27/08/2010

... Deus é do Contra ...

Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.

Às vezes, usa a raiva para que possamos
compreender o infinito valor da paz.

Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.

Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.

Às vezes usa o cansaço, para que possamos
compreender o valor do despertar.

Outras vezes usa a doença, quando quer
nos mostrar a importância da saúde.

Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.

Às vezes, usa a terra, para que possamos
compreender o valor do ar.

Outras vezes usa a morte, quando quer
nos mostrar a importância da vida.
Fernando Pessoa

16/08/2010

... se me pudesses ver ...

hoje descobri que mais algém sente como eu e sendo assim, concordo cada vez mais com a inexistencia das verdades absolutas, e consequentemente discordo cada vez mais, com a existencia das mentiras absolutas

"nós" existimos - pode ser passado / pode ser presente - mas não é mentira 

je

se me pudesses ver
aqui sentada defronte da noite
dobrada sobre a música
roendo as unhas
sussurrando palavras ocas

tão infantil
sisuda
crescida
miuda
adolescente
vingativa
puta
sereia
serpente
rente ao chão
ferida
altiva

mulher de ninguém
pradaria
espiga
minha
mulher de todos os que nunca serão demais
para apagar o horror de pensar
infinita
seca
farta
cheia de memórias cruéis
faca
se me pudesses ver agora
ou mudarias tudo ou tudo era mentira.
isabel mendes ferreira
in, canto chão

29/07/2010

... É possível ...



É possível falar sem um nó na garganta, é possível amar sem que venham proibir, é possível correr sem que seja a fugir. Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão, é possível viver sem que seja de rastos.Os teus olhos nasceram para olhar os astros. Se te apetece dizer não, grita comigo: não.
É possível viver de outro modo. É possível transformares em arma a tua mão. É possível o amor. É possível o pão. É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem. É possível viver sem fingir que se vive. É possível ser homem. É possível ser livre livre livre.

Manuel Alegre,
O Canto e as Armas

12/07/2010

... o poço...

Neruda faria hoje anos...


Cais, às vezes, afundas em teu fosso de silêncio, em teu abismo de orgulhosa cólera, e mal consegues voltar, trazendo restos do que achaste pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras em teu poço fechado? Algas, pântanos, rochas? O que vês, de olhos cegos, rancorosa e ferida?

Não acharás, amor, no poço em que cais o que na altura guardo para ti: um ramo de jasmins todo orvalhado, um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias de novo em teu rancor. Sacode a minha palavra que te veio ferir e deixa que ela voe pela janela aberta. Ela voltará a ferir-me sem que tu a dirijas, porque foi carregada com um instante duro e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri se minha boca fere. Não sou um pastor doce como em contos de fadas, mas um lenhador que comparte contigo terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri e me ajuda a ser bom. Não te firas em mim, seria inútil, não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda,
O poço

06/07/2010

...identidade...

"O sofrimento é o nosso meio de vida porque é o único meio através do qual temos consciência de existir, a lembrança dos sofrimentos passados nos é necessária como um testemunho, uma prova de que continuamos a manter a nossa identidade." 
Oscar Wilde

22/06/2010

...do nada...


Todos os dias me é tirado o que um dia me foi dado. Todos os dias transpiro para me descobrir e nunca chego a tempo de partir. Cria abandonada, antes mesmo de nascer. O ninho caído, desfeito num anoitecer que a luz foi sempre miragem. Só a noite, toda a noite minha imagem, reflectida numa qualquer ausência. Noite após noite, sem clemência a apontar-me o dedo, a alimentar-me o medo. E eu que chorei para não ser eu, vi as minhas lágrimas tão perto do céu. Caí junto com a chuva, encoberto de mim, nunca estive tão longe… nunca estive tão perto... Todos os dias me é dado algo, que um dia me foi tirado. Todos os dias respiro a minha alma e nunca chego a tempo de nada…

jorge antunes

21/06/2010

... meu rico amor ...




... O mais seguro crédito de quem ama, é a confissão da dívida no amado; mas como há-de confessar a dívida, quem a não conhece? Mais lhe importa logo ao amor o conhecimento que a paga; porque a sua maior riqueza é ter sempre individado a quem ama. Quando o amor deixa de ser credor, só então é pobre. Finalmente, ser tão grande o amor que se não possa pagar, é a maior glória de quem ama ...

antónio vieira

... O sentido ...

... a propósito dos pormenores que interpretamos, nao serem a maior parte das vezes coincidentes, entre o que tu e eu vivemos, vimos, lemos, escrevemos, dizemos, observamos, em cada situação e/ou alguém observou disse, escreveu, leu, viu ou viveu, sobre a mesma matéria, o mesmo acontecimento, a mesma circunstãncia, mesmo que noutro espaço, noutro tempo, ou ali mesmo a nosso lado... 
malu


Não há verdadeiro sentido de um texto. Não há autoridade do autor. Quisesse dizer o que quisesse, escreveu o que escreveu. Uma vez publicado, um texto é como um aparelho de que cada um se pode servir à sua maneira e segundo os seus meios: não é certo que o construtor o use melhor do que outro qualquer.

