28/11/2008

..100...

Mensagem número 100
Terá algum significado?!

Aqui tenho vindo nos últimos tempos deixar conversas comigo mesma, para que alguém possa escutar (todos um dia escutamos em algum acaso ou não, as conversas dos outros) aqui tenho mantido ou trocado segredos, pensamentos, leituras que me marcaram em certas passagens que sublinho para nunca esquecer… dos livros ou dos dias que escrevo conforme passo pela vida que me alberga de momento.

Serão lamentos, serão momentos, será o meu lado mágico a brincar com as palavras, as que me dão, e as que vos dou, enquanto ando por aqui, serão sonhos, ou tormentos.

Interpretem como acharem que seja, sem indiferença, sem julgamento leviano.
Tudo o que aqui venho deixar…faz parte de mim… Fragmentos de um diário inexistente, que partilho, sempre em busca do que me completa.

Elegi algumas “coelhices”, para esta mensagem nº 100
Porque também aqui sei que… não posso parar de sonhar… não vou deixar de escrever…obrigado a todos os que gostam de aqui estar.


Alcobaça, 28 de Novembro de 2008– Malu


“O homem nunca pode parar de sonhar.
O sonho é o alimento da alma, como a comida é o alimento do corpo.
Muitas vezes, em nossa existência, vemos nossos sonhos desfeitos e nossos desejos frustrados, mas é preciso continuar sonhando, senão nossa alma morre...

O Bom Combate é aquele que é travado porque o nosso coração pede…dentro de nós mesmos…é aquele que é travado em nome de nossos sonhos…Matamos nossos sonhos porque temos medo de combater o Bom Combate…

…O primeiro sintoma de que estamos matando nossos sonhos é a falta de tempo…
As pessoas mais ocupadas que conheci na minha vida sempre tinham tempo para tudo. As que nada faziam estavam sempre cansadas, não davam conta do pouco trabalho que precisavam realizar, e se queixavam constantemente que o dia era curto demais. Na verdade, elas tinham medo de combater o Bom Combate.

O segundo sintoma da morte de nossos sonhos é nossas certezas.
Porque não queremos olhar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a nos julgar sábios, justos e correctos no pouco que pedimos da existência. Olhamos para além das muralhas do nosso dia-a-dia e ouvimos o ruído de lanças que se quebram, o cheiro de suor e de pólvora, as grandes quedas e os olhares sedentos de conquista dos guerreiros. Mas nunca percebemos a alegria, a imensa Alegria que está no coração de quem está lutando, porque para estes não importa nem a vitória nem a derrota, importa apenas combater o Bom Combate.

Finalmente, o terceiro sintoma da morte de nossos sonhos é a Paz.
A vida passa a ser uma tarde de Domingo, sem nos pedir grandes coisas, e sem exigir mais do que queremos dar. Achamos então que estamos maduros, deixamos de lado as fantasias da infância, e conseguimos nossa realização pessoal e profissional. Ficamos surpresos quando alguém de nossa idade diz que quer ainda isto ou aquilo da vida. Mas na verdade, no íntimo de nosso coração, sabemos que o que aconteceu foi que renunciamos à luta por nossos sonhos, a combater o Bom Combate…

…Quando renunciamos aos nossos sonhos e encontramos a paz …temos um pequeno período de tranquilidade. Mas os sonhos mortos começam a apodrecer dentro de nós, e infestar todo o ambiente em que vivemos. Começamos a nos tornar cruéis com aqueles que nos cercam, e finalmente passamos a dirigir esta crueldade contra nós mesmos. Surgem as doenças e as psicoses. O que queríamos evitar no combate – a decepção e a derrota – passa a ser o único legado de nossa covardia. E um belo dia, os sonhos mortos e apodrecidos tornam o ar difícil de respirar e passamos a desejar a morte, a morte que nos livrasse de nossas certezas, de nossas ocupações, e daquela terrível paz das tardes de domingo…

...Já aprendeu a aceitar as aventuras e os desafios da vida, mas continua querendo negar o extraordinário… todos os dias: vemos sempre o melhor caminho a seguir, mas só andamos pelo caminho que estamos acostumados…

A única maneira de salvarmos nossos sonhos, é sendo generosos connosco mesmos. Qualquer tentativa de auto punição – por mais subtil que seja, deve ser tratada com rigor. Para saber quando estamos sendo cruéis connosco mesmos, temos que transformar em dor física qualquer tentativa de dor espiritual: como culpa, remorso, indecisão, covardia.
Transformando uma dor espiritual em dor física, saberemos o mal que ela pode nos causar.”

