21/04/2010

... Glória ...


O que une uma mulher a um homem não passa por nada do que aparentemente vale. Passa por onde? Não, não: pode não ser por aí, embora seja fundamentalmente por aí. Porque mesmo aí outros poderiam cumprir melhor, com o acréscimo do resto. Há uma falha (uma falta) essencial na mulher que só um certo homem pode preencher. E não é necessariamente essa. O mais misterioso no domínio das relações é o que se situa nas relações amorosas. Ou seja no que há de mais íntimo, essencial, primeiro do ser humano. Um labregório qualquer, torto, bronco, cabeçudo, pode ser amado pela mulher mais divinal e inteligente e ilustrada e refinada de figura. Haverá, pois, para o homem dois mundos que não comunicam entre si e que se separam na porta do quarto. Poucos são os que a atravessam em glória — idos da rua ou para a rua.
Vergílio Ferreira,
in 'Conta-Corrente 1'

15/04/2010

... Contrariamente ...

será que esta mensagem deve ler-se ao contrário ou conforme disposta?... será que de trás pra frente fará mais sentido ? a mim apenas ouvi dizer-me ... segue o teu coração e não julgues, apenas por tudo o que lês, tudo o que vês, tudo o que ouves, tudo o que não sabes...
Não te amo mais

Estarei mentindo dizendo que

Ainda te quero como sempre quis

Tenho certeza que

Nada foi em vão

Sinto dentro de mim que

Você não significa nada

Não poderia dizer mais que

Alimento um grande amor

Sinto cada vez mais que

Já te esqueci!

E jamais usarei a frase

Eu te amo!

Sinto, mas tenho que dizer a verdade

É tarde demais...

Clarice Lispector

06/04/2010

... gosto de te ouvir...



Gosto de saber que falas
sem ocultar as paredes rachadas da tua alma.
Quando me dizes bom dia, gosto de ti
...
Não deixes de falar.
Não cales o teu espírito.
Faz-te ser quem és.
...
E a mim... nem sei.
Perdi-me em pensamentos
enquanto te escutava.
maria josé in,

...porque amam...


"As mulheres não adoecem mais facilmente no território da emoção por serem mais frágeis do que os homens, como sempre acreditou o machismo que reinou durante milénios. Exceptuando as causas metabólicas, elas adoecem em maior número porque amam, dão-se, entregam-se e preocupam-se mais com os outros do que os homens. Além disso, frequentemente são mais éticas, sensíveis e solidárias do que eles. Elas estão na vanguarda da batalha da vida, por isso, estão mais desprotegidas. Os soldados na frente da batalha têm mais hipóteses de serem alvejados."
augusto cury in,
a saga de um pensador

27/03/2010

... deixa-me conhecer-te...


A antecipação de um lugar ou de alguém, será sempre um fenómeno efémero face à realidade encontrada desse acontecimento antecipado.

Se por um lado a nossa imaginação constrói imagens mais perfeitas que a realidade, a continuidade do tempo e espaço do real, confrontado com o que dele esperámos tornam a nossas expectativas forçosamente imperfeitas e incompletas, quando finalmente se cruzam a antecipação e o real.

Por exemplo, idealizamos mundos perfeitos, quando confrontados com um folheto turístico de um ilha paradisíaca com palmeiras sob um pôr-do-sol em águas cristalinas. Contudo, essa idealização perfeita na forma, será imperfeita comparada com a realidade. Essa ilha será real: terá certamente pobreza, esgotos, buracos nas estradas, crimes e doenças tropicais….

O processo de conhecer alguém, sofre deste mesmo confronto do real com o imaginário. Criamos bonecos ou réplicas ideais onde afinal existem seres humanos complexos, com os seus medos, complexos, sentimentos, defeitos e virtudes e tripas e dores físicas, e coração e alma.

Dependerá de nós a escolha de ver nos outros, o boneco que deles idealizámos ou por outro lado procurar o ser vivo que existe para além do que os nossos olhos conseguem ver …

Doll or a girl
publicado por MarioG

24/03/2010

...o amor é ter medo e querer morrer...




"fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer... o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos... o amor é ter medo e querer morrer."

de, José Luís Peixoto
in A Criança em Ruínas

(ainda bem que alguém consegue escrever o que eu por mais que o faça não consigo exprimir... é desconcertante, ler e identificarmo-nos tanto com o que ali está... por isso sou menos que fã, e mais que admiradora... sou peixoto inteira... obrigado josé luis por partilhares o que a tua alma tem de comum com a minha. sinto-me menos desigual quando te leio...)

23/03/2010

...no fim...


Hei de morrer em súplica, plantado a teus pés,
no fim de uma vida inteira regada com as nossas lágrimas.

...não vás...


...Vais tão depressa...
...nem vais conseguir perceber o que ficou para trás...

22/03/2010

... hoje ...

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;

Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.
contrariedades
no livro de Cesário Verde

20/03/2010

...fico contigo... hoje e sempre...


Se quando tu voltares, se for já muito tarde, se eu não for capaz de perguntar, porque demoraste... Então deixa que te diga : és tudo o que me resta na noite.... espera comigo, por outra noite como esta.
Hoje não sou mais do que tu... quero estar perto de ti... haja o que houver vou continuar ... tudo o que faça lembrar de hoje ... és sempre hoje

Se me ouvires cantar todas as palavras... servem para proucurar a imagem do teu rosto... Se me prometeres que ficas comigo eu espero para sempre ... e fico contigo.
Hoje não sou mais do que tu... quero estar perto de ti... haja o que houver vou continuar ... tudo o que faça lembrar de hoje ... 

