"... as reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho..." Quintana
15/02/2009
14/02/2009
...perfeição...
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fracção de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exactidão.
Pena é que a maior parte do que existe com essa exactidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.
Parceria Clarice Lispector e Antônio Damázio
13/02/2009
...Que(m) sou...
essa coisa é o que somos."
"Ensaio sobre a cegueira"
José Saramago
Eu não quero saber quem sou... Isso eu deixo para quem convive comigo... Não quem não me conhece pode descrever-me ou sentir como suas, ou para si, as minhas palavras... CHEGA!!! Não quero saber o que tenho que fazer para agradar aos outros... Apesar de tentar não desagradar ... não suporto quem diz que é isso que EU tenho que fazer...
Este é o meu espaço, onde eu deixo o que me apetece, e não traduz nada de mim, nem como sou, e nem o que sou...
Desfragmentados somos todos, por isso... apenas alguns fragmentos podem ser identificados mas, nunca... Nunca ninguém ouse dizer-se conhecedor de mim... Isso, nem eu me atrevo...!!!
Os outros que se toquem...!!!...
Malu, oui C`est moi
... não foi ...
E...
Ainda não foi desta!
Sem comentários...!
Algo vai mesmo mal, no sistema de saúde em Portugal.
A viagem foi de ida, e volta... e sem mais, continua tudo suspenso, inclusivé, toda a nossa fé, toda a nossa capacidade de perdoar ao sistema e de volta a acreditar, voltou tal como nós, à estaca zero...
E... foi mesmo.... fomos ali ao Porto, num instante, e já voltámos.
Contado ninguém acredita...por isso nem vou gastar o meu latim...
Guardo apenas deste dia, aquela frase que me disse alguém, que nos acompanhou e que ao inicio não queria mas ao fim já compreendia:
Vivemos num país que não existe...
E somos um povo de faz de conta...!!!
O pior, é que nem todas as historias, têm finais felizes...
11/02/2009
...Viagem...

É preciso caminhar sempre a crescer e experimentar todo o amor e a alegria que o Senhor preparou para cada um.
Mas, como em todas as viagens, a alegria e a paz descobrem-se, muitas vezes, precisamente no meio das tempestades da vida.
A presença de Jesus é como o farol que ilumina a noite e indica sempre a direcção certa a tomar."
in
Vai com Deus mamã...
Que se Ele está em todo o lado...eu irei contigo...!!!
(vamos ali até ao Porto...e já voltamos)
08/02/2009
...nuvens...
...O Tempo não existe...
Erika Focke in http://geekgirl.multiply.com/journal/item/5/5
...cuida de mim...
Sou a voz que você ouve quando pede um conselho, sou quem te toma nos braços quando necessita, talvez, agora, enquanto lê essas palavras, eu esteja aí, ao seu lado, olhando dentro dos seus olhos como quem quisesse enxergar o que teu coração demonstra.
Mais tarde... à noite, quando você se deita... sou quem nina seus sonhos sentado ao seu lado esperando você dormir... dizendo que tudo vai ficar bem.
Se ao menos você pudesse me perceber, se notasse o que sinto ao seu lado... basta você querer, basta por alguns instantes esquecer seus problemas, fechar os olhos, como se nada mais existisse, me deixe chegar perto de ti... te abraçando... sinta meu coração batendo ao compasso do teu... sinta que não está sozinha, nunca esteve!
Apenas esqueceste de olhar mais com os olhos do teu coração... então abra os olhos... veja os meus... me conheça.
Quem sou eu pra pedir para que me note?
Apenas um anjo que se deixa levar por suas emoções, que desconhece o que é errado... se entrega, se rende... vagando por estrelas, nuvens, pelo céu escuro da noite... olhando pelos outros, despertando amores, anseios, paz nas almas que fraquejam, sentado ali de cima olhando você... te observando... deixando, às vezes, uma lágrima cair e se fazer uma gota de sereno que te toca os lábios... lágrima essa por não poder nada mais que apenas te ver... sentir sem poder tocar.
Manifestando através de pequenas coisas, como um sorriso sincero nos lábios de alguém que você não conhece, o toque de uma criança a te fazer carinho, palavras escritas nas páginas de um livro que te chamam atenção, palavras que mexem e emocionam o coração ditas do nada, como um sussurro em seu ouvido... e se um dia uma brisa leve e suave tocar seu rosto, não tenha medo, é apenas minha saudade que te beija em silêncio.
Os humanos têm um hábito muito peculiar de julgar seus semelhantes por sua aparência, de rotular pessoas as quais nunca viram... apenas pelo modo como ela se apresenta... porém, consigo ver dentro de cada um o que realmente são... e me assusto algumas vezes em como podem os humanos deixar-se levarem por embalagens, por invólucros... deixam de terem muitas vezes ao seu lado verdadeiros tesouros, amizade sincera, lealdade, companheirismo... simplesmente por não terem gostado do rosto do indivíduo.
Imagine uma roseira cheia de espinhos, ninguém acreditaria que dela pudesse brotar uma rosa tão bela, sensível e delicada.
É do interior que nascem as flores. Pude conhecer seu interior... me deparei com uma flor linda... e com muitas qualidades. Se preserve assim... muitas vezes é melhor sermos o que realmente somos... a viver como as pessoas acham que deveríamos ser...
Não existe ninguém melhor, ou pior que ninguém... apenas diferentes umas das outras e essas diferenças são que mostram quem realmente você é.
Fico assim... dizendo as coisas que me aparecem dentro do peito, contando o que se passa em mim, como se estivesse desabafando... pois Deus nos fez para cuidar dos outros... e quem cuidará de nós?Continuarei aqui... meio que escondido, ao teu lado, te olhando, te sentindo... esperando para que um dia você deixe seu coração "olhar" e me ver... daí, enfim, poderia eu mostrar o quanto você é especial pra mim.