Paul Valéry,
in 'A Propósito do Cemitério Marinho'

16/06/2010

... cura ...


"As feridas da alma são curadas com carinho, atenção e paz."


(Machado de Assis)

15/06/2010

... sina ...


...Vas a vivir dos vidas, no una sola. Te vas a casar, harás hijos... pêro distintos. Vas a viajar... muy lejos. Vas a amar, muchísimo, vas a sufrir y harás sufrir. Al final, te perderás, te encontrarás, no sabría decirlo, pêro la decisión será tuya. El camino lo harás tú...

la ciganita

08/06/2010

... fazes-me bem ...

"Faz-me bem apanhar vez ou outra a chuva da vida."

(Henry Longfellow)

Chovia miudinho... um frio de cortar e o mar ali, sózinho... no meio das flores, da areia negra que chamam de terra de jardim... no meio do dia, no meio do trabalho de contar e verificar espécies  e mais espécies de plantas, arbustos, e herbácias tão pouco  de diferenças identificáveis que, até parecia uma missão impossivel... e, o vento parou a minha atenção... o cheiro da natureza nas minhas mãos levou o meu pensamento até ti... e confirmei que estás em mim ...

(Marta Luis ) 
Hoje na Praia de Paredes de Vitória

23/05/2010

... até sempre amigo ...

1967 - 2010

Quando a noite cai, e tu nao estás mais uma vez,
O mundo para nesse instante, chegou a hora dos porquês,
Tento resistir, a dor que aperta o coracão,
Mas nem mesmo assim, me convenco da razao...

A noite ja la vai e a dor nao terminou,
E até a lua que era amiga se mudou,
Só ficou aquela estrela que estará sempre comigo,
Sei que quando todos fogem tenho sempre este porto de abrigo...

Porto de abrigo, onde sempre quero estar,
Sei que contigo ninguem me vai magoar,
Só tu sabes criar, toda esta ilusão,
Por ti terei o mundo na minha mão...

Agora quando a noite cai, ja nao importa onde estás,
A minha estrela ilumiou-me, fez-me sentir que não mudarás,
Já não há dor para resistir, história de amor ou ilusão,
Esta farsa terminou, já sou dono da razão...

21/05/2010

... A paisagem ...


Todo o estado de alma é uma passagem. Isto é, todo o estado de alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita. Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nosso espírito. E - mesmo que se não queira admitir que todo o estado de alma é uma paisagem - pode ao menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar por uma paisagem. Se eu disser "Há sol nos meus pensamentos", ninguém compreenderá que os meus pensamentos são tristes.

fernando pessoa
in, 'Cancioneiro'
Alma e Realidade, Duas Paisagens Sobrepostas

19/05/2010

...luz...

...vem, porque eu ainda vivo à espera que chegue mais um dia...

"...Abre-me o sonho.
Para a loucura a tenebrosa porta,
que a treva é menos negra que esta luz."

fernando pessoa

10/05/2010

... sempre a inconstância ...


Os que se exercitam a prescrutar as acções humanas, em coisa alguma se acham tão embaraçados como em conjugar umas com as outras e mostrá-las à mesma luz, pois comummente elas se contradizem entre si de modo tão estranho que parece impossível terem todas saído da mesma loja.

(...) Alguma razão parece haver no julgar um homem pelas mais comuns acções da sua vida, mas, atendendo à natural instabilidade dos nossos costumes e opiniões, amiúde se me tem afigurado que mesmo os bons autores erram ao obstinarem-se a conceberem-nos como um todo coerente e constante. Escolhem uma imagem global, segundo a qual classificam e interpretam todas as acções da personagem, e quando não as conseguem conformar a ela, atribuem-nas à dissimulação.

(...) O nosso procedimento habitual é seguir as inclinações do nosso desejo, para a esquerda, para a direita, para cima e para baixo, para onde quer que nos empurrem os ventos das circunstâncias. Não pensamos no que queremos senão no instante em que o queremos, e mudamos como o animal que adquire a cor do local onde o pousam. O que agora mesmo acabámos de projectar, em breve o viremos a alterar, e, pouco mais tarde, voltaremos sobre os nossos passos: tudo não é senão oscilação e inconstância.


Michel de Montaigne,
in 'Ensaios - Da Inconstância das Nossas Acções'

01/05/2010

...tudo é fugaz...


Considera com frequência a rapidez com que se passam e desaparecem os seres e os acontecimentos. A substância, como um rio, está em perpétuo fluir, as forças em perpétuas mudanças, as cuasas a modificarem-se de mil maneiras; apenas há aí uma coisa estável; e abre-se-nos aos pés o abismo infinito do passado e do futuro onde tudo se some. Como não há-de ser louco o homem que, neste meio, se incha ou se encrespa ou se lamenta, como se qualquer coisa o tivesse perturbado durante um tempo que se visse, um tempo considerável?

