11/03/2009

...Lua...

A noite é nua na noite de lua cheia
O céu flutua na noite de lua cheia
O amor atua na noite de lua cheia
Ocupa a rua na noite de lua cheia


Calma, queda a alma
Clara a emoção
Branca e branda a chama
Tão morna a paixão


Longe leva a vista
Leve leva o ar
Luva veste a terra
Leite lava o mar


Love, love quase se vê
Move, move em mim, em você
Chove, chove prata sobre nós
Ouve, ouve, deve ser a lua, sua voz


É quando quero, quando espero um grande amigo
É quando vivo por um bom motivo - a lua
É quando sinto que não minto quando digo:
Não há perigo, tenho um grande abrigo - a rua

Noite de lua cheia - de gilberto gil

...amai...

Audrey Kawasaki - Amai


Vós,
que sofreis,
porque amais,
amai ainda mais.
Morrer de amor é viver dele.

...entendimento...

"Não se preocupe em entender.
Viver ultrapassa todo entendimento.
Renda-se como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Eu sou uma pergunta."

Clarice Lispector

... Aprendendo ...

foto retirada da net


Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é...Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Tudo isso é... Saber viver!!!

09/03/2009

...armadilha do silêncio...


Agora é a minha vez.

De agarrar as tuas mãos, de puxar as tua mãos, de ficar perdido às tuas mãos.
De viver o tempo que se perdeu, que na distração dos dias fingiu não ver-nos.

É a minha voz a dizer-te de repente, uma frase qualquer muito parecida com um estou aqui, e nesse repente tu também saberes que eu daqui nunca tinha saido e tinha sido os olhos das letras por onde te guiava.

É como tu sabes,
o silêncio é a maior das armadilhas,
porque esconde todas as palavras.


publicado por broken inside em http://madrugadacruel.blogspot.com/

...idioma...


Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua. O sangue sabe-o.

Uma inteligência esparsa aprende esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida inteira essa música incessante.
Morte, morte.

Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente
nos consuma sem a consumir.

Cecília Meireles

...temos pena...

foto retirada da net

O nosso crescimento pessoal, faz-se das experiencias que vivemos e nem sempre o mundo nos poupará, a vivermos só as mais agradáveis...

Crescer... é seguir....
Seguir, é ultrapassar...
Ultrapassar é partir pra outra, sem culpar....
Falhar, é não querer crescer...depois de errar...

Falar é fácil... e a publicidade também engana...mesmo a que é só escrita...

Temos pena... mas por mais que quisessemos, nunca iriamos ver, o passado, o presente ou o futuro com os mesmos olhos, os mesmos julgamentos, os mesmos sentimentos...

Temos pena, mas não podemos concordar em tudo...
E enquanto há duas pessoas, há sempre duas versões, de um mesmo acontecimento.

Não falhes... e se falhares não deixes de o assumir...
As desculpas, sempre o soubemos, não deveriam ser pedidas, antes evitadas...
Mas quando não evitáveis.... temos pena... apenas quando não desculpáveis!

( para o que me fizes-te, não há desculpa...mas, eu já te desculpei ...
Temos pena, que não sejamos inteligentes ou irracionais o suficientemente, para ambos o termos feito )



PS :
Sotão arrumado...
aqui não vivem fantasmas, nem arrependimentos!!!

06/03/2009

...Incroiable...

Folha a folha vai,
o Outono a caír
Letra a letra escrevo,
o que hás-de ouvir
Longe de ti
só posso inventar
Olhando as nuvens
sempre a rodar
Sentindo o vento,
chuva no ar
Gota a gota cai,
a chuva no mar
Passo a passo vou,
para onde quero estar
Olhos nos olhos,
a mão na mão
Sentindo o vento,
sentindo o chão
Se gosto de ti,
porque não?
(xutos - longe de ti)

...coincidencias ...

Que realmente existem coincidencias, existem...

Andava eu aqui, ontem a divagar pelo que se perde ou não perde quando se nega um passado, seja ele feliz ou infeliz, eis que não me calhava mais nada... a curiosidade levou-me hoje ali, e hoje li, num balanço pessoal de alguém que amei, e nunca esquecerei, que, não tinha mais nada a perder, quando me decidiu "perder"...

Trata-se de alguém a desvalorizar outro alguém, para mostrar a outro alguém, que hoje é outra pessoa...
Impressionante! O "nada", é a negação de tudo!

Curioso; como as pessoas quando se tentam justificar se contradizem
(logo a seguir, diz que, só agora aprendeu a amar) pelas suas palavras, que sempre gostei de ler, mas lamentávelmente, as que foram escritas para mim, foram-lhe também apagadas...

Sim, admito, que é preciso ultrapassar.... eu também ultrapassei... mas, nunca apelidei de "nada" ao que tive, e nunca perdi.

Já era tempo de seres feliz sim... já que comigo, parece que nunca tal aconteceu.

mais uma vez concluo...

nunca me amou
nunca me teve
nunca me perdeu

Mas, ainda bem, que finalmente, está bem... e que houve alguém que não eu, que o encantou!

As melhoras (o teu filho, precisa de ti Bem!)

PS: (eu também estou bem....como sempre, obrigado!)

05/03/2009

... lugares...


Nunca deveriam as pessoas (normais, mesmo que disturbadas) negar o que um dia viveram...