Um poema deixado no ar, palavras implorando para viver como uma estrela que o dia não vê e que espera a noite chegar para poder mostrar-se, a canção de amor que sai da sua boca... são as coisas que sempre sussurro ao seu coração, tento traduzir emoções que nunca senti antes, algo realmente novo pra mim, paz, atracção, paixão, amor, algo especial... sincero... verdadeiro...
Carta de Seth - Cidade dos Anjos
07/02/2009
... Ser ...
A difícil arte de Ser
"O que nos mata devagarinho por dentro
é não viver a loucura do momento,
é a angústia de não experimentar o fruto proibido,
é a melancolia da saudade de um beijo,
é o abismo da paixão impossível.
O que nos mata devagarinho por dentro
são os sonhos desfeitos no caminho da vida.
O que nos mata devagarinho por dentro
é o vazio provocado por um desejo apagado,
é a negação da vontade escondida num olhar,
é a impotência para agarrar a beleza perdida no tempo.
O que nos mata devagarinho por dentro
é a ausência da aventura de ser."
Mónika in http://www.palavrascriativas.blogspot.com/
06/02/2009
...telepatia...
"a capacidade de controlar qualquer função mental do cérebro,
ouvir pensamento de outras pessoas,
fazer varredura da memória de outras pessoas
e enviar reflexões espíritos directamente para outras..."
"Diferente da maioria dos outras ocorrências aparentemente sobrenaturais, a menção da telepatia é bastante comum em textos históricos.
Na Bíblia, por exemplo, alguns profetas são descritos como tendo a habilidade de ver o futuro (precognição), ou conhecer segredos íntimos das pessoas sem que as mesmas os tenham dito.
Na Índia também existem diversos textos falando sobre a telepatia como uma sidhi, adquirida pela prática do ioga etc.
Mas o conceito de receber e enviar mensagens entre pessoas parece ser algo relativamente moderno.
Neste conceito existe um emissor e um ou vários receptores."
http://www.youtube.com/watch?v=ScYapmh58dc
sim...
mesmo com tudo o resto, e toda esta distância,
sei que sabes de todos os meus segredos...
04/02/2009
...fim...
Neste infinito fim que nos alcançou
Guardo uma lágrima vinda do fundo
Guardo um sorriso virado para o mundo
Guardo um sonho que nunca chegouNa minha casa de paredes caídas
Penduro espelhos cor de prata
Guardo reflexos do canto que mata
Guardo uma arca de rimas perdidasNa praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que vi
Falo ao mar do que conheci...No mundo onde tudo parece estar certo
Guardo os defeitos que me atam ao chão
Guardo muralhas feitas de cartão
Guardo um olhar que parecia tão pertoPara o país do esquecer o nunca nascido
Levo a espada e a armadura de ferro
Levo o escudo e o cavalo negro
Levo-te a ti... levo-te a ti...levo-te a ti
para sempre comigo...
Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que vi
Falo ao mar do que nunca perdi.
Fim (Dias Que Passam) Toranja
...falta de ti...
Que fazer...
Que fazer...
...tudo...
Tenho Procurado tantas vezes
Um resto de amor que tive de ti
P'ra que o sofrimento de perder-te
Seja bem menor ... no fundo de mim
O melhor de nós dois ja procurei
Mas só recordacões encontrei
Levaste tudo o que me deste
Só a saudade aqui ficou, mais nada
Levaste tudo só esqueceste
Aqui esta dor, nada mais ficou...
Tenho procurado tantas vezes
Sinais de paixao que contigo vivi
P'ra quando a solidao mais me atormente
Eu tenha a ilusao que ainda estas aqui
O nosso sonho ja procurei
Mas só recordaçoes encontrei
(levaste tudo o que me deste - T. Carreira)
...na lama...
03/02/2009
...ás vezes penso...
...demais...
Leiga de tudo num cepticismo total
Preciso alentar o pulsar da vida
Quero um abraço forte que seja teu
Não consigo destilar tanta secura
Volto a ser aprendiz, recapitulo a matéria
Diz-me por favor outra vez que me adoras
Recorda-me por favor outra vez, o curso da cura
Desta enfermidade de tanto te querer
Desta fraqueza de tanto me amargurar
Estar longe de ti, sem saber quando perto
Estar aqui e agora, sem saber como ou quando
É demais até sempre
È demais até nunca mais
È demais... mais um adeus
Todo o amanhã será sempre longe demaisSe eu morresse amanhã, seria um lindo dia
e já seria , tarde demais…!
Malu , Alcobaça 3 de Fevereiro de 2009
...aurora...
Considerada uma obra-prima absoluta do cinema e um dos mais belos filmes alguma vez feitos, "Aurora" é um prodígio visual e narrativo que continua a entusiasmar espectadores e comunidade cinéfila ao fim de mais de oito décadas.
O filme-concerto agora proposto pretende, para além de transportar para o presente uma técnica comum aos primórdios do cinema, a interpretação ao vivo de uma banda sonora durante a exibição de filmes mudos, recuperar uma relação com o público sugerida pelos diversos ambientes e elementos sonoros que acompanham as emoções transmitidas pelas imagens, reavivando (tal como a história de amor do casal de personagens) o sentimento por esse verdadeiro programa de paixões que é o cinema.
François Truffaut chegou mesmo a elegê-lo como "o mais belo filme de todos os tempos".
TITULO ORIGINAL Sunrise
...Perseguição...
...me morro...
...não vale a pena...
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não Vale A Pena
Maria Rita
Composição: J. E P. Garfunkel
...vontade...
