24/01/2009

...amar é raro...

cito e subscrevo:

Amar é dar,
derramar-me num vaso que nada retém
e sou um fio de cana por onde circulam ventos e marés.

Amar é aspirar as forças generosas que me rodeiam,
o sol e os lumes,
as fontes ubérrimas que vêm do fundo e do alto, água e ar,
e derramá-las no corpo irmão,
no cadinho que tudo guarda e transforma
para que nada se perca e haja um equilíbrio perfeito
entre o mesmo e o outro que tu iluminas.

Dar tudo ao outro,
dar-lhe tanta verdade quanta ele possa suportar,
e mais e mais;
obrigar o outro a elevar-se a um grau superior de eminência,
fulguração,
mas não tanto que o fira ou destrua em overdose
que o leve a romper o contrato
— o difícil equilíbrio dos amantes!

Amar é raro
porque poucos somos capazes de respirar
as vastas planícies com a metade do seu pulmão;

e amar é raro
porque poucos aceitam a presença do seu gémeo,
a boca insaciável de um irmão
que todos os dias o vento esculpe e destrói.

(Casimiro de Brito, in 'Arte da Respiração')

23/01/2009

...dás-me tudo...

Hoje para mim, és o que sempre foste, desde o dia que não sei precisar, e até ao dia que não sei precisar...
Hoje continuo a sentir-me mutilada e a sofrer, e continuo ainda a querer morrer no mesmo dia que tu, na mesma hora, e de preferencia de mãos dadas...

Sabes que não sei dizer porque te amo, mas amo... não incondicionalmente mas, por tempo indeterminado...
Sabes que não sou sadomasoquista, mas que todos os dias me dilaceras com a tua ausência, e eu deixo...

Trago comigo uma dor, um vazio e um inconformado grito de socorro que abre constantemente esse fosso entre nós.
Chamo uma desilusão, ao momento que se arrasta, por ter tido em ti uma ilusão, que queria transformar em verdade e, que não consigo.
Pedes-me coragem…pedes-me alento… e eu não consigo.

Porquê tanta confusão?

Porquê tanta prova, até ao ponto de me acusares de imaturidade, ou de não saber esperar…?!

Não,.não sei mais esperar…nem quero…
Mas nada mais posso fazer …e é por isso que desespero…!!!

Por um amor daqueles que dói, mas que se querem manter, porque se acredita que sim, que os bons momentos são válidos o suficiente, para todas as dores não os apagarem, apesar da ferida, da desilusão, da espera…da cruel espera…regada com ingratidão.

Dás-me tudo.
Desde uma imensa vontade de continuar...
Até uma gritante vontade de nunca ter existido.

Tenta dar-me um pouco mais...
Daquele dar, sem ter que ser pedido…
Para que este desenho, passe além do esboço,
preciso de um pouco mais...


malu, Alcobaca 23 de Janeiro de 2009

...sem razão...


"Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."

As sem-razões do amor
(Carlos Drummond de Andrade)

...coragem, ou conformismo?!...


Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.

Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.

Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.

Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.

Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.

Faça com que a solidão não me destrua.

Faça com que minha solidão me sirva de companhia.

Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.

Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

(Clarice Lispector)



Sim, Deus meu... faz com que eu aprenda a me conformar com
o nada...
hoje e ainda, eu não consigo...

...das utopias...

a nossa foto...às escuras

"Se as coisas são inatingíveis... ora!

não é motivo para não quere-las...

Que tristes os caminhos,

se não fora a magica presença das estrelas!"


(Mário Quintana)

20/01/2009

... há vida em mim...


Sim, é retirada da net esta foto

Sim, é de minha autoria a sua edição

Sim, sou mesmo eu há 4 anos atrás

Sim é a imagem do meu ventre

Sim, vivia nessa altura o Rafa dentro de mim...

Sim, são estas as minhas mãos

E foram estes os melhores dias da minha vida...

