17/03/2011

...longe...

"longe é um lugar que não existe"


estás no meu coração
e é assim que te quero

só espero
que o sintas bater por ti
e por ti o queiras libertar
não posso mais estar sem ti
faz-me bem meu amor

14/03/2011

... morro sem ti ...



A morte não é a maior perda da vida.
A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos.


(Norman Cuisins)

...medo...



Por incrível que pareça, muita gente tem medo da felicidade. Para estas pessoas, estar de bem com a vida significa mudar uma serie de hábitos – e perder sua própria identidade.
Muitas vezes nos julgamos indignos das coisas boas que acontecem conosco. Não aceitamos os milagres – porque aceitá-los nos dá a sensação de que estamos devendo alguma coisa a Deus.
Além disso, temos medo de nos acostumar com a felicidade.
Pensamos: “é melhor não provar o cálice da alegria, porque, quando este nos faltar, iremos sofrer muito”.
Por medo de diminuir, deixamos de crescer. Por medo de chorar, deixamos de rir.

paulo coelho

12/03/2011

...o mínimo...


(...) farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz...
c lispector 

...meu bem...


"Há bens inalienáveis, há certos momentos que, ao contrário do que pensas, fazem parte da tua vida presente e não do teu passado. E abrem-se no teu sorriso mesmo quando, deslembrado deles, estiveres sorrindo a outras coisas."

 Mário Quintana

11/03/2011

...antes...


O amor nunca vem antes, não há oração, coração ou simpatia para que ele se anteceda. Vencer a nós mesmos, vencer a própria pressa, suportar e decifrar o descaso e descanso da hora. Esperar. Esperar como se não tivéssemos urgência, esperar como se a espera fosse o último motivo de não ir para frente. O amor nunca vem antes. Nunca antes da paixão, nunca antes da primeira oportunidade para pular do barco, nunca antes de conhecer o outro tão fundo a ponto de desistir. O sentimento seleciona ou anula, e entre um sim ou um não a linha é tão tênue e ao mesmo tempo um enorme abismo. Sim ou não. Uma escolha rende a história de uma vida, ou de duas. Escolher quando a chance de ser escolhido é bem maior. O amor nunca vem antes... Sempre virá depois do que pensamos ser amor.
 
cáh morandi

...breve...



Breve porque quero, breve porque preciso, breve porque não me agüento mais chorando pelos cantos, porque não agüento mais sempre ser apontada como a sofredora, a guerreira, a sobrevivente. Afinal de contas, qual foi a guerra que eu entrei que eu não me lembro? Não me deram uniformes e nem fardas, não me ensinaram a atirar e a me esconder de granadas.

Não quero mais guerra, quero paz.
Rani Ghazzaoui


09/03/2011

...ás vezes...



E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.

ana jácomo

02/03/2011

...por ti...


adeus meu amor
vou embora deste lugar, desta vida a que não pertenço

àqueles que um dia sintam a minha falta só desejo tudo de bom
ficarão muito melhor sem mim
não espero compreensão nem perdão
pois sou eu quem falho aqui
não consigo mais ficar

tu desistes de continuar comigo
eu desisto de continuar sem ti

levo-te em mim
parto com a angustia de saber nunca ter sido amada
deixo-te a alegria de saberes que te amarei para todo o sempre

e vou
porque preciso de amor
e não há aqui amor pra mim
não consigo respirar assim
e se é pra morrer de amor
que seja por ti

01/03/2011

...metade malu/metade caze...

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

24/02/2011

escolhas


Há quem tenha dito que: "ter problemas é inevitável, ser derrotado por eles é opcional!"...

E se como diz quem sabe: "nós somos as escolhas que fazemos!", quero que saibas que eu escolho continuar a amar-te, mesmo que vás, mesmo que uma tentativa não tenha dado certo, porque acredito em nós...

Não escolhas impedir-nos qualquer chance de sermos felizes juntos...
Estou contigo, sempre
Espero que em ti

PS : sentimos muito a tua falta meu amor

22/02/2011

...continuar...


Eu quero chafurdar na dor desse ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só umedece com vodca, me passa o cigarro, não, não estou desesperada, não mais do que sempre estive, nothing special, baby, não estou louca nem bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo banho frio, leite quente com mel de eucalipto, ginseng e lexotan, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a banchá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina e ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum pana qualquer choramingando coisas do tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-essa-razão só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá e me lamurio até o sol pintar atrás daqueles edifícios sinistros, mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?”
(Os Sobreviventes)
Caio Fernando Abreu

12/02/2011

... abriga-me ...


abriga-me por favor
esta intempérie dá cabo de mim
abriga-me de mim
abriga-me em ti
e fica comigo

malu

31/01/2011

... simplesmente doloroso ...