Marco Aurélio
(Imperador Romano),
in "Pensamentos"

29/04/2010

...certo...


"Sua jornada moldou você para seu bem maior, e foi exatamente o que precisava ser. Não pense que você perdeu tempo. Não existem atalhos para a vida. Foi necessária cada e toda situação que você encontrou para trazê-lo para o agora. E agora é o momento certo."

(Asha Tyson)

27/04/2010

...sentidos...

quero você
Não quero seu sorriso
Quero sua boca
No meu rosto
Sorrindo pra mim

Não quero seus olhares
Quero seus cílios
Nos meus olhos
Piscando pra mim

Transfere pro meu corpo
Seus sentidos
Pra eu sentir
A sua dor, os seus gemidos
E entender porque
Quero você !

Não quero seu suor
Quero seus poros
Na minha pele
Explodindo de calor.

(zélia duncan)

23/04/2010

...andorinha ferida...


Porque andas tu tão alegre quando eu me sinto triste, desesperadamente triste? Custa tanto ser desprezada quando se tem a consciência imaculada, como um arminho que coisa alguma fosse capaz de manchar! Custa tanto! Passo as noites e os dias na mesma ânsia febril, na mesma indecisão de farrapo ao vento, no mesmo não saber o que quero, o que hei-de pensar, o que hei-de, o que devo fazer. Tenho um culto pela minha dignidade de mulher, tenho o orgulho, o santo orgulho de ser sempre a mesma criatura que a vida, tão cheia de lama, não conseguiu salpicar. E assim, tudo em mim são sombras, indecisões, murmúrios, coisas que não entendo bem, que não distingo bem. Amigo, compreende-me e sente que eu não estou, que eu não posso estar alegre. Olha a minh'alma como se ela fosse uma pobre andorinha ferida que batesse as asas desesperadamente. Tenho medo, medo do futuro, medo do mundo, medo da vida que foi sempre má para mim. Tenho visto sempre a felicidade correr-me por entre os dedos como água límpida que coisa alguma sustém; tenho visto passar tudo, morrer tudo em volta de mim, como fantasmas que passassem ao longe, numa estrada cheia de sombras. E era tão bom ser feliz! Se eu pudesse algum dia ser um bocadinho feliz! Encostar a minha cabeça ao teu ombro, sorrir-te com os meus olhos que têm sido sempre tão tristes! Contar-te tudo, dizer-te tudo, mostrar-te o meu coração aberto de par em par como uma janela enorme que o luar iluminasse, que o luar vestisse de branco! Sentir-te os passos e correr para ti, com as loucas saudades dumas horas que tivessem sido anos! Tudo isto, tudo isto eu queria enfim, toda esta ternura eu queria enfim que me envolvesse como um perfume violento que me embriagasse. Tu andas contente e andas contente porquê?! Tu não vês, não sentes que não é possível a felicidade assim completa, absoluta como nós a queremos? A vida não é a imaginação, não é a fantasia, não é o sonho, a vida tem coisas a que nós temos de olhar e que são tão feias e tão más! Faz-me mal, às vezes, a tua alegria, como se ela fosse um sacrilégio. Ampara-me, ensina-me a crer, a ter confiança, diz a verdade mas a verdade que seja boa que me não faça chorar como esta verdade que eu trago dentro de mim como uma chaga a doer sempre. Entremos na vida e não sonhemos. Vamos os dois encarar de frente sem medo e sem cobardias a vida tal qual ela é para nós. Não façamos, pelo amor de Deus, castelos no ar que eles caem sempre e eu sou, infelizmente, da natureza das heras que se agarram com ânsia a todas as ruínas por tristes e escuras que sejam. Não me digas nada que não tenhas a certeza, a absoluta certeza de poder realizar, na minha, na nossa vida.

 
Florbela Espanca,
in "Correspondência (1920)"

21/04/2010

... Glória ...


O que une uma mulher a um homem não passa por nada do que aparentemente vale. Passa por onde? Não, não: pode não ser por aí, embora seja fundamentalmente por aí. Porque mesmo aí outros poderiam cumprir melhor, com o acréscimo do resto. Há uma falha (uma falta) essencial na mulher que só um certo homem pode preencher. E não é necessariamente essa. O mais misterioso no domínio das relações é o que se situa nas relações amorosas. Ou seja no que há de mais íntimo, essencial, primeiro do ser humano. Um labregório qualquer, torto, bronco, cabeçudo, pode ser amado pela mulher mais divinal e inteligente e ilustrada e refinada de figura. Haverá, pois, para o homem dois mundos que não comunicam entre si e que se separam na porta do quarto. Poucos são os que a atravessam em glória — idos da rua ou para a rua.
Vergílio Ferreira,
in 'Conta-Corrente 1'

15/04/2010

... Contrariamente ...

será que esta mensagem deve ler-se ao contrário ou conforme disposta?... será que de trás pra frente fará mais sentido ? a mim apenas ouvi dizer-me ... segue o teu coração e não julgues, apenas por tudo o que lês, tudo o que vês, tudo o que ouves, tudo o que não sabes...
Não te amo mais

Estarei mentindo dizendo que

Ainda te quero como sempre quis

Tenho certeza que

Nada foi em vão

Sinto dentro de mim que

Você não significa nada

Não poderia dizer mais que

Alimento um grande amor

Sinto cada vez mais que

Já te esqueci!

