28/09/2010

... alcance ...



“De todas as coisas que existem, algumas estão ao nosso alcance, e outras não. Estão ao nosso alcance: o pensamento, os impulsos, o querer e o não querer – em uma palavra, tudo aquilo cujo resultado são nossas próprias ações”.
“Mas existem coisas que surgem sem que possamos interferir. Neste caso, é preciso saber olhar – com sabedoria – o que se passa. O que perturba o espírito do homem não são os fatos, mas o julgamento que fazem a respeito dos mesmos”.
“Não peça que tudo na sua vida siga o caminho de sua vontade”.
“Reze para que as coisas aconteçam como elas precisam acontecer – e verá que tudo é muito melhor do que você estava esperando”.



( Epicteto )

10/09/2010

... conseguiremos ? ...


"Para entender o coração e a mente de uma pessoa,
não olhe para o que ela já conseguiu,
mas para o que ela aspira."
(Khalil Gibran)

08/09/2010

... a vida real de um pensamento ...

(sim... penso em ti)
A vida real de um pensamento dura apenas até ele chegar ao limite das palavras: nesse ponto, ele lapidifica-se, morre, portanto, mas continua indestrutível, tal como os animais e as plantas fósseis dos tempos pré-históricos. Essa realidade momentânea da sua vida também pode ser comparada ao cristal, no instante da cristalização.

Pois, assim que o nosso pensamento encontra as palavras, ele já não é interno, nem está realmente no âmago da sua essência. Quando começa a existir para os outros, ele deixa de viver em nós, como o filho que se desliga da mãe ao iniciar a própria existência. Mas diz também o poeta:
Não me confundais com contradições!
Tão logo se fala, já se começa a errar.
Arthur Schopenhauer,
in 'Sobre o Ofício do Escritor

04/09/2010

...Tenta esquecer-me...


Tenta esquecer-me...


Ser lembrado é como evocar
Um fantasma... Deixa-me ser o que sou,
O que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
Me recamarei de estrelas como um manto real,
Me bordarei de nuvens e de asas,
Às vezes virão a mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
Toda a tristeza dos rios
É não poder parar!


Mário Quintana

27/08/2010

... Deus é do Contra ...

Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.

Às vezes, usa a raiva para que possamos
compreender o infinito valor da paz.

Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.

Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.

Às vezes usa o cansaço, para que possamos
compreender o valor do despertar.

Outras vezes usa a doença, quando quer
nos mostrar a importância da saúde.

Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.

Às vezes, usa a terra, para que possamos
compreender o valor do ar.

Outras vezes usa a morte, quando quer
nos mostrar a importância da vida.
Fernando Pessoa

16/08/2010

... se me pudesses ver ...

hoje descobri que mais algém sente como eu e sendo assim, concordo cada vez mais com a inexistencia das verdades absolutas, e consequentemente discordo cada vez mais, com a existencia das mentiras absolutas

"nós" existimos - pode ser passado / pode ser presente - mas não é mentira 

je

se me pudesses ver
aqui sentada defronte da noite
dobrada sobre a música
roendo as unhas
sussurrando palavras ocas

tão infantil
sisuda
crescida
miuda
adolescente
vingativa
puta
sereia
serpente
rente ao chão
ferida
altiva

mulher de ninguém
pradaria
espiga
minha
mulher de todos os que nunca serão demais
para apagar o horror de pensar
infinita
seca
farta
cheia de memórias cruéis
faca
se me pudesses ver agora
ou mudarias tudo ou tudo era mentira.
isabel mendes ferreira
in, canto chão

29/07/2010

... É possível ...



É possível falar sem um nó na garganta, é possível amar sem que venham proibir, é possível correr sem que seja a fugir. Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão, é possível viver sem que seja de rastos.Os teus olhos nasceram para olhar os astros. Se te apetece dizer não, grita comigo: não.
É possível viver de outro modo. É possível transformares em arma a tua mão. É possível o amor. É possível o pão. É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem. É possível viver sem fingir que se vive. É possível ser homem. É possível ser livre livre livre.

Manuel Alegre,
O Canto e as Armas

12/07/2010

... o poço...

Neruda faria hoje anos...


Cais, às vezes, afundas em teu fosso de silêncio, em teu abismo de orgulhosa cólera, e mal consegues voltar, trazendo restos do que achaste pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras em teu poço fechado? Algas, pântanos, rochas? O que vês, de olhos cegos, rancorosa e ferida?

Não acharás, amor, no poço em que cais o que na altura guardo para ti: um ramo de jasmins todo orvalhado, um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias de novo em teu rancor. Sacode a minha palavra que te veio ferir e deixa que ela voe pela janela aberta. Ela voltará a ferir-me sem que tu a dirijas, porque foi carregada com um instante duro e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri se minha boca fere. Não sou um pastor doce como em contos de fadas, mas um lenhador que comparte contigo terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri e me ajuda a ser bom. Não te firas em mim, seria inútil, não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda,
O poço

06/07/2010

...identidade...