Os meus olhos ficam acordados para te poder ver ... Já é madrugada tu estás cansada  devias saber ... vou ter que dizer: Hoje não sou... mais do que tu... haja o que houver vou continuar ... És sempre hoje ....

És sempre hoje ...

João Pedro Pais

18/03/2010

...incontinente...


Sob a máscara tudo se oculta - o Bem e o Mal. Tanto usam máscara o Zorro e o Superman como os ladrões e os terroristas. Realmente todos usamos máscaras, sem elas era impossível sobreviver. Sorrimos quando nos dão uma bofetada, choramos para obtermos o que pretendemos, montamo-nos nas nossas tamanquinhas para parecermos mais fortes do que somos, falamos mais alto do que os outros para os atemorizarmos, mostramos os nossos mísseis para paralisar de medo o inimigo, fazemos ar sonso para fingirmos que nem um prato seríamos capazes de partir, vestimos o nosso melhor fato para ninguém saber que estamos tesos, publicamos fotografias antigas para escondermos a idade, e que mais? Mas não era possível andarmos nus na rua, nós, os mais indefesos animais da Criação. Sem máscara, não conseguiríamos segurar as lágrimas nem o riso, seríamos incontinentes emocionais...
estela guedes

...arrisco...e não sou nada... senão o teu "Não"...


Para o guerreiro, não existe amor impossível. Ele não se deixa intimidar pelo silêncio, pela indiferença, ou pela rejeição. Sabe que, atrás da máscara de gelo que as pessoas usam, existe um coração de fogo. Por isso o guerreiro arrisca mais que os outros. Busca incessantemente o amor de alguém, mesmo que isto signifique escutar muitas vezes a palavra “não”, voltar para casa derrotado, sentir-se rejeitado em corpo e alma. Um guerreiro não se deixa assustar quando busca o que precisa. Sem amor, ele não é nada.

Paulo Coelho
o não

14/03/2010

... o verdadeiro gesto de amor ...



 (e o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo)



Aquilo que de verdadeiramente significativo podemos dar a alguém é o que nunca demos a outra pessoa, porque nasceu e se inventou por obra do afecto. O gesto mais amoroso deixa de o ser se, mesmo bem sentido, representa a repetição de incontáveis gestos anteriores numa situação semelhante. O amor é a invenção de tudo, uma originalidade inesgotável. Fundamentalmente, uma inocência.

Fernando Namora,
in 'Jornal sem Data'

10/03/2010

...algum dia...


«Algum dia, em qualquer parte, em qualquer lugar, indefectivelmente, encontrar-te-ás a ti mesmo e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga das tuas horas»

Pablo Neruda

09/03/2010

...tristeza...


"Quem conhece a felicidade não consegue mais aceitar humildemente a tristeza."

Paulo Coelho
in Brida

03/03/2010

...e pudesse eu...



sei que um dia vais dizer

... no fundo é que estamos ...


Há dentro de nós um poço. No fundo dele é que estamos, porque está o que é mais nós, o que nos individualiza, a fonte do que nos enriquece no em que somos humanos. E a vida exterior, o assalto do que nos rodeia, o que visa é esse íntimo de nós para o ocupar, o preencher, o esvaziar do que nos pertence e nos faz ser homens. Jamais como hoje esse assalto foi tão violento, jamais como hoje fomos invadidos do que não é nós. É lá nesse fundo que se gera a espiritualidade, a gravidade do sermos, o encantamento da arte. E a nossa luta é terrível, para nos defendermos no último recesso da nossa intimidade. Porque tudo nos expulsa de lá. Quando essa intimidade for preenchida pelo exterior, quando a materialidade se nos for depositando dentro, o homem definitivamente terá em nós morrido.

Vergílio Ferreira,
in 'Conta-Corrente IV'

01/03/2010

... Como Te Tens Lembrado Hoje de Mim? ...


Nós, pobres mulheres, apesar do nosso imenso e frágil orgulho, não somos, afinal, mais do que argila que as mãos deles moldam a seu belo capricho. Feliz da argila que, no seu caminho, encontra, como eu, o estatuário que a vai moldando a acariciá-la! Gosto tanto de ti que me não revolto, eu, a eterna revoltada, aquela que teve sempre por coração um oceano imenso a que ninguém jamais descobrira o fundo. Como te tens lembrado hoje de mim? Com saudades? Com desejos de me beijar? Com tristeza? Como? Gostava tanto, tanto de saber a cor dos teus pensamentos quando são meus! Queria que eles fossem roxos, como os lilases, ou cor-de-rosa como os beijos que eu te dou. Tenho saudades, saudades, saudades. Reparei agora para uma coisa: é curioso como eu não sou capaz de vestir um vestido alegre quando tu não vens. Já segunda-feira vesti o vestido preto e hoje sem pensar fui vesti-lo outra vez. E é verdade que eu ando de luto, de luto por uns beijos que trago e que se não dão e que morrem de frio longe da tua boca; queres luto mais triste? Meu amigo, tu és muito mau que me não quiseste hoje ao pé de ti.

Florbela Espanca,
in "Correspondência (1920)"

28/02/2010

... urgente ...


Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Clarice Lispector

cá pra mim é urgente... o amor

26/02/2010

...Quero-te bem...


"Já te ocorreu por acaso que a dor dela, pode ser por acaso de não sentir fazer parte da tua vida!?!?!

Bem... é apenas uma hipotese... de alguém que te quer bem!!!! ;) "


Aran

25/02/2010

...valeu...



" Se não houver frutos valeu a beleza das flores.
Se não houver flores, valeu a sombra das folhas.
Se não houver folhas valeu a intenção da semente. "

Maurício Ceolin 

...perdemos...


A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

Carlos Drummond de Andrade

24/02/2010

... o tempo sem ti ...




não imagines cíume em mim, do tempo que passas a fazer as coisas que gostas e com as pessoas de quem gostas... tem apenas a certeza da dor em mim, do tempo que passa, sem ti

não é intolerável, mas condiciona a minha alegria, cada oportunidade que deixas passar com o tempo, de estar comigo, de me lembrares o amor, de me fazeres sorrir
é apenas mais uma oportunidade que me obrigas a perder, de estar contigo, de te lembrar o amor, de te fazer sorrir

e quando eu já não estiver cá, não terás mais tempo, pra me dar valor
para ti
da xana

23/02/2010

...sombra...


«Quando vemos um gigante, temos primeiro de examinar a posição do sol e observar para termos certeza de que não é a sombra de um pigmeu»

Friedrich Novalis

21/02/2010

...concordo...


imagem : moore - partos de pandora


"não se pode amar o que não se conhece"

...balançar...

a cada momento da minha vida, uma canção para me acompanhar

obrigado



Pedes-me um tempo, para balanço de vida. Mas eu sou de letras, não me sei dividir. Para mim um balanço é mesmo balançar, balançar até dar balanço e sair..

Pedes-me um sonho, para fazer de chão. Mas eu desses não tenho, só dos de voar. Agarras a minha mão com a tua mão e prendes-me a dizer que me estás a salvar.

De quê? De viver o perigo. De quê? De rasgar o peito. Com o quê? De morrer, mas de que paixão? De quê? Se o que mata mais é não ver o que a noite esconde e não ter nem sentir o vento ardente a soprar o coração...

Pedes o mundo dentro das mãos fechadas e o que cabe é pouco mas é tudo o que tens. Esqueces que às vezes, quando falha o chão, o salto é sem rede e tens de abrir as mãos. Pedes-me um sonho para juntar os pedaços mas nem tudo o que parte se volta a colar. E agarras a minha mão com a tua mão e prendes-me e dizes-me para te salvar.

De quê? De viver o perigo. De quê? De rasgar o peito. Com o quê? De morrer, mas de que paixão? De quê? Se o que mata mais é não ver o que a noite esconde e não ter nem sentir o vento ardente a soprar o coração.
balançar - mafalda veiga

17/02/2010

...dá-me a tua mão...


cada segundo que morre eu desejo vivê-lo contigo e cada dia que passa eu desejo morrê-lo connosco. este amor sufoca-me o corpo, deixa-me louca, estrangula-me de incoerência e leva-me ao estado febril do sentimento. já não sei o que fazer ao amor que guardo para to dar, às horas que me concedo a viver-nos secretamente num futuro realista e deveras impossível. há alturas em que penso que mais vale arrastar-me a um enterro rápido do que deslumbrar o que tenho cá dentro sem poder partilhá-lo com mais ninguém. nefastas horas de silêncio onde as interrogações são a única cantiga perfurante no ar negro e irrespirável do quarto. sinto-me uma flor a florescer no meio de um deserto decadente e tu és a miragem da frescura que aos poucos me abandona e que sempre quis para mim. no meio daqueles rostos pintados, daqueles corpos cambaleantes já alcoolizados, daquela gente que cantava o seu sangue português, daquelas ruas dançarinas de desejos apertados, daquelas essências libidinosas das ervas místicas e daquele contacto de gerações numa batalha de sentidos, eu parei no presente medonho e abracei-nos. eu parei quando a movimentação era mais exigida e apertei o meu peito de encontro ao teu reflexo ilusório nesse tempo que não pertence ao presente ilógico e ergui a minha mão que te chamou:


- dá-me a tua.

(Texto da autoria de "ela".
Editado, originalmente,
em Memória Futura)

12/02/2010

Não me compreendes?!


Ser homem é saber que se não compreende...

A metafísica pareceu-me sempre uma forma prolongada da loucura latente.
Se conhecêssemos a verdade, vê-la-íamos; tudo o mais é sistema e arredores. Basta-nos, se pensarmos, a incompreensibilidade do universo; querer compreendê-lo é ser menos que homens, porque ser homem é saber que se não compreende.

Trazem-me a fé como um embrulho fechado numa salva alheia.
Querem que o aceite, mas que o não abra. Trazem-me a ciência, como uma faca num prato, com que abrirei as folhas de um livro de páginas brancas. Trazem-me a dúvida, como pó dentro de uma caixa; mas para que me trazem a caixa se ela não tem senão pó?

Na falta de saber, escrevo; e uso os grandes termos da Verdade alheios conforme as exigências da emoção. Se a emoção é clara e fatal, falo, naturalmente, dos deuses e assim a enquadro numa consciência do mundo múltiplo. Se a emoção é profunda, falo, naturalmente, de Deus, e assim a engasto numa consciência una. Se a emoção é um pensamento, falo, naturalmente, do Destino, e assim a encosto à parede.

