14/04/2008

...Celeste...


… e havia aquela fantástica senhora… que ouviamos a meio da sesta, a meio do relax, de barriga para o ar, deitados na toalha aquecida, no imenso areal… e nos animava… era tão familiar…
- olhaaaaaa booolacha amaricaaaaaaaaaana…!
- olhaaaaaa booolacha amaricaaaaaaaaaana…!

Desde os seus anos de jovem mulher que palmilhava diariamente e vivamente por todo o Verão, umas 4 ou 5 vezes por dia, de um lado ao outro, toda a praia. Sempre havia alguém que a ouvia passar, de lés a lés… com os pés calejados, escaldados a seco mas alegres e habituados às areias quentes e nada finas, da Nazaré…

Tinha as bolachas ao pé do São Miguel…lembro-me tão bem…!
Naquela dispensa dos concessionários, junto às casas de banho dos veraneantes debaixo do muro, assim que passávamos as dezenas de peixeiras a oferecerem…..barracas….quartinhos…chambres….rooms…:
- Aaaaahhh lindas…vão ficar quanto tempo ? Na quer uma barraquinha…? Um quartinho p`a passar a noite ?… alugo barato…!

A minha tia, não era peixeira… Era do Valado, por isso valadeira… mas, todos sabem quem era a velhinha, que desde nova vendia, a bolacha americana na praia.
Todos os meus conhecidos, e amigos e desconhecidos e outros, passaram por ela um dia, e diziam, a respeito da minha tia:
- Simpática a senhora, sei quem é…!!!

- A vida não é fácil…! Dizia-me a minha tia… quando ainda se mexia, sempre com um ar despachado, alegre, entregue com todas as forças àquela vida… rude, difícil, dorida…tão maltratada pelo sol nosso de cada dia, e ainda pelo seu próprio sol…

O tio Manel, era, e ainda é conhecido, por ser o homem dos gelados…
E toda a vida, desde que me lembro, a acompanhou, e ela a ele, em todos os momentos públicos, mais ou menos difíceis de cada um…
Nos outros, que eram só deles, e do seio lá de casa… uma casa pobre, como quase todas as da nossa família, não sei…
Nunca me despertou curiosidade saber como vivia aquele casal, nas minhas primeiras 3 décadas de vida….
Em pequenina…adorava-os, eram os tios dos gelados e da bolacha, que sempre todos os anos pelo menos numa das minhas idas à praia, me presenteavam com aquela gulodice…
Mas em criança ainda, tive um clic, que me afastou deles.
E só deles, porque andavam sempre juntos, mas nunca da minha tia, interiormente…porque, desde sempre, embora pouco o convívio, gostava muito dela…muito…era das irmãs do meu pai… a que sentia mais próxima de mim, de todos eles, e todas elas…
Não julgo apenas por um mero preconceito monstruoso que viva em mim desde a meninice… sinto simplesmente que o afastamento, foi por causa dele, ou então, estou agora aqui a ser extremamente injusta, mas sem meias palavras, de fora vejo que foi a vida que o fez assim…
Ele era mau, e cá para mim tinha tiques de pedófilo, pelo que, não me aguentava muito tempo a deixar-me ser apaparicada … evitava… nunca me senti segura em casa da minha tia, nem criei a assiduidade de voltar, nem vontade… e tenho pena…!

Os meus primos, sempre ficaram um tanto afastados, só o Filipe, que continuou a vender na praia, o via mais vezes… mas os outros, raramente. Só nas férias de Verão, naqueles espalhafatosos encontros de emigrantes, e mesmo assim…muito de fugida e, nem todos, nem todos os anos…
Só com a Zélia, e mais propriamente com os filhos da Zélia, ganhei mais afinidade, talvez e mais em particular com a Sandra, lembro-me muita vez dela, dado o termos estado mais próximas, por altura do casamento da Vera, a afilhada que o meu pai adora, tal como à outra, e que está longe… emigrada… e que hoje, nem me conhece… !!!

