16/11/2009

...nada mais...



Nada mais,
Tem tanta cor,
Nada mais
Tem tanto amor,

Nada mais
tem tanta graça,
Nada mais,
disfarça...

A vida tá dura
Difícil de engolir
Sem porres de álcool
Nada mais
Parece ter sentido,
Nada mais
Parece ser tão bonito
Nada mais...

Tente continuar,
Vivendo,
Fingindo que o que você tem
É mais do que suficiente...


Nada mais,
Parece satisfazer,
Nada mais,
Parece preencher
O vazio que me tomou

De repente
Todo o mais
Desabou
E nada mais,
E o que era tudo
Hoje é nada mais....

Você finge que sorri
Nada demais
Só pra fora...
E você finge ser feliz,
Nada mais

Você é que diz
Estar tão satisfeito
Ser tão feliz
Tão completo e pleno como antes
Mas nada mais vai trazer isso de volta
Nada mais será parecido
E nada mais completará todo o mais
Viverei como iludido
E nada mais como aquelas noites
Nada mais

E nada mais
Como a lindeza de você me dizendo:
Vamos ser felizes

E nada mais...

...longe...



Sentimentos… o que são afinal? Algo tão forte que nos controla ou, pelo contrário, algo tão simples e frágil ao ponto de os podermos controlar? Há quem diga que são para toda a vida; que, quando realmente profundos e sinceros, não há nada nem ninguém que os trave. Outros há, porém, que afirmam que a distância os destrói. É o caso das paixões e dos amores. Quantas vezes, depois de uma desilusão, já não ouvimos dizer, em tom de conselho: “Não te preocupes que isso passa, o tempo cura tudo! Longe da vista, longe do coração!” Mas até que ponto este provérbio da sabedoria popular fará sentido?

Quantas vezes já não julgámos ter esquecido alguém e quando ao fim de algum tempo a reencontramos, é como se o sentimento nunca tivesse desaparecido?

Existem hoje muitas frases feitas, algumas até quase filosóficas, que vêm contrariar este provérbio, como por exemplo: “a distância separa dois olhares, mas nunca dois corações” ou até mesmo algumas que comparam o sentimento ao fogo e a uma chama: “a distância apaga as pequenas paixões e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas e dá largas aos incêndios”.

Mas analisemos o provérbio de outra maneira: “longe da vista, longe do coração”… o que significa que, tecnicamente, a distância encarrega-se de destruir e apagar os sentimentos. Se isto for mesmo verdade (que todos nós sabemos que não é, mas supondo que sim…) qual seria, então, o significado da palavra saudade?!... Sim, porque saudade é o sentimento que fica na ausência, o sentimento de falta, a prova de que o sentimento não acabou apenas porque o seu objecto está ausente. E as memórias? As recordações? Não são elas guardadas no coração? Não são elas uma maneira de nos sentirmos perto do que está longe?

Tantas palavras ficariam sem sentido se este provérbio reflectisse a realidade… Por outro lado, tanta coisa seria mais fácil…

Imaginemos, então, que na realidade “longe da vista, longe do coração”, ou seja, basta estarmos longe de alguém para deixarmos de sentir o que sentimos quando estamos com ela… (bem sei que parece confuso, mas é apenas a realidade!) Não seria tudo demasiado simples? Onde estaria a beleza da vida? Sim porque é na dificuldade em alcançar e superar metas que está o verdadeiro encanto da vida! Nunca poderíamos “matar saudades” de alguém, pois a verdade é que nem as iríamos sentir; não sentiríamos falta de nada nem de ninguém… Seríamos felizes assim? Talvez… mas também nunca teremos resposta a esta pergunta, porque a verdade é que, mesmo longe da vista, certas pessoas vão sempre continuar bem perto do nosso coração, quer queiramos quer não; e ele faz questão de nos recordar disso todos os dias!
 
c.cavalcanti a fada na lua

13/11/2009

...mutismo...




Foi um comentário pequenino
como a imagem flash de um poema

Mas eu pensava nele
e aquelas poucas palavras certeiras
davam-me uma alegria estranha
de poço fundo
e sem limites

Dizia-lhe sempre palavras nuas
com a minha voz
pois ele não queria ser uma imagem muda
Perdi-o num dia em que emudeci
no meio de muita gente.

Incapaz de tocar nas coisas
ou comunicar
queria saborear tanta doçura
andava solitária
noutro mundo

Calei algumas horas as palavras nuas
e sem a minha voz
ele tornou-se num mutismo sem imagem


passado simples de

12/11/2009

...cansada...

cansada de ser boazinha



hoje discuti com o meu chefe

fui mal tratada, brutalmente julgada, estupidamente ferida
sai porta fora quando esbracejou e subiu o tom comigo
conduzi sem ver nada à frente dos meus olhos vazados
solucei até doer de tanto amargar
fiz o que tinha a fazer, e voltei, e passei-me completamente
desabei quando me perguntou "como estás?"
como estou ?! pensei e não conseguia mais nada se não chorar - estou tudo menos em condições de responder a uma pergunta dessas - mas respondi como sempre já que pra meu mal ou pra meu bem, nunca deixo uma pergunta que me seja dirigida sem resposta

ainda tenho os olhos inchados e tortos de cansaço
em mais uma dúzia de anos sempre com o mesmo chefe, nunca antes tinham ido tão longe, o seu machismo e o meu "temperamento"

depois de hoje nada será igual
oxalá, ambos e mutuamente se respeitemos (mais)... oxalá continue a ser, ou deixará de ser o "meu" chefe
o que sempre defendi, mesmo quando todos o atacam e incompreendem pelas costas
a quem sempre dei um desconto, mesmo quando foi injusto nos tratamentos desiguais que aplica a iguais, e nunca me deu um desconto a mim, em relação aos iguais
a quem sempre atendi, mesmo quando sem condições ou habilitações, e nem sempre me atendeu
a quem nunca nada neguei, mesmo quando muito me nega

não é só no amor, na família, na amizade que pode e deve haver aquele entendimento ou aquela sintonia
no trabalho, e com as pessoas com quem trabalhamos, passamos a maior parte do tempo, dos melhores anos da nossa vida - e chefe é chefe???!!!
NÂO, pra mim não ( EU não vivo na ditadura )
chefe, não é chefe - chefe é um ser como eu - e eu sou um ser como todos os outros

10/11/2009

... fácil de odiar...