Quando se nega que se amou, que se foi amado...nega-se a si próprio...

Nunca disse que nunca tinha amado ninguém na vida...
Sempre amei...todos menos a mim... e não sou de todo uma pessoa normal... nem tão pouco racional, ou levada pelo que os outros pensam...

Deixar de amar, ou voltar a amar, é o mais frequente entre os sobreviventes dos relacionamentos a dois.

Deixar acontecer, perdoar, respeitar, desdramatizar, tudo isso, acho tragável, no dia a dia, entre amigos, colegas, conhecidos, desconhecidos, mundanos, galácticos ou não, Ets e outros... sendo que admito que é sempre mais fácil falar do que agir...

Mas o mundo gira, e nós também...
Os nossos estado, comportamento e capacidade de surpreendermos a nós próprios com forças ou fraquezas que até um dado momento desconhecíamos em nós, circulam por todos nossos dias, em que vamos vivendo, ou deixando de viver.... e não tem rota fixa nem apeadeiro onde saibamos que vão voltar a passar.
Só o que se deita fora...nunca se consegue recuperar.

É normal qualquer um, mesmo o maior inadaptado deste mundo, seguir, ou recuar, pra depois voltar a emergir...

Sempre separo, embora não com intenção de magoar (apenas para arrumar as coisas, em mim, de alma e cabeça), os que fizeram dos que ainda fazem parte da minha vida... mas nunca apaguei nem da memória nem do coração os ficheiros, os lugares, os traços e os laços ou deslaços, daqueles com que em algum lugar anterior me fundi...

Não me é normal, negar... por isso embora o aceite, com tristeza, não o consigo entender nos outros.
Prefiro...ultrapassar, assumir, e registar, com todos os sentimentos que o arquivo das pessoas, ou momentos em nós possa implicar... mas nunca negar... ou de todo esquecer, ou fingir que nada houve ali atrás... muito menos, quando deixa algo, para sempre, de nós, e para nós...

É avançar para a mentira viva, esse ter que se negar, para seguir em frente em qualquer ponto que esteja o nosso caminho...
E é por ter sido sempre verdadeira, em toda a minha vida, primeiro comigo e depois com os outros, e por a mim ter sido unicamente fiel, desde bem novinha... que sempre pelos outros fui acusada de infidelidade...
Mas não aceito esse rótulo... não se encaixa em mim.

Não sou de todo...mas, sou muito mais transparente com os que me tocam, do que com os que dizem, que me conhecem, e apenas o dizem...

Não nego, as lágrimas, não nego os sorrisos, não nego os ódios, não nego os amores, nem os que tive, nem os que não tive...

Talvez seja por isso, que continuo sempre... parada... nesta estrada.
Mas prefiro assim...

Eu sou mais eu...
E todos os seres queridos, ou lugares...que fizeram parte do meu passado, fizeram também de mim, aquilo que sou hoje.
Quem me nega é quem fica a perder, porque logicamente, embora não perceptível por toda a boa gente, essa pessoa que hoje sou, só posso partilhar, com os que no presente, estão comigo... o que poderá ser bom para mim, menos bom para outros...mas pelo menos, seja verdade...

Os que negam um dia ter-me amado...escolheram...
E sendo assim, que assim seja...
Nunca me amaram!?... O futuro... o dirá...! (algures)

04/03/2009

...de novo...

Mulher mascarada - quadro de Reynaldo Fonseca

Aqui estou eu de novo
Dentro do mesmo caos que criei
Tentando arrombar as portas
Quebrar as algemas
Da vida que sabotei

Aqui estou eu de novo
Me sentindo só, esquecida
Correndo milhões de riscos
Pra manter acesa
Aquela mesma ferida

Aqui estou eu de novo
Cercada das mesmas dores
Chocando quem me conhece
Nessa doce brincadeira
De inventar milhões de amores

Aqui estou eu de novo
Me traindo de novo
Esquecendo de novo
Lembrando de novo

De novo


rosele em http://www.escrevo.org/

...mais do mesmo...

Flutuo...

Continuo...

Fico...

Arrasto-me ...

A matutar ...

A lutar,


contra essa maior agora vontade do que medo, de partir...

Perpétua-se essa frase em mim...

..."Há tanto que ter vida ainda, quando já se a não tem..."

o teu olhar,
o teu cobrar...
a minha culpa por ir e não te levar...

E não sei mais, como fazer...
como sobreviver...
como ajudar-me, como te ajudar...!

Falta-me tanto...esse "tanto"
... pra te poder dar...


E de que adianta ?!...


Nunca entendem os que mais amo,
e que insistem que precisam de mim e que me cobram a força de
continuar...continuar...

que eu não tenho essa força sozinha,
que sou eu, quem mais deles preciso,
sempre quando mais me abandonam...!!!

a mim, e aos demais...!!!

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado

Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta

Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno

Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Devinho tinto de sangue


Cálice
letra e música: Gilberto Gil, Chico Buarque
1973

03/03/2009

...os degraus...


Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.

Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica.

O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

(Mário Quintana)


...just when i needed u most...