Tantas contendas, tremendamente fechadas
Tantos dias carregados de prosas amargas
Não me roubes a bravura de chegar ao fim
Quero paz, amor, quero atracar em ti
Tanto encalço e não declaras a sentença
Tanto juízo e mais esteios para deixar
O que é nosso, e resiste a cada aterrar
Tanta distância transmutada em medo
Tanto trânsito a palmilhar e achegar
Nesse nó que apega e preenche o sentir
Não escoro mais mutismos escusos
Feridas, do desmaio ao gesto agredido
Quero olhar para ti e ver o sol a entrar
Quero o amor que te sei no coração
Tamanho e tão demovido que arrefece a crença
Se a nossa ânsia é estacionarmos juntos
Tal que ambos dolorosamente almejamos
Revira do avesso o nosso cosmos e expira
Se estacares ao meu lado, é tão mais franco
Se me consentires do teu lado, é tão mais claro
Custa tanto sem ti, este caminho
Custa tanto ver-te abstrair da escuridão
Parece que a saudade mata
Custa tanto sem ti perdoar a dor
Custa tanto ver -te varrer a chama que queima
Parece que a vontade apartaMalu
Alcobaça 3 de Fevereiro de 2009
02/02/2009
...há...
Há uma coisa
Que não se chama nada
Apenas vive e resiste
Dentro e fora de nós
Pode ser querença
Mas não se deixa sentir
Pode ser castigo
Mas não se deixa culpar
Pode-se contestar
Mas não se deixa acontecer
Pode se diminuir
Mas não se deixa crescer
Pode se conter
Mas não se deixa aliviar
Pode-se vociferar
Mas não se deixa entender
Pode-se apelidar do que quiseres
Mas não se deixa deslindar
Só não se pode fugir
Porque mais à frente no atalho
Ela vai nos seguirHá uma coisa
Que não se chama nada
Apenas vive e resiste
Dentro e fora de nós
Não a deixes repousar
Só a podes deixar ir
Não a deixes voar
Só a podes nutrir
Não a deixes bater
Só a podes conquistar
Só não se pode combater
Porque de cada vez que se esquiva
Ela vai nos desmentir
Há uma coisa
Que não se chama nada
Apenas vive e resiste
Dentro e fora de nós
Só tens que acreditar
E não deixar-me descrer
Malu, Alcobaça, 2 de Fevereiro de 2009
31/01/2009
...preguiça...
A leitura após certa idade 30/01/2009
...na boca do mundo...
E ninguém chega à chama
De que vale arder?
Se o barco parte sem velas,
De que serve a maré?
Não se mostra o trajecto
A quem parte para se perder
Não se dá boleia
A quem precisa de ir a pé
E é como quando pensas que estás a chegar
E não deste um passo
Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma Fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
Hoje até o ar anda cansado
Preciso de um enigma
Para pôr fim ao propor
Não sei o que me deu, não costumo estar assim
Desço a rua que passa, rente à boca do mundo
Sinto a vida que passa
E os rumores que circulam na boca do mundo
Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma Fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço
Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma Fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
É tudo o que faço
E é todo o meu cansaço
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço
Sinto a vida que passa
Na boca do mundo,
não se sabe quem é quem…
(Mesa - Para todo o Mal)
...chuva...
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
29/01/2009
...vigora...
28/01/2009
27/01/2009
...conversa entre mudos...
"...quando um dia falarmos deste amor que pairou sobre as mãos entrelaçadas, ninguém entenderá este silêncio que se sobrepôs ao grito do teu peito, ninguém entenderá este poema que narra o desespero de não te ter aqui, neste instante em que te amo, mais e mais, clandestinamente, e em silêncio..."
(in A Linguagem do Silêncio)
Postado por Mitsotaki em Outubro
...pirete...
"sem ti não existirei mais...nem quero!"
...presunção de amar...
Não invejo os que dizem amar, nem alimento a arrogância de mestre.
O querer não deixará jamais de se fazer sentir profundo.
Milhares de mim, se havendo quantificação, permeiam-se em múltiplas e simultâneas direcções. Em cada acto, sublima-se o mais exposto.
26/01/2009
...sózinho...
Caetano Veloso
Composição: Peninha
...Amália...
Sim estreou em Novembro, mas só ontem fui ver...
Sim gostei, aliás, gostei muito apesar das falhas técnicas, e de estarem mais séniores e veteranos do que gente jovem, ou crianças como eu, e houve uma cena entre outras que me identificou com a verdade da sua história de vida, nesta primeira vez que vi, porque sei que vou repetir...
Neste filme, outro filme baseado na vida da Amália que encantou o mundo com a sua voz, vi o que já sabia, como era obcecada pela morte, e como superou ou não, ou melhor ou pior, uma desiquilibrada passagem por este mundo, que não era o seu...
Uma diva, sim, daquelas que diziam que, "a mim, ninguém me diz o que eu devo fazer da minha vida"... como algumas pessoas que tão bem conheço, e reconheço que uma delas até vive em mim...
O filme começa com a cena em que vai matar-se... mais uma vez... Na varanda da suite, depois de tudo... o que depois é semi-mostrado...
A reter... aquele diálogo em que deprimida pergunta uma vez mais :
_ Porque é que eu não posso ter uma vida normal, como a das outras pessoas ?!
E a resposta é dada, como que nos é dada a nós, que nos sentimos iguais:
_ Você não pode ter uma vida como as outras pessoas, porque você não é, como as outras pessoas Amália...!
Pois bem... assim seja, com toda a dor e alegria que isso acarreta.
Devo sentir-me feliz, por ser diferente... devo sentir-me especial....!?
É mais normal, do que julgamos, esse sentimento...
Obrigado por existires Amália, apraz-me dizer-te agora, se é que me podes ouvir.
Ao menos, já não me sinto tão só, neste mundo...!
Acredito que, quando está acordado realmente, Deus, só leva, os que ama!
Malu
25/01/2009
... Inútil...

A maior parte das gaivotas não se querem incomodar a aprender mais do que os rudimentos do voo, como ir da costa à comida e voltar. Para a maior parte das gaivotas, o que importa não é saber voar, mas comer, como de resto a maior parte dos seres humanos. Porém, para esta gaivota, o mais importante não era comer, mas sim voar, saber mais, conhecer mais 'alto'.