E jamais usarei a frase

Eu te amo!

Sinto, mas tenho que dizer a verdade

É tarde demais...

Clarice Lispector

06/04/2010

... gosto de te ouvir...



Gosto de saber que falas
sem ocultar as paredes rachadas da tua alma.
Quando me dizes bom dia, gosto de ti
...
Não deixes de falar.
Não cales o teu espírito.
Faz-te ser quem és.
...
E a mim... nem sei.
Perdi-me em pensamentos
enquanto te escutava.
maria josé in,

...porque amam...


"As mulheres não adoecem mais facilmente no território da emoção por serem mais frágeis do que os homens, como sempre acreditou o machismo que reinou durante milénios. Exceptuando as causas metabólicas, elas adoecem em maior número porque amam, dão-se, entregam-se e preocupam-se mais com os outros do que os homens. Além disso, frequentemente são mais éticas, sensíveis e solidárias do que eles. Elas estão na vanguarda da batalha da vida, por isso, estão mais desprotegidas. Os soldados na frente da batalha têm mais hipóteses de serem alvejados."
augusto cury in,
a saga de um pensador

27/03/2010

... deixa-me conhecer-te...


A antecipação de um lugar ou de alguém, será sempre um fenómeno efémero face à realidade encontrada desse acontecimento antecipado.

Se por um lado a nossa imaginação constrói imagens mais perfeitas que a realidade, a continuidade do tempo e espaço do real, confrontado com o que dele esperámos tornam a nossas expectativas forçosamente imperfeitas e incompletas, quando finalmente se cruzam a antecipação e o real.

Por exemplo, idealizamos mundos perfeitos, quando confrontados com um folheto turístico de um ilha paradisíaca com palmeiras sob um pôr-do-sol em águas cristalinas. Contudo, essa idealização perfeita na forma, será imperfeita comparada com a realidade. Essa ilha será real: terá certamente pobreza, esgotos, buracos nas estradas, crimes e doenças tropicais….

O processo de conhecer alguém, sofre deste mesmo confronto do real com o imaginário. Criamos bonecos ou réplicas ideais onde afinal existem seres humanos complexos, com os seus medos, complexos, sentimentos, defeitos e virtudes e tripas e dores físicas, e coração e alma.

Dependerá de nós a escolha de ver nos outros, o boneco que deles idealizámos ou por outro lado procurar o ser vivo que existe para além do que os nossos olhos conseguem ver …

Doll or a girl
publicado por MarioG

24/03/2010

...o amor é ter medo e querer morrer...




"fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer... o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos... o amor é ter medo e querer morrer."

de, José Luís Peixoto
in A Criança em Ruínas

(ainda bem que alguém consegue escrever o que eu por mais que o faça não consigo exprimir... é desconcertante, ler e identificarmo-nos tanto com o que ali está... por isso sou menos que fã, e mais que admiradora... sou peixoto inteira... obrigado josé luis por partilhares o que a tua alma tem de comum com a minha. sinto-me menos desigual quando te leio...)

23/03/2010

...no fim...


Hei de morrer em súplica, plantado a teus pés,
no fim de uma vida inteira regada com as nossas lágrimas.

...não vás...


...Vais tão depressa...
...nem vais conseguir perceber o que ficou para trás...

22/03/2010

... hoje ...

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;

Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.
contrariedades
no livro de Cesário Verde

20/03/2010

...fico contigo... hoje e sempre...


Se quando tu voltares, se for já muito tarde, se eu não for capaz de perguntar, porque demoraste... Então deixa que te diga : és tudo o que me resta na noite.... espera comigo, por outra noite como esta.
Hoje não sou mais do que tu... quero estar perto de ti... haja o que houver vou continuar ... tudo o que faça lembrar de hoje ... és sempre hoje

Se me ouvires cantar todas as palavras... servem para proucurar a imagem do teu rosto... Se me prometeres que ficas comigo eu espero para sempre ... e fico contigo.
Hoje não sou mais do que tu... quero estar perto de ti... haja o que houver vou continuar ... tudo o que faça lembrar de hoje ... 

Os meus olhos ficam acordados para te poder ver ... Já é madrugada tu estás cansada  devias saber ... vou ter que dizer: Hoje não sou... mais do que tu... haja o que houver vou continuar ... És sempre hoje ....

És sempre hoje ...