Eh Pah...não sei porquê, ou sei mas não consigo ir dormir... e esta canção está-me aqui petrificada esta noite... não consigo evitá-la...parece que me persegue, tal como sempre acaba por me acontecer, não só nas canções... Randy Vanwarmer tinha apenas 18 anos quando compôs aquele que é hoje um dos grandes clássicos românticos "YOU LEFT ME JUST WHEN I NEEDED YOU MOST." e gravou este tema em 1979, uma canção que eu com 11 ou 12 já adorava cantar, e que se manteve no top 30, durante vários anos... Randy nasceu em Indian Hills no Colorado a 30 de Março de 1955, onde cresceu.Continuou a escrever grandes canções, nomeadamente para os Oakridge Boys.Vanwarmer morreu a 12 de Janeiro de 2004, num hospital de Seattle com 48 anos.Sofreu de leucemia quase toda a sua vida.


You packed in the morning, I stared out the window
And I struggled for something to say
You left in the rain without closing the door
I didn't stand in your way.

But I miss you more than I missed you before
And now where I'll find comfort, God knows
'Cause you left me just when I needed you most
Left me just when I needed you most.

Now most every morning, I stare out the window
And I think about where you might be
I've written you letters that I'd like to send
If you would just send one to me.

'Cause I need you more than I needed before
And now where I'll find comfort, God knows
'Cause you left me just when I needed you most
Left me just when I needed you most.

You packed in the morning, I stared out the window
And I struggled for something to say
You left in the rain without closing the door
I didn't stand in your way.

Now I love you more than I loved you before
And now where I'll find comfort, God knows
'Cause you left me just when I needed you most
Oh yeah, you left me just when I needed you most
You left me just when I needed you most.


para ver com Tim McGraw em

http://www.youtube.com/watch?v=22CrTnzFrak


...I have to...


It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy

I was once like you are now
And I know that it's not easy
To be calm when you've found
Something going on
But take your time, think a lot
I think of everything you've got
For you will still be here tomorrow
But your dreams may not

How can I try to explain
When I do he turns away again
And it's always been the same
Same old story
From the moment I could talk
I was ordered to listen
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

It's not time to make a change
Just sit down and take it slowly
You're still young that's your fault
There's so much you have to go through
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy

All the times that I've cried
Keeping all the things I knew inside
And it's hard, but it's harder
To ignore it
If they were right I'd agree
But it's them they know, not me
Now there's a way and I know
That i have to go away
I know I have to go


Cat Stevens "father and son" para ver em :
http://www.youtube.com/watch?v=VlGLuRlhW3c&feature=related

02/03/2009

...Fica comigo...

De Tudo ficam 3 coisas:
A certeza de que estamos sempre começando,
A certeza de que precisamos continuar,
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.

Portanto, façamos:
- Da interrupção, um novo caminho.
- Da queda, um passo de dança.
- Do sonho, uma ponte.
- Da procura, um encontro...

(F. Pessoa)

Porquê não me pedes pra ficar contigo,

e preferes dizer-me adeus?

Porquê? Tens a mania que sabes o que é melhor,

pra mim, ou pra ti?

Estás feliz, por dizer-me que o tempo tudo cura?

Isso cura ou alivia por acaso a minha dor ?


...Devias...

Bocas que já não desesperam...nem esperam!!!
foto de marta luis em www.olhares.com/maluvik
Devias estar aqui
rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um...
(Eugénio de Andrade)

01/03/2009

...passado...

A 1 de Março de 1996 faleceu, em Lisboa, o escritor Vergílio Ferrreira... Faz este domingo 13 anos... que nos deixou, entre outras, as obras: Manhã Submersa (1954), Aparição (1959), Nítido Nulo (1971) e Conta-Corrente (1980-1988)... Foi sepultado em Melo, “virado para a serra” como sempre desejou. (foi ele quem me disse um dia que : "Há tanto que ser feliz na impossibilidade de ser feliz.") censura em oficio enviado a Vergílio Ferreira

"Há vária gente que não gosta de evocar o passado.
Uns por energia, disciplina prática e arremesso. Outros por ideologia progressista, visto que todo o passado é reaccionário. Outros por superficialidade ou secura de pau. Outros por falta de tempo, que todo ele é preciso para acudir ao presente e o que sobra, ao futuro.

Como eu tenho pena deles todos. Porque o passado é a ternura e a legenda, o absoluto e a música, a irrealidade sem nada a acotovelar-nos. E um aceno doce de melancolia a fazer-nos sinais por sobre tudo. Tanta hora tenho gasto na simples evocação.

Todo o presente espera pelo passado para nos comover. Há a filtragem do tempo para purificar esse presente até à fluidez impossível, à sublimação do encantamento, à incorruptível verdade que nele se oculta e é a sua única razão de ser.

O presente é cheio de urgências mas ele que espere.
Há tanto que ser feliz na impossibilidade de ser feliz.
Sobretudo quando ao futuro já se lhe toca com a mão.
Há tanto que ter vida ainda, quando já se a não tem..."

(Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 5' )

28/02/2009

Disseste adeus...

"ser e nada" - pintura de Moisés Caciel
Disseste adeus...

... e aos poucos abandonas-me.

Sais de mim todos os dias.

Fragmentado, esfumado no silêncio das horas.

Sinto que partes.

Vejo-te ir.

E eu... esqueço-me de ti.




( e tu, já me esqueces-te?!
Não!... Não é o melhor pra mim !)

...não posso...

pudesse eu
morrer
...
pudesse eu
esquecer-te
...
pudesse eu
não mais sofrer
...
pudesse eu
não mais amar-te
...
mas não posso...