Mais que tudo, Fernão Capelo Gaivota adorava voar. Mas, como veio a descobrir, esta maneira de pensar e de ser diferente não o fazia muito popular entre as outras aves, em especial dos 'chefes do bando' que o observavam desconfiados. Até os próprios pais se sentiam desanimados ao verem que Fernão passava os dias sozinho, a experimentar, a cogitar, fazendo centenas de voos...
Não sabia porquê, mas, por exemplo, quando voava sobre a água a uma altitude inferior ao comprimento das suas asas abertas, conseguia manter-se no ar durante mais tempo e com menos esforço. Os seus voos não acabavam com o habitual mergulhar de patas abertas no mar, mas com um pousar leve, de patas bem unidas ao corpo. Quando começou a pousar em pé sobre a praia e depois a medir o comprimento da aterragem, os pais ficaram deveras preocupados.
-Porquê? Fernão, porquê? - Perguntava-lhe a mãe - Por que não podes ser como o resto do bando? Por que não deixas os voos rasos para os pelicanos e para o albatroz? Porque não comes? Filho, és só penas e osso!
-Não me importa de ser só penas e ossos, mãe. Só quero saber aquilo que consigo fazer no ar, e o que não consigo, mais nada. Só quero saber.
-Ouve lá, Fernão - disse-lhe o pai com bondade - O Inverno aproxima-se, haverá poucos barcos e o peixe das superfícies irá para zonas mais profundas. Essa história dos voos está muito bem, mas sabes que não te podes alimentar só disso. Se tens mesmo de estudar, então estuda a comida e a forma de a conseguir. Não te esqueças que a razão por que voas é comer.
Fernão baixou a cabeça, obediente. Durante os dias seguintes tentou comportar-se como todas as outras gaivotas, tentou mesmo a sério, disputando com o resto do bando a comida dos pontões e dos barcos de pesca, mergulhando para apanhar pedaços de peixes e pão. Mas não conseguiu.
"É tão inútil", pensou, deixando cair deliberadamente uma anchova, que lhe custara bastante a apanhar, aos pés de uma velha gaivota que o perseguia. Poderia ter passado todo este tempo a aprender a voar...
E há tanto para aprender!
(Richard Bach, Fernão Capelo Gaivota)
24/01/2009
...amar é raro...
Amar é dar,
o sol e os lumes,
(Casimiro de Brito, in 'Arte da Respiração')
23/01/2009
...dás-me tudo...
Hoje para mim, és o que sempre foste, desde o dia que não sei precisar, e até ao dia que não sei precisar...Hoje continuo a sentir-me mutilada e a sofrer, e continuo ainda a querer morrer no mesmo dia que tu, na mesma hora, e de preferencia de mãos dadas...
Sabes que não sei dizer porque te amo, mas amo... não incondicionalmente mas, por tempo indeterminado...
Sabes que não sou sadomasoquista, mas que todos os dias me dilaceras com a tua ausência, e eu deixo...
Trago comigo uma dor, um vazio e um inconformado grito de socorro que abre constantemente esse fosso entre nós.
Chamo uma desilusão, ao momento que se arrasta, por ter tido em ti uma ilusão, que queria transformar em verdade e, que não consigo.
Pedes-me coragem…pedes-me alento… e eu não consigo.
Porquê tanta confusão?
Porquê tanta prova, até ao ponto de me acusares de imaturidade, ou de não saber esperar…?!
Não,.não sei mais esperar…nem quero…
Mas nada mais posso fazer …e é por isso que desespero…!!!
Por um amor daqueles que dói, mas que se querem manter, porque se acredita que sim, que os bons momentos são válidos o suficiente, para todas as dores não os apagarem, apesar da ferida, da desilusão, da espera…da cruel espera…regada com ingratidão.
Dás-me tudo.
Desde uma imensa vontade de continuar...
Até uma gritante vontade de nunca ter existido.
Tenta dar-me um pouco mais...
Daquele dar, sem ter que ser pedido…
malu, Alcobaca 23 de Janeiro de 2009
...sem razão...
Eu te amo porque não amo
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."
As sem-razões do amor
(Carlos Drummond de Andrade)
...coragem, ou conformismo?!...
...das utopias...
20/01/2009
... há vida em mim...
Sim, é de minha autoria a sua edição
Sim, sou mesmo eu há 4 anos atrás
Sim é a imagem do meu ventre
Sim, são estas as minhas mãos
E foram estes os melhores dias da minha vida...
Revelo uma vez mais, pra me não esquecer
18/01/2009
...Erro meu...
Como em relevo no meu existir
Não sei porquê, não quero que saia
Só anseio pra que não doa...
Quero-te em mim sim, mas não assim
Quero-te sem lágrimas e sem culpa
Sem isso que parece desespero
Sem isso a que chamam de medo
Não peço mais elasticidade ao meu corpo
Nem mais orientação aos meus passos
Mas falta-me esse espaço entre mim e ti
Desloca-se o meu coração entre fora e dentro
E ando e desando sem sair do mesmo
Sem poder correr sem medo de se soltar
Esse laço que deslaça sempre que te afastas
E repetes que estás mais perto que nunca
Factos reais não fazem a verdade
Amar-te... Sentir-me amada
Não chegam para fazer-me feliz
Mas descansa... ajudam muito...!!!
Meu erro é ser tão utópica...
Meu erro é querer demais...
O teu erro é gostar de mim...
O teu erro é esperar por mim...!
Malu
Alcobaça 18 de Janeiro de 2009
17/01/2009
...estática...