Umas vezes o próprio ritmo da frase exigirá Deus e não Deuses: outras vezes, impor-se-ão as duas sílabas de Deuses e mudo verbalmente de universo; outras vezes pesarão, ao contrário» as necessidades de uma rima íntima, um deslocamento do ritmo, um sobressalto de emoção e o politeísmo ou o monoteísmo amolda-se e prefere-se. Os Deuses são uma função do estilo.

Bernardo Soares
in Livro do Desassossego

10/02/2010

...sad...



"...sem palavras... não sei exprimir o que estou a sentir.

O medo... o receio... de um dia te perder por causa de...

não quero!

Não desejo!

Não posso! "



h.  in

02/02/2010

... armadilha dos abraços ...


(escultura de nilza silva)


E de novo a armadilha dos abraços.

E de novo o enredo das delícias.

O rouco da garganta, os pés descalços

a pele alucinada de carícias.

As preces, os segredos, as risadas

no altar esplendoroso das ofertas.

De novo beijo a beijo as madrugadas

de novo seio a seio as descobertas.

Alcandorada no teu corpo imenso

teço um colar de gritos e silêncios

a ecoar no som dos precipícios.

E tudo o que me dás eu te devolvo.

E fazemos de novo, sempre novo

o amor total dos deuses e dos bichos.


 
a minha homenagem a

Rosa Lobato Faria
 
que hoje faleceu em Lisboa aos 77 anos
 
(Actriz, escritora, autora e poetisa portuguesa, 1932- 2010)

25/01/2010

...aconteceu...




Aconteceu... Eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas... Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste porque tinhas que chegar

Olhei para ti... O mundo inteiro parou
Nesse instante a minha vida... A minha vida mudou

Tudo era para ser eterno... E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?... O que foi que aconteceu?

Tudo era para ser eterno... E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?... O que foi que aconteceu?

Aconteceu... Chama-lhe sorte ou azar
Eu não estava à tua espera... E tu voltaste a passar
Nunca senti bater o meu coração... Como senti ao sentir a tua mão
Na tua boca o tempo voltou atrás
E se fui louca... Essa loucura... Essa loucura foi paz

Tudo era para ser eterno... E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?... O que foi que aconteceu?

Tudo era para ser eterno... E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?... O que foi que aconteceu?

19/01/2010

... a base é o amor ...



"Ás vezes .. o Amor é mais forte do que a gente pensa e por mais que as vezes pareça não ter explicação... tudo se explica a partir dele !"

in diário das amigas

18/01/2010

...afundo-me...




A noite tranquila iluminada por uma translúcida Lua cheia, que se reflecte sobre o mar que ampara o meu barco, tem apenas o frio, como contrariedade. Esfrego as mãos, tentando afugentar o gelo que lhes penetra e que as impede de sentirem tudo o que seja, além de dor. Parece não ir chover, está tudo tranquilo. Estou confiante de vir a ser uma noite como as outras. Preparo-me para me enroscar na minha manta de retalhos, quando subitamente, aterra sobre o mar, uma imensa massa rochosa, pesada e de pontas aguçadas, formando-se de imediato grandes braços de água que atentam contra a estabilidade do meu barco. Uma manta de água espessa cobre-me, fazendo com que todo o meu corpo entre em espasmo e todos os terminais dolorosos gritem.

Afundo-me.

Do colete salva vidas, há muito que não lhe resta nada e eu vou descendo pelo mar. O líquido que me cobre, começa a fazer aumentar a pressão sobre o meu corpo e sinto cada vez mais, uma constrição sobre as costelas. Estranho como continuo a respirar apesar de me custar, sinto-me a morrer mas não morro.
Olho para cima e vejo que agora o Sol brilha e que o Céu está azul. Vejo a sombra de dois barcos que se aproximam, param e seguem viagem pela mesma rota.
Continuo debaixo da água que me aperta, me constringe os movimentos e me faz sentir cansada. Olho para o fundo do mar e vejo a rocha que caiu, farpada, cinzenta, sem vida, contudo com força suficiente para alterar o curso da minha viagem. Esbracejo e aos poucos vou chegando à superfície, contudo não consigo calcular o tempo que vou demorar... Enquanto o faço, vou reparando em algumas correntes que dão ao meu destino, porém não as agarro e continuo por mim, a subir, a tentar sair deste sitio frio que me estrangula. "
by

14/01/2010

...se eu amanhã não vier...



Se amanhã eu não vier, não penses que o fiz porque quis. Muito menos porque seria o melhor para nós. Definitivamente, esta não seria a nossa melhor solução. Mas se amanhã eu não vier, lembra-te do homem que tu bem conheceste.
Não recordes apenas daquele que partiu sem sequer se despedir, pois ele não teve escolha. Lembra-te do menino que sorriu por diversas vezes ao teu lado, e até chorou contigo muitas vezes. Lembra-te daquele que perdia o sono quando sonhava que te perdia. Não lembres somente daquele que te escreveu esta carta, sem ao menos dar um beijo antes de ir. Não, isso é tudo o que eu menos quero.