27/02/2009

...incompletude...

"O Canto do Vento nos Ciprestes", de Maria do Rosário Pedreira, exibe um sujeito afundado na sua própria dor amorosa, arrastada por um clarão cortante, nocturno.

Uma publicação da Gótica



O "segredo" de O Canto do Vento nos Ciprestes, de Maria do Rosário Pedreira, é o obstáculo. O obstáculo, inerente a qualquer amor, está sempre presente nesta espécie de romance poético, com incidências que poder-se-iam considerar epistolares. O simbolismo da perda, da morte de uma paixão surge aqui como condenação tornada evidente pela exigência da escrita: "[...] o dia treme na linha/dos telhados, a vida hesita tanto, e pudesse eu morrer,/mas ouço-te a respirar no meu poema".

O realismo do verbo nestes poemas de tendência narrativa, descritiva, destas histórias que se sucedem ininterruptamente numa harmoniosa circularidade, reside no canto. Porque amar é cantar, o amor reside no canto, quem canta merece o amor, mesmo que ele possa vir a morrer.

Maria do Rosário Pedreira ousa penetrar na vertigem de uma paixão que conserva em si o sentimento, mesmo já sem o Outro, após ter passado pelo pressentimento da perda. Não é o amor uma frutuosa incompletude? O desejo dir-se-ia, por outro lado, uma nostalgia - do que fomos e do que ainda misteriosamente somos...

E a poetisa sente a morte chegar, e quer ir no lugar do amado. O poema traz, desse modo, em si o fundamento da comunidade, a da conservação do Tu no Eu, a realidade que não se adapta à ausência e se ajusta ao irredutível: "Não te demores - o sol anda a deitar-se sem pudor/em todos os telhados, e a luz esmorece, e o luto/da noite alonga a espera."

Estranhas paisagens que conduzem o leitor à "enfermidade da morte", revelada aqui como metáfora de uma extrema perda. O discurso poético, torrencial, sem ser retórico; sentimental, mas vigiado, exibe um sujeito afundado na sua própria dor arrastada por um clarão cortante, nocturno.

A catástrofe do amor invade este livro abissal. Roland Barthes fala mesmo em "pânicos", em algo que não continua, em situações sem regresso: "Projectei-me no Outro com uma força tal que, com a sua falta, já não posso deter-me, recuperar-me: estou perdido para sempre."

Esse luto atravessa também este Canto do Vento nos Ciprestes, com uma desmesurada fadiga na sua totalidade impossível, na diferença esboçada entre dois destinos. Na sua leve densidade, o livro da também autora de A Casa e o Cheiro dos Livros não se reduz a fáceis registos psicológicos. Fala do amor como espera, como nostalgia, revelando-nos que a paixão escapa-se da possibilidade.

Separados e unidos - não obstante o paradoxo -, assim, eternamente, estão este Eu e este Tu com a morte entre eles, porque o amor não suprime a morte, e a autora escreve-o. Todo o episódio amoroso neste livro reveste-se, assim, de um significado, conduzindo o leitor a uma história trágica, ordenada no seu caos. Persiste, no entanto, a sensação de que a plenitude existe e que a memória não deixará jamais de a fazer regressar, porque o sentimento é afirmado enquanto valor: "Nunca te esqueci - é este um amor maior/que atravessa a vida e resiste à cicatriz do tempo."

Não há aqui lugar para um tempo do amor, o discurso é sempre o da sua memória. Não ficam nestas páginas o deslumbramento, a exaltação, a projecção de um futuro pleno. O Canto do Vento nos Ciprestes atravessa, sim, uma espécie de longo túnel premonitório no qual viajam a ameaça da morte e o tremor que modifica o "idílio", porque tudo se dilacera: "[...] Por isso, vou para casa/e aguardo os sonhos, pontuais como a noite."

Maria do Rosário Pedreira faz do "em ti" ponto de partida e chegada. "Amor, que a amado algum amar perdoa", escreve Dante, reconhecendo que esta é uma luta de morte. A poetisa sabe, por outro lado, que o amor dir-se-ia também angústia da perda.


Ana Marques Gastão in DN de 9-6-2001

...o que foi...

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já não doi,
A antiga e errônea fé,
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
e hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa

26/02/2009

...Aurora...

Pintura de Portinari

"e eu que aprendi quase tudo e nenhuma coisa
sobre a vida e sobre a morte
sobre os rostos que me rodeiam
e alguns deles me atiraram pedras ao coração
quando à luz da noite me deito
extasiada pelas chamas do fogo
que me consumiram as mãos
já não sinto dor:
estou dentro dos teus olhos.
faço parte destas longas chamas
como de uma confidência
esperando que apareça o outro Sol
e não pergunto ao mendigo como se sente
nem ao cego como vê nem ao que não anda
porque ficou na estrada
eu própria me converto no mendigo e no cego
e no que ficou preso aos seus próprios pés.
por isso sonho descobrir todas as estrelas
que me cairam do firmamento
e faço parte como vós dos raios da aurora
das cores imensas do arco-íris e do vento
das montanhas das serras dos ecos das visões
dos misteriosos rios que passam pelas aves e pelos homens
do desfile admirável das formigas
que me arrancaram as lágrimas e agora correm
como tesouros guardados na terra em areia húmida
desejo ver-me reflectida nos olhos das crianças
contemplar a minha irmã palmeira que voou da minha infância
para ficar aqui junto a vós no meio da página
onde vamos explodindo todos juntos na poeira
tudo isto sinto quase ninguém vê
e não pergunto nada
de cada encontro guardo um tesouro
e to devolvo porque se mudou para o nosso comum destino
ao vaguearmos pelas praias com seus antigos náufragos
e o que encontrei é como um pássaro antes do amanhecer
a Rosa de El Sáron que não conhece Ocaso
inclinando-se a teus pés na palavra mais doce
a palavra que nos torna um
o mar a sussurrou"


Rosa de el Sarón de

...relatividade...