Tenho a certeza absoluta de que sim

Revelo uma vez mais, pra me não esquecer

Do meu grande, único e verdadeiro motivo de orgulho

Em pertencer a este mundo tão belo quanto cruel

Tudo o resto... é paisagem...!!!



malu

18/01/2009

...Erro meu...

Assalta-me a ideia essa tua marca
Como em relevo no meu existir
Não sei porquê, não quero que saia
Só anseio pra que não doa...

Quero-te em mim sim, mas não assim
Quero-te sem lágrimas e sem culpa
Sem isso que parece desespero
Sem isso a que chamam de medo

Não peço mais elasticidade ao meu corpo
Nem mais orientação aos meus passos
Mas falta-me esse espaço entre mim e ti
Desloca-se o meu coração entre fora e dentro

E ando e desando sem sair do mesmo
Sem poder correr sem medo de se soltar
Esse laço que deslaça sempre que te afastas
E repetes que estás mais perto que nunca

Factos reais não fazem a verdade
Amar-te... Sentir-me amada
Não chegam para fazer-me feliz
Mas descansa... ajudam muito...!!!

Meu erro é ser tão utópica...
Meu erro é querer demais...
O teu erro é gostar de mim...
O teu erro é esperar por mim...!

Malu
Alcobaça 18 de Janeiro de 2009

17/01/2009

...estática...

A estática

"A estática é a parte da mecânica que estuda as forças que atuam sobre os corpos em repouso e parte da possibilidade de se efetivar a combinação (composição) de forças, da mesma maneira que se faz com as velocidades. Sejam consideradas as forças P1 e P2 e a resultante destas R, todas elas agindo sobre um ponto material em repouso.
Para que o ponto material permaneça em equilíbrio é necessário que uma terceira força P3 aja sobre ele, possuindo o mesmo módulo e direção, mas sentido contrário a R. Esse é o procedimento básico da estática, que pode ser aplicado na análise de estruturas mais complexas. "

A Força

"Força é uma ação capaz de colocar um corpo em movimento, de modificar o movimento de um corpo e de deformar um corpo.
Uma força é formada pelos seguintes elementos (características):
- ponto de aplicação: é a parte do corpo onde a força atua diretamente.
- sentido: é a orientação que tem a força na direção (esq, dir, cima, baixo);
- direção: é a linha de atuação da força (horizontal, vertical, diagonal.);
- intensidade: é o valor da força aplicada. "


Agora...tentem transferir tudo isto da engenharia civil para um estado de espirito e, anotem como não estou...sim...também me sinto ausente...
Sem força, sem qualquer espécie de coisa no coração, na alma... um ponto, um sentido, e, a única intensidade que me pesa, é a da estática do momento que me corroi a alma, e me crema de desgosto... ou de marasmo.

beijinho da malu

14/01/2009

...relantim...


Estacionei...
Não me sinto perdida
Não me sinto apressada
Não me sinto stressada
Não vou hibernar

Mas também ainda não sei, para onde vou...
Como sempre e como todos, só sei ainda que, não vou por ai...

Lá fomos...lá fui
Lá me enchi de nada
Lá me despejei de tudo um pouco...
E estacionei como já antes disse,
A vida segue dentro de momentos!

Quando chegar à velocidade cruzeiro...
Talvez já ninguén me consiga apanhar
Mas também não sei quando parto...
Não posso marcar hora , mas também não posso adiar...

11/01/2009

...Fátima...


Quando vou a Fátima sinto uma paz desconcertante...
É como uma energia que me engole, e não sei se é boa ou má...apenas me deixa uma dor estonteante na alma!

Não sou católica...nem religiosa, mas de quando em vez preciso de ali ir... áquele santuário...
E hoje aproveito a boleia...porque tenho necessidade uma vez mais de acreditar...
Acreditar mesmo que seja mentira, que faço parte desse mundo, dessas pessoas por quem alguém melhor, ou alguma coisa vela...por nós.

A vida já me levou em alguns passos até, a descrer que exista essa força superior a quem chamamos Deus, ou criador, que deveria proteger e cuidar, e tantas provas parece que impõe, aos seus, aos que mais ama...!!!

