05/07/2009

...parede de papel...

Areal da Praia do Salgado, com Nazaré ao fundo (foto de alan1)

Encostada à parede de papel deste jardim suspenso entre a serra e o mar, sinto a areia quente pelos meus pés gelar-me a alma, o sol do ar queimar-me a presença que se faz parecer a ti, aqui a meu lado agora. Não sonho já. Não desespero. Alimento este cenário improvável de nós dois, e a minha sobrevivência de migalhas de doces memórias, e já morri de fome da realidade.
Estarei eu ainda viva, ou esse meu amor?
Tanto queria andar, seguir, sair deste lugar, que fiquei presa a esses caminhos por onde me levaste e já não sei ir, ou ficar, sem ser por aqui, encostada a uma parede de papel, que tento não deixar cair. Mesmo queimada do sol do esquecimento, tombada do vento das incertezas, encharcada do dilúvio da distância, continua aqui leve e solta como a paz quando estás comigo, firme e robusta como a inequívoca força do saber que te pertenço ou que me pertences.
Mas mesmo assim, foste para longe há tempo demais, e sem culpa! E pergunto-me: será que vais fazer todo esse trajecto de volta? Pelo menos tentaste vir ao meu encontro, tentarás? Lembras-te de quando em vez, ouves quando te chamo ? Provavelmente...
Envolta em um misto de raiva de não estares aqui e uma alegria sã de te saber sempre aqui, volto sempre a pensar em nós e em como nos amámos uma vez ou outra desafiando a lei dos descrentes, e deixo de ser uma pessoa vazia à beira do vazio, intercalando o cansaço de te esperar com a felicidade de te amar.

malu

1 comentário:

Paulinha disse...

Já não posso dizer que te descobri por acaso, mas é sempre um prazer e somos conterrâneas além do mais!!

Passei também por aqui e li também e também gostei ...

Volta sempre :D