Nos últimos 5 anos, e mesmo desde a doença do tio Manel, por incrível, tenho-os visto até mais vezes, aqui, ali, nos médicos, na praça em Alcobaça, na praia ainda agastados pelo velhaco do trabalho, aquele casal de vendedores, dos quais esqueci neste entretanto as imagens do antigamente, e me afeiçoei mais a uma visão de tios queridos e velhinhos…

Nos últimos meses, desde que se atiçou a doença da tia, mesmo sem até há bem pouco tempo ninguém desconfiar de nada… a vida, não só foi nada fácil, como também foi muito difícil para eles…
De repente, a tia, é internada, operada de urgência, e fica acamada… um cancro desventrou-a completamente, galopantemente, e continuou, por estas ultimas semanas, a consumi-la, a cobrá-la, não sei de quê, não sei por quê, tão devagarmente, como que um castigo deveras inapropriado, enganado, no seu alvo sofredor…

Foi tudo muito rápido…
Numa questão de mês e meio, todos os filhos e a maioria dos netos, genros e noras, e sobrinhos e irmãos e próximos e afastados, ficaram a saber que, a tia estava muito mal… e deu-se um corrupio de cruzamentos em família como só a morte, conseguiu alcançar…

Faz hoje uma semana, a minha tia, chorou agarrada à minha mão…
Tinha-me ali, e a mim se agarrava, como quem suplicava para que fosse diferente, o seu fim... Não queria, deixar o tio… deixar o hospital… queria ir para casa, tratar dele, sem ver que em casa, não tinha quem tratasse convenientemente de si...
Ouvia mal, sem o seu aparelho que entretanto perdera naquele mini quarto da cirurgia, e apenas por ironia do destino, coube-me a mim tentar consolá-la, naquela hora que foi a última vez que a vi…

Sim, foi uma hora negra, que me transtornou… no meio de tanta família, tanto filho tanto neto, que andou pra trás e prá frente, entre cá e lá, França, Angola, Portugal, aqui ao lado… e todos tão longe, naquela hora, que veio sem avisar...
Naquele dia, sim, mais uma vez digo por ironia do destino, eu acabara de ser internada para a minha cirurgia, que agora me empurrou para o repouso absoluto em casa, quando na mesma enfermaria, a tia teve alta… já nada havia ali a fazer, e foi enviada para o lar, onde deveria viver em paz, e em dignidade, os seus últimos dias…

E quem estava alí…?…eu… a descansá-la… a confortá-la, a convencê-la, a ela e ao tio Manel, de que era o melhor que lhes podia acontecer agora…nesta altura do campeonato…serem separados, para mais tarde, assim que possível, pudessem estar juntos, e juntos ficarem até ao fim dos dias, num outro lar, onde os dois pudessem ser acompanhados.
A doença, a velhice, a injustiça da dor que nos esmaga, quando nos sentimos impotentes perante estas conformidades da vida, ou da morte, transtornam-me muito…aliás, comovem qualquer um… revoltam qualquer um, quanto mais eu… tão inconformada como sempre…

5 dias depois, deu-se o alarme pela manhã…
No lar, a minha tia, não podia ficar, os diabetes subiram a 600 e, teve que vir para o (S.O.) para os cuidados intensivos... De novo para o hospital, mas agora, numa área restrita, onde nem eu podia entrar… como internada… também dali não podia passar…
Foi a Zélia quem me avisou… tadinha, despedaçada, sofrida. Veio mais uns dias a Portugal, pra estar com a mãe, e pressentira que iria ser o fim… aliás…os médicos chamaram-na à parte e isso mesmo disseram…
E a Zélia, lá preparou tudo, com a maior das coragens… e mesmo sabendo que tinha uns irmãos longe, embora com ela, e outro a enfernizar-lhe a vida por causa da ida para aquele lar… Sabe que foi o mais certo… queria ter dado paz, nas últimas, à sua mãe, que toda a vida sofreu, e merecia morrer bem tratada, acarinhada, e não sozinha numa cama de hospital, como acabou por acontecer…

A Zélia tinha viagem marcada para hoje… o Zé também… mas, já nem sei como vai ser…
A tia, morreu ontem à noite, disse-me há pouco o meu pai… e agora, vai enterrar…
Vai partir finalmente para um lugar mais calmo, onde não mais as dificuldades desta vida, andarão a rondá-la, a massacrá-la, onde não mais vai ver o seu querido marido, por mais mau que tenha sido, a sofrer sem o poder valer, onde não mais, vai ver os filhos discutirem, e andarem às zaragatas… onde não mais, vai ter que palmilhar o areal a vender bolacha americana para viver… acabou-se… silenciosamente… apagou-se!