Vou encher-me de fé hoje...
E pode ser apenas um ritual... mas não faz mal... podem até não entender, ou etiquetar bem ou mal...
Não concordo com os sacrifícios...não acho que vamos pedir nada, nem pagar nada ali...
Mas como em tudo na vida, em todas as situações, pessoas ou versões, há sempre um lado ou uma parte que nos atrai, que nos fascina, que nos ama ou amamos, que nos comove, e outra parte que nos repugna... ou com a qual discordamos de todo...
Mas, essas pessoas, essas situações, esses rituais (incluindo o ir a Fátima, mesmo sem pagar pedir ou rezar...apenas ir... que é a unica parte do ir que me leva)... fazem parte de nós e dos nossos ais e das pessoas de nós.

Mas, hoje, eu vou a Fátima...!!!
E amanhã...ohhh cada um dos meus dias amanhã...que sejam, agora e sempre...como Deus quiser...!!!
Finalmente... reconheço que não tenho mais forças pra lutar...para contrapor...para argumentar...
Baixo a crista...baixo as armas... e finalmente rendo-me sim...
Por isso...hoje ...eu vou...a Fátima...!!!
Quem sabe eu ali consiga me entregar... fazer a minha alma, o meu coração ...parar pra descansar!!!

10/01/2009

...vida...

Eis um teste

para saberes se terminaste a tua missão na Terra:

se estás vivo, não a terminaste.

(Richard Bach)

09/01/2009

...oportunamente...

"a vida não passa de uma oportunidade de encontro

só depois da morte se dá a junção

os corpos têm o abraço

as almas tem o enlace"

victor hugo


não deixes passar a vida... a nossa oportunidade

não quero ter que passar por essa fase de outra loucura

de preferir morrer a te não ter

deixa-me ser louca ... por ti

malu

...trauma...

Nos doentes traumatizados, a lesão crânio-encefálica é a principal causa de mortalidade e de morbilidade em muitos dos sobreviventes. Esta lesão é a principal causa de morte nas crianças e em adultos jovens, sendo resultante na maioria das vezes de acidentes de viação. As quedas, são outro factor etiológico importante em crianças e nos idosos.
Actualmente existem outras etiologias resultantes de um crescente aumento de actos de violência e da prática de alguns desportos mais agressivos.

O traumatismo do Rafa de ontem...não foi grave... mas poderia ter sido...
Teve alta ao fim de horas de muita confusão na sua cabecinha, acompanhada de vómitos e depois de muito tempo (para nós) de observação até o galo baixou...
E está a ser vigiado, nestas 48 horas seguintes à queda acidental na aula de Ginástica, na escolinha...

Foi mais um episódio marcante...
Andou a primeira vez de ambulância na sua pequenina vida...

Bem hajam os bombeiros de Alcobaça, sim aqueles dois em especial que tão carinhosos foram connosco (Toninho e Carina beijinho) ... conseguimos voltar a casa antes da meia noite... !!!

E apesar de tudo, e apesar do susto, e apesar do frio...o meu Rafa, foi um herói...!!!
Quase que se portou melhor que a mãe...

PS: acho que vou passar a viver nos nossos hospitais nos próximos tempos ...

08/01/2009

...eco...


Como um eco

Não tinhas nome.

Existias como um eco do silêncio.

Eras talvez uma pergunta do vento.


(Albano Martins)

06/01/2009

...à saúde...

Uma saúde aqui vai, ao términos fulminante de tudo o que está mal na saúde em Portugal, para que se resolvam os pormenores imensos e estagnantes do momento, para que os nossos doentes sejam tratados com eficácia e celeridade e, para que dias como o de ontem, não tenham que ser vividos, por mais ninguém…desmoralizado pela doença e a falta de resposta a ela, assim como as suas famílias, não menos angustiadas…

Ontem, dia 5 de Janeiro de 2009, eu, e pelo menos uma dezena de pessoas, vivemos um episódio inacreditável…mau de mais para ser verdade, na ante sala de espera, do serviço de neurocirurgia dos hospital central de Coimbra, nos Covões… Ninguém estava nada à espera… e foi desesperante…!!!