João Pedro Pais

18/03/2010

...incontinente...


Sob a máscara tudo se oculta - o Bem e o Mal. Tanto usam máscara o Zorro e o Superman como os ladrões e os terroristas. Realmente todos usamos máscaras, sem elas era impossível sobreviver. Sorrimos quando nos dão uma bofetada, choramos para obtermos o que pretendemos, montamo-nos nas nossas tamanquinhas para parecermos mais fortes do que somos, falamos mais alto do que os outros para os atemorizarmos, mostramos os nossos mísseis para paralisar de medo o inimigo, fazemos ar sonso para fingirmos que nem um prato seríamos capazes de partir, vestimos o nosso melhor fato para ninguém saber que estamos tesos, publicamos fotografias antigas para escondermos a idade, e que mais? Mas não era possível andarmos nus na rua, nós, os mais indefesos animais da Criação. Sem máscara, não conseguiríamos segurar as lágrimas nem o riso, seríamos incontinentes emocionais...
estela guedes

...arrisco...e não sou nada... senão o teu "Não"...


Para o guerreiro, não existe amor impossível. Ele não se deixa intimidar pelo silêncio, pela indiferença, ou pela rejeição. Sabe que, atrás da máscara de gelo que as pessoas usam, existe um coração de fogo. Por isso o guerreiro arrisca mais que os outros. Busca incessantemente o amor de alguém, mesmo que isto signifique escutar muitas vezes a palavra “não”, voltar para casa derrotado, sentir-se rejeitado em corpo e alma. Um guerreiro não se deixa assustar quando busca o que precisa. Sem amor, ele não é nada.

Paulo Coelho
o não

14/03/2010

... o verdadeiro gesto de amor ...



 (e o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo)



Aquilo que de verdadeiramente significativo podemos dar a alguém é o que nunca demos a outra pessoa, porque nasceu e se inventou por obra do afecto. O gesto mais amoroso deixa de o ser se, mesmo bem sentido, representa a repetição de incontáveis gestos anteriores numa situação semelhante. O amor é a invenção de tudo, uma originalidade inesgotável. Fundamentalmente, uma inocência.

Fernando Namora,
in 'Jornal sem Data'

10/03/2010

...algum dia...


«Algum dia, em qualquer parte, em qualquer lugar, indefectivelmente, encontrar-te-ás a ti mesmo e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga das tuas horas»

Pablo Neruda

09/03/2010

...tristeza...


"Quem conhece a felicidade não consegue mais aceitar humildemente a tristeza."

Paulo Coelho
in Brida

03/03/2010

...e pudesse eu...



sei que um dia vais dizer

... no fundo é que estamos ...


Há dentro de nós um poço. No fundo dele é que estamos, porque está o que é mais nós, o que nos individualiza, a fonte do que nos enriquece no em que somos humanos. E a vida exterior, o assalto do que nos rodeia, o que visa é esse íntimo de nós para o ocupar, o preencher, o esvaziar do que nos pertence e nos faz ser homens. Jamais como hoje esse assalto foi tão violento, jamais como hoje fomos invadidos do que não é nós. É lá nesse fundo que se gera a espiritualidade, a gravidade do sermos, o encantamento da arte. E a nossa luta é terrível, para nos defendermos no último recesso da nossa intimidade. Porque tudo nos expulsa de lá. Quando essa intimidade for preenchida pelo exterior, quando a materialidade se nos for depositando dentro, o homem definitivamente terá em nós morrido.

Vergílio Ferreira,
in 'Conta-Corrente IV'

01/03/2010

... Como Te Tens Lembrado Hoje de Mim? ...


Nós, pobres mulheres, apesar do nosso imenso e frágil orgulho, não somos, afinal, mais do que argila que as mãos deles moldam a seu belo capricho. Feliz da argila que, no seu caminho, encontra, como eu, o estatuário que a vai moldando a acariciá-la! Gosto tanto de ti que me não revolto, eu, a eterna revoltada, aquela que teve sempre por coração um oceano imenso a que ninguém jamais descobrira o fundo. Como te tens lembrado hoje de mim? Com saudades? Com desejos de me beijar? Com tristeza? Como? Gostava tanto, tanto de saber a cor dos teus pensamentos quando são meus! Queria que eles fossem roxos, como os lilases, ou cor-de-rosa como os beijos que eu te dou. Tenho saudades, saudades, saudades. Reparei agora para uma coisa: é curioso como eu não sou capaz de vestir um vestido alegre quando tu não vens. Já segunda-feira vesti o vestido preto e hoje sem pensar fui vesti-lo outra vez. E é verdade que eu ando de luto, de luto por uns beijos que trago e que se não dão e que morrem de frio longe da tua boca; queres luto mais triste? Meu amigo, tu és muito mau que me não quiseste hoje ao pé de ti.

Florbela Espanca,
in "Correspondência (1920)"

28/02/2010

... urgente ...


Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Clarice Lispector

cá pra mim é urgente... o amor

26/02/2010

...Quero-te bem...


"Já te ocorreu por acaso que a dor dela, pode ser por acaso de não sentir fazer parte da tua vida!?!?!

Bem... é apenas uma hipotese... de alguém que te quer bem!!!! ;) "


Aran

25/02/2010

...valeu...



" Se não houver frutos valeu a beleza das flores.
Se não houver flores, valeu a sombra das folhas.
Se não houver folhas valeu a intenção da semente. "

Maurício Ceolin 

...perdemos...


A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

Carlos Drummond de Andrade

24/02/2010

... o tempo sem ti ...




não imagines cíume em mim, do tempo que passas a fazer as coisas que gostas e com as pessoas de quem gostas... tem apenas a certeza da dor em mim, do tempo que passa, sem ti

não é intolerável, mas condiciona a minha alegria, cada oportunidade que deixas passar com o tempo, de estar comigo, de me lembrares o amor, de me fazeres sorrir
é apenas mais uma oportunidade que me obrigas a perder, de estar contigo, de te lembrar o amor, de te fazer sorrir

e quando eu já não estiver cá, não terás mais tempo, pra me dar valor
para ti
da xana

23/02/2010

...sombra...


«Quando vemos um gigante, temos primeiro de examinar a posição do sol e observar para termos certeza de que não é a sombra de um pigmeu»

Friedrich Novalis

21/02/2010

...concordo...


imagem : moore - partos de pandora


"não se pode amar o que não se conhece"

...balançar...

a cada momento da minha vida, uma canção para me acompanhar

obrigado



Pedes-me um tempo, para balanço de vida. Mas eu sou de letras, não me sei dividir. Para mim um balanço é mesmo balançar, balançar até dar balanço e sair..

Pedes-me um sonho, para fazer de chão. Mas eu desses não tenho, só dos de voar. Agarras a minha mão com a tua mão e prendes-me a dizer que me estás a salvar.

De quê? De viver o perigo. De quê? De rasgar o peito. Com o quê? De morrer, mas de que paixão? De quê? Se o que mata mais é não ver o que a noite esconde e não ter nem sentir o vento ardente a soprar o coração...

Pedes o mundo dentro das mãos fechadas e o que cabe é pouco mas é tudo o que tens. Esqueces que às vezes, quando falha o chão, o salto é sem rede e tens de abrir as mãos. Pedes-me um sonho para juntar os pedaços mas nem tudo o que parte se volta a colar. E agarras a minha mão com a tua mão e prendes-me e dizes-me para te salvar.

De quê? De viver o perigo. De quê? De rasgar o peito. Com o quê? De morrer, mas de que paixão? De quê? Se o que mata mais é não ver o que a noite esconde e não ter nem sentir o vento ardente a soprar o coração.
balançar - mafalda veiga

17/02/2010

...dá-me a tua mão...


cada segundo que morre eu desejo vivê-lo contigo e cada dia que passa eu desejo morrê-lo connosco. este amor sufoca-me o corpo, deixa-me louca, estrangula-me de incoerência e leva-me ao estado febril do sentimento. já não sei o que fazer ao amor que guardo para to dar, às horas que me concedo a viver-nos secretamente num futuro realista e deveras impossível. há alturas em que penso que mais vale arrastar-me a um enterro rápido do que deslumbrar o que tenho cá dentro sem poder partilhá-lo com mais ninguém. nefastas horas de silêncio onde as interrogações são a única cantiga perfurante no ar negro e irrespirável do quarto. sinto-me uma flor a florescer no meio de um deserto decadente e tu és a miragem da frescura que aos poucos me abandona e que sempre quis para mim. no meio daqueles rostos pintados, daqueles corpos cambaleantes já alcoolizados, daquela gente que cantava o seu sangue português, daquelas ruas dançarinas de desejos apertados, daquelas essências libidinosas das ervas místicas e daquele contacto de gerações numa batalha de sentidos, eu parei no presente medonho e abracei-nos. eu parei quando a movimentação era mais exigida e apertei o meu peito de encontro ao teu reflexo ilusório nesse tempo que não pertence ao presente ilógico e ergui a minha mão que te chamou:


- dá-me a tua.

(Texto da autoria de "ela".
Editado, originalmente,
em Memória Futura)

12/02/2010

Não me compreendes?!


Ser homem é saber que se não compreende...

A metafísica pareceu-me sempre uma forma prolongada da loucura latente.
Se conhecêssemos a verdade, vê-la-íamos; tudo o mais é sistema e arredores. Basta-nos, se pensarmos, a incompreensibilidade do universo; querer compreendê-lo é ser menos que homens, porque ser homem é saber que se não compreende.

Trazem-me a fé como um embrulho fechado numa salva alheia.
Querem que o aceite, mas que o não abra. Trazem-me a ciência, como uma faca num prato, com que abrirei as folhas de um livro de páginas brancas. Trazem-me a dúvida, como pó dentro de uma caixa; mas para que me trazem a caixa se ela não tem senão pó?