E eu tive alta do hospital, no dia em que ela voltou, e não pude ir vê-la!
Nem hoje, me poderei ir juntar aos que a amaram e levá-la, como diz o povo, à sua última morada…
Fico mais uma vez, presa neste repouso absoluto, mas que não posso infringir… e aterro numa planície de plena tristeza, inquietude, e uma sensação de um pesado vazio que me atormenta… sei que hoje… a vida não está fácil tia…

Deixas-me mais um buraco imenso no meu coração, e isso deve querer dizer que nele, o teu lugar é cativo… Não vou dizer-te adeus…nunca o poderia ! Foi há uma semana que me despedi de ti, e sim, nessa altura, eu o sabia…! Digo-te até breve, até sempre, até um dia.

Invade-me uma amarga alegria, por saber que finalmente, parou o teu sofrer, acabou a tua estrada…
Continuarás a ser a nossa tia "Celeste", agora mais que nunca, pois sei que estarás no céu, a olhar por nós…
Vai e descansa em paz…!
Há quem diga que o fim da estrada… é o início do caminho… e assim, talvez um dia nos encontremos por aí, e eu possa dar-te um doce abraço… um beijinho…!…

Alcobaça , 14 de Abril de 2008

Malu
(à tia Celeste )

...recomeçar...


Não vou despedir-me
Nunca mais…
Foste tu quem me ensinou
A não dizer adeus ao que se ama

Largo estas pedras
Este chão,
Este cheiro
Deixo para trás tudo o que é meu…

Com olhos tristes, a arder com saudades
Que vão acompanhar-me por muito tempo…
Enquanto não me esquecer
Que aqui, também fui feliz…

Não vou dizer um até breve
Sei que não vou voltar…
Vou apenas certa de que vou
E sou daqui…e de tanto outro lugar…

Quem não chora
Nunca sentiu
Os laços que nos unem
Às memórias que nos ferem…

Quando nos obrigam a partir…
Quando não há mais por que ficar…
Sim…vou embora
Vou por mim…!

Ninguém me empurrou
Ninguém…
Não te culpes…
Eu não te culpo…

Está na hora
Não de temer, não de parar…
Está na hora de nascer
Recomeçar…


Malu
Ataíja de Baixo, Alcobaça
20 de Setembro de 2007

13/04/2008

...ainda tu...


Ainda ontem te vi
No claro azul claro dos teus olhos
Sim… Ainda lembro como se fosse ontem
E já passou algum tempo
Algum… demasiado tempo
Sem te ver

Ainda agora te senti
Teus ossos nos meus
Como se o teu abraço me apertasse
Como eu tanto queria agora… antes de ir dormir
Antes de mais uma vez fechar os olhos
E voltar a adormecer… a acordar…
sem ti a meu lado…

Ainda amanhã…
E depois de amanhã …
E depois
Muitos mais amanhãs virão depois
E estaremos ainda longe … separados
Ainda desolados…ainda
atordoados com esse elo que nos invadiu…
sem sabermos ainda de onde vindo
E nos mantém ainda unidos…

Ainda ontem…
Ainda amanhã
Ainda agora…
Ainda há tanto tempo
Ainda por muito tempo ainda…
Ainda não sei porquê
Nem quero saber… ainda…!

Ainda me amas meu amor ?!…
Sempre … Sim …
Ainda e sempre, sei que sim …
Sei que ainda
E também sei que ainda não chegou o nosso tempo…

Ainda e desde sempre te espero…
Hoje…
Amanhã…
E ainda depois…

Por quanto tempo ainda … meu amor ?


Alcobaça

4 de Março de 2008
Malu

12/04/2008

...amanhã...ou depois...


Amanhã…depois…
Entre muitos outros…só em mim
Cheia de palavras…completamente muda
Crescida, tão certa…tão indefesa
Menos mal…assim-assim
Tão diferente…tão sempre igual…

Quantas caras tem
O amanhã…o depois ?!