È dramático ter alguém doente entre nós, numa lista de espera, a aguardar tratamento, solução, acompanhamento, cirurgia, esperança de vida prolongada…
Mais difícil ainda, quando alguém luta por permanecer sobrevivente, numa vida muito menos fácil do que o normal, complicada, em que o mais aceitável seria, desistir logo à primeira, ir-se abaixo, deixar-se levar pela doença, e não querer saber de mais nada… mas não…
Como já anteriormente reconheci…a minha mãe, uma simples mulher da aldeia e de pouca formação, e de pobres famílias, é das pessoas mais ricas e fortes de interior que conheço… é a ancora, aquela rocha firme, sempre a remar e a lutar contra a mais brava de qualquer maré…

Não tem vida… mas luta por ela a cada milésimo de segundo… Não tem quem a mime, apenas quem a desgaste e a use, mas dá sempre o tudo e o melhor de si, a qualquer um, que lhe apareça à frente, mesmo aos que a maltratam e a espezinham constantemente, dentro da sua própria casa…
Está à espera de uma operação à cabeça, que na sua cabeça, poderá aliviar-lhe o que sente, por mais uns tempos, porque se sente obrigada a continuar…a dar… porque sabe que todos ali precisamos dela, para continuar…

Mas apesar de não sabermos os pós, está muito complicada…essa cirurgia…complicada de resolver, para ver o assunto arrumado, em todas as nossas cabeças.
E… ainda não foi desta…!!!

Depois de mais de um ano com quedas aleatórias, com dores de cabeça intrigantes, com zumbidos desconcertantes e desequilíbrios vertiginosos, veio a confirmação por Ressonância Magnética em 2008, que fui fazer com a minha mãe a Leiria, a 15 de Maio.
Tem um Schwanoma instalado atrás do ouvido direito, e tem que ser removido porque, com o crescimento, pode provocar outras disfunções no cérebro e afectar outros órgãos. Como todos os neurinomas, também se sabe que o seu crescimento é lento e a cura é habitual após exérese completa…
Não é um caso de vida ou de morte, mas incomoda, arrelia, e quer-se tratado o quanto antes… e, nesta altura do campeonato:
A minha mãe já não ouve…
A minha mãe já não anda bem com zumbidos constantes e mal-estar associado ao tumor, há mais de um ano…
A minha mãe desequilibra-se e cai quando menos espera e, tem já medo de andar sozinha na rua, ou de tomar conta a sós do seu neto…
A minha mãe não pode tomar nada que alivie…
A minha mãe já teve dois ameaços de paralisia facial…
A minha mãe corre mesmo o risco de com esta operação ficar com paralisia facial irreversível, e nunca mais voltará a ouvir, e mesmo removendo o tumor, porque tem que ser, ele pode voltar a crescer, ou outros, e o que houver vai sempre soltar umas segregações esponjosas que lhe incham a face e os olhos e o contorno no ouvido e maxilar e incomodam constantemente, pelo que anda sempre em massagens de fisioterapia para promover o alívio possível…
A minha mãe sofre muito mais, e de mais do que aquilo que eu sei, ou que me conta…

E não dá mais para esperar…!!!

No mês de Maio fez a RM pedida pelo Otorrinolaringologista do Sto André em Leiria, o Dr. Paulo Enes, com resultado confirmador, que chegou ao médico de família no centro de saúde em Alcobaça, ao Dr. João Melo, em Junho de 2008.
Indicou um neurocirurgião à minha mãe, numa consulta onde também estive presente, numa clínica perto, na Marinha Grande, e disse logo e apenas: vai para boas mãos, que tudo corra bem…isso agora é para tirar…