Não te parece que o mundo roda ao contrário? Não te parece que há algo que deixou de funcionar? Um dos pilares ruiu. Sinto que o fim está próximo..
Não posso pensar mais, não posso falar mais. Dou as boas vindas ao silêncio. A solidão, que sabe tão bem ser minha companheira, alojou-se no coração. O escuro, onde choro lágrimas incolores e sentidas, é um simples protector dos atentados que cometo sobre mim. O silêncio... É o mais pesado.

Olha para mim... Olha para o que ficou... E não digas nada... Não quero ouvir, não quero que fales só por falar. Não quero favores. Mas não te parece que o universo engoliu a Terra? Não te parece que os relógios pararam e que tudo o resto não passa de ficção? Houve alguém que se cansou da vida que não tinha, dos sonhos que não passavam de sonhos...
Houve alguém que desistiu... Eu? Porque não? Porque não poderei fazê-lo?
Tu desistes de mim e eu desisto de mim... Já que não sei desistir de ti.
Se vires bem, se leres com atenção, sou mortal como tu mas há muito tempo que deixei de viver.
Parece história... Parece mentira!!! Nunca pensei... Talvez devesse ter pensado...
Mas não pensei que pudesses ser a pessoa que mais amo e que mais odeio.
Como é estranho... Como é improvável... Como é desagradável o raio dos sentimentos!

Que estou eu a escrever? Eu não te odeio... Talvez fosse mais fácil odiar do que amar.
E eu sei que não sou perfeita, não sou (embora queira ser) aquela alma sábia.
Não sou como tu...
Onde é que errei? Saberás? Onde é que falhei? Respondes?
Onde é que me enganei? Talvez ao pensar que serias para sempre meu.
Sempre foste meu... De uma maneira que só eu sei ter. Da mesma maneira que, talvez, nunca aceitaste.

Há tanta coisa que não sei. A palavra "talvez" começa a parecer-me insuportável... A expressão "não sei" ultrapassa os limites da minha ignorância. Só tu és dono da verdade. Só tu sabes o "porquê". Só tu tens a chave para este desespero onde vivo trancada.

Dá-me uma hipótese... E não irei falhar. Não irei decepcionar-te.
Sou tão ridícula... Tão parva!
Onde é que quero chegar com tudo isto? A ti?
O que estou a fazer só me condena mais... Só me faz recordar mais de ti e mais e mais e mais...
Até que ponto irei aguentar? Acho que o deixei de fazer há muito, muito tempo.

De qualquer maneira, e porque já me começa a meter uma certa impressão, terei de dizer-te o quanto continuas a ser importante.
Não o vou fazer de ânimo leve. Irei ter horas de sufoco a pensar na tua reacção...
Não poderia ser mais fácil?
Somos pessoas... Nada do outro mundo!
Somos pessoas... Que ideia mais idiota!
A ideia de dizer-te...
Vais condenar-me? Não o podes fazer pois já atingi o meu limite.
Agora, tudo o que vier é tudo o que virá. Pior não fica, disso tenho a certeza.

Não sei nada de ti e, não saber nada de ti, é mau. Pior do que isso, é saber demasiado de mim.
É saber que não vivo sem ti. É saber que me afundo um pouco mais em cada dia.
É ter a certeza de que não sou capaz de seguir um caminho... Seja ele qual for.
O meu caminho és tu e ponto final. Ponto final... Sem paragrafo nem travessão. Pois é em ti que a minha vida começa e acaba ao mesmo tempo. É em ti... E é absurdo ainda não o saberes... Depois de tantas vezes eu o ter dito!

Em que dia? A que horas? Virás cá... A mim só me interessa que venhas...
Nem quero saber do que tenhas para dizer... Seja bom ou seja mau... Apenas interessa que saibas... É sempre o que me interessa: Que saibas, pois mereces sabê-lo. Tens de saber... Saber que isto ainda não acabou... Nem tão cedo acabará. Simplesmente, tens de saber. E tudo o resto deixará de existir.

Não vou querer estar à tua frente, posso até nunca mais te ver. Isso fica em segundo plano. O importante é saberes... Até porque eu não tenho nada a esconder. Nunca tive...

E há mais:
Mesmo que já saibas tudo isto, aposto que não sabes que eu escrevi o teu nome no céu.
Era noite, estava frio, era tão escuro... Mas uma luz brilhava o suficiente para que eu o conseguisse fazer...
Era a luz da esperança... Nunca perdi a esperança. E foi então que eu escrevi o teu nome...
Apenas o primeiro... Não esqueci que não gostas do segundo. Rápido, sem meias medidas, sem prestar muita atenção à letra... Escrevi o teu nome no céu. É pena que não o tenhas visto.
Nessa noite dormi com algum do descanso que tão bem anda perdido. Nessa noite sonhei contigo... Como sempre... Mas foi um sonho bom... Um sonho que me fez acordar lavada em lágrimas... De felicidade!


Felicidade?  Que ridícula... Sei lá eu o que é felicidade.
Então, diz-me:  Não sou tão fácil de odiar?


04/11/2009

... onde está o teu coração ? ...



...onde está o teu coração ???...

... sei lá de quê! ...