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianase pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações ediagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidadeIntegral
E diferencial.

E casaram-se
e tiveramuma secante e três cones
Muito engraçadinhos.

E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais
Um Todo.Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.

E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade

Como aliás, em qualquer
Sociedade.

...Perfeito...


"Quise imaginar lo que sería mi vida, estando en este mundo, siendo un ser perfecto, sin tristezas, sin vacíos, sin necesidad de amar y sentirme amado, teniendo todo a la mano, para alcanzarlo sin el más mínimo esfuerzo, siendo poseedor de una imagen y figura perfecta ante los ojos de los demás; sintiendo el poder en mis manos... (después de todo eso es lo que anhelan y sueñan los seres humanos).

Y después de imaginar lo que sería mi vida así, el pensar en eso, no fue un sueño, sino una pesadilla de la cual, inmediatamente quise despertar... corrí al espejo a verme, y al contemplar mi imagen y redescubrir lo que soy, dije con voz de alivio:

No Soy perfecto!

Si no me equivocara jamás, tal vez no podría entender los errores que también cometen los demás, viviría juzgándolos, y me quedaría solo, porque no encontraría a nadie que me pudiera igualar.

Si mi imagen y figura, fueran perfectas para la humanidad, nadie sabría quién realmente soy, me buscarían por mi apariencia, verían en mí solo lo material; tal vez me convertiría en esclavo del cuerpo y de lo superficial, queriendo encontrar la fórmula de la eterna juventud, para no envejecer jamás, dependiendo de cremas y maquillajes, viviendo una vida superficial; en el espejo no vería más que mi figura, no sabría quién soy en realidad.

Prefiero ser pequeño, diferente, estando seguro de que los que me quieren, me conocen en verdad, y mejor aún, sólo puedo contemplar en el espejo, más que mi alma, y lucho por conservar mi belleza espiritual.

Si no tuviera vacíos, no tendría necesidad de AMAR y sentirme AMADO, y sería una persona indiferente, eso me aterra, no quiero pensar lo que es vivir sin amor; sin experimentar esa necesidad de ser AMADO y los enormes deseos de dar amor.

Ese es el motor de nuestra existencia, si por ello mismo nos creó Dios, más aún, fue tan grande su amor, que experimentó el más grande dolor, tan sólo por amor.

No soy perfecto y le doy gracias a Dios, porque mi imperfección le da sentido a mi vida, me invita a luchar cada día por ser mejor. Gracias Dios, por mi imperfección, pon en mí el toque de tu perfección: "El Amor".

23/02/2009

...passagem...

Pintura : "A grande passagem" de Moisés Caciel

Um amor que só ama
E de amar vive sendo
Ausência e desejo
Farpas
Cimento e cal
Paredes erguidas
Mas basta um sopro
Brisa mínima de tua boca
Para ruir o palácio do nunca mais
O que existe é passagem.

(Glória Azevedo citada por AnaLuKa

...aceitar...


"Amar não é aceitar tudo.
Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor."


Vladimir Maiakovski

...faz de conta...


"faz de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado”


Clarice Lispector

22/02/2009

...cansei...


para ti só mais uma canção...

Ele diz-me coisas
diz-me que sou sua vida
diz-me através da escritas que sou a sua escolhida
diz-me que eu sou a tal
mas tem amigas sem fim
pede que o não leve a mal
mas só tem olhos pra mim

"Esquece, já o conheço
salta fora amiga enquanto é o começo
Esquece, não vale o preço
tudo nele é mentira, até o endereço"

Cansei das tuas histórias de embalar
das frase feitas que a net foste buscar
dizes que gostas de mim
comigo queres ficar
pra mim não chega assim
vais ter de me provar.

"Quem vê caras não vê corações
O que ele diz saca de canções
por mais que estejas explicado
já tá o caldo entornado"

Não consigo resistir
custa-me ser-lhe actriz
dele não vou desistir
pois só ele faz-me feliz
Será que é isto que eu quero para mim
as duvidas surgem
como odeio sentir-me assim.

Cansei das tuas histórias de embalar
das frase feitas que a net foste buscar
dizes que gostas de mim
comigo queres ficar
pra mim não chega assim
vais ter de me provar.

"Não te quero magoar és especial pra mim
tenho muito pra dar mas só te dou a ti
deixa acontecer não te vais arrepender
será o que tiver que ser escuta o que te vou dizer
fama de malandro de viver brincando não passa de um engano
faço-te feliz se me quiseres ter o futuro vamos decifrando
peço que entendas este meu amor não te pretendo causar dor
a vida sem ti do meu lado perde toda a cor"

Cansei das tuas histórias de embalar
das frase feitas que a net foste buscar
dizes que gostas de mim
comigo queres ficar
pra mim não chega assim
vais ter de me provar.