"O sofrimento é o nosso meio de vida porque é o único meio através do qual temos consciência de existir, a lembrança dos sofrimentos passados nos é necessária como um testemunho, uma prova de que continuamos a manter a nossa identidade." 
Oscar Wilde

22/06/2010

...do nada...


Todos os dias me é tirado o que um dia me foi dado. Todos os dias transpiro para me descobrir e nunca chego a tempo de partir. Cria abandonada, antes mesmo de nascer. O ninho caído, desfeito num anoitecer que a luz foi sempre miragem. Só a noite, toda a noite minha imagem, reflectida numa qualquer ausência. Noite após noite, sem clemência a apontar-me o dedo, a alimentar-me o medo. E eu que chorei para não ser eu, vi as minhas lágrimas tão perto do céu. Caí junto com a chuva, encoberto de mim, nunca estive tão longe… nunca estive tão perto... Todos os dias me é dado algo, que um dia me foi tirado. Todos os dias respiro a minha alma e nunca chego a tempo de nada…

jorge antunes

21/06/2010

... meu rico amor ...




... O mais seguro crédito de quem ama, é a confissão da dívida no amado; mas como há-de confessar a dívida, quem a não conhece? Mais lhe importa logo ao amor o conhecimento que a paga; porque a sua maior riqueza é ter sempre individado a quem ama. Quando o amor deixa de ser credor, só então é pobre. Finalmente, ser tão grande o amor que se não possa pagar, é a maior glória de quem ama ...

antónio vieira

... O sentido ...

... a propósito dos pormenores que interpretamos, nao serem a maior parte das vezes coincidentes, entre o que tu e eu vivemos, vimos, lemos, escrevemos, dizemos, observamos, em cada situação e/ou alguém observou disse, escreveu, leu, viu ou viveu, sobre a mesma matéria, o mesmo acontecimento, a mesma circunstãncia, mesmo que noutro espaço, noutro tempo, ou ali mesmo a nosso lado... 
malu


Não há verdadeiro sentido de um texto. Não há autoridade do autor. Quisesse dizer o que quisesse, escreveu o que escreveu. Uma vez publicado, um texto é como um aparelho de que cada um se pode servir à sua maneira e segundo os seus meios: não é certo que o construtor o use melhor do que outro qualquer.

Paul Valéry,
in 'A Propósito do Cemitério Marinho'

16/06/2010

... cura ...


"As feridas da alma são curadas com carinho, atenção e paz."


(Machado de Assis)

15/06/2010

... sina ...


...Vas a vivir dos vidas, no una sola. Te vas a casar, harás hijos... pêro distintos. Vas a viajar... muy lejos. Vas a amar, muchísimo, vas a sufrir y harás sufrir. Al final, te perderás, te encontrarás, no sabría decirlo, pêro la decisión será tuya. El camino lo harás tú...

la ciganita

08/06/2010

... fazes-me bem ...

"Faz-me bem apanhar vez ou outra a chuva da vida."

(Henry Longfellow)

Chovia miudinho... um frio de cortar e o mar ali, sózinho... no meio das flores, da areia negra que chamam de terra de jardim... no meio do dia, no meio do trabalho de contar e verificar espécies  e mais espécies de plantas, arbustos, e herbácias tão pouco  de diferenças identificáveis que, até parecia uma missão impossivel... e, o vento parou a minha atenção... o cheiro da natureza nas minhas mãos levou o meu pensamento até ti... e confirmei que estás em mim ...

(Marta Luis ) 
Hoje na Praia de Paredes de Vitória

23/05/2010

... até sempre amigo ...

1967 - 2010

Quando a noite cai, e tu nao estás mais uma vez,
O mundo para nesse instante, chegou a hora dos porquês,
Tento resistir, a dor que aperta o coracão,
Mas nem mesmo assim, me convenco da razao...

A noite ja la vai e a dor nao terminou,
E até a lua que era amiga se mudou,
Só ficou aquela estrela que estará sempre comigo,
Sei que quando todos fogem tenho sempre este porto de abrigo...

Porto de abrigo, onde sempre quero estar,
Sei que contigo ninguem me vai magoar,
Só tu sabes criar, toda esta ilusão,
Por ti terei o mundo na minha mão...

Agora quando a noite cai, ja nao importa onde estás,
A minha estrela ilumiou-me, fez-me sentir que não mudarás,
Já não há dor para resistir, história de amor ou ilusão,
Esta farsa terminou, já sou dono da razão...

21/05/2010

... A paisagem ...


Todo o estado de alma é uma passagem. Isto é, todo o estado de alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita. Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nosso espírito. E - mesmo que se não queira admitir que todo o estado de alma é uma paisagem - pode ao menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar por uma paisagem. Se eu disser "Há sol nos meus pensamentos", ninguém compreenderá que os meus pensamentos são tristes.

fernando pessoa
in, 'Cancioneiro'
Alma e Realidade, Duas Paisagens Sobrepostas