Na falta de saber, escrevo; e uso os grandes termos da Verdade alheios conforme as exigências da emoção. Se a emoção é clara e fatal, falo, naturalmente, dos deuses e assim a enquadro numa consciência do mundo múltiplo. Se a emoção é profunda, falo, naturalmente, de Deus, e assim a engasto numa consciência una. Se a emoção é um pensamento, falo, naturalmente, do Destino, e assim a encosto à parede.

Umas vezes o próprio ritmo da frase exigirá Deus e não Deuses: outras vezes, impor-se-ão as duas sílabas de Deuses e mudo verbalmente de universo; outras vezes pesarão, ao contrário» as necessidades de uma rima íntima, um deslocamento do ritmo, um sobressalto de emoção e o politeísmo ou o monoteísmo amolda-se e prefere-se. Os Deuses são uma função do estilo.

Bernardo Soares
in Livro do Desassossego

10/02/2010

...sad...



"...sem palavras... não sei exprimir o que estou a sentir.

O medo... o receio... de um dia te perder por causa de...

não quero!

Não desejo!

Não posso! "



h.  in

02/02/2010

... armadilha dos abraços ...


(escultura de nilza silva)


E de novo a armadilha dos abraços.

E de novo o enredo das delícias.

O rouco da garganta, os pés descalços

a pele alucinada de carícias.

As preces, os segredos, as risadas

no altar esplendoroso das ofertas.

De novo beijo a beijo as madrugadas

de novo seio a seio as descobertas.

Alcandorada no teu corpo imenso

teço um colar de gritos e silêncios

a ecoar no som dos precipícios.

E tudo o que me dás eu te devolvo.

E fazemos de novo, sempre novo

o amor total dos deuses e dos bichos.


 
a minha homenagem a

Rosa Lobato Faria
 
que hoje faleceu em Lisboa aos 77 anos
 
(Actriz, escritora, autora e poetisa portuguesa, 1932- 2010)

25/01/2010

...aconteceu...




Aconteceu... Eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas... Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste porque tinhas que chegar

Olhei para ti... O mundo inteiro parou
Nesse instante a minha vida... A minha vida mudou

Tudo era para ser eterno... E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?... O que foi que aconteceu?

Tudo era para ser eterno... E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?... O que foi que aconteceu?

Aconteceu... Chama-lhe sorte ou azar
Eu não estava à tua espera... E tu voltaste a passar
Nunca senti bater o meu coração... Como senti ao sentir a tua mão
Na tua boca o tempo voltou atrás
E se fui louca... Essa loucura... Essa loucura foi paz

Tudo era para ser eterno... E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?... O que foi que aconteceu?

Tudo era para ser eterno... E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?... O que foi que aconteceu?

19/01/2010

... a base é o amor ...



"Ás vezes .. o Amor é mais forte do que a gente pensa e por mais que as vezes pareça não ter explicação... tudo se explica a partir dele !"

in diário das amigas

18/01/2010

...afundo-me...




A noite tranquila iluminada por uma translúcida Lua cheia, que se reflecte sobre o mar que ampara o meu barco, tem apenas o frio, como contrariedade. Esfrego as mãos, tentando afugentar o gelo que lhes penetra e que as impede de sentirem tudo o que seja, além de dor. Parece não ir chover, está tudo tranquilo. Estou confiante de vir a ser uma noite como as outras. Preparo-me para me enroscar na minha manta de retalhos, quando subitamente, aterra sobre o mar, uma imensa massa rochosa, pesada e de pontas aguçadas, formando-se de imediato grandes braços de água que atentam contra a estabilidade do meu barco. Uma manta de água espessa cobre-me, fazendo com que todo o meu corpo entre em espasmo e todos os terminais dolorosos gritem.

Afundo-me.

Do colete salva vidas, há muito que não lhe resta nada e eu vou descendo pelo mar. O líquido que me cobre, começa a fazer aumentar a pressão sobre o meu corpo e sinto cada vez mais, uma constrição sobre as costelas. Estranho como continuo a respirar apesar de me custar, sinto-me a morrer mas não morro.
Olho para cima e vejo que agora o Sol brilha e que o Céu está azul. Vejo a sombra de dois barcos que se aproximam, param e seguem viagem pela mesma rota.
Continuo debaixo da água que me aperta, me constringe os movimentos e me faz sentir cansada. Olho para o fundo do mar e vejo a rocha que caiu, farpada, cinzenta, sem vida, contudo com força suficiente para alterar o curso da minha viagem. Esbracejo e aos poucos vou chegando à superfície, contudo não consigo calcular o tempo que vou demorar... Enquanto o faço, vou reparando em algumas correntes que dão ao meu destino, porém não as agarro e continuo por mim, a subir, a tentar sair deste sitio frio que me estrangula. "
by

14/01/2010

...se eu amanhã não vier...