Quantas vezes
Ninguém responde…ninguém sabe
Porque choras…porque ris…?!

Tantas vezes
Tá tudo bem…é mais um dia…
E tudo é nada… é tanta coisa
Que não está bem…que te desvia…
O teu caminho não é esse, sabes bem…

Quantas vezes
Vais ter que voltar atrás
Refazer toda a caminhada…
Entre mãos que te dão, a que de dás
Quando te afundam, te seguram
Te levam o teu quase nada… ?!

Será amanhã … ou depois …
Quando vais aprender a ficar parada
A deixar-te ser amada…?!

Ataíja de Baixo - Setembro 2007
Malu

11/04/2008

...errante...


“amor errante…amor distante (…) volta depressa… enquanto há tempo” …
A canção fere-me, sempre que a oiço, e oiço nela falar de nós, cantar pra nós!
Sempre que me lembro, mesmo sem ouvir essa música, esse chamar-me a ti, esse chamar por ti. Será errante o nosso amor ? Errante será errado, será um erro ?!
Distante é certamente, ou então não o é, não pode ser. Não te sinto distante. Não estou de ti distante. No meio dos nossos desencontros sim, é errante este amor,
este não estar. É errado passar mais tempo a adiá-lo, é um erro pensar que temos todo o tempo do mundo à nossa frente.
Volta depressa meu amor, por favor! É errado não viver a teu lado todos os meus dias
É errado não ter-te aqui agora e poder apenas abraçar-te muito apertado, muito demoradamente.
Quem será que se enganou, eu, tu?! Quem foi o errante que nos uniu, nos separou…?!
Será um erro pensar assim; querer-te para mim enquanto há tempo … ?!


Alcobaça, 19 de Janeiro de 2008

Malu


(com a canção "amor errante" dos Diva na cabeça)

07/04/2008

...fé...


Será que te perdi ?!
Será este um dos momentos em que preferes estar sozinha ?!
Será que me ouves respirar… dormir… soluçar… desistir ?!
Será que ainda estás em mim… perdida… esgotada…
À espera de ser resgatada ?!

Será que me escapas-te entre desejos, entre medos
Entre “entra-e-sai” de segredos… ?!
Daqueles que ferem de dor…
Daqueles que ardem de felicidade…
Daqueles tão perfeitos momentos…
Tão imperfeitos fragmentos de verdade…
Tão inoportunos e rebeldes sentimentos…
Tão esguios e raros… e tão seguros… tão frágeis…
Preciosos toques da tua alma… teus e meus sorrisos…
Por entre tão doces, imprevisíveis… sentidos…
Por entre os meus e os teus rios de lágrimas…
Entre tantos sonhos impossíveis…

Será que ainda estás aí ?!
Nesse lugar onde me encontro … tão escondida… tão sem abrigo
Desprotegida… nesse olhar infinito…
Nesse silêncio em que desgastas…
Nesse abraço que me negas… que não dás sem me sentir…
Será que me queres ainda… como noutro dia qualquer ?!

Onde andas?!
Vem me ver
Vem-me dizer
Vem-te mostrar...
Como posso não te perder,
Como faço?!
Está a doer
Vem me sarar...

Malu

Alcobaça, 13 de Janeiro de 2008

...insónia...




Não faz frio esta noite …
não me apetece ir dormir…
Não ligo a televisão…
Não oiço os teus cds…
Não desligo sequer dos barulhos deste prédio…
Não sei que horas são…
Não sei mais que fazer…

Já corri toda a casa…fui à rua… não vi vivalma…
Os carros passam lá fora…
Só passam…nenhum pára…nada pára…
Tudo gira…tudo avança tão calmamente…
Tão naturalmente se estende a noite em madrugada…
Daqui a pouco é já de manhã…
Só eu não paro …
Não me apetece ir dormir…

As crianças já foram dormir…
Os vizinhos já foram dormir…
Preparam-se para mais um dia amanhã…
Cheios de dores, de trabalho, de dissabores…
De um esforço incrédulo em sobreviver…
Quase sem tempo para respirar, para sofrer, para sorrir…
Mas lá estão…lá vão…embalados pelas vidas desgastadas…
Descansam…! Só eu …. não me apetece ir dormir…

Tenho medo de me esquecer da cor dos teus olhos…
Tenho medo que esqueças como é sentir os teus lábios nos meus…
Tenho medo que adormeça o teu amor por mim…
Sinto tanto… apenas tanto, tanto a tua falta
Que não me apetece ir dormir…
Não quero acordar sem ti a meu lado…
Abraça-me amor…
Não me apetece ir dormir!…

Alcobaça, 9 de Janeiro de 2008

Malu

06/04/2008

...contar o tempo...