Petrus – O Diário de Um Mago

“…existe uma pergunta que todos nós devemos fazer, sempre que começamos qualquer coisa. A pergunta é a seguinte: “Para quê? Para que tenho que fazer isto?”
– Porque a gente sempre destrói aquilo que ama … A gente sempre destrói aquilo que mais ama em campo aberto, ou numa emboscada; alguns com a leveza do carinho outros com a dureza da palavra; os covardes destroem com um beijo, os valentes, destroem com a espada….
– Então é para isso … Para quebrar a maldição…
– Pelo amor. Pela vitória. E pela Glória de Deus – respondeu...”

Diálogo entre J e Paulo PRÓLOGO de AS VALKÍRIAS


“O caminho da Magia é o caminho das pessoas comuns.
Um homem pode ter um mestre, seguir uma Tradição esotérica, possuir disciplina necessária para realizar rituais; mas a Busca Espiritual é feita de constantes começos (daí a palavra “Iniciado”, aquele que está sempre iniciando algo), e a única coisa que conta – sempre – é a vontade de seguir adiante.”

Paulo Coelho sobre As Valkírias


em http//: www.paulocoelho.com

...que o mundo saiba...

Que alguém grite o que eu sinto, para que o mundo o saiba.
Que alguém me leia, como um livro,
que me saibam ver, e estudar.
Decorem o meu rosto, cada linha, o meu corpo,
cada traço o meu ser ...devagar.
Que alguém me grite,
grite esta angústia de não poder dizer.
Que alguém fale, fale deste meu mar
E segrede baixinho, dos meus lábios aos teus
esta vontade imensa de te amar.

by midnight

27/11/2008

...sugiro...

Sugiro-te que vás ao meu amargo coração
E decifres a raiz das palavras galopantes que doem como razão.
Guarda sem vãs resistências todas as sensações, apegos, desvios,
Presencia os latejos descompassados,
Apura estritamente o que te agride,
Prega numa tábua todas as letras,
Conta todas as inúmeras gotas,
Dessas lágrimas ciclónicas, desse sangue
Que detém todos os surtos cativos do meu sopro.

Sugiro-te que vás ao meu esvaziado âmago
E beijes todas as penas que encontrares.
Marca todas as paragens em que te vejas,
Todas as passagens onde não estejas
Cura em mim as tuas mágoas, meus e teus tormentos,
Bane a vida libertina desses fantasmas
Ilumina se quiseres todos os anjos
Lacra todos os medos dessa criatura
Que erra em todas as horas do meu existir

Sugiro-te que vás ao meu epicentro
E desemaranhes onde mora a minha esperança
Estanca a minha terra de toda a agonia diluviana que me mata,
Que a hospedes em ti, e trates bem dela,
Que a faças forte, e ma devolvas...
Sugiro-te que vás, que eu não consigo,
Desaprendi todos os caminhos, perdi todas as cábulas...
Sugiro-te ainda que me leves contigo lá aonde…
Que eu, com ou sem ti, não sei mais ir.


Malu
Alcobaça
27 de Novembro de 2008

...medo...


"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida,
há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."

Clarice Lispector

26/11/2008

...refém...


Esquecer-me o pensamento era-me o bastante

Não me apetece pedir-me nada,
Não pretendo torturar-me hoje
Rebentaram as forças do meu sangue
Que já não alimenta alegremente o meu corpo
Não me inquieta a rebeldia de outrora
Que já não aquece nem faz pulsar meu coração


Meus olhos baços fechados, era-me o bastante

Não me já dói sequer cansá-los mais
Não sei mais procurar-te hoje
Esgotaram os lugares vagos onde te escondes
Onde não posso andar a teu lado
Não entendo como me manténs refém
Onde em cruel liberdade me aprisionas


Ter-te comigo ao acordar era-me o bastante

Não me digas que o não podes hoje
Não me digas que o não sabes quando
Dilaceras o meu ser, a minha alma
Que já te não têm, e têm sempre em mim
Não me é mais nem menos, essa dor
Que já te não vê, e te sente assim …
Malu
Alcobaça, 26 Novembro 2008

...querer animal...