O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!
Florbela Espanca

...não tens que desesperar!!!???...


imagem publicada por helena margarida pires-amantes incertos

Se caminhasses num terreno plano, se tivesses a boa vontade de caminhar e desses apesar disso passos à retaguarda, então tratar-se-ia de um caso desesperado; mas como sobes um pendor, tão escarpado como tu próprio visto de baixo, os passos para trás só podem ser provocados pela natureza do terreno e não tens que desesperar.
Franz Kafka, in "Meditações"

27/10/2009

...tempestade...




só quero te lembrar (a imensidão do meu amor)

podes preferir a distância neste momento o que a mim me fere
com a mesma intensidade com que espero essa chuva passar

(eu sou o teu infinito)

por isso amor volta depressa por favor

(preciso que me ensines a dançar na chuva)

malu

...eternidade...


eterno de edmi no wordpress



nada é eterno
apenas enquanto dura
tanto a beleza como a velhice rota
tanto a alegria como a tristeza mais profunda
tanto a dor como o amor mais inquestionável

quando as palavras
os silêncios já nada nos dizem
é ai que desistimos

e eu que queria tanto que me deixasses amar-te
eternamente

malu

24/10/2009

...estamos vivos...


Sim,
ainda há pequenas liberdades nos segundos em que,
a caminhar,
se descobre que estamos vivos.

rodinhas o inatingivel

23/10/2009

... gotinha de vida ...


por ti, tudo faria outra vez

... clic ...


não me peças nada


deixa-me

...

...problema de quem?!... (II)



Pois continuemos e reflitamos, que o tema merece:

Não encontrar razões para viver, e decidir partir, é triste, mas é opção de quem vive depressivamente e sem forças para continuar... sempre a ter que justificar-se por não estar bem, sempre a ter que mascarar-se e sempre a ouvir sermões de que tem que ser mais forte que a dor, porque os outros também o são e, porque há ainda os "outros" que precisam dele... (mesmo sendo um ser desgastado).
Por exemplo, um passarito que sem mais por que correr atrás das migalhas que os outros lhe mandam decide estratelar-se contra o vidro da frente de um camião e...foi-se!!!!

Não é uma decisão fácil, nem reversível, para os que decidem mesmo sair deste mundo...
Não os que apenas chamam a atenção ou chantageiam outros, para conseguir os seus objectivos...

Mas há sempre um interruptor que se liga, uma gota de água, que transborda o copo, que uns viam como quase cheio, outros como quase vazio, conforme o optimismo ou sadomasoquismo de cada um. Estou literalmente a dizer que até no fim, há sempre quem nos empurre ou segure, como em tudo na vida, e há sempre cenas que acontecem ou deixam de acontecer que provocam uma decisão final sobre um assunto pisado, esmagado, dissecado ao extremo....
Eu por exemplo, estou constantemente a morrer e a ressuscitar...e falta apenas alguém ou alguma coisa ligar-me ou desligar-me à vida, ou à morte, porque de copos, estou cheia...e não queria morrer com vidros... nunca experimentei nem me atrai essa dissolução ou solução.
E isto, porque há situações, pessoas e momentos que me obrigam a sofrer mais do que consigo suportar, e há outras situações pessoas e momentos, por quem ou as quais ainda acho que vale a pena sacrificar-me e arrebitar, e tentar voltar a sorrir...sempre... Sempre há, quanto mais não sejam, os nossos rebentos, que são o que de única e exclusivamente temos de verdadeiramente nosso...

Chamem-lhe de cobardia...! Eu chamo-lhe de coragem... para pensar uma vez na vida, em si próprios, e deixarem tudo de vez, por uma vez...
E o problema, do irreversível não se põe a quem parte.
Quem parte morre, deixa de ter problemas para resolver...
Quem fica sim, fica com os problema nas mãos, fica, ou com aquela sensação estúpida de que poderia ter feito algo mais e não fez, por despiste ou distração ou por pura crueldade, ou os outros que ficam realmente desfalcados de quem os amava, e sem nunca mais poderem sentir esse amor, presente.

O problema fica, tal como quem fica (fica com ele)

Então, porque não partir?!

Quem não tem cão, ou dedica-se à apicultura, ou caça sempre com gato certo?


Ao passarito que fica, resta-lhe aprender a voar só, ou a arranjar outra companhia...
Ao que se estratelou frente ao camião - PAZ e descanso!!!



22/10/2009

...problema de quem?!...

fuseli - o pesadelo


"o maior problema do suicídio
é que não se pode revertê-lo"
mas... quem parte... abandona o problema

...eu não sei dizer...

imagem de graça loureiro

O silêncio, deixa-me ileso, e que importância tem?
Se assim, tu vês em mim alguém melhor que alguém
Sei que minto, pois o que sinto não é diferente de ti
Não cedo, este segredo...é frágil e é meu

Eu não sei…tanto sobre tanta coisa, que às vezes tenho medo, de dizer aquelas coisas, que fazem chorar ...
Quem te disse, coisas tristes, não era igual a mim
Sim, eu sei que choro, mas eu posso querer diferente p’ra ti

Eu não sei…tanto sobre tanta coisa, que às vezes tenho medo, de dizer aquelas coisas, que fazem chorar

E não me perguntes nada
Eu não sei dizer…

silence 4

20/10/2009

...Adeus...


foto de marta mendes


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

...Por onde vim...


Quero voltar! Não sei por onde vim…
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!


{Florbela Espanca}

19/10/2009

...só o silêncio responde...


não sei se alguma vez viste
crescer a morte sobre um corpo

é como uma infância
de que se desconhecem os modos
ou o lento estalar de um vidro
são como imagens as imagens partidas
esse abandono de partir
o que em água viram os olhos
por esse lençol subido de silêncio
sobe nu de tempo
um homem com mãos devagar de luz
a morte cresce com ele
é o seu corpo que poderá ser
a palavra
pedro sena-lino

16/10/2009

...Não estás...


Nada consigo escrever
Nada sai ou entra que faça sentido
Nada do que leio me satisfaz

O dia está apenas morno
A noite foi apenas mais uma

Tanta coisa poderia dizer sobre o que sinto ou não sinto
que nada me parece relevante...
Não estás... e, é a razante, é o bastante!