Quero que te lembres daquele que dividiu segredos contigo e não se sentiu mais fraco por isso. Ao contrário, ficou ainda mais forte. Pensa no menino que disse baixinho que te amava e que enfrentou sempre tudo e todos para provar que o que dizia era verdade. Não penses que ele partiu por ser covarde, não, isso não foi com toda a certeza. Talvez ele tenha partido para poder voltar um dia, mais forte e mais completo, já que agora não pode fazer o bem como o quanto gostaria. Ele até poderia olhar nos teus olhos antes de o fazer, mas ele não queria um adeus, uma despedida cheia de lágrimas e de abraços que pareceriam os últimos.
Ele preferiu deixar-te esta carta e com a promessa de que ele voltará, um dia, e que a despedida nem se faz necessária, porque ele estará sempre contigo. Ele só quer que te lembres dos momentos que dividiram, dos sonhos, das confissões feitas entre tantos carinhos. Sim, ele partiu, mas nunca irá embora. Ele irá olhar-te por entre os olhares nas calçadas das cidades, e irá ver-te em cada centímetro de si mesmo. Ele quer lembrar-se dos sorrisos e dos risos, das piadas que ninguém mais entendia, só vocês. Ele quer lembrar do modo como conversavam, do modo carinhoso como chamavam um ao outro, daquele olhar que brilhava quando vias ele a chegar. Ele quer sentir a saudade, mas saber que ainda são um do outro. Ele só não quer deixar que a proximidade mate o amor aos poucos, e é por esse amor que ele decidiu partir.
Mas deixou a maior parte dele contigo, desde o primeiro beijo que te deu. E mesmo que ele quisesse, não poderia ir tão longe. É como se quilómetros os separassem enquanto um centímetro os aproximasse. Vocês estarão à distância de um amor.
 
in,
 as palavras que nunca te direi

11/01/2010

... carta ...

Não falei contigo com medo que os montes e vales que me achas, caíssem a teus pés... Acredito e entendo que a estabilidade lógica de quem não quer explodir, faça bem ao escudo que és... Saudade, é o ar que vou sugando e aceitando, como fruto de verão nos jardins do teu beijo.
Mas sinto que sabes que sentes também, que num dia maior serás trapézio sem rede, a pairar sobre o mundo. E tudo o que vejo é que hoje acordei e lembrei-me, que sou mago feiticeiro, que a minha bola de cristal é feita de papel: Nela te pinto nua. Nua, numa chama minha e tua.
Desconfio que ainda não reparaste que o teu destino foi inventado por gira-discos estragados, aos quais te vais moldando, e todo o teu planeamento estratégico de sincronização do coração, são leis como paredes e tetos, cujos vidros vais pisando. Anseio o dia em que acordares por cima de todos os teus números, raízes quadradas de somas subtraídas, sempre com a mesma solução.
Podias deixar de fazer da vida um ciclo vicioso, harmonioso do teu gesto mimado e à palma da tua mão...



Desculpa se te fiz fogo e noite, sem pedir autorização por escrito ao sindicato dos deuses... mas não fui eu que te escolhi. Desculpa se te usei, como refúgio dos meus sentidos, pedaço de silêncios perdidos que voltei a encontrar em ti... É que hoje acordei e lembrei-me ...

Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém

A mim... passou-me ao lado.

02/01/2010

...renascer...



os anos passam e desta vez, não consigo fazer um balanço... prefiro esquecer 2009 - o  ano que o resto de tudo me tirou, e sendo assim apenas brindo ao revellion, espero que tenha sido ou que venha a ser mesmo renascer para 2010

e apenas deixo, mais uma vez, a certeza de que estou viva apesar de mais só do que nunca, a promessa de que continuarei a voar livre e a voltar sempre e enquanto o meu pequeno princepe precise de mim, o pedido de que nada mais me tirem, nada mais me dêem...apenas, deixem-me estar...

fernão capelo gaivota... continua a ser um dos meus livros favoritos, e neste momento, o eleito entre os vários, mais uma vez... um livro tão pequenino, que só ele, consegue iluminar-me num estágio tão escuro como o que atravesso

feliz ano
malu



Aqui será a areia fina...a falésia...onde, entre voos, poisarei para descansar e meditar, depois voltar a voar entre o azul do mar e o azul do céu.

30/12/2009

...pranto...

já não choro sequer
já nada digo
passou todos os limites
parou o tempo
daquela dor
que era tua

já não sei se minha

malu




(...) Há chorar com lágrimas, chorar sem lágrimas e chorar com riso: chorar com lágrimas é sinal de dor moderada; chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva.

(...) A dor moderada solta as lágrimas, a grande as enxuga, as congela e as seca. Dor que pode sair pelos olhos, não é grande dor; por isso não chorava Demócrito; e como era pequena demonstração da sua dor não só chorar com lágrimas, mas ainda sem elas, para declarar-se com o sinal maior, sempre se ria.

Nada digo que seja contrário aos princípios da verdadeira Filosofia e da experiência. A mesma causa, quando é moderada e quando é excessiva, produz efeitos contrários: a luz moderada faz ver, a excessiva faz cegar; a dor, que não é excessiva, rompe em vozes, a excessiva emudece. Desta sorte a tristeza, se é moderada, faz chorar; se é excessiva, pode fazer rir; no seu contrário temos o exemplo: a alegria excessiva faz chorar e não só destila as lágrimas dos corações delicados e brandos, mas ainda dos fortes e duros.

Padre António Vieira, in "Sermões"

...eu sei...

e se um dia eu disser... que já não quero estar aqui



eu sei, que também em mim, esta canção é especial!!!

obrigado Sara, por todas as tuas canções que´libertam por nós

28/12/2009

21/12/2009

...quem inventou o amor ?...