"A estática é a parte da mecânica que estuda as forças que atuam sobre os corpos em repouso e parte da possibilidade de se efetivar a combinação (composição) de forças, da mesma maneira que se faz com as velocidades. Sejam consideradas as forças P1 e P2 e a resultante destas R, todas elas agindo sobre um ponto material em repouso.
Para que o ponto material permaneça em equilíbrio é necessário que uma terceira força P3 aja sobre ele, possuindo o mesmo módulo e direção, mas sentido contrário a R. Esse é o procedimento básico da estática, que pode ser aplicado na análise de estruturas mais complexas. "
A Força
"Força é uma ação capaz de colocar um corpo em movimento, de modificar o movimento de um corpo e de deformar um corpo.
Uma força é formada pelos seguintes elementos (características):
- ponto de aplicação: é a parte do corpo onde a força atua diretamente.
- sentido: é a orientação que tem a força na direção (esq, dir, cima, baixo);
- direção: é a linha de atuação da força (horizontal, vertical, diagonal.);
- intensidade: é o valor da força aplicada. "
Agora...tentem transferir tudo isto da engenharia civil para um estado de espirito e, anotem como não estou...sim...também me sinto ausente...
Sem força, sem qualquer espécie de coisa no coração, na alma... um ponto, um sentido, e, a única intensidade que me pesa, é a da estática do momento que me corroi a alma, e me crema de desgosto... ou de marasmo.
14/01/2009
...relantim...
11/01/2009
...Fátima...
É como uma energia que me engole, e não sei se é boa ou má...apenas me deixa uma dor estonteante na alma!
Não sou católica...nem religiosa, mas de quando em vez preciso de ali ir... áquele santuário...
E hoje aproveito a boleia...porque tenho necessidade uma vez mais de acreditar...
A vida já me levou em alguns passos até, a descrer que exista essa força superior a quem chamamos Deus, ou criador, que deveria proteger e cuidar, e tantas provas parece que impõe, aos seus, aos que mais ama...!!!
Vou encher-me de fé hoje...
E pode ser apenas um ritual... mas não faz mal... podem até não entender, ou etiquetar bem ou mal...
Mas, hoje, eu vou a Fátima...!!!
E amanhã...ohhh cada um dos meus dias amanhã...que sejam, agora e sempre...como Deus quiser...!!!
10/01/2009
09/01/2009
...oportunamente...
"a vida não passa de uma oportunidade de encontro
só depois da morte se dá a junção
os corpos têm o abraço
as almas tem o enlace"
victor hugo
não deixes passar a vida... a nossa oportunidade
não quero ter que passar por essa fase de outra loucura
de preferir morrer a te não ter
deixa-me ser louca ... por ti
malu
...trauma...
Actualmente existem outras etiologias resultantes de um crescente aumento de actos de violência e da prática de alguns desportos mais agressivos.
O traumatismo do Rafa de ontem...não foi grave... mas poderia ter sido...
Teve alta ao fim de horas de muita confusão na sua cabecinha, acompanhada de vómitos e depois de muito tempo (para nós) de observação até o galo baixou...
E está a ser vigiado, nestas 48 horas seguintes à queda acidental na aula de Ginástica, na escolinha...
Foi mais um episódio marcante...
Andou a primeira vez de ambulância na sua pequenina vida...
Bem hajam os bombeiros de Alcobaça, sim aqueles dois em especial que tão carinhosos foram connosco (Toninho e Carina beijinho) ... conseguimos voltar a casa antes da meia noite... !!!
E apesar de tudo, e apesar do susto, e apesar do frio...o meu Rafa, foi um herói...!!!
Quase que se portou melhor que a mãe...
PS: acho que vou passar a viver nos nossos hospitais nos próximos tempos ...
08/01/2009
06/01/2009
...à saúde...
Ontem, dia 5 de Janeiro de 2009, eu, e pelo menos uma dezena de pessoas, vivemos um episódio inacreditável…mau de mais para ser verdade, na ante sala de espera, do serviço de neurocirurgia dos hospital central de Coimbra, nos Covões… Ninguém estava nada à espera… e foi desesperante…!!!
È dramático ter alguém doente entre nós, numa lista de espera, a aguardar tratamento, solução, acompanhamento, cirurgia, esperança de vida prolongada…
Mais difícil ainda, quando alguém luta por permanecer sobrevivente, numa vida muito menos fácil do que o normal, complicada, em que o mais aceitável seria, desistir logo à primeira, ir-se abaixo, deixar-se levar pela doença, e não querer saber de mais nada… mas não…
Como já anteriormente reconheci…a minha mãe, uma simples mulher da aldeia e de pouca formação, e de pobres famílias, é das pessoas mais ricas e fortes de interior que conheço… é a ancora, aquela rocha firme, sempre a remar e a lutar contra a mais brava de qualquer maré…
Não tem vida… mas luta por ela a cada milésimo de segundo… Não tem quem a mime, apenas quem a desgaste e a use, mas dá sempre o tudo e o melhor de si, a qualquer um, que lhe apareça à frente, mesmo aos que a maltratam e a espezinham constantemente, dentro da sua própria casa…
Está à espera de uma operação à cabeça, que na sua cabeça, poderá aliviar-lhe o que sente, por mais uns tempos, porque se sente obrigada a continuar…a dar… porque sabe que todos ali precisamos dela, para continuar…
Mas apesar de não sabermos os pós, está muito complicada…essa cirurgia…complicada de resolver, para ver o assunto arrumado, em todas as nossas cabeças.
E… ainda não foi desta…!!!
Depois de mais de um ano com quedas aleatórias, com dores de cabeça intrigantes, com zumbidos desconcertantes e desequilíbrios vertiginosos, veio a confirmação por Ressonância Magnética em 2008, que fui fazer com a minha mãe a Leiria, a 15 de Maio.