"Quem és tu, donde vens, adorável pantera,
Mistura de anjo, de gata, de fera,
Que mistério é esse que me enfeitiça?
Enquanto teu corpo me aceita carente,
Me derreto em prazeres, deliciosamente,
No incêndio que esta fagulha atiça."

Piero Valmart

...ferve...


… esta saudade ferve...
enquanto os nossos corpos gelam de tão longe...

...se soubesses como eu te amo,
não precisarias de pedir-me
para te amar, como tu me amas...

22/11/2008

...grito...

Estou num enorme silêncio,
Tudo à minha volta é silêncio
Estou só,
As coisas que me rodeiam são silêncio,
Tudo está parado no devido lugar.
Silêncio, Silêncio, Silêncio…
Até que me farto e…
Grito: AMO-TE!!!
Estou farta deste silêncio,
Preciso de te dizer que te amo.
Tenho necessidade de o gritar
Grito o amor que sinto por ti,
Cada vez mais alto,
Na esperança de me ouvires.
Estejas onde estiveres
Com quem quer que seja.
Vais-me ouvir!?
E vais ficar em silêncio,
Ou apenas
dizes que também me amas?

By: Ana Rendeiro

18/11/2008

...Vivo, vivíssima...

Intento ser, à minha maneira, um estóico prático, mas a indiferença como condição de felicidade nunca teve lugar na minha vida, e se é certo que procuro obstinadamente o sossego do espírito, certo é também que não me libertei nem pretendo libertar-me das paixões. Trato de habituar-me sem excessivo dramatismo à ideia de que o corpo não só é finível, como de certo modo é já, em cada momento, finito. Que importância tem isso, porém, se cada gesto, cada palavra, cada emoção são capazes de negar, também em cada momento, essa finitude? Em verdade, sinto-me vivo, vivíssimo, quando, por uma razão ou por outra, tenho de falar da morte…


Novembro 18, 2008 by José Saramago
Publicado em O Caderno de Saramago

14/11/2008

...doce...



... "dou-te um doce...

em troca de um beijo

salgado"... lá ra la la lai la



Manjar dos Deuses - venceu o 1º prémio da mostra dos doces conventuais,
este fim de semana em Alcobaça.

vê aqui...como foi...
http://www.tvfatima.com/portal/index.php?id=1479

Lá vamos nós, assim que der, manja-lo
à pastelaria Alcoa...no rossio...

Vens ?!

10/11/2008

...

Sei que tinha dito anteriormente que não abusaria aqui de imagens neste blog, meu refúgio capital... Mas também já o disse e sabem os que me reconhecem que, mudo constantemente, de estado, de sentir, de humor, de sorrir, de calar, de gritar, de chorar, de fingir...

Hoje doi tanto, que tive que vir aqui... E rendi-me à colocação de uma imagem que retiro da net, a tentar explicar-me, quando me faltam as palavras...

Dizem que uma...vale por mil... Entendes-me ? O meu coração, não aguenta mais!!!

06/11/2008

...silêncio da tua ausência ...


"Espero-te ...Todos os dias . Será a minha espera vã ?... Será sempre assim ?
Que mais posso pedir-te ? ... Poderei pedir ?... Deverei ? ...
Tu és aquele que eu devia ter tido medo de amar ...
Tu és aquele que amo sem medo .
Tu és aquele de quem eu devia ter fugido ...
Tu és aquele para quem mais quero ir .
Posso pedir-te inocentemente que acredites
no sonho , isso posso ...
Sinto-me só , meu amor .
A realidade levou-te já há alguns dias para longe de Nós .
Estou só ... Porque nestes dias tudo é mais pesado ,
tudo é mais verdade que Nós .
Estou triste ...
Que será de mim contigo ?
Que será de mim sem ti ?
Quantas questões ...
Sinto as minhas mãos demasiado vazias,
num vazio que não faz sentido .
Porque nos amamos tanto,
porque nos queremos não para
hoje ou amanhã, mas para sempre .
Só queria adormecer nos teus braços hoje .
Só queria acordar neles amanhã .
Ver-te sorrir nesse sorriso transparente que tens.
Queria encontrar-me nos teus olhos todas as manhãs ,
na certeza serena e doce de que me pertences, de que te pertenço .
É tão fácil amar-te mais todos os dias .
Tu és feito de doçura , generosidade , bondade , beleza.
Foi tão fácil sonhar-te . Deixar que sonhasses comigo ...
Mas é tão dificil não pensar, não questionar,
não me sentir só, perdida sem ti .
E sei que a tua voz busca a minha
todos os dias ,
mesmo na distância .
Dás-me o que podes, roubando à tua vida momentos para Nós .
Mas nada chega para apagar esta ausência ...
este silêncio da tua ausência ... "