Quem inventou o amor ,explica por favoor ♪

Porque será que as músicas definem tão bem o que o coração sente ?

Acredito que arte é uma espécie de ''Transbordamento" de emoções ,boas e ruins .

É como aquela dor insuportável que ás vezes sentimos , ou aquele amor que não cabe no peito .Porque será que fingimos tão bem ? Por que será que a cada novo sorriso uma amardura se forma em torno dos corações de mentira ? por que motivo ,eu não entendo, que as pessoas nos digirem uma palavra de amor carregada de ódio ? o que nos tornamos afinal?

"Atores da vida real ,fingidores do sistema ,controladores de emoção ,subordinados do psicológico ."

A muito,perdemos o controle sobre nós mesmos .

Esquemos que somos máquinas dos nossos anseios .!

e viramos apenas vítimas de nossos medos .
 
 
marcela in

20/12/2009

...gritos que penso...

ás vezes fico na dúvida... se sou eu que escrevo para o abrunhosa, ou é ele que fala pra mim, quando compõe... tal e qual, como outros né, mas com aquela capacidade de nos sentirmos únicos no mundo e exclusivos na dor... mas outros há ... como acabamos por ser todos diferentes... mas todos iguais....





(Desculpa o silêncio Que trago em mim, São gritos que penso Que calo assim...Desculpa o beijo, É o desejo a morrer. E tu, onde te vais esconder?)

19/12/2009

...Já pensaste num nós ?...

....Perguntaste-me tu....

Se não fores tu a magoar-me ou eu a magoar-te, outros o farão...
Já pensaste nisso? - acrescentei-te eu....

no meio do sono, e do embaraço, ambos ficámos sem resposta...
ainda bem que há músicas que falam por nós...



a "canção do engate" de António Variações é das mais intemporais que conheço...

no momento só há uma diferença... não buscávamos por ele,

mas acontece aos melhores!!!

...memória da certeza que me resta...





mil horas de vazio te procuro
e tu em mim mil horas no escuro

se te mostras, se em mim és, não o desfiro

ao olhar perscrutante, definido
que redunda algures em mim o teu sentido
onde existes doce aurora inebriante
donde a bruma que suspende o teu aspecto
flui sem gesto que se lance
ao teu encontro face ao rosto
que em memória representa
o prévio aviso da presença do teu corpo

sei da dúvida que a si própria se alimenta
ela própria a certeza que me resta
 

16/12/2009

...está tudo gasto...



E eu gastei as horas e os tempos em volta, gastei os espaços que preenchemos com beijos, gastei tudo e tive tudo em tão grande número que me perdi a contar-te em cada canto por onde ainda caminho.

E gastei-te a ti nas vezes em olhava a tua fotografia, gastei a boca a beijar-te nos espaços ocos e vazios, gastei-te os olhos a olhar-te nos sonhos presentes que me preenchem, gastei-te as mãos nas minhas, aquecendo-as e mantendo-as sempre seguras.
Gastei tudo amor, não sobrou nada e tudo o que eu gastei uma charada que o meu pobre coração não soube decifrar, depois de tudo eis que me encontro agora, olhando o espelho vejo-me a outra face já negra e gasta por medos e desânimos.
Que mundo é este amor? Que tempo me pertence agora? Nem os meus sonhos são o presente que julgava, nem um futuro, nem um dia de amanhã que seja, apenas a permanente loucura de me saber viva sem ti, com o corpo abandonado e sem esperança, com o rosto cravado pelo pecado de te amar tanto mesmo depois de te ter gasto.
E porque te amo deste amor tão grande faço de conta que te tenho ainda, rasgo o silêncio e perco-me em gritos da alma dados pela boca desta face que chora. O choro é o meu ponto de encontro contigo e com a vida, no choro percorro o meu destino mesmo com o corpo nu rasgado de ausências e distâncias.
Cubro os meus medos com os dias felizes que vivemos, com os sorrisos maravilhados e doces, com o rosto coberto de alegria, com tudo o que era e agora é nada, absolutamente nada onde me agarrar, para me ser na totalidade.
E como dói, meu amor, ter-te ainda em mim e não ter forças para me erguer, porque me pesa no lugar do coração todo o amor que deixou de ser, dói tudo o que já não é e não dói nada.
Gastei tudo amor, gastei tudo com as palavras e os silêncios que não te dei, gastei tudo, até o amor que te tenho tanto que faz com que me odeie assim de uma forma tamanha por não ter sido capaz de me manter em ti.

fez-me lembrar de nós, e não só, também do adeus de eugénio de andrade este texto da

14/12/2009

...essa tal de liberdade...



ficas muito mais aliviado achando que me fizes-te um grande favor, não é?

assim seja: não tenho porquê desejar-te mal, desapareço do teu mapa, e ao menos um de nós segue ... muito mais feliz !!!

não mais tens que te preocupar com o mal que me fazes, não mais tens que te marterizar com o bem que não me fazes, não mais tens que desculpar-te, não mais tens que sentir-te preso, não mais tens que lamentar-te, por tudo o que não quiseste... essa tal de liberdade, que te parece que me fica bem, foste tu que escolheste, por isso não venhas agora dizer-me como eu estou... eu é que sei, e se é bem ao mal, não é coisa que te interesse...

jurei a  mim mesma nunca mais chorar nem por ti, nem contigo,  por isso podes desistir de mais alguma vez na vida vires dizer-me, que não querias fazer-me chorar, não querias ver-me ou ouvir-me chorar... isso não vai mais acontecer

vou sempre sorrir pra ti... agora se vou estar feliz, ou não... não irás saber... não me mereces saber !!!