Como poderei ficar em ti, se não estás em mim?
Malu

16-10-09

13/10/2009

...A Eterna Ausência...


Eu aguardei com lágrimas e o vento
suavizando o meu instinto aberto
no fumo do cigarro ou na alegria das aves
o surgimento anónimo
no grande cais da vida
desse navio nocturno
que me trazia aquela com lábios evidentes
e possuindo um perfil indubitável,
mulher com dedos religiosos
e braços espirituais...

Aquela mulher-pirâmide
com chamas pelo corpo
e gritos silenciosos nas pupilas.

Amante que não veio como a noite prometera
numa suspensa nuvem acordar
meu coração de carne e alguma cinza...

Amante que ficou não sei aonde
a castigar meus dias involúveis
ou a afogar meu sexo na caveira
deste carnal desespero!...


António Salvado, in "A Flor e a Noite"

...Lembra-te...



Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos

Mário Cesariny, in "Pena Capital"

12/10/2009

...não, não chega...




Não há pressa ?!
Há sim, mas seja lá quando for o nosso reencontro, será sempre tarde demais!!!

07/10/2009

...Gente que não existe merece mais um post...?!




Não posso sentir-me perseguida por alguém que
para mim, simplesmente NÃO EXISTE!!

É isso mesmo, IGNORO qualquer um que me leia e vai daí entenda que é pra si que escrevo e, vai dai dá de enviar comentários, mensagens e publicar outras coisas pessoais, como que de resposta, ou seja, que se ache no direito de me perseguir!

E como já antes falei aqui disto, não me vou repetir...

Há gente que escreve sobre si (como eu, e os que admiro)
Há gente que lê tudo e dá a ler tudo com o que se identifica ( como eu e os que admiro)
Mas há também e irritantemente gente que persegue agente, só porque não tem vida própria, e lê e responde como se fizesse parte de alguma coisa aqui... o que, não me enaltece, não me agrada, mas muito menos me incomoda... porque, depois de tanta atitude como tal, há gente, que não desiste, mas, simplesmente, não existe...

(e lá vai a correr apagar todas as mensagens que poderiam denunciar qualquer verdade nisto outra vez)

Há gente que realmente não se toca...

Passar bem...

02/10/2009

...viver sem ti...


Meu amor, choro baixinho ao não te ver
E grito em silêncio dentro do universo do meu peito
A descomunal ausência dos teus braços
Risco e rabisco com a força da minha saudade
Porque descobri que não quero viver sem ti

Meu amor, tristeza é a falta dos teus lábios
E solidão é não ouvir a tua voz
Esse pranto parece eterno, tem ao menos dó de mim
E eu perdida em memórias me entrego à saudade
Porque descobri que não quero viver sem ti

Meu amor, ouve meu pedido soturno
‘volta e mata de vez essa dor’
Porque manchaste com Adeus nossas linhas?
Retorna aos meus braços feitos de amor
Porque descobri que não quero viver sem ti

30/09/2009

...blá...blá...blá...


blá blá blá blá
blá blá blá blá

blá blá blá blá
A M O - T E


blá bá blá blá
blá blá blá blá

A M O - T E

blá blá blá blá
blá blá blá blá
blá blá blá blá

A M O - T E


... ( - ! - ) ...


e assim, entendes ?!

29/09/2009

...Mutante...


Sim, eu sei que nem todos os milésimos de segundos sou igual, embora me deva relembrar de que sou a mesma pessoa de sempre...mas, todas as pessoas mudam, vai daí, sempre me assumi, mutante... ou em constante estado de mutação... mas sempre fica a essência, e é a única transparência em mim...

Não sei, o que nos aconteceu. mas li algures da pri-gadelha, num comentário a um post de uma amiga... que eu vi, e mereceu a minha atenção nesta frase:

"O amor pode sim ter um fim, posto que tanto o ser amante como o ser amado são mutantes. Muitas vezes, um em consequência do outro."

Recua um pouco... vê...tudo o que me lançaste e depois, foste tirando aos poucos... Fui eu? ...Ou fui só eu?... Sou eu quem não aguenta mais? É por mim, que deixas de ser o meu amor...? Não, nem queria que o mudasses ao ponto dele acabar...

Pensa ... e não te escondas ... com desculpas...! Toda a agente muda... todos os dias nos mudam, a vida muda constantemente a nossa vida... Mas eu queria muito que a cada passo dessa constante mutação, também nós fossemos mudando, para nunca perder esse amor... Mas somos precisos dois... E sempre que algo acaba, alguém fica a perder, neste caso, ambos... Então porquê?

"Agente ama o outro pelo o que ele é, mas também ama pelo o modo que ele nos trata, e acima de tudo a gente se ama. Portanto o amor pode durar a eternidade ou não. Além do que as pessoas mudam... E se a nova pessoa que você é continuar amando a nova pessoa que o outro se tornou, a cada dia, ai sim o amor pode ser eterno. Ou não!"

E eu que te amava tanto pelo que, era quando tu me amavas... e me transformavas, como podes agora pedir-me que não te ame? Como podes preferir não me amar? Afinal... pra quem diz que desde o primeiro dia, os sentimentos são os mesmos, e o amor é o mesmo... o que é que está aqui a passar-se... ? Alguém pode me explicar?!

Detesto injustiças

Detesto o modo como estás a lidar com isto

E só te detestarei a ti... se fizeres por isso !!!
malu

...Mais nada...

A "mafalda" faz hoje 45 anos e desde que a conheço que a adoro, e vou continuar a adorar...
que idade tens? ahhhhhh pois é... nasceste no mesmo ano... deve ser por isso que te adorei, desde que te conheci... Mas isso não te importa... nada mais importa ... o meu mundo desabou ... e eu continuo aqui...