Tem um Schwanoma instalado atrás do ouvido direito, e tem que ser removido porque, com o crescimento, pode provocar outras disfunções no cérebro e afectar outros órgãos. Como todos os neurinomas, também se sabe que o seu crescimento é lento e a cura é habitual após exérese completa…
Não é um caso de vida ou de morte, mas incomoda, arrelia, e quer-se tratado o quanto antes… e, nesta altura do campeonato:
A minha mãe já não ouve…
A minha mãe já não anda bem com zumbidos constantes e mal-estar associado ao tumor, há mais de um ano…
A minha mãe desequilibra-se e cai quando menos espera e, tem já medo de andar sozinha na rua, ou de tomar conta a sós do seu neto…
A minha mãe não pode tomar nada que alivie…
A minha mãe já teve dois ameaços de paralisia facial…
A minha mãe corre mesmo o risco de com esta operação ficar com paralisia facial irreversível, e nunca mais voltará a ouvir, e mesmo removendo o tumor, porque tem que ser, ele pode voltar a crescer, ou outros, e o que houver vai sempre soltar umas segregações esponjosas que lhe incham a face e os olhos e o contorno no ouvido e maxilar e incomodam constantemente, pelo que anda sempre em massagens de fisioterapia para promover o alívio possível…
A minha mãe sofre muito mais, e de mais do que aquilo que eu sei, ou que me conta…
E não dá mais para esperar…!!!
No mês de Maio fez a RM pedida pelo Otorrinolaringologista do Sto André em Leiria, o Dr. Paulo Enes, com resultado confirmador, que chegou ao médico de família no centro de saúde em Alcobaça, ao Dr. João Melo, em Junho de 2008.
Indicou um neurocirurgião à minha mãe, numa consulta onde também estive presente, numa clínica perto, na Marinha Grande, e disse logo e apenas: vai para boas mãos, que tudo corra bem…isso agora é para tirar…
Fomos à consulta com o Dr. Lozano Lopes. Só conseguimos quase pró final de Junho.
Viu o exame e disse: Isto é para operar, não é urgente para hoje, mas tem que ser removido, assim que possível.
Também fui… e esclareci que em Leiria, o Dr. P. Enes, já tinha pedido consulta de Neurocirurgia com Urgência, para a minha mãe, no sistema nacional de saúde, para darem desenvolvimento ao que havia para fazer. (não é assim tão cru e nem tão linear…primeiro que consigamos digerir e falar a linguagem do que é prático com os médicos, há muito medo, muitos fantasmas, muita emoção gritante que nos atinge, mas que com uma força vinda não sei de onde, nestas alturas, conseguimos pôr sempre de lado…e sei que os médicos não são imunes ao drama, à emoção, mas não é para um abraço amigo que ali estão, é para uma conversa clara, esclarecedora e para ajudarem profissionalmente como puderem que os procuramos)
O Dr. LL esclareceu que opera em Coimbra, nos Covões, mas só vasculares, e este não era caso para ele… há que passar ao colega…o Dr. Peliz…
Aguardamos o contacto telefónico, que aconteceu pouco mais de uma semana depois.
Recebo uma chamada de Coimbra, onde o Dr. Lozano pede, para eu estar com a minha mãe no dia seguinte nos covões, no serviço de neurocirurgia às 8 e meia da manhã com a minha mãe, para falar deste caso com o Dr. António Peliz.
Assim fomos… no dia seguinte… e quando o Dr. chamou pela dona Gracinda de Alcobaça… perguntou pelos exames para ver…
Não há exames, também é assim… na semana anterior tínhamos o exame, mas apenas o temos por 10 dias, depois de outros 10 anteriores os solicitarmos ao hospital de Sto André em Leiria, a quem eles pertencem e não a nós… e depois da consulta da semana anterior, tiveram que ser devolvidos… como manda o Sistema.
Vamos fazer de outra forma, sugeriu: … estamos em Julho… metem-se as férias de Verão em Agosto: Vocês vão pedir o exame ao hospital de Leiria, e na primeira semana de Setembro, na primeira quinta-feira do mês telefonam-me, para marcarmos para virem cá…
Assim foi…
Em Setembro, assim que tivemos os exames da mãe e conseguimos marcar com o Dr. Peliz, voltamos aos covões a neurocirurgia, e finalmente a 18-9-2008, a minha mãe entrava oficialmente no sistema e na lista de espera para cirurgia no Hospital Central, e trazia uma data já com a operação marcada à cabeça, e na cabeça; 5 de Novembro, com internamento dois dias antes, a 3 de Novembro.
Em Outubro já não seria possível, disse o Dr. que já havia muitas marcações, e, o tempo de espera permissível para a urgência da situação era de 2 meses, pelo que…estava tudo dentro dos limites… e programado dentro dos conformes.
Preparámos tudo, no regresso a Alcobaça…tudo desde organizar a ausência da minha mãe, que é o pilar e todas as sapatas lá de casa, até preparar mentalmente a nossa e a sua alma e pessoa, para a dita operação… que ela queria na altura como disse a todos prescindir de, mas que era inevitável.
Estava difícil, mas tudo preparado quando na sexta feira anterior, a 28 de Setembro, recebo uma chamada de um número que não conhecia, não de Coimbra mas da Figueira, da clínica onde está o Dr. Peliz, a deixar-me o recado, para não aparecer com a minha mãe nos Covões a dia 3 seguinte, porque a operação prevista para dia 5 tinha sido adiada, para 10 de Dezembro.
Mais nada…
Foi mais uma estalada na minha ateia cara…perante uma situação já de si, difícil de gerir, de entender, ou de aceitar e manter.