10/12/2009

... Quem és tu? ...



Esta noite morri muitas vezes, à espera de um sonho que viesse de repente e às escuras dançasse com a minha alma enquanto fosses tu a conduzir o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo, toda a espiral de horas que se erguessem no poço dos sentidos.

Quem és tu, promessa imaginária que me ensina a decifrar as intenções do vento, a música da chuva nas janelas sob o frio de fevereiro?

O amor ofereceu-me o teu rosto absoluto, projectou os teus olhos no meu céu e segreda-me agora uma palavra: o teu nome – essa última fala da última estrela quase a morrer, pouco a pouco, embebida no meu próprio sangue, e o meu sangue à procura do teu coração.

Fernando Pinto do Amaral
(esta noite morri)

09/12/2009

... leva-me ...




leva-me daqui

entre esta linha e a próxima

só estou capaz de odiar a vida

já não te odeio, já não me odeio

já não sei o caminho pra lado nenhum

a que horas passa a carruagem ... que horas são ?


malu

08/12/2009

... perfeito?! ...



«Apaixonar-se é passivo;
amar activo;
o perfeito
está no que não é nem isto nem aquilo»

Agostinho da Silva

... faltas-me tu ...




Todos amam precisamente o que lhes falta.
A escolha individual, que se funda nessas considerações meramente relativas, é bem mais determinada, mais decidida e mais exclusiva do que a escolha que se baseie em considerações absolutas; é desses aspectos relativos que vulgarmente nasce o amor de paixão, enquanto os amores comuns e passageiros só são guiados por considerações absolutas.
Nem sempre é a beleza regular e perfeita que dá origem às grandes paixões.
Para uma inclinação verdadeiramente apaixonada é necessária uma condição que só nos é possível descrever através de uma metáfora tirada à química.
As duas pessoas devem neutralizar-se uma à outra, tal como um ácido e uma base alcalina num sal neutro.

Arthur Schopenhauer,
in 'Metafísica do Amor'

07/12/2009

...tudo menos amor...



alguém se lembrou hoje, desta musiquinha no facebook, a aninhas... e eu adorei ... e acho que tem tudo a ver... com o momento, comigo, contigo, e com a vida...

ai ai, se já fosse carnaval, bem que podia abraçar-te e fingir que estava a caír... afinal...ninguém levaria a mal

onde vais estar no carnaval ?

... o almas da minha alma ...

apenas uma pequena explicação... a pedido de várias famílias...



sim ... tanto neste como no outro blog... agora apresento apenas pensamentos, excertos, passagens, e palavras e momentos que me marcam, de outros autores ... ( é mais uma fase... como sabeis, não há estática em mim )

já lá vão meses e anos, sempre a exteriorizar os sentimentos que as palavras me provocam, e a partilhar, quer aqui quer no (depois de tudo)...

não se trata de exibição do ego, nem de auto promoção, até porque, tudo o que transmito, é mais ou muito mais triste e, tudo o que escrevo, é doloroso e melancólico, e por vezes motivo de dor, e não de orgulho, talvêz por isso, sinta a necessidade de pôr cá pra fora, se não rebentava a maior parte dos meus dias...
não são dias negros...credo...não vivo num purgatório... mas, sinto muito profundamente as coisas ocas, as coisas cheias de nadas que me corroiem , tanto que chegam à destruição da mente, da alma... e não valorizo tanto os bons momentos quando escrevo: numa palavra... dramatizo sim... e muito... e só escrevo quando estou mal... o que nestes ultimos meses ou anos, tem sido uma constante na minha inconstância...

tudo isto para dizer que, passado este tempo, em que escrevia, publicava, ouvia, lia e publicava, e misturava, e desistia de um blog e começava outro, e emaranhava tudo de novo, e voltava aos dois, e nunca me desfiz de nenhum, nem deste nem do depois de tudo... achei que já não fazia sentido escrever quer num quer no outro (o que não quer dizer abandoná-los apenas que o que escrevo eu, tem agora outro lugar ).
Não quer dizer que não continue mal, que não continue a escrever compulsivamente... mas tenho desde há pouco tempo esse outro "caderno virtual", ou seja outro blog, onde publico apenas, textos de minha autoria.
os actuais e os já publicados em blogs e sites diversos, ou os apenas deixados na gaveta anteriormente em outros meus cadernos.

um dia... quando me cansar de escrever... o almas da minha alma, é o único livro, que não deixarei ler.

o reticências e o depois de tudo continuam, porque é no que vivo e leio e acompanho que me revelo também... mas o que escrevo eu, fica e sai das almas da minha alma.

eis a nova morada :

apareçam
como sabem
detesto a solidão

06/12/2009

...Ame...



Ame como se tivesse conhecido o amor nesse instante.

Ame a cada dia, sem se preocupar com o amanhã,

pois o amor se desgasta quando armazenado.

Josè Glauco de Oliveira

05/12/2009

...eu e tu não somos iguais...