Fomos à consulta com o Dr. Lozano Lopes. Só conseguimos quase pró final de Junho.
Viu o exame e disse: Isto é para operar, não é urgente para hoje, mas tem que ser removido, assim que possível.
Também fui… e esclareci que em Leiria, o Dr. P. Enes, já tinha pedido consulta de Neurocirurgia com Urgência, para a minha mãe, no sistema nacional de saúde, para darem desenvolvimento ao que havia para fazer. (não é assim tão cru e nem tão linear…primeiro que consigamos digerir e falar a linguagem do que é prático com os médicos, há muito medo, muitos fantasmas, muita emoção gritante que nos atinge, mas que com uma força vinda não sei de onde, nestas alturas, conseguimos pôr sempre de lado…e sei que os médicos não são imunes ao drama, à emoção, mas não é para um abraço amigo que ali estão, é para uma conversa clara, esclarecedora e para ajudarem profissionalmente como puderem que os procuramos)
O Dr. LL esclareceu que opera em Coimbra, nos Covões, mas só vasculares, e este não era caso para ele… há que passar ao colega…o Dr. Peliz…

Aguardamos o contacto telefónico, que aconteceu pouco mais de uma semana depois.
Recebo uma chamada de Coimbra, onde o Dr. Lozano pede, para eu estar com a minha mãe no dia seguinte nos covões, no serviço de neurocirurgia às 8 e meia da manhã com a minha mãe, para falar deste caso com o Dr. António Peliz.

Assim fomos… no dia seguinte… e quando o Dr. chamou pela dona Gracinda de Alcobaça… perguntou pelos exames para ver…
Não há exames, também é assim… na semana anterior tínhamos o exame, mas apenas o temos por 10 dias, depois de outros 10 anteriores os solicitarmos ao hospital de Sto André em Leiria, a quem eles pertencem e não a nós… e depois da consulta da semana anterior, tiveram que ser devolvidos… como manda o Sistema.
Vamos fazer de outra forma, sugeriu: … estamos em Julho… metem-se as férias de Verão em Agosto: Vocês vão pedir o exame ao hospital de Leiria, e na primeira semana de Setembro, na primeira quinta-feira do mês telefonam-me, para marcarmos para virem cá…

Assim foi…
Em Setembro, assim que tivemos os exames da mãe e conseguimos marcar com o Dr. Peliz, voltamos aos covões a neurocirurgia, e finalmente a 18-9-2008, a minha mãe entrava oficialmente no sistema e na lista de espera para cirurgia no Hospital Central, e trazia uma data já com a operação marcada à cabeça, e na cabeça; 5 de Novembro, com internamento dois dias antes, a 3 de Novembro.
Em Outubro já não seria possível, disse o Dr. que já havia muitas marcações, e, o tempo de espera permissível para a urgência da situação era de 2 meses, pelo que…estava tudo dentro dos limites… e programado dentro dos conformes.
Preparámos tudo, no regresso a Alcobaça…tudo desde organizar a ausência da minha mãe, que é o pilar e todas as sapatas lá de casa, até preparar mentalmente a nossa e a sua alma e pessoa, para a dita operação… que ela queria na altura como disse a todos prescindir de, mas que era inevitável.

Estava difícil, mas tudo preparado quando na sexta feira anterior, a 28 de Setembro, recebo uma chamada de um número que não conhecia, não de Coimbra mas da Figueira, da clínica onde está o Dr. Peliz, a deixar-me o recado, para não aparecer com a minha mãe nos Covões a dia 3 seguinte, porque a operação prevista para dia 5 tinha sido adiada, para 10 de Dezembro.
Mais nada…

Foi mais uma estalada na minha ateia cara…perante uma situação já de si, difícil de gerir, de entender, ou de aceitar e manter.
Se bem que o Dr. tinha dito, que se não dissessem nada em contrário a avisar, que seria a 5 de Novembro, o aviso veio quando já não se esperava por ele… e ligando para o serviço nos Covões, já em Novembro… no secretariado de apoio, ninguém sabia dizer-me se sim, se a minha mãe iria ser operada ou não a 10 de Dezembro, porque, só semana após semana, são informadas pelos cirurgiões, das pessoas que vão entrar para internamento e intervenção…