Há quanto tempo estarei aqui no meio de nada…
Nem perdida, nem achada ?!
São tão desventrados de tudo estes caminhos, estas paredes…
São tão iguais a labirintos estas ruas…
Esta cidade, estas pessoas que comigo se, ou não se cruzam !
Onde terei eu batido com a cabeça…
Com o coração …com o corpo todo… ?!
Pra me sentir assim tão vazia, tão acordada…adormecida desta pancada
Que “Côma” é este… que estado de : “não estar” ? “não saber“ !
Que gosto é este…tão amargo…tão sem sal… ?!
Nos meus dias…nas minhas noites…

Há quanto tempo estarei aqui, tão sem pra onde me virar…?!
Estarei a ficar louca…?! Serei eu louca…e não sei ?!
Quanto tempo faltará para me reencontrar…?!
Não sei de mim…
E sinto tanto a minha falta…
Onde está o brilho dos meus olhos… o meu sorriso…?!
A minha garra… essa vontade de viver… de crescer… ?!
Onde estou …para onde vou agora ?!
São tantas perguntas … sem tantas respostas que já nem quero…
Estou cansada de girar à minha volta,
Sem conseguir parar…fechar os olhos, descansar !!!
Onde está o meu amor !!!
Dá-me a tua mão… vem me buscar…

Há quanto tempo estarei aqui…?!
Já não sei
Já não sou capaz de contar…!!!


Alcobaça, 13 de Janeiro de 2008
Malu

31/03/2008

... um destes dias ...

Se eu soubesse como atravessar essa ponte, não estaria aqui agora…
Se eu soubesse de que matéria é feita a distância,
não descansaria enquanto não arranjasse antídoto…

Se eu pudesse pedir ao tempo para esperar… para me levar…
Não escureceria mais, cada meu amanhecer sem ti…
Já te disse um destes dias, que os dias passam devagar,
mui cruelmente devagar…!

Se eu pudesse pedir ao vento para seguir-te, pra me trazer-te…
Não choraria, de cada vez que cai a noite e
custa tanto acreditar que, não estás aqui…

Se eu soubesse como não te amar…
Não estarias aqui agora…tão longe e tão presente em mim…

Se eu soubesse como viver sem te querer…
Não estaria tão grata por ter acontecido
Esse milagre de te ter conhecido
Esse destino de te ter sentido
Esse encontro do teu ser, comigo…

Se eu soubesse que eras mais feliz sem mim
Não existiria mais… aprenderia a desistir…

Se eu pudesse esquecer-te, não te chamaria…
Dir-te-ia . “vai amor … e sê feliz!”
Mas não sei… não posso…
Desculpa-me amar-te tanto…
Volta por favor… um destes dias…!

Malu
Alcobaça , 10 de Janeiro de 2008

... secretamente ...

Esta terra redonda, esfera azul
Deveria saber o quanto te amo…
Deixaria de girar atrás de um sol
Que não me aquece…que me enlouquece !
Não sei que lua me deu,
Não sei se me apetece
Passar mais um dia … assim…!

Estas paredes brancas, ninho alheio
Deveriam saber o quanto te amo…
Deixariam de me cegar entre uma e outra
Que não me pertence, que me arrepia !
Não sei como sair daqui,
Não sei se me merece
O mundo lá fora … ou em mim …!

Os teus dias sem me ver, sem me tocar
Deveriam saber o quanto te amo…
Não mais se perpetuariam uns aos outros cruelmente

As tuas lágrimas, no me querer e me não ter
Deveriam saber o quanto te amo…
Não mais longe de mim escorreriam em teu rosto

Os teus olhos, a tua boca, as tuas mãos
Deveriam saber o quanto te amo…
Não mais me negariam esse amor

Secariam esta dor … secretamente …!