Just Girls / Angélico


...luz...


A mim não me ilumina,
O que os teus olhos vêm
Desilude-me, o que não encontram...
A luz que me guiava vinha de ti
Essa luz que fazias brilhar em mim
E que num sopro se foi
Quando viste luz noutros olhos...
Apagaste o que tinhas em mim
E nunca te iluminou
Nunca te guiou
Nunca te trouxe a mim ...
Então vai
E que a luz nunca te cegue
Como aos meus olhos fechou ...
Malu
Alcobaça 22 de Fevereiro de 2009

21/02/2009

...parabéns...










... sim...
o meu filho faz anos hoje...
há 4 anos me segura viva...

por ele...
também eu,
um dia destes direi
obrigado
sou feliz
...não por ti...

16/02/2009

...estarás?...


Estarás ali
Num lugar mais seco

Estarás feliz
Longe deste pântano

Estarás comigo
Quando me afundo

Estarás a meu lado
Quando sobrevivo

Estarás tu onde?
Quando me ausento?


... Desliguei-me ...

foto de Daniel Oliveira em
Estou outra vez suspensa
Na presença e na ausência
De todos os sentimentos
Que me agitam
Que me estancam

Desprendi-me de mim
Desuni-me de ti

Estou outra vez ferida
Em côma profundo
De todas as dores
Que me abatem
Que me restauram

Imobilizei meu juízo
Congelei o meu saber

Estou outra vez separada
De todas as estrelas e mares
De toda as terras e ares
Que me corroem
Que me sepultam

Desordenei-me dos dias
Desdisse-me das noites

Estou outra vez inconsciente
Devastada pelo desalento
De todas as promessas
Que me recusas
Que me reivindicas

Desarmei-me do amor
Desliguei-me de ti...


malu,
Alcobaça,
16 de Fevereiro de 2009

15/02/2009

...desageitado...


Sei de alguém
Por demais envergonhado
Que por ser tão desajeitado
Nunca foi capaz de falar

Só que hoje
Viu o tempo que perdeu
Sabes esse alguém sou eu
E agora eu vou-te contar

Sabes lá
O que é que eu tenho passado
Estou sempre a fazer-te sinais
E tu não me tens ligado

E aqui estou eu
A ver o tempo a passar
A ver se chega o tempo
De haver tempo para te falar

Eu não sei
O que é que te hei-de dar
Nem te sei
Inventar frases bonitas

Mas aprendi uma ontem
Só que já me esqueci
Então olha gosto muito de ti

Podes crer
Que à noite o sono é ligeiro
Fico á espera o dia inteiro
Para poder desabafar

Mas como sempre
Chega a hora da verdade
E falta-me o á vontade
Acabo por me calar

Falta-me jeito
Ponho-me a escrever e rasgo
Cada vez a tremer mais
E ás vezes até me engasgo

Nada a fazer
É por isso que eu te conto
É tarde para não dizer
Digo como sei e pronto

Eu não sei
O que é que te hei-de dar
Nem te sei
Inventar frases bonitas


Mas aprendi uma ontem
Só que já me esqueci
Então olha gosto muito de ti


Balada do Desajeitado
Quadrilha

para ver em

http://www.youtube.com/watch?v=geP88IEWvcE

só porque sim

e também porque é a tua preferida

mesmo antes de mim

...pegadas na areia...


You walked with me
Footprints in the sand
And helped me understand
Where I’m going

You walked with me
When I was all alone
With so much unknown
Along the way
Then I heard you say


I promise you
I’m always there
When your heart is filled with sorrow and despair

I’ll carry you
When you need a friend
You’ll find my footprints in the sand

I see my life
Flash across the sky
So many times have I
Been so afraid

And just when I
I thought I’d lost my way
You gave me strength to carry on
That’s when I heard you say

...

When I’m weary
I know you’ll be there
And I can feel you
When you say


Footprints In The Sand

Leona Lewis

para ver em

http://www.youtube.com/watch?v=1gT0t-zhF5o&feature=related

(obrigado amiga)

...loucura II...


A loucura ou insânia é segundo a psicologia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados "anormais" pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psicopatologia.

Algumas visões sobre loucura defendem que o sujeito não está doente da mente, mas pode simplesmente ser uma maneira diferente de ser julgado pela sociedade.


(wikipédia)

...fanatismo...


O heroísmo é uma ocupação mal remunerada, que amiudadas vezes conduz a um fim prematuro, e por isso atrai pessoas fanáticas ou com um doentio fascínio pela morte.


Isabel Allende


...preconceito...


"...O amor é uma espécie de preconceito.

A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem,

ama o que é conveniente.

Como pode dizer que ama uma pessoa

quando há dez mil outras no mundo

que você amaria mais se conhecesse?

Mas a gente nunca conhece..."


(Charles Bukowski)


...cá dentro...


"Estou à espera do último pôr do sol, prefiro o silêncio a todas as palavras do mundo, não sei o que se passa mas não suporto a ferida que as tuas fugas me provocam..."

"O amor de que fugi existiu. Pode parecer-te, às vezes, pouco recordado, destruído pelo meu medo e pela sucessão dos dias..., indiferença, nunca terás. Vazio, solidão, lágrimas, abandono, posso agora compreender um pouco tudo aquilo que sentiste, mas se algum resto de amor permanece em ti, peço que me deixes voltar a não ter dor."

