar-se deste problema agora…não mais adiar…
A minha tia agitava-se e dizia que isto não é normal, que estão a gozar com o povo em Portugal… que este hospital é uma vergonha… e sim, a minha tia também bem disse ao director clínico lá, ao fundo do corredor: O Problema Dr., não é a falta de camas… o problema é a falta de sensibilidade de todos vós… que se já estavam assim, a abarrotar, a ultima semana, poderiam ter avisado estes doentes para não virem para cá… para não terem que passar por isto… este “fica - não fica” cruel para todos nós, que ali estivemos todo o dia de ontem, naquela ante sala de espera do seu desorganizadamente dirigido serviço de neurocirurgia, do Hospital dos Covões.

O próprio chamou-nos à salinha do médico, eram perto de 3 da tarde… a explicar, que ir embora, até era o melhor para minha mãe…para depois, e assim que possível e assim que vagar cama, a poderem assistir e tratar, nas melhores condições…sim, concordamos com tudo isso, mas não eram precisas 7 horas, a fazer-nos esperar e desesperar…para ter essa conversa connosco… ou eram?!

Não quero ser injusta, porque sei que das 8 ás 15, fizeram todos o que podiam, para arranjar pelo menos uma cama, para pelo menos a minha mãe ficar… mas nem sequer seria num serviço acostumado a tão delicadas situações, e assim foi melhor vir embora…mas custou muito…voltar atrás…mais uma vez.
Tem razão quando nos diz Dr., que é dar um passo atrás para depois dar dois em frente, tem razão… mas, bastava um telefonema, e não teríamos todos ido, todos vivido, e todos sofrido, o dia de ontem… que já ninguém nos tira, nem a si, ninguém lho tira…

Não estou aqui a dizer, nem bem nem mal, nem a falar nem a mencionar nomes, só porque sim… aqui, venho apenas e sempre pelo que sinto… e ontem, foi um dia muito, muito mesmo carregado, de maus sentimentos…que é disso que aqui falo, que poderiam a bem da saúde de todos nós, ser evitados.

Uma saúde, à vossa organização (de), e à de todo esse Hospital…
Um abraço, e votos de um bom ano… e de que num amanhã muito breve, tudo corra agora e assim que possível, menos-mal.


Alcobaça, 6 de Janeiro de 2009
Marta Luis

7 comentários:

Anónimo disse...

AH...como era bonito um pobre ter muito dinheiro que espera para se poder salvar tua mae...

tua mae,tua tia e tu mostraram todo o oiro que tinham e nas tuas palavras ,tanta claridade desse sofrimento...
iremos todos nos morder as rosas brancas do s hospitais que estao ali para nos enganar....sempre a vida ...o mesmo estranho mal que nos abre uma chaga em nosso coracao....good luck marta

José Alberto Vasco disse...

Pois é, Marta: infelizmente é este o triste país a que chegámos... Depois ainda se admiram pela agitação que vai surgindo em países como a Grécia ou a França. Não te posso transmitir mais que solidariedade, mas bem gostava de dar umas boas palmadinhas na cara de muitos desses (ir)responsáveis por pequenos poderes que dia a dia nos vão roendo a vida e a paciência... Até quando?

José Alberto Vasco disse...

A minha solidariedade e o meu protesto contra situações deste género ficaram hoje mesmo lavradas numa postagem do meu blogue http://www.nasfaldasdaserra.blogspot.com em que chamo a atenção dos meus leitores e visitantes para esta tua postagem. Espero que seja útil...

Catarina disse...

Identifiquei-me imenso com a sua história, também o meu pai se encontra numa situação semelhante. Sinto o desespero, a desilusão, a impotência, a angústia das suas palavras no meu coração, no meu dia a dia, sempre que estou com o meu pai e os sintomas vão piorando, sempre que me deito e fecho os olhos... Perco horas a pensar, a tentar encontrar uma solução, uma alternativa de tentar que ele tenha o máximo de qualidade de vida, mas parece que tudo me ultrapassa.... Há dias difíceis.. Tudo de bom!!!

malu disse...

bem o sei... há dias muito muito dificeis, e são esses que nos obrigam a valorizar, todos os outros Catarina... muita força e coragem ... e beijinho

Unknown disse...

Esta vivência não é mais do que o estado do SNS. para o qual todos contribuímos e do qual todos iremos necessitar. Seria bom transmitir este descontentamento ao ministério da saúde. Os contribuintes têm que ser mais ativos e participativos na evolução e melhoria. Por aqui não leva a nada. Passados 7 anos, como correu a cirurgia e o internamento?

Unknown disse...

Esta vivência não é mais do que o estado do SNS. para o qual todos contribuímos e do qual todos iremos necessitar. Seria bom transmitir este descontentamento ao ministério da saúde. Os contribuintes têm que ser mais ativos e participativos na evolução e melhoria. Por aqui não leva a nada. Passados 7 anos, como correu a cirurgia e o internamento?