Falei então para o número que me ligara, isto na primeira sexta-feira de Novembro, porque na quinta não consegui apanhar o Dr. Peliz em Coimbra, e não estava a entender nada deste adiamento, nem qual era o dia agora do novo internamento, se seria no feriado, dia 8, segunda anterior à nova data prevista para operar, ou não.
Logo neste primeiro adiamento a situação da minha mãe tremeu, não sei se por efeito psicológico ou não…adiar, provocava ainda mais dor, ainda mais mal-estar, e ainda mais desequilíbrio quer físico, quer emocional…
Falei com o Dr. Peliz… Expliquei como pude o que se estava a passar na minha cabeça e na dela, e ele disse para tomar a medicação que suspendera, e que ligasse uma semana depois para fazermos o balanço…

A meio de Novembro, já a minha mãe estava conformada… em esperar pelo 10 de Dezembro, quando voltei a falar na sexta-feira seguinte com o Dr. Peliz, veio a sugestão, de mais um adiamento…
Não acredito…não me está a acontecer isto… pensei logo…e como vou eu dizer isto à minha mãe…!?
A conversa foi mais ou menos assim…
Olhe, a situação da sua mãe até está mais ou menos estável… e eu acho que operar a 10 de Dezembro, não é uma boa data… porque apanharia a época festiva do Natal, longe da Família e tal … (o internamento neste caso é de na melhor das hipóteses 12 a 15 dias) …
E conforme sugeriu o Dr., e para não contrariar, e para não pensar mais nisso e tal, e para facilitar ou não… aceitámos que a mãe ia passar connosco o Natal, em Alcobaça, e que a 5 de Janeiro seria internada, para finalmente operar a 7, … e que aqui e agora, não mais se mexia, para não mais destabilizar…
Depois de mais alguns telefonemas, ficámos com a garantia do Dr. Peliz, de que nada mais era preciso tratar…
Era apenas apresentarmo-nos ontem no serviço de neurocirurgia para internar a minha mãe… e amanhã, ela seria operada, e este pesadelo pelo menos terminava…

Mas não… Ainda não foi desta!!!

Entretanto, e porque tinham passado os tais dois meses de lista de espera aceitável para a intervenção marcada e não conseguida… o próprio serviço, emitiu como é de sistema, um vale, que recebemos na primeira semana de Dezembro, com prazo de 3 semanas, para que a minha mãe fosse operada numa clínica particular, sem qualquer custo adicional…
Vale esse que, sendo recusado embora com a devida justificação, manteria a minha mãe no seu lugar da lista de espera… e não sendo recusado, seria ainda pior… teria que ser operada, nas mesmas semanas que em Coimbra se tinha acordado que não fosse, para não passar pelo Natal… e em vez de Alcobaça – Coimbra, a distancia geográfica e familiar seria ainda maior, porque a minha mãe iria passar essas pelo menos duas semanas internada na tal clínica, em que a escolhida era no Porto….e nós vivemos em Alcobaça.
Enviei a justificação de recusa do Vale, a 10 de Dezembro, assim que o recebemos onde sublinhei que, já tínhamos agendamento da cirurgia pelo Dr. Peliz, e que decidíramos continuar a aguardar no nosso lugar, na lista de espera… era só até ontem…

Mas, ainda não foi desta!!!
Nem à terceira foi de vez…!!!

Em Jejum…saímos de casa às 6 e meia da manhã… e às oito, conforme o estabelecido, estávamos lá, no serviço de neurocirurgia dos Covões, em Coimbra…
Dos 5 que iriam ficar internados ontem, a minha mãe, foi a primeira doente a chegar…
A funcionária, que a recebeu no secretariado, chegou ao posto, perto das nove, e não era a que ali costuma estar, não sabia de nada…. E mandou esperar…esperar…
Os médicos neurocirurgiões, estagiários