Não adianta dizeres mais nada
Sempre me matas quando calas e te vais
Sempre que te peço amor
Que fiques e me expliques
Que tentes me acalmar
Que venhas me abraçar

Mal amada não saciada… pra ti sempre pedindo
Quando eu queria era dar
Pra ti sempre sentindo que preciso de mais
Quando eu queria era não mais cobrar

Não quero ser um bem menor
Não quero ser prescindível na tua vida
Não quero esperar mais
Não me vejo em ti…não me sinto próxima
Não fico bem… não, não fico bem

Não, não muda nada, saberes mais nada
Se só eu chamar-te quando não aguento não é o bastante
Para que entendas, para que me ajudes, para que me segures

Mal escolhida...não abençoada
Toda e qualquer hora, que te preciso mais

Não quero ser um amor distante
Não quero ser uma ausência viva
Não quero sofrer mais
Não me vês aqui .. Manténs-te tão longe
Não resulta … Não, não resulta assim

Amor que me ame
Vive não só em mim, vive também pra mim
Está comigo e com tudo o que sou
Não só com o que escolhe, deixando o que negou
Amor que eu ame
Eu quero fazer feliz…como me faz feliz
Vive e assim fica…não morre e assim vai!!!

Pode ser desigual o teu e o meu amor
O teu me dói de tão solto, o meu te sufoca demais
Deixai-o ir… talvez não volte mais…
E assim ao menos um de nós ficaria em paz!!!


malu

...comigo e em mim...


Eu não preciso de alguém que a todo momento tenha que reforçar o meu acreditar no seu sentir, seja através de muitos "eu te amo" ditos por dizer ou de promessas absurdas que não serão cumpridas nunca por tão absurdas serem! Não preciso que me dêem a lua, nem o planeta ou o universo. A mim basta o amor que mesmo no silêncio e na ausência é certo de estar comigo e em mim, sem que eu o peça ou me seja dado como uma obrigação.

...Perfura-me...

Não sei o que, mas vai perfurando
Meus medos, minha angústia, meu pensar
Perfurando como se fosse uma pequena agulha
No palheiro que não consigo encontrar

Perfura-me silenciosamente, a loucura
o silêncio dos meus movimentos vazios
e assim vou seguindo à mesura
esperando que se acenda o pavio

Escuto, calada, o barulho desta noite
que não me acalma com o cair da chuva fina
Apenas perfura-me sem nada indagar...

E tudo não passa de um mero açoite!
Desta cruel sensibilidade da rotina
Que espera o sentido de tudo se queimar!

Rangele Guimarães

25/09/2009

... mais uma vez ...


Sim... o criminoso volta sempre ao local do crime... e nunca conseguiria ficar muito tempo, longe de mim...

Este blog, sou eu, por mais negro ou deprimente que nos posts anteriores se tenha tornado, reflecte-me e sinto saudades... Não faz sentido mostrar uma fachada "cor-de-rosa" quando não está fácil... e como toda a minha vida as reticências me acompanharam, é nas reticências que quero estar.
O `depois de tudo´... continuará... se tiver que ser... assim como todas as histórias deste ou outro lugar qualquer onde more o meu estado de espírito, só andarão em mim ou me acompanharão cá ou lá, se ainda não tiverem acabado... se ainda não tivesse sido este o fim...
Não sei... tenho sérias dúvidas... mas raramente acerto, e mais dizem que é cego esse sentimento, e posso ter andado vesga de todo, ou não... Por isso, seja, o que o Amor quiser!!!
Voltei porque aqui pertenço, e por mais ausente que me encontre, tenho que ter um posto de acolhimento fiável.
Obrigado a todos os que mantêm esta casa minha "arejada" ... Por mais que as bata, quem me conhece sabe que, todas as minhas portas ficam entreabertas, para quem realmente me merece...

14/07/2009

Novo blog... Nova vida...

Confirmo que tenho uma nova morada
novo canto, onde se aloja o outro o o mesmo "eu"
ou simplesmente um novo blog
onde mais umas partes de mim se vão estilhaçando
amigos, inimigos, conhecidos, desconhecidos e outros
visitem http://www.marta-luis.blogspot.com/

`Ninguém gosta de estar sozinho por muito tempo!´

10/07/2009

entreguei-me e não me devolveram

Ninguém é dono da tua felicidade,
por isso não entregues a tua alegria,
a tua paz,
a tua vida nas mãos de ninguém,
absolutamente ninguém.

(Aristóteles)

Sei que aqui virás pelo menos uma vez, e saberás, porque nunca mais eu voltarei...

Porque foi essa a tua vontade, porque preferiste silênciar-me e dar as tuas palavras a outras pessoas que agora admiras, e continuar a dar a outras pessoas que já antes amavas...

Com o tempo e espaço que livremente arranjaste para os outros deixou de haver tempo e espaço forçado para mim aqui, de onde leváste tudo o que era teu e deitáste fora sem devolver uma única palavra...

Devolvo-te as lágrimas. As que dizes que alguma vez choraste, por sentir quem sabe saudade de mim, e encerro este blog...

Até depois da morte de tudo o que me fizeste sentir... até lá nada mais me chama aqui.

Depois de muitas reticências e ponderação "fecho a porta a onde não mais quero entrar" onde tudo o que me faz lembrar de ti me fere com a mentira que foste até hoje, e abro uma nova janela... porque depois de ti ainda sobra muito de mim...
Mas nunca mais aqui...nunca mais pra ti...

08/07/2009

Pus o meu sonho num navío

navío fantasma


Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo meu sonho,
dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


Tu és "Catarina"

imagem do ciclone catarina

A estranha forma que tomam
as nossas atitudes,
quando não pensamos
ou achamos que pensámos tudo.

Esqueci-me que existe uma pessoa
e um coração que talvez não perdoe,
esqueci-me que gostava de ti como amiga
porque eras assim,
fria como um icebergue à deriva num oceano de gente,
meiga como uma pessoa carente,
eras previsível sem o saberes
mas eu gostava de tudo isso.