Alcobaça - 5 de Março de 2008
Malu

06/02/2008

...Palhaço Triste...

Não choveu hoje, e o povo saíu à rua...
Houve desfile, carros alegóricos, muitos confetis, serpentinas...
Sátiras previsíveis, inocentes brincadeiras...
Musica de Carnaval, e o algodão das feiras...

Foram algumas horas
em que levei os teus netos pra brincar...
até chegaram a dançar...
Uma pediu pipocas, outro um balão...
Divertimo-nos ... ?! ... talvêz, entre a muldidão...
por escassos momentos, esquecidos...na confusão...

Levámos mais de uma hora, para sair da praia...
lanchámos pelo caminho...
adiámos o que pudemos, esse regresso, de mansinho...

E... voltámos... ao INFERNO !!!...
Lá...continuavas...amuado, enrezinado...
Preparado para abalroar tudo e todos... no teu caminho...

Horas antes...
teus olhos de fogo enraivecidos...
teus braços fortes...vencidos...
tinham desejado... a morte...
aos meus mais queridos...

E...mais uma vez, pai...
fizeste tanto mal...aos que te amam...
por causa desses fantasmas que te enganam...
te consomem...te roubam de nós...!

Sinto tanto a tua falta ...
E nunca te tive !
Maldita seja, essa guerra...
Que em ti vive !!!...

(... ao meu pai... um palhaço pobre e triste...
em terça feira de entrudo)

5 de Fevereiro de 2008

Marta Luis

02/01/2008

... sempre em mim ...

Toda a madrugada, a chuva escorregou de mansinho na minha janela, como quem sulplicava para entrar. O teu cheiro deambulou toda a noite, pelos meus lençóis, prendendo-me à cama, aconchegando o meu sentir.Estavas ali…não estavas meu amor ?!
Como dizer-te que estou bem, estou feliz, por te esperar...?

Tu estás sempre em mim, pese embora essa distância cruel. Não é justo o que vivemos, mas é verdadeiro. Não me peças para seguir outro caminho que não o teu rasto.
Não dependo de ti, não te perseguirei, não vou parar de viver, enquanto não estás.
Doi muito a tua ausencia sim, mata, mas sei que doeria muito mais, se não existisses, se me esquecesses.
Sigo feliz, com mais ou menos força, com essa saudade que aperta e conforta ao mesmo tempo, pois sei que um dia vais voltar.
Até lá meu amor... nunca te esqueças de me lembrar, pra que nunca me lembre de te esquecer. E não resistas; ama-me, como só tu sabes ... como eu preciso tanto!
Eu só estarei bem, se me deixares ficar, sempre em ti...

Malu

15/12/2007

... ilumina-me...

Hoje não consigo escrever-te, a ti que me lês para te sentires melhor, menos mal, menos desorientado. Não há em mim luz alguma. Não há estrela que me guie neste trajecto que me tracei. Perdi as forças para andar de gatas, ou às apalpadelas e, falta-me aquela margem, pra me orientar entre o mal e o bem, entre o certo e o incerto, entre o amor e o desespero, entre o querer ficar, e o querer partir. Falta-me essa tua pauta que me segura, que não me deixa levitar.
Não te posso pedir que me leves. Não te posso trazer junto a mim. Não tenho fome, não tenho sono, não tenho sede... Não sinto nada, apenas um amargo imenso na garganta, uma tremenda e cortante vontade de chorar, sem ter pena de mais nada neste mundo, sem me ralar com mais ninguém... Sinto-me apenas desabar.
Não aguento mais diria qualquer um... não serei eu quem o vou dizer!
Amo-te até à exaustão do meu existir. Perco-me por não saber como esquecer-te, nestes momentos em que me mata essa saudade, em que não consigo ser feliz sem ti
e não tenho a grandeza de me esquivar destes pensamentos, e não consigo ignorar o meu desespero, e não me deixo distrair por nada mais senão pela dor de te não ter.
Mesmo estando à minha volta quem me chame, mesmo sabendo que tenho uma missão, há alturas em que não consigo escrever as palavras certas, em que não consigo calar ou ouvir as coisas certas, em que não consigo contentar-me com o que tenho, em que não consigo lamentar-me com o que não tenho, porque a única coisa que tenho certa ou não certa és tu, sempre em mim...
Desculpa-me ser tão egoista e haver estas alturas em que me afundo de tanto sentir a tua falta que não consigo amparar-me em mais nada, mais ninguém, senão na tua ausência para me justificar ser tão imperfeita, tão incapaz de ser racional como qualquer outra.