"...não andarei em busca da razão do teu suicídio, morreste porque já não aguentavas mais a pressão da vida, vais aparecer outra vez nos sonhos a ensinar-me a esconder, a fugir de dentro de mim e a encontrar alguém."

"...não aguentaste o peso da noite e te deixaste também invadir pelas sombras da madrugada, quiseste morrer sem doenças e sem explicar porquê..."

"... devem saber que ela viveu em mim mas partiu, não me quero perder no passado, não desejo que regresses nunca, preciso esquecer os teus olhos, e a tua boca, procurar o fim das palavras..."

"Se ainda me amas liberta-me,..., perdoa ter fugido, esclarece os meus pais que ao menos uma noite te fiz feliz."

"Não, não podia ter evitado a tua morte. Havia um inferno dentro de ti que me assustava, nunca o quiseste partilhar comigo, como era possível abraçar-te se sufocava, perigos, outro alguém que gostaria de ter amado e esqueci, desespero, escuridão, a imagem do teu corpo na escada interior da casa..."

"Quis guardar-te junto a tudo o que tenho cá dentro, bem perto do mais íntimo que possuo. Sei que não vou voltar a ouvir os teus passos de amor no silêncio da noite, a vida agora tão inquieta pesa nos meus ombros, estou cansado de chorar a raiva de teres partido, mas quero que saibas que não te esquecerei."


alguns excertos do livro "Tudo o que temos cá dentro" de Daniel Sampaio

“... é sobre o suicídio mas não só. É também sobre o amor ou a falta ou medo dele, sobre a família e a impossibilidade de comunicar, sobre a forma como as vivências de e com os nossos avós nos podem marcar a ferro e fogo, de como é vital ter sempre um amigo..."

...ausência...

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Ausência- Carlos Drumond Andrade

...esquecimento...



"Não existe o esquecimento total...
as pegadas impressas na alma
...são indestrutíveis!"

14/02/2009

...perfeição...

O que me tranquiliza é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fracção de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exactidão.

Pena é que a maior parte do que existe com essa exactidão
nos é tecnicamente invisível.

O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.

"a perfeição"
Parceria Clarice Lispector e Antônio Damázio

13/02/2009

...Que(m) sou...

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome,
essa coisa é o que somos."

"Ensaio sobre a cegueira"
José Saramago

Eu não quero saber quem sou... Isso eu deixo para quem convive comigo... Não quem não me conhece pode descrever-me ou sentir como suas, ou para si, as minhas palavras... CHEGA!!! Não quero saber o que tenho que fazer para agradar aos outros... Apesar de tentar não desagradar ... não suporto quem diz que é isso que EU tenho que fazer...


Este é o meu espaço, onde eu deixo o que me apetece, e não traduz nada de mim, nem como sou, e nem o que sou...

Desfragmentados somos todos, por isso... apenas alguns fragmentos podem ser identificados mas, nunca...
Nunca ninguém ouse dizer-se conhecedor de mim... Isso, nem eu me atrevo...!!!
Aqueles que por esta passagem me "tocarem"... saberão disso...!!!...
Os outros que se toquem...!!!...


Malu, oui C`est moi

... não foi ...


E...
Ainda não foi desta!

Sem comentários...!
Algo vai mesmo mal, no sistema de saúde em Portugal.

A viagem foi de ida, e volta... e sem mais, continua tudo suspenso, inclusivé, toda a nossa fé, toda a nossa capacidade de perdoar ao sistema e de volta a acreditar, voltou tal como nós, à estaca zero...

E... foi mesmo.... fomos ali ao Porto, num instante, e já voltámos.
Contado ninguém acredita...por isso nem vou gastar o meu latim...

Guardo apenas deste dia, aquela frase que me disse alguém, que nos acompanhou e que ao inicio não queria mas ao fim já compreendia:

Vivemos num país que não existe...
E somos um povo de faz de conta...!!!

O pior, é que nem todas as historias, têm finais felizes...

11/02/2009

...Viagem...


"A vida é uma viagem com muitas «partidas».
É preciso caminhar sempre a crescer e experimentar todo o amor e a alegria que o Senhor preparou para cada um.
Mas, como em todas as viagens, a alegria e a paz descobrem-se, muitas vezes, precisamente no meio das tempestades da vida.
A presença de Jesus é como o farol que ilumina a noite e indica sempre a direcção certa a tomar."

in
«Ideias.com»

Vai com Deus mamã...
Que se Ele está em todo o lado...eu irei contigo...!!!


(vamos ali até ao Porto...e já voltamos)

08/02/2009

...nuvens...


O princípio da incerteza está naquele ponto em que
somos dominados pelo medo, em vez de vencidos pela vontade...

É alternando os dois que se vai....
E o caminho como dizes, faz-se...indo...

...O Tempo não existe...