Mas depois de me enjaulares
e depois de me mentires
eu não conseguia estar contigo,
não porque te odiasse
nem porque quisesse estar longe de ti,
mas porque esperava que as minhas despedidas
te levassem à procura de algo
que te levassem a perceber o errado
que tudo isto estava.

Mesmo que errado,
mesmo que estúpido.

Não aconteceu,
em ti continuou a existir uma pessoa fria
de ti vieram exigências,
quiseste transformar algo
numa farça fútil, como não mais amigos,
mas como estranhos que só dizem “olá”,
mas um “olá” bonito,
como se essa fosse uma categoria
de pessoas que te preenchem
logo a seguir às pessoas a quem dizes um “olá” simples,
quiseste que todos pudessem apreciar
a nossa troca de vulgares “olás”.

- ‘Deixei de te procurar, depois de me “enjaulares”.’
- ‘Estás bem com isso?’
- ‘Estou.’
- ‘Eu também.’

E depois um adeus que ditou um inicio,
não se criou um ódio só que tu és Catarina.

E hoje só o destino nos encontra,
enquanto tu te mergulhas na podridão
dessas pessoas, perdão desses tristes,
que escolheste para te rodearem,
tal qual rainha que na ausência de um rei
escolhe, moribunda e cega, uma corte cheia de caprichos.

Flávio Pinheiro

07/07/2009

...Confirmo com pesar...


Há sensivelmente um ano atrás ou talvez um pouco mais que isso... deixei aqui um texto de Artur da Távola que subscrevo desde que o conheço e, isso é há bem mais tempo atrás... aliás, sempre foi um dos pensadores que me chamou a atenção em muitos aspectos, fases ou temas da vida... e neste tema, dos relacionamentos, sempre o considerei um mestre, apesar de que, confesso, não sou nada nada nada boa aluna...

E se há um ano o partilhei, foi porque achei que, poderia ajudar, na matéria em que só para os outros olhamos, e em nós nunca vimos defeitos, nessa matéria basicamente universal que é o amor entre duas pessoas e a fórmula para o vingar...

Dei-lhe o nome, a esse post: ...amar não basta... lembras-te?

Passado este tempo, o que também é irrelevante, porque o tempo não conta nesta matéria, onde ou se sente ou não se sente, ou se ama e está disposto a viver o amor, ou não se ama, e estamos indiferentes ao ficar sem esse amor, volto a reler o mesmo, não por activação da minha veia masoquista, mas porque se sempre insisti nisto, é porque, achava que valia a pena.

Hoje, confirmo com pesar que não valeu a pena, nenhuma das lágrimas, nenhuma das vezes em que tentei recuperar o irrecuperável, tentei forçar a existir o inexistente, tentei que, como hoje te disse as palavras me fizessem acordar do pesadelo de não estares aqui, para acreditar no sonho de um destes dias vires a estar...

E para mim, basta de me negares até as palavras, e de me tentares calar com os teus silêncios, basta de me dizeres que o que tivemos foi pouco, quando queria ouvir-te dizer que o que temos é tudo, basta de me dizeres que só te faço mal, quando não tentas nenhum bem me fazer...

"Amar não basta", e confirmo com pesar, que tudo o que tinha para te dar, não foi o bastante para ti... consequentemente tudo o que sentia por ti, não basta agora para te amar.

Se bem que quem manda é o coração e, não será hoje que eu possa dizer-te que deixei de te amar, nem num hoje que eu consiga imaginar, nem de longe nem de perto, só para não usar a palavra nunca.

Mas ambos sabemos, que não basta.

Era preciso que ambos, quiséssemos caminhar juntos, alimentar juntos, emocionar juntos, e seduzir juntos esse sentimento que dizíamos sentir um pelo outro... porque como disse Távola, ..."Tem que saber que o amor pode ser bom pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande, mas não são dois. Tem que saber se aquele amor faz bem ou não, se não fizer bem, não é amor. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta."

E o meu amor, está esgotado de se sentir sozinho, não fisicamente se é que é preciso explicar-te, mas emocionalmente...

E não basta dizeres-me : "então está bem...basta!" para eu te perdoar não me teres amado o bastante, para preferires amar, com tudo o que o verdadeiro sentido da palavra implica...
Não basta dizeres-me que "lamentas muito" porque, lamentar não basta para apagar...nem o amor, nem a dor...
Não basta vires aqui ou até mesmo a outro qualquer lugar, dizer que não queres magoar-me mais, para o não fazeres...
Não basta dizeres: "então vive a tua vida", para eu viver...
Não basta afastares-te ou afastar-me, para sarar a ferida da ausência de nós em nós...

Era preciso que nunca mais (nem hoje nem em qualquer outro hoje a seguir que consigamos imaginar) estivéssemos separados. E mesmo assim, poderíamos dizer que não seria o bastante porque nada recupera os dias que tenho vivido sem mim ou os dias que tenho morrido sem ti.

Basta de estares longe de mim (não fisicamente se é que é preciso explicar-te - mas emocionalmente). Basta de me condenares, à distância, à estática e muda reacção e à indiferença, do que sinto e do que escrevo porque não me ouves...
Se o amor que te tenho não basta... então basta desse amor que não me tens...

Não basta querer amar-te, é preciso deixares-me sentir que me amas, mesmo quando não me deixas amar-te... Não basta que me ames, é preciso sentires que te amo, mesmo quando deixas morrer o nosso amor...

E só depois disso, se me disseres que basta,
é que te direi que mesmo assim, não basta meu amor!!!

...Princípios...


Podíamos saber um pouco mais
da morte.
Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais depressa.

Podíamos saber um pouco mais da vida.
Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais do amor.
Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.