Sagitário (23-11 a 22-12)
- Perfil -

O mundo não seria tão divertido se não existissem os sagitarianos. Os nativos do signo Sagitário são donos de um senso de humor enorme, são capazes de animar qualquer um e em qualquer situação. Vêem o lado alegre e belo da vida e podem animar as pessoas, contando as suas aventuras. Nenhuma figura mitológica representa tão bem o Sagitário como o centauro, metade homem, metade cavalo. De um lado um ser racional que filosofa sobre a vida e faz de tudo para que a lei seja obedecida, e de outro um ser tão abrutalhado que é capaz de levar tudo à frente.

Os nativos do signo Sagitário são exagerados. Extremamente francos, prezam sempre a verdade, mesmo que seja inadequada para o momento, ou que os faça passar por inconvenientes nalgumas situações.

Estão sempre prontos a conhecer coisas novas na vida, e esperam que todos tenham essa mesma disposição. Como aventureiros e livres que são, é impossível segurá-los quando se decidem a viajar e conhecer outros mundos. Adoram comidas exóticas, desde que sejam em grande quantidade. Melhor ainda se forem típicas de países distantes.
Os Sagitarianos são eternos gozões. Acham que são donos da verdade e discutem durante horas só para convencer as pessoas sobre o seu ponto de vista. Conhecem um pouco de tudo, o que os torna aptos para viver de qualquer sitio, muitas vezes de forma "provisória-permanente". Consumistas por natureza, não conseguem conter o seu impulso de comprar, qualquer coisa, uma de cada cor e de cada modelo. Quem rege este signo é nada mais nada menos que Júpiter, o maior planeta do sistema solar, Zeus para os gregos, deus dos deuses; são tão bons e violentos quanto ele.

Ser amigo de um nativo de Sagitário é ser o melhor amigo dele, mesmo que não queira.
São crédulos e ingénuos.


 - Mulher (A pessoa) -

Tarefas do lar, supermercado, cozinha... Se pudesse a nativa do signo Sagitário eliminaria essas tarefas do mundo. A Mulher nativa de signo Sagitário ama a liberdade e é totalmente independente, encarando a vida com muita garra. Alegre e cativante, costuma ser muito romântica, alimentando sonhos e fantasias de amor, mesmo sendo assim tão independente e tendo aparentemente dificuldades para encarar a vida a dois. Na realidade, ela gosta é de uma parceria inteligente e que lhe dê liberdade e carinho ao mesmo tempo. Não suporta ciúmes e possessividade. Normalmente é exuberante, com uma beleza que chama a atenção, o que chama mais a atenção na nativa do signo Sagitário são as suas pernas bem-feitas, que atraem muitos homens ao seu redor. Claro que ela também cativa pela sua simpatia. Essa liberdade e extroversão da sagitariana costuma assustar alguns homens acostumados com o modelo de Mulher meiga e doce. Ela também é, mas preferem preservar a sua independência. É óptimo relacionar-se com uma sagitariana, que pode ser muitas Mulheres ao mesmo tempo: doce e suave, inteligente e culta, romântica e fogosa.


- Amizade -

Os Sagitarianos fazem amizades muito facilmente. É uma necessidade constante de têm em ter amigos aos quais possam passar as suas informações e descobertas, e um bom motivo para se divertirem e andarem em grupo como tanto gostam. Fiéis e generosos, os nativos do signo Sagitário costumam tratar qualquer pessoa como se fosse um amigo de muito tempo. Amáveis e cordiais, eles são amigos, companheiros e quase irmãos, e contam com o outro para o que der e vier. São animados e entusiastas. Mas prepare-se: eles são muito eufóricos e por conta disso podem cair em depressão profunda muito facilmente. Tirá-los desse estado pode ser uma tarefa impossível. Quando estiver a desistir de os ajudar, lá vêm eles, a galope como cavalos, todos felizes e alegres. A tristeza foi ontem, agora é um novo dia.


- Sexo -

Ardente como ninguém e romântico como ele só, quando um sagitariano ama envolve-se de tal maneira que parece estar a viver mais uma vez a história de Romeu e Julieta, juntando a isso uma boa dose de prazer e erotismo. Desde cedo o Sagitário percebe que sexo e amor caminham juntos, amando como um adolescente para toda a vida. Curioso como é, procurará novas formas de prazer, podendo querer fazer amor nas horas e nos lugares mais loucos, só para unir aventura e amor. Adora criar um clima especial antes de uma relação e procura sempre novas formas de satisfazer o ser amado.

Dificilmente se entregará a uma pessoa por pura atracção física e colocará uma dose de sentimento imenso. Metade humano, o amor dele começa pela cabeça e por uma boa conversa mas termina usando totalmente a sua outra metade animal.
^  ^ 
O

sagitarianos que admiro (entre outros)

Ben Stiller , Bet Midler, Cássia Eller,
Clarice Lispector, Edith Piaf, Frank Sinatra,
Issac Alfaiate, Jim Morrison , Maria Callas,
Steven Spielberg, Woody Allen

03/12/2009

...distraida...

a cada ano que passa, é-me escusado fugir, que vou sempre questionar-me  - quem me fará "sentir"? -  e nunca ninguém como ele... como este senhor...  que partiu deste mundo, no dia em que eu vim ao mundo, e está sempre em mim, de cada vez que escreve, de cada vez que me descreve... este foi a "minha" pessoa !
malu


Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.

Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:

Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação

Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,

E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão

Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.

Sentir é estar distraído.
Alberto Caeiro - Poemas Inconjuntos

(se eu morrer novo)