Até que ponto você pode estar certo que vivenciou o que tem como passado?
Se o que você tem são lembranças, você está certo de que tudo aquilo que tem como lembrança foi realmente vivido?
A existência de passado/presente/futuro está apenas ligada a uma cadeia de recordações.
O passado é uma lembrança, não existe de fato, é uma informação na sua mente.
O presente não existe porque já passou, a cada momento, o que se pensa sobre o presente já virou passado, virou uma informação, uma recordação breve...
Existe o futuro, isso que está vindo a todo momento e se confunde com o presente... o futuro próximo, futurinho como eu penso, futuro-presente...
O futurão, futuro lá na frente, também não existe, é só uma idéia na nossa cabeça, que vai ligando alguns fatos, desejando coisas e juntando tudo pra formar uma idéia do que será daqui a algum tempo, e o que quase nunca sai do jeito que imaginamos.
Só existe esse momentinho presente-futuro, ou futuro-presente, isso que está vindo e acontecendo, talvez simplesmente presente mesmo, sem se racionalizar a respeito do que é, porque senão já passou...
O tempo não existe, é só uma criação da mente humana para se sentir segura a respeito de seus "bens" (lembranças, dados, cacarecos, lixos etc)...
Erika Focke in http://geekgirl.multiply.com/journal/item/5/5

...cuida de mim...

Sou feito de sentimentos, emoções, de luz, de amor.
Sou a voz que você ouve quando pede um conselho, sou quem te toma nos braços quando necessita, talvez, agora, enquanto lê essas palavras, eu esteja aí, ao seu lado, olhando dentro dos seus olhos como quem quisesse enxergar o que teu coração demonstra.
Mais tarde... à noite, quando você se deita... sou quem nina seus sonhos sentado ao seu lado esperando você dormir... dizendo que tudo vai ficar bem.
Se ao menos você pudesse me perceber, se notasse o que sinto ao seu lado... basta você querer, basta por alguns instantes esquecer seus problemas, fechar os olhos, como se nada mais existisse, me deixe chegar perto de ti... te abraçando... sinta meu coração batendo ao compasso do teu... sinta que não está sozinha, nunca esteve!
Apenas esqueceste de olhar mais com os olhos do teu coração... então abra os olhos... veja os meus... me conheça.
Quem sou eu pra pedir para que me note?
Apenas um anjo que se deixa levar por suas emoções, que desconhece o que é errado... se entrega, se rende... vagando por estrelas, nuvens, pelo céu escuro da noite... olhando pelos outros, despertando amores, anseios, paz nas almas que fraquejam, sentado ali de cima olhando você... te observando... deixando, às vezes, uma lágrima cair e se fazer uma gota de sereno que te toca os lábios... lágrima essa por não poder nada mais que apenas te ver... sentir sem poder tocar.
Manifestando através de pequenas coisas, como um sorriso sincero nos lábios de alguém que você não conhece, o toque de uma criança a te fazer carinho, palavras escritas nas páginas de um livro que te chamam atenção, palavras que mexem e emocionam o coração ditas do nada, como um sussurro em seu ouvido... e se um dia uma brisa leve e suave tocar seu rosto, não tenha medo, é apenas minha saudade que te beija em silêncio.
Os humanos têm um hábito muito peculiar de julgar seus semelhantes por sua aparência, de rotular pessoas as quais nunca viram... apenas pelo modo como ela se apresenta... porém, consigo ver dentro de cada um o que realmente são... e me assusto algumas vezes em como podem os humanos deixar-se levarem por embalagens, por invólucros... deixam de terem muitas vezes ao seu lado verdadeiros tesouros, amizade sincera, lealdade, companheirismo... simplesmente por não terem gostado do rosto do indivíduo.
Imagine uma roseira cheia de espinhos, ninguém acreditaria que dela pudesse brotar uma rosa tão bela, sensível e delicada.
É do interior que nascem as flores. Pude conhecer seu interior... me deparei com uma flor linda... e com muitas qualidades. Se preserve assim... muitas vezes é melhor sermos o que realmente somos... a viver como as pessoas acham que deveríamos ser...
Não existe ninguém melhor, ou pior que ninguém... apenas diferentes umas das outras e essas diferenças são que mostram quem realmente você é.
Fico assim... dizendo as coisas que me aparecem dentro do peito, contando o que se passa em mim, como se estivesse desabafando... pois Deus nos fez para cuidar dos outros... e quem cuidará de nós?Continuarei aqui... meio que escondido, ao teu lado, te olhando, te sentindo... esperando para que um dia você deixe seu coração "olhar" e me ver... daí, enfim, poderia eu mostrar o quanto você é especial pra mim.
Um poema deixado no ar, palavras implorando para viver como uma estrela que o dia não vê e que espera a noite chegar para poder mostrar-se, a canção de amor que sai da sua boca... são as coisas que sempre sussurro ao seu coração, tento traduzir emoções que nunca senti antes, algo realmente novo pra mim, paz, atracção, paixão, amor, algo especial... sincero... verdadeiro...

Carta de Seth - Cidade dos Anjos

07/02/2009

... Ser ...


A difícil arte de Ser


"O que nos mata devagarinho por dentro

é não viver a loucura do momento,

é a angústia de não experimentar o fruto proibido,

é a melancolia da saudade de um beijo,

é o abismo da paixão impossível.

O que nos mata devagarinho por dentro

são os sonhos desfeitos no caminho da vida.

O que nos mata devagarinho por dentro

é o vazio provocado por um desejo apagado,

é a negação da vontade escondida num olhar,

é a impotência para agarrar a beleza perdida no tempo.

O que nos mata devagarinho por dentro

é a ausência da aventura de ser."



Mónika in http://www.palavrascriativas.blogspot.com/