05/09/2007

...Pró...Fundo...


"Odiar todas as rosas
Porque uma te espetou...
Entregar todos os teus sonhos
Porque um deles não se realizou
Perder a fé em todas as orações
Porque numa não foste atendido
Desistir de todos os esforços
Porque um deles fracassou
Condenar todas as amizades
Porque uma te traiu...
Descrer de todo amor
Porque um deles te foi infiel.
Jogar fora todas as chances de ser feliz
Porque uma tentativa não deu certo.
Espero que na tua caminhada
Não cometa estas loucuras
Lembrando que sempre
Há uma outra chance...
Uma outra amizade
Um outro amor
Uma nova força
É só ser perseverante e
Procurar ser mais feliz a cada dia
A glória não consiste em
Jamais cair, mas sim erguer-se todas as vezes que forem necessárias! "

Sim... cheguei ao fundo... mas vou voltar a voar... !!!
Estes são os primeiros dias do resto da minha vida...

29/08/2007

...Morrer é tão lento...


“Morre Lentamente
Quem não viaja
Quem não lê
Quem não ouve música
Quem não encontra graça em si mesmo.

Morre Lentamente
Quem destroi seu amor próprio
Quem não se deixa ajudar

Morre Lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajectos
Quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor
Ou não conversa com quem não conhece

Morre Lentamente
Quem evita uma paixão
E seu redemoinho de emoções
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos
E os corações aos tropeços

Morre Lentamente
Quem não vira a mesa, quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho
Quem não se permite
Pelo menos uma vez na vida
Fugir dos conselhos sensatos...

Viva Hoje !
Arrisque hoje !
Faça Hoje !

Não se deixe morrer lentamente
Não se esqueça...de ser feliz !!! “


Pablo Neruda

... perfume ...

Como um grão de areia, solto na onda
Este vai e vem da maré
Não sei se me enjoa
Não sei se me embala

Como uma penugem, que se deixa cair
Da ave que se penica
Não sei se vou mais longe
Não sei se siga o vento

Esta dor, que se me agarra á pele
Como o hábito se cola ao monge
Não sei se me alimenta
Não sei se me mata

Sei que, dar mais um passo, me sabe sempre bem
Sei que, olhar para trás, de cada vez, é mais fútil
Cortando os pés, no piso frio, do gelo que parte
Olhando no escuro, não nei se real, se prepositado...

Sei que preciso de uma paragem, um suspiro
Olhar longe, e esticar os trilhos desta viagem
Colhendo as pétalas, desta flor que vai secando
Sentindo o perfume, que me acompanha desnorteado...

11 de Janeiro de 2002
Marta Luis.

Não me perguntes mais há quanto tempo me sinto assim...

eu sou assim...

28/08/2007

... quase ...


" Quase acreditei que não era nada, ao me tratarem como nada.
Quase acreditei que não seria capaz, quando não me chamavam, por acharem que eu não era capaz.
Quase acreditei que não sabia, quando não me perguntavam, por acharem que eu não sabia.
Quase acreditei ser diferente entre tantos iguais, entre tantos capazes e sabidos,
entre tantos que eram chamados e escolhidos.
Quase acreditei estar de fora, quando me deixavam de fora por que... que falta fazia ?

E de quase acreditar adoeci; busquei ajuda com doutores, mestres, magos e querubins.
Procurei a cura em toda parte, e ela estava tão perto de mim

Me ensinaram a olhar para dentro de mim mesmo e perceber que sou exactamente,
como os iguais que me faziam diferente. E acreditei profundamente em mim.
E tenho como dívida com a vida. Fazer com que cada ser humano se perceba,
se ame, se admire de si mesmo, como verdadeira fonte de riqueza.