06/07/2009

...os sinos...

os sinos do mosteiro de alcobaça
de regresso após recuperação
imagem de 2004 no fotolog de jhricardo
Num domingo manso à hora mate do lanche venho a este bazar para decorar a nostalgia. Para te encontrar por acaso, no acaso onde ambos sabemos que nada acontece por acaso. E neste instante não penso em nada, penso em nós.
Choveu esta manhã e parece que se me lavou a memória. Mas não...
Tocam os sinos do mosteiro e, de cada vez que os ouço, é meio dia. É como se me beliscasses e me dissesses que afinal foste real. O tocar dos sinos materializa-se num vestigio mais da tua passagem pela minha vida, em que sempre recordo o início daquela tarde glaciar debaixo de um calor abrasador, pois tremo não sei se de frio ou pavor, sempre que me dizes adeus.
Como me custou que descolasses os teus lábios dos meus. Amarga-me engolir em seco a tua ausência, seca-me a boca e o sangue ao evocar o beijo perdido.
Também seria bom, se me aparecesses agora, com a saudade pronta a morrer numa mão, e o desejo que tenho de te ver na outra, e me puchasses para o teu abraço. Tanto como custa que não estejas aqui.

05/07/2009

...parede de papel...

Areal da Praia do Salgado, com Nazaré ao fundo (foto de alan1)

Encostada à parede de papel deste jardim suspenso entre a serra e o mar, sinto a areia quente pelos meus pés gelar-me a alma, o sol do ar queimar-me a presença que se faz parecer a ti, aqui a meu lado agora. Não sonho já. Não desespero. Alimento este cenário improvável de nós dois, e a minha sobrevivência de migalhas de doces memórias, e já morri de fome da realidade.
Estarei eu ainda viva, ou esse meu amor?
Tanto queria andar, seguir, sair deste lugar, que fiquei presa a esses caminhos por onde me levaste e já não sei ir, ou ficar, sem ser por aqui, encostada a uma parede de papel, que tento não deixar cair. Mesmo queimada do sol do esquecimento, tombada do vento das incertezas, encharcada do dilúvio da distância, continua aqui leve e solta como a paz quando estás comigo, firme e robusta como a inequívoca força do saber que te pertenço ou que me pertences.
Mas mesmo assim, foste para longe há tempo demais, e sem culpa! E pergunto-me: será que vais fazer todo esse trajecto de volta? Pelo menos tentaste vir ao meu encontro, tentarás? Lembras-te de quando em vez, ouves quando te chamo ? Provavelmente...
Envolta em um misto de raiva de não estares aqui e uma alegria sã de te saber sempre aqui, volto sempre a pensar em nós e em como nos amámos uma vez ou outra desafiando a lei dos descrentes, e deixo de ser uma pessoa vazia à beira do vazio, intercalando o cansaço de te esperar com a felicidade de te amar.

malu

04/07/2009

...O Verão sem ti...

Este Verão assim dá-me o tempo que não quero. Sobra-me em desperdícios de momentos que não vivo contigo, quando não estás.Tenho até tempo para ler, e comprar livros e, até já me deixei de ler na net (apenas) e, vou apanhar ar e, visito a feira e, compro apenas os livros que ao tocar me lembram de nós.

Assim aconteceu com este, que de uma só rajada li, esta tarde...custou-me 1€ e valeu a pena: Trata-se de um curto (115pags.) mas excelente romance de 1996, de nome "Haldred", de Patrick Besson que se passeia pela Festa de Mojeström e pelos combates, pelas orgias e os insólitos ancestrais desta tradição nórdica, e assim conta a história de um amor louco, que me comoveu, e me invejou... (engraçado que o casal amoroso se encontrou num restaurante português, de nome "pescador" naquele lugar, na Noruega)

Logo na contracapa, o primeiro parágrafo do primeiro capítulo prendeu-me, e agarrei-o logo ali pra trazer comigo...
"O Verão começou naquela tarde, depois de um quarto de hora de Primavera, aproximadamente. Perguntei a Erika se queria casar comigo. Respondeu-me que Haldred nunca lhe daria o divórcio."
Abri, e li o segundo parágrafo...
"Amava-a de uma forma desalmada mas não lhe podia querer mal, disse ela, pois tinha feito tudo para isso."
Bastou pra me convencer... e já tinha outros na mão, que ficaram pra trás, na lista de prioridades de leitura...

Estas passagens que te deixo, poderão dizer-te porquê, levei hoje menos de uma hora a lêr este livro, e volto a ler e a reler, enquanto não me apetecer passar ao próximo: "Amores que atam" que também escolhi por nós:
"-Um amor como o nosso diz Erika, tanto pode continuar como acabar. Que importa? O importante é que tenha existido. Se fossemos imortais desejaria que o nosso amor também o fosse, mas como não é o caso..."
"Não, eu não queria dormir com ela. Foi sem dúvida essa a razão que fez com que ela depois me amasse tanto. por uma vez um homem não quisera dormir com ela."
"Perguntou-me se eu pensava muitas vezes nela. O que as feministas têm de aborrecido é que querem tanto estar em pé de igualdade com os homens que estes deixam de poder comunicar com elas, porque comunicar consiste justamente em dominar, ser dominado, usar de todas as artimanhas, violar, esmagar, oferecer-se, abandonar-se. A comunicação não é inofensiva, é amor, e no amor é preciso ser fraco."

"A questão de fazer ou não fazer amor não se coloca quando se deseja assim.(...)Mais do que fazer amor vivemos no interior do sexo como os leões vivem na selva. Entrámos no sexo e ele fechou a aporta atrás de nós e demo-nos então conta de que não era no sexo que nos encontrávamos mas no paraíso."

"O que é bom, quando acariciamos a mulher que amamos é que temos toda a eternidade à nossa frente."
"A voz é metade de uma mulher. Como se toda a vida nos fôssemos preparando para sermos cegos, guiamo-nos pelo som. A primeira coisa que fazemos não é olhar para uma mulher, mas ouvi-la. E só se a flauta de Pan que tem no lugar da boca nos encanta, é que começamos a olhar para ela. Aquilo que me seria mais difícil separar, se algum dia a Erika me deixasse, seria da sua voz."