Se amanhã eu não vier, não penses que o fiz porque quis. Muito menos porque seria o melhor para nós. Definitivamente, esta não seria a nossa melhor solução. Mas se amanhã eu não vier, lembra-te do homem que tu bem conheceste.
Não recordes apenas daquele que partiu sem sequer se despedir, pois ele não teve escolha. Lembra-te do menino que sorriu por diversas vezes ao teu lado, e até chorou contigo muitas vezes. Lembra-te daquele que perdia o sono quando sonhava que te perdia. Não lembres somente daquele que te escreveu esta carta, sem ao menos dar um beijo antes de ir. Não, isso é tudo o que eu menos quero.

Quero que te lembres daquele que dividiu segredos contigo e não se sentiu mais fraco por isso. Ao contrário, ficou ainda mais forte. Pensa no menino que disse baixinho que te amava e que enfrentou sempre tudo e todos para provar que o que dizia era verdade. Não penses que ele partiu por ser covarde, não, isso não foi com toda a certeza. Talvez ele tenha partido para poder voltar um dia, mais forte e mais completo, já que agora não pode fazer o bem como o quanto gostaria. Ele até poderia olhar nos teus olhos antes de o fazer, mas ele não queria um adeus, uma despedida cheia de lágrimas e de abraços que pareceriam os últimos.
Ele preferiu deixar-te esta carta e com a promessa de que ele voltará, um dia, e que a despedida nem se faz necessária, porque ele estará sempre contigo. Ele só quer que te lembres dos momentos que dividiram, dos sonhos, das confissões feitas entre tantos carinhos. Sim, ele partiu, mas nunca irá embora. Ele irá olhar-te por entre os olhares nas calçadas das cidades, e irá ver-te em cada centímetro de si mesmo. Ele quer lembrar-se dos sorrisos e dos risos, das piadas que ninguém mais entendia, só vocês. Ele quer lembrar do modo como conversavam, do modo carinhoso como chamavam um ao outro, daquele olhar que brilhava quando vias ele a chegar. Ele quer sentir a saudade, mas saber que ainda são um do outro. Ele só não quer deixar que a proximidade mate o amor aos poucos, e é por esse amor que ele decidiu partir.
Mas deixou a maior parte dele contigo, desde o primeiro beijo que te deu. E mesmo que ele quisesse, não poderia ir tão longe. É como se quilómetros os separassem enquanto um centímetro os aproximasse. Vocês estarão à distância de um amor.
 
in,
 as palavras que nunca te direi

11/01/2010

... carta ...

Não falei contigo com medo que os montes e vales que me achas, caíssem a teus pés... Acredito e entendo que a estabilidade lógica de quem não quer explodir, faça bem ao escudo que és... Saudade, é o ar que vou sugando e aceitando, como fruto de verão nos jardins do teu beijo.
Mas sinto que sabes que sentes também, que num dia maior serás trapézio sem rede, a pairar sobre o mundo. E tudo o que vejo é que hoje acordei e lembrei-me, que sou mago feiticeiro, que a minha bola de cristal é feita de papel: Nela te pinto nua. Nua, numa chama minha e tua.
Desconfio que ainda não reparaste que o teu destino foi inventado por gira-discos estragados, aos quais te vais moldando, e todo o teu planeamento estratégico de sincronização do coração, são leis como paredes e tetos, cujos vidros vais pisando. Anseio o dia em que acordares por cima de todos os teus números, raízes quadradas de somas subtraídas, sempre com a mesma solução.
Podias deixar de fazer da vida um ciclo vicioso, harmonioso do teu gesto mimado e à palma da tua mão...



Desculpa se te fiz fogo e noite, sem pedir autorização por escrito ao sindicato dos deuses... mas não fui eu que te escolhi. Desculpa se te usei, como refúgio dos meus sentidos, pedaço de silêncios perdidos que voltei a encontrar em ti... É que hoje acordei e lembrei-me ...

Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém

A mim... passou-me ao lado.

02/01/2010

...renascer...



os anos passam e desta vez, não consigo fazer um balanço... prefiro esquecer 2009 - o  ano que o resto de tudo me tirou, e sendo assim apenas brindo ao revellion, espero que tenha sido ou que venha a ser mesmo renascer para 2010

e apenas deixo, mais uma vez, a certeza de que estou viva apesar de mais só do que nunca, a promessa de que continuarei a voar livre e a voltar sempre e enquanto o meu pequeno princepe precise de mim, o pedido de que nada mais me tirem, nada mais me dêem...apenas, deixem-me estar...

fernão capelo gaivota... continua a ser um dos meus livros favoritos, e neste momento, o eleito entre os vários, mais uma vez... um livro tão pequenino, que só ele, consegue iluminar-me num estágio tão escuro como o que atravesso

feliz ano
malu



Aqui será a areia fina...a falésia...onde, entre voos, poisarei para descansar e meditar, depois voltar a voar entre o azul do mar e o azul do céu.