Se bem que o Dr. tinha dito, que se não dissessem nada em contrário a avisar, que seria a 5 de Novembro, o aviso veio quando já não se esperava por ele… e ligando para o serviço nos Covões, já em Novembro… no secretariado de apoio, ninguém sabia dizer-me se sim, se a minha mãe iria ser operada ou não a 10 de Dezembro, porque, só semana após semana, são informadas pelos cirurgiões, das pessoas que vão entrar para internamento e intervenção…
Falei então para o número que me ligara, isto na primeira sexta-feira de Novembro, porque na quinta não consegui apanhar o Dr. Peliz em Coimbra, e não estava a entender nada deste adiamento, nem qual era o dia agora do novo internamento, se seria no feriado, dia 8, segunda anterior à nova data prevista para operar, ou não.
Logo neste primeiro adiamento a situação da minha mãe tremeu, não sei se por efeito psicológico ou não…adiar, provocava ainda mais dor, ainda mais mal-estar, e ainda mais desequilíbrio quer físico, quer emocional…
Falei com o Dr. Peliz… Expliquei como pude o que se estava a passar na minha cabeça e na dela, e ele disse para tomar a medicação que suspendera, e que ligasse uma semana depois para fazermos o balanço…
A meio de Novembro, já a minha mãe estava conformada… em esperar pelo 10 de Dezembro, quando voltei a falar na sexta-feira seguinte com o Dr. Peliz, veio a sugestão, de mais um adiamento…
Não acredito…não me está a acontecer isto… pensei logo…e como vou eu dizer isto à minha mãe…!?
A conversa foi mais ou menos assim…
Olhe, a situação da sua mãe até está mais ou menos estável… e eu acho que operar a 10 de Dezembro, não é uma boa data… porque apanharia a época festiva do Natal, longe da Família e tal … (o internamento neste caso é de na melhor das hipóteses 12 a 15 dias) …
E conforme sugeriu o Dr., e para não contrariar, e para não pensar mais nisso e tal, e para facilitar ou não… aceitámos que a mãe ia passar connosco o Natal, em Alcobaça, e que a 5 de Janeiro seria internada, para finalmente operar a 7, … e que aqui e agora, não mais se mexia, para não mais destabilizar…
Depois de mais alguns telefonemas, ficámos com a garantia do Dr. Peliz, de que nada mais era preciso tratar…
Era apenas apresentarmo-nos ontem no serviço de neurocirurgia para internar a minha mãe… e amanhã, ela seria operada, e este pesadelo pelo menos terminava…
Mas não… Ainda não foi desta!!!
Entretanto, e porque tinham passado os tais dois meses de lista de espera aceitável para a intervenção marcada e não conseguida… o próprio serviço, emitiu como é de sistema, um vale, que recebemos na primeira semana de Dezembro, com prazo de 3 semanas, para que a minha mãe fosse operada numa clínica particular, sem qualquer custo adicional…
Vale esse que, sendo recusado embora com a devida justificação, manteria a minha mãe no seu lugar da lista de espera… e não sendo recusado, seria ainda pior… teria que ser operada, nas mesmas semanas que em Coimbra se tinha acordado que não fosse, para não passar pelo Natal… e em vez de Alcobaça – Coimbra, a distancia geográfica e familiar seria ainda maior, porque a minha mãe iria passar essas pelo menos duas semanas internada na tal clínica, em que a escolhida era no Porto….e nós vivemos em Alcobaça.
Enviei a justificação de recusa do Vale, a 10 de Dezembro, assim que o recebemos onde sublinhei que, já tínhamos agendamento da cirurgia pelo Dr. Peliz, e que decidíramos continuar a aguardar no nosso lugar, na lista de espera… era só até ontem…
Mas, ainda não foi desta!!!
Nem à terceira foi de vez…!!!
Em Jejum…saímos de casa às 6 e meia da manhã… e às oito, conforme o estabelecido, estávamos lá, no serviço de neurocirurgia dos Covões, em Coimbra…
Dos 5 que iriam ficar internados ontem, a minha mãe, foi a primeira doente a chegar…
A funcionária, que a recebeu no secretariado, chegou ao posto, perto das nove, e não era a que ali costuma estar, não sabia de nada…. E mandou esperar…esperar…
Os médicos neurocirurgiões, estagiários, membros da equipa, operadores, e entre eles o Dr. Clínico do serviço, que é nem mais que o nosso consultado anteriormente Dr. Lozano Lopes, por ali andavam, na sua rotina do costume… na salinha envidraçada de reunião e, entre uma sala e outra dos doentes da enfermaria, e pelos corredores se manifestavam presentes, mas com cara de caso… e perto das 10, ouvimo-lo dizer para a colega… temos que ir ver as vagas que ai temos… porque não há camas e está aqui esta gente toda para internamento à espera…
Eram 9 e meia, e todos ali esperavam naquela sala… pela chamada ainda, todos pensavam que iriam ser internados para ficar… mas entretanto…pelo palmilhar os corredores de um lado ao outro, e pelo corrupio que se verificava, tanto eu como a tia Paula, que me foi acompanhar no levar a minha mãe íamos perguntando e íamos ouvindo… A esta hora, já sabíamos, por esta e por aquele e por mais o outro, que não havia camas… e que não sabiam se daqueles, alguém iria ficar neste dia ali internado…
Mas alguém nos disse?! …Não!!! … A nós, ou aos doentes?! … Até aqui, não…!!!
Ainda não foi desta…!!!