Foi assim que cresci: acreditando.
Sou exactamente do tamanho de todo ser humano.
E por acreditar perdi o medo de dizer, de falar, participar e até de cometer enganos. E se errar? Paciência, continuo vivendo,por isso aprendendo. E errar é humano. "

Não quero arrepender-me se errar... sempre ouvi dizer que, só se arrependemos de não tentar ser felizes ... mesmo que para isso tenhamos que errar...

...Tu és o meu Amor...

“… Corri por entre os vales verdes,
Flutuei nas águas agrestes desses rios,
Saltei de nuvem para nuvem,
À procura desse Amor...
Subi montanhas, desci desfiladeiros,
Demorei toda a minha vida para te encontrar.
Cada segundo que levei para ouvir a tua voz,
Para sentir o teu sorriso,
Para saber que eras tu por quem eu tinha nascido,
Parece preencher o espaço do nada
Que antes havia dentro de mim.
Chorei lágrimas salgadas,
Que se tornaram doces ao som das tuas palavras,
Vivi momentos de angústia,
Que se tornaram vitórias porque estavas comigo.
Salvaste-me do eco da solidão que criei para mim.
Tinha medo de saltar e avançar em frente,
Agora não sei que outra coisa posso fazer por ti,
Que não sejam as maiores loucuras,
Aceitar os mais fortes desafios,
Travar a maior luta que alguma vez tive,
Aqui dentro de mim...
Tudo sobre mim se decide agora, em ti...
Não sei o que é certo ou errado,
Não sei o que é a terra ou o céu,
Não sei o que é a realidade ou o sonho,
Quando penso em ti.
Jamais dentro de mim ardeu um fogo assim,
Jamais a chuva me pareceu beijos do meu Amor
Entregues por anjos, como agora.
Tu és o meu Amor...
O Amor com que sempre sonhei,
Que sempre quis e nunca tive.
E que só de ti quero receber.
É só a ti que eu quero,
É só contigo que eu sonho,
E só a ti pertenço...
De corpo e alma, teu quero ser.
Diz-me que me queres também
E eu irei até ao fim do mundo,
Ao sétimo céu,
Onde quer que a felicidade esteja!
O universo inteiro ganha sentido
Quando te sinto como sinto
Aqui dentro do meu peito,
Não há mistérios, não há sobrenatural,
Não há omissão, não há escuridão...
Tu és o meu mundo,
Não importa se o real se o dos sonhos,
Pois a vida é autêntica quando penso em ti...”


Olha como é lindo ...!!!
Se alguém sem tu esperares te dedicasse estas palavras, o que sentirias ?!
Eu sentiria-me renascer... e acreditaria do fundo do coração que, o amor, e a vida estariam a dar-me, uma segunda oportunidade...

e agora ... ?1 ... como enfrentar ... como viver ... como acreditar ...?!


ps : neste apenas omitis-te a ultima frase, e a que dá sentido a todo o resto do poema, mesmo não sendo teu, mesmo não sendo dita, ou escrita:

"Amo-te com todo o meu coração"

07/07/2007

... procura-se um amigo ...

Vinícios de Moraes, tem entre muitas uma admirável poesia que diz:

"Procura-se um amigo... Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive..."

E tu...és realmente meu amigo ?!

10/03/2007

...valeu a pena...

"Não quero alguém que morra de amor por mim... Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abrace sempre que o meu olhar peça um abraço. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importo com que intensidade. Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim.
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível... E que esse momento será inesquecível... Só quero que meu sentimento seja valorizado. Quero sempre poder ter um sorriso estampando no meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor. Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém... e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto. Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho... Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, os meus sentimentos... e não brinque com eles. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesma... Não quero brigar com o mundo mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para lhe mostrar que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,talvez tenha êxito e seja plenamente feliz. Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas... Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim".Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento. Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena nos doar-mos às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena!!!"

Não escrevi, transcrevi, porque me enviaram este texto sem mencionar o autor, por isso não lhe dou o devido crédito, mas o que importa aqui sublinhar, é que eu senti que tinha sido escrito desta vez para mim... e desta vez, não por mim... obrigado por me mostrares o caminho... os amigos são a nossa luz...quando escurecem dias sem fim.