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18/03/2010

...arrisco...e não sou nada... senão o teu "Não"...


Para o guerreiro, não existe amor impossível. Ele não se deixa intimidar pelo silêncio, pela indiferença, ou pela rejeição. Sabe que, atrás da máscara de gelo que as pessoas usam, existe um coração de fogo. Por isso o guerreiro arrisca mais que os outros. Busca incessantemente o amor de alguém, mesmo que isto signifique escutar muitas vezes a palavra “não”, voltar para casa derrotado, sentir-se rejeitado em corpo e alma. Um guerreiro não se deixa assustar quando busca o que precisa. Sem amor, ele não é nada.

Paulo Coelho
o não

07/07/2009

...Confirmo com pesar...


Há sensivelmente um ano atrás ou talvez um pouco mais que isso... deixei aqui um texto de Artur da Távola que subscrevo desde que o conheço e, isso é há bem mais tempo atrás... aliás, sempre foi um dos pensadores que me chamou a atenção em muitos aspectos, fases ou temas da vida... e neste tema, dos relacionamentos, sempre o considerei um mestre, apesar de que, confesso, não sou nada nada nada boa aluna...

E se há um ano o partilhei, foi porque achei que, poderia ajudar, na matéria em que só para os outros olhamos, e em nós nunca vimos defeitos, nessa matéria basicamente universal que é o amor entre duas pessoas e a fórmula para o vingar...

Dei-lhe o nome, a esse post: ...amar não basta... lembras-te?

Passado este tempo, o que também é irrelevante, porque o tempo não conta nesta matéria, onde ou se sente ou não se sente, ou se ama e está disposto a viver o amor, ou não se ama, e estamos indiferentes ao ficar sem esse amor, volto a reler o mesmo, não por activação da minha veia masoquista, mas porque se sempre insisti nisto, é porque, achava que valia a pena.

Hoje, confirmo com pesar que não valeu a pena, nenhuma das lágrimas, nenhuma das vezes em que tentei recuperar o irrecuperável, tentei forçar a existir o inexistente, tentei que, como hoje te disse as palavras me fizessem acordar do pesadelo de não estares aqui, para acreditar no sonho de um destes dias vires a estar...

E para mim, basta de me negares até as palavras, e de me tentares calar com os teus silêncios, basta de me dizeres que o que tivemos foi pouco, quando queria ouvir-te dizer que o que temos é tudo, basta de me dizeres que só te faço mal, quando não tentas nenhum bem me fazer...

"Amar não basta", e confirmo com pesar, que tudo o que tinha para te dar, não foi o bastante para ti... consequentemente tudo o que sentia por ti, não basta agora para te amar.

Se bem que quem manda é o coração e, não será hoje que eu possa dizer-te que deixei de te amar, nem num hoje que eu consiga imaginar, nem de longe nem de perto, só para não usar a palavra nunca.

Mas ambos sabemos, que não basta.

Era preciso que ambos, quiséssemos caminhar juntos, alimentar juntos, emocionar juntos, e seduzir juntos esse sentimento que dizíamos sentir um pelo outro... porque como disse Távola, ..."Tem que saber que o amor pode ser bom pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande, mas não são dois. Tem que saber se aquele amor faz bem ou não, se não fizer bem, não é amor. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta."

E o meu amor, está esgotado de se sentir sozinho, não fisicamente se é que é preciso explicar-te, mas emocionalmente...

E não basta dizeres-me : "então está bem...basta!" para eu te perdoar não me teres amado o bastante, para preferires amar, com tudo o que o verdadeiro sentido da palavra implica...
Não basta dizeres-me que "lamentas muito" porque, lamentar não basta para apagar...nem o amor, nem a dor...
Não basta vires aqui ou até mesmo a outro qualquer lugar, dizer que não queres magoar-me mais, para o não fazeres...
Não basta dizeres: "então vive a tua vida", para eu viver...
Não basta afastares-te ou afastar-me, para sarar a ferida da ausência de nós em nós...

Era preciso que nunca mais (nem hoje nem em qualquer outro hoje a seguir que consigamos imaginar) estivéssemos separados. E mesmo assim, poderíamos dizer que não seria o bastante porque nada recupera os dias que tenho vivido sem mim ou os dias que tenho morrido sem ti.

Basta de estares longe de mim (não fisicamente se é que é preciso explicar-te - mas emocionalmente). Basta de me condenares, à distância, à estática e muda reacção e à indiferença, do que sinto e do que escrevo porque não me ouves...
Se o amor que te tenho não basta... então basta desse amor que não me tens...

Não basta querer amar-te, é preciso deixares-me sentir que me amas, mesmo quando não me deixas amar-te... Não basta que me ames, é preciso sentires que te amo, mesmo quando deixas morrer o nosso amor...