... Depois algum tempo, aprendes que o sol queima se ficares exposto muito tempo. E aprendes que não importa o quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam...  
(shakespear)

30/01/2011

...ignoraria tudo...


A entrada na vida é inocente, por isso então é pura a alegria; a continuação da mesma vida é vaidosa, por isso a alegria então é imperfeita. Nos primeiros anos vemos as cousas como elas são, depois vemo-las, como os homens querem, que elas sejam; em um tempo a alegria só depende de nós: depois também depende dos outros; naquela a alegria vem de uma natureza ainda ignorante, e sem vaidade; depois procede de uma natureza já instruída, e por consequência vaidosa. Que cousa é a ciência humana, senão uma humana vaidade? Quem nos dera, que assim como há arte para saber, a houvesse também para ignorar; e que assim como há estudo, que nos ensina a lembrar, o houvesse também, que nos ensinasse a esquecer.
Matias Aires,
in 'Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna'

28/01/2011

...eternamente descontente...


É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo. Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica. E não nos apercebemos, como se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros "comissários políticos" do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada, serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas minorias eternamente descontentes...
José Saramago in,
Este mundo da injustiça globalizada 

25/01/2011

...não deixes...


Não interessa ter o meu corpo despido quando ainda a minha alma está por descobrir. Não deixes que o medo seja a tua única veste quando os nossos corpos, mesmo que desproporcionais, encaixam perfeitos... Quando são tantas as vezes que a nossa língua é diferente e só um beijo nos cala a estupidez.

pandora
na sua caixa

23/01/2011

...rodeia-me...


Detesto a acção. A acção mete-me medo. De dia podo as minhas árvores, à noite sonho. Sinto Deus - toco-o. Deus é muito mais simples do que imaginas. Rodeia-me - não o sei explicar. Terra, mortos, uma poeira de mortos que se ergue em tempestades, e esta mão que me prende e sustenta e que tanta força tem...

Como em ti, há em mim várias camadas de mortos não sei até que profundidade. Às vezes convoco-os, outras são eles, com a voz tão sumida que mal a distingo, que desatam a falar. Preciso da noite eterna: só num silêncio mais profundo ainda, conto ouvi-los a todos.

Raul Brandão, in 'Húmus'

...as perguntas...


...é sempre a mesma coisa, sempre as mesmas duvidas, sempre as mesmas perguntas, e sempre a mesma resposta... mas, quem continua a ter necessidade de perguntar, será que estaria preparado para ouvir a resposta...?!...

06/01/2011

... o Lugar ...


 
já é noite, o frio está em tudo o que se vê, lá fora ninguém sabe que por dentro há vazio, porque em todos há um espaço que por medo não se deu, onde a ilusão se esquece do que o medo não previu

já é noite o chão é mais terra pra nascer, a água vem escorrendo entre as mãos a percorrer, todo o espaço entre a sombra entre o espaço que restou, para refazer na vida no que o medo não matou

mas onde tudo morre tudo pode renascer, em ti vejo o tempo que passou, vejo o sangue que correu, vejo a força que me deu quando tudo parou em ti, a tempestade que não há em ti, arrastando para o teu lugar e é em ti que vou ficar

já é dia e a sombra está em tudo o que se vê, lá fora ninguém sabe o que a luz pode fazer, porque a noite foi tão fria que não soube acordar, a noite foi tão dura e difícil de sarar

mas onde tudo morre tudo pode renascer, em ti vejo o tempo que passou, vejo o sangue que correu, vejo a força que me deu quando tudo parou em ti, a tempestade que não há em ti, arrastando para o teu lugar e é em ti que vou ficar

mas eu descobri a casa onde posso adormecer, eu já desvendei o mundo e o tempo de perder, aqui tudo é mais forte e há mais cores no céu maior, aqui tudo é tão novo e o que pode ser amor

e onde tudo morre tudo volta a nascer, em ti vejo o tempo que passou, vejo o sangue que correu, vejo a força que me deu quando tudo parou em ti, a tempestade que não há em ti, arrastando para o teu lugar e é em ti que vou ficar

já é dia e a luz está em tudo o que se vê, cá dentro não se ouve o que lá fora faz chover, na cidade que há em ti encontrei o meu lugar, e é em ti que vou ficar.

tiago bettencourt in,