"Tantas vezes a beleza zombou de nós que no dia em que ela nos contempla só somos capazes de pensar que não se trata com certeza de beleza."

"Em matéria de amor não há encontros, há apenas reencontros."
" O ser humano tem muitos vícios, disse Erika, mas deixar-se amar por alguém que não se ama é o pior de todos, e é precisamente esse o meu."

"Dois rios que se entrelaçam. Peixes correndo uns para os outros. Espuma. O nosso repouso, como se já antes tivéssemos partilhado o leito de cem noites. Começámos por não ter nada a dizer um ao outro - antes que as suas palavras e as minhas se fundissem umas nas outras. Fusão através do verbo que desabrocha como nunca antes. As nossas histórias que, para se encadearem, revolvem o passado no desejo de encontrarem laços. O que fizemos a dois quando ainda nem sequer nos conhecíamos."
Mais valia ler- te o livro inteiro não?!...
Mas não... transcrevi tudo, letra por letra...
Porque me soube muito bem ler-nos aqui, e dar-te a ler, a ti...
Assim preencho o Verão...sem ti...

01/07/2009

...horas sem tempo...


Nestas horas sem tempo que não passam
Tento deslindar de que massa és tu feito...
Serás a minha metade boa ou má, sendo que,
metade de mim é amor, e a outra metade...amor...?
Serás a dor que sinto?...
Serás igual a mim, pra mim,
ou apenas um desejo de mim, que nunca existiu...?!

Espererei uma palavra...um toque, um sinal
e as lágrimas voltam a dizer-me que te amo
mesmo não vindo
mesmo não te tendo...
e doi mais do mesmo "não falando"

E nestas páginas amarrotadas dos dias e noites desinquietos
em que tento curar esse abismo do meu sentir
em que tento arranjar uma razão para sorrir
quando me dizes pra viver...(sem ti)

Morro... porque te vejo desistir
e destruo-me quando me/te culpo por não mais teres forças
pra me levar
pra me amar

E insisto... fervendo de raiva de não saber por onde andas...
Pior; de descobrir que não te interessa por onde ando...
E odeio-te por não me amares mais...
Porque não abro mão do meu querer...
Porque acredito no meu amor...
Mesmo nestas horas sem tempo que não passam...

...Diz-me...


E se não mais te dirigisse a palavra?
Se não mais te dissesse que estou viva
ou que vives em mim, mesmo que me mate?

E se não mais soubesses de mim
Nunca mais me visses
Não mais me ouvisses
mesmo os gritos mudos
entre os silêncios que nos repelem

Abrandaria a tua dor?
Acalmaria teu coração?
Viverias melhor?
Insistes tanto em afastares-te, desculpando-te comigo
Será então mais fácil para ti desistir, do que amar... ?
Será... e eu ainda não vi?
Diz-me!

Se preferes que eu me apague de vez da tua vida,
Diz-me!
Custaria muito menos esta ausência, este fim,
se ao menos um de nós fosse menos infeliz...
Mas tens razão:
Eu tanto peço -
Diz-me,
e tu dizes ou não dizes sempre o mesmo,
que provávelmente
só e ainda eu é que acredito...
ou ainda espero...
que tenhas algo diferente a dizer-me...
Diz-me...
malu

(mais) Silêncio (ainda)

vitrola dos ausentes



Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.


Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli

...morte aos laços...


Ter um sonho, um sonho lindo,
Noite branda de luar,
Que se sonhasse a sorrir...
Que se sonhasse a chorar...

Ter um sonho, que nos fosse
A vida, a luz, o alento,
Que a sonhar beijasse doce
A nossa boca... um lamento...

Ser pra nós o guia, o norte,
Na vida o único trilho;
E depois ver vir a morte
Despedaçar esses laços!...

...É pior que ter um filho
Que nos morresse nos braços!
Florbela Espanca

...não contes...


não contes as vezes que não te disse: amo-te
lembra-te apenas das que te sentiste amado
não te peço que me queiras bem
esperava que me amasses
tantas vezes como as que disseste
seriam o bastante pra me fazer feliz
e não me sinto

...fácil de entender...?!?...

Talvez por não saber falar de cor, imaginei
Talvez por saber o que não será melhor, aproximei
Meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós...
sei lá eu o que queres dizer.
Despedir-me de ti,
"Adeus, um dia, voltarei a ser feliz."

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor
não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse
era fácil de entender.

Talvez por não saber falar de cor, imaginei.
Triste é o virar de costas, o último adeus
sabe Deus o que quero dizer.
Obrigado por saberes cuidar de mim,
tratar de mim, olhar para mim...
Escutar quem sou
e se ao menos tudo fosse igual a ti...

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor
não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse
era fácil de entender.

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor
não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse
era fácil de entender.

É o amor que chega ao fim.
Um final assim, assim é mais fácil de entender...

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor
não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse
é mais fácil de entender.

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor
não sei o que é sentir.
Se por falar, falei, pensei que se falasse
era fácil de entender.

...Seja onde for...

imagem in wordpress.com

Qualquer dia, qualquer hora
Agente se encontra
Seja aonde for, pra falar de amor

Qualquer dia, qualquer hora
Agente se encontra
Seja aonde for, pra falar de amor

Pra matar a saudade,
Da felicidade
Dos instantes que juntos passamos
E promessas juramos

Reviver os momentos
De sonho e de paixão
Das palavras loucas
Vindas do coração

Meu amor
Ah se eu pudesse te abraçar agora
Poder parar o tempo nessa hora
Prá nunca mais eu ver você partir
Meu amor...

Meu amor
Ah se eu pudesse te abraçar agora
Poder parar o tempo nessa hora
Prá nunca mais eu ver você partir

(Meu amor)

Música: Os Amantes (1977)
Autoria: Sidney da Conceição / Lourenço / Augusto Cesar
Interpretação: Luiz Ayrão