Publicada por paula em http://www.silenciodatuaausencia.blogspot.com/

(De mim pra ti...sempre senti nosso, este pensamento meu amor)

05/11/2008

...A Àmon...

Único é o oculto que permanece velado para os deuses, sem que a sua verdadeira forma seja conhecida.
Nenhum deles conhece a sua verdadeira natureza que não é revelada em nenhum escrito. Ninguém o pode descrever, é demasiado vasto para ser apreendido, demasiado misterioso para ser conhecido.
Quem pronunciasse o seu nome secreto seria fulminado...


Hino a Ámon , Mitologia Egípcia

04/11/2008

... não direi adeus ...


Ontem escrevi uma carta...

Uma carta de despedida, como que de despedida, de uma segunda casa que tenho, de um lugar onde até há alguns tempos atrás me sentia sempre bem, de um refúgio que até mesmo onde já não me sinto bem, o continua a ser...

Não tenho vindo aqui...

Tenho vagueado por outors blogs, onde me passeio e me encanto, e vou descobrindo que, tal como eu, há gente que consome as palavras e a escrita e a simplicidade dos sentires como alimento para a alma, como escape do quotidiano e como bálsamo para a dor, dos desencontros amorosos por que passamos todos.
Tenho andado perdida, o que não será novidade, mas distânte mesmo de mim, com muito trabalho, escalado ou voluntário, e com o coração preso, e apertado, do medo que é ter uma mãe doente, à espera de uma cirurgia delicada, a um tumor na cabeça...violento sim, mas cá se vai indo... e mais, essa "operação" foi adiada... será mais um mês de ansia que aproveito como nunca...

Sempre que temos medo ou certezas intimas de que vamos perder algo ou alguém, é quando lhe damos mais atenção, mais valor, mais tempo, do nosso tão precioso e disperso tempo, por coisas e pensamentos e divagações tão mais fúteis ou menos importantes do que a do momento em que chegamos a essa conclusão, de que estamos a perder alguém que amamos...

É esse sentimento que me veste, nestes ultimos tempos, de perda, de dura perda, e de revolta.

É voltando a ler a carta que escrevi ontem, e voltando a chorar com ela, que me recuso a clicar no "enviar"...

Não... não direi adeus a essa casa, porque também é minha... já fui embora de muitos corações, de muitos lugares de muitos projectos deixados a meio, por me fazerem mal durante o caminho antes do fim, e me acobardar, e desistir de lutar, pra lá chegar.

Não direi adeus..
Não hoje, não agora...
Não mereço tanta despedida ao mesmo tempo...

Engulo a ferida que abriu, e mais uma vez tento sarar, com o remédio santo que é, olhar prá frente... e levantar a crista e continuar a marchar... pisando toda a porcaria que está a nossos pés, e onde se estavamos a deixar afundar...

Como será viver sem a rádio? Sem a minha rádio? pensei eu esta noite...

E entre olhar pra trás, e ver tudo o que já passei ali, naquele mesmo lugar, com aquelas mesmas pessoas de há quase 20 anos a esta parte, coisas más e coisas boas, e ultimamente mais más que boas, que me fizeram mais uma vez pensar em abandonar... e, em vez disso, olhar pra frente e me imaginar, sem esse bichinho dentro de mim a vibrar, o de comunicar, esquecendo tudo o resto, e vivendo a rádio, só pra mim, e me lixar pró que acontece atrás dos microfones, em off... preferi o segundo cenário...decidi...
Vou ficar... ferida, de asa murcha, mas pronta pra voltar a arrebitar.

Que se lixem, todos os que me querem ver pelas costas, também aqui...
Posso chorar, posso barafustar, posso vacilar... quase posso quebrar...
Mas não direi adeus, não hoje, não agora...
Guardo em rascunho, para me lembrar e me engordar, já que tudo o que não nos mata torna-nos mais fortes.