E só depois disso, se me disseres que basta,
é que te direi que mesmo assim, não basta meu amor!!!

24/01/2009

...amar é raro...

cito e subscrevo:

Amar é dar,
derramar-me num vaso que nada retém
e sou um fio de cana por onde circulam ventos e marés.

Amar é aspirar as forças generosas que me rodeiam,
o sol e os lumes,
as fontes ubérrimas que vêm do fundo e do alto, água e ar,
e derramá-las no corpo irmão,
no cadinho que tudo guarda e transforma
para que nada se perca e haja um equilíbrio perfeito
entre o mesmo e o outro que tu iluminas.

Dar tudo ao outro,
dar-lhe tanta verdade quanta ele possa suportar,
e mais e mais;
obrigar o outro a elevar-se a um grau superior de eminência,
fulguração,
mas não tanto que o fira ou destrua em overdose
que o leve a romper o contrato
— o difícil equilíbrio dos amantes!

Amar é raro
porque poucos somos capazes de respirar
as vastas planícies com a metade do seu pulmão;

e amar é raro
porque poucos aceitam a presença do seu gémeo,
a boca insaciável de um irmão
que todos os dias o vento esculpe e destrói.

(Casimiro de Brito, in 'Arte da Respiração')

22/09/2008

...indisposição...

Gera-me uma certa indisposição,
não saber exactamente onde estou...

desde que inventaram os mapas urbanos
onde se assinala um centro num pequenino círculo
onde se identifica o lugar e o "você está aqui"
que me sinto desorientada
completamente perdida nesta selva

Onde fica a tua rua meu amor?!
Indicas-me o caminho?

Fico fraca de esperar que o vento me leve ou que os trilhos se notem
para que possa perseguir um qualquer rasto
não há guias generosos e não passam transportes públicos
não há sequer luz, neste beco onde me deixaste

Vou estancar aqui
não consigo mais chorar
meu corpo já não me obedece
minha alma não me pertence
meu coração não me escuta
só bate...
apaga-se...e bate...
e já nada mais me importa

Não sei
exactamente onde estou
e isso,
gera-me uma certa indisposição...!!!



Setembro 2008
Alcobaça
Malu

26/05/2008

...recordo...sem pena...

Os meus pensamentos foram-se afastando de mim, mas, chegado a um caminho acolhedor, repilo os tumultuosos pesares e detenho-me, de olhos fechados, enervado num aroma de afastamento que eu próprio fui conservando, na minha pequena luta contra a vida. Só vivi ontem. Ele tem agora essa nudez à espera do que deseja, selo provisório que nos vai envelhecendo sem amor. Ontem é uma árvore de longas ramagens, e estou estendido à sua sombra, recordando. De súbito, contemplo, surpreendido, longas caravanas de caminhantes que, chegados como eu a este caminho, com os olhos adormecidos na recordação, entoam canções e recordam. E algo me diz que mudaram para se deter, que falaram para se calar, que abriram os olhos atónitos ante a festa das estrelas para os fechar e recordar... Estendido neste novo caminho, com os olhos ávidos florescidos de afastamento, procuro em vão interceptar o rio do tempo que tremula sobre as minhas atitudes. Mas a água que consigo recolher fica aprisionada nos tanques ocultos do meu coração em que amanhã terão de se submergir as minhas velhas mãos solitárias...

Pablo Neruda, in 'Nasci para Nascer'

promessas...só promessas ... esse "só" já te não basta...?!
pena que já nada tenhas pra me dizer... mesmo que não seja novo...!!!

23/05/2008

...as pessoas...


Há sempre uma selecção
Os melhores dos melhores, ou aqueles que mais nos marcaram...

os filmes da nossa vida
as canções da nossa vida
os bichos da nossa vida
e as pessoas
as pessoas da nossa vida
e há ainda os autores, os pensadores da nossa vida
e Shakespear é mesmo um deles, e traduz no que diz tudo o que eu teria dito se o próprio me perguntasse, pelas pessoas...ou pelo tamanho delas...e nas pessoas, o tamanho realmente importa muito:

O Tamanho das Pessoas...

"Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri .É pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amorUma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida, quando procura alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto contigo. E pequena quando se desvia do assunto.Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de acções e reacções, de expectativas e frustrações.Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.O egoísmo unifica os insignificantes.Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... é a sua sensibilidade, sem tamanho..."

Willian Shakespeare

07/07/2007

... procura-se um amigo ...

Vinícios de Moraes, tem entre muitas uma admirável poesia que diz:

"Procura-se um amigo... Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive..."

E tu...és realmente meu amigo ?!