A esta hora, já o Dr. Lozano e o Dr. Ricardo tinham adiantado que, ali, não havia condições de internamento, e que a assistente de secretaria não deveria ter aceite ninguém esta manhã… e, foi-me sugerido para falar com o Dr. Peliz, que estava a dar consulta, no edifício em frente…
Lá fui eu, e a minha mãe… e explicamos assim que houve um intervalito nas consultas ao Dr. que estava uma confusão enorme na enfermaria, que não havia camas, mas que estávamos ali todos, para internar…
Ele apenas confirmou que, era para operar amanhã, quarta-feira, mas se ontem, não havia camas, era para quem estava na enfermaria, um problema a por si resolver… e voltámos… e aguardámos, conforme nos foram sempre pedir…aguardámos…
Os médicos reuniram de novo no envidraçado, e toda esta gente ali, numa espera desesperante, no hall ao lado…
Víamos as suas caras de caso, uns sorrisos e uns olhares e uns silêncios em nada esclarecedores ou animadores vindos de todos os lados… e passámos horas inacreditáveis de incerteza, com a vida a passar-nos em filme a andar para trás, á frente dos olhos, e uma angustia e aperto inaceitáveis no sistema de saúde nacional… Um desconsolo, por estarmos ali, sem uma palavra…sem uma satisfação… sem uma certeza de ir ou ficar, que minimizasse o nosso drama…
Os processos individuais de cada um foram estudados bem vimos… foram decidir quais os casos mais urgentes entre os presentes… e teriam que escolher entre mandar já todos embora, ou pedir a um ou dois para ficarem, no tentarem arranjar cama… mas não… a todos continuavam sem dizer nada… a não ser nada…
Às 11 da manhã mais coisa menos coisa, o Dr. Lozano por nós questionado lá explicou ao fundo do corredor à minha tia acelerada com a situação e a mim que, iria colocar o problema á administração, e que eles resolvessem, e que havíamos de aguardar mais um pouco, e por essa resposta que não vinha…
Também explicou qual era para si, o problema: A enfermaria, a meio gás, porque o outro meio está em obras, foi ocupada na ultima semana de 2008, por pessoas que ali estavam, e os lugares vagos, por outras, e que em situações extremas e pelas urgências entraram naquele serviço e enfermaria, por no hospital já não haver mais camas, em mais lado algum onde os pôr…alguns com situações infecto-contagiosas, onde ninguém poderia ficar mais… e então, esse era o problema de não se poder internar ninguém hoje…não haver camas… pelo que tinha colocado a questão à administração, se seria possível arranjar após alguma alta, uma cama noutras enfermarias, em quaisquer outros serviços do hospital para pelo menos um caso mais urgente…e gritante, por ser já a terceira vez que se adiava, e por ser de longe e tal… que era a minha mãe…!!!
Mais angustiante ainda: estávamos ali há horas, era então quase meio dia…toda a gente… num impasse intolerável, sabendo eu, sem poder dizer, que, estava o hospital inteiro à procura de uma única cama, onde deixar de todas aquelas pessoas apenas uma única, a minha mãe…!!!
E as horas iam passando e iam dizendo que deveríamos ir esperando…
À uma e meia da tarde, vieram perguntar à minha mãe e á dona Hermínia (uma sofrida mulher-bomba com um aneurisma na cabeça a rebentar a qualquer instante, que só não foi considerada a mais grave a última a mandar embora, porque ali vive a 3 km de distancia do hospital e, a qualquer meia hora assim que houvesse cama poderiam chamá-la para operar), se queriam que mandassem vir almoço para elas… mas que teriam que continuar e esperar…
Não!!! … Era demais!!! … Todos em jejum…fomos todos ao bar… e…
Voltámos…duas da tarde, e sem novidades…
Minutos depois vejo vir ao fundo do corredor o Dr. Lozano que ao passar nos continua a mandar esperar… e esperar que mais um pouquinho e já fala connosco, para mim, para minha mãe e para a minha tia…
Entretanto o Dr. Armando Lopes e o Dr. Armando Rocha chamam os seus doentes ou dos colegas que não estão, desses outros 4, e dizem finalmente que não há vaga…terão que ir embora, mas pelo sim pelo não…esperem mais meia hora, se quiserem… e lá ficamos…
Uns queriam chamar a televisão, para denunciar este triste episodio, outros diziam que iam escrever tudo no jornal…
Outros diziam que assim não tinham condições para trabalhar e ainda ter que dar a cara, e que iriam suspender todas as cirurgias…
Foram-se todos os outros embora…
A minha mãe desesperada, queria mandar-se ao chão e entrar pelas urgências…queria ficar…queria livrar-se deste problema agora…não mais adiar…
A minha tia agitava-se e dizia que isto não é normal, que estão a gozar com o povo em Portugal… que este hospital é uma vergonha… e sim, a minha tia também bem disse ao director clínico lá, ao fundo do corredor: O Problema Dr., não é a falta de camas… o problema é a falta de sensibilidade de todos vós… que se já estavam assim, a abarrotar, a ultima semana, poderiam ter avisado estes doentes para não virem para cá… para não terem que passar por isto… este “fica - não fica” cruel para todos nós, que ali estivemos todo o dia de ontem, naquela ante sala de espera do seu desorganizadamente dirigido serviço de neurocirurgia, do Hospital dos Covões.
O próprio chamou-nos à salinha do médico, eram perto de 3 da tarde… a explicar, que ir embora, até era o melhor para minha mãe…para depois, e assim que possível e assim que vagar cama, a poderem assistir e tratar, nas melhores condições…sim, concordamos com tudo isso, mas não eram precisas 7 horas, a fazer-nos esperar e desesperar…para ter essa conversa connosco… ou eram?!
Tem razão quando nos diz Dr., que é dar um passo atrás para depois dar dois em frente, tem razão… mas, bastava um telefonema, e não teríamos todos ido, todos vivido, e todos sofrido, o dia de ontem… que já ninguém nos tira, nem a si, ninguém lho tira…
Não estou aqui a dizer, nem bem nem mal, nem a falar nem a mencionar nomes, só porque sim… aqui, venho apenas e sempre pelo que sinto… e ontem, foi um dia muito, muito mesmo carregado, de maus sentimentos…que é disso que aqui falo, que poderiam a bem da saúde de todos nós, ser evitados.
Uma saúde, à vossa organização (de), e à de todo esse Hospital…
Um abraço, e votos de um bom ano… e de que num amanhã muito breve, tudo corra agora e assim que possível, menos-mal.
Alcobaça, 6 de Janeiro de 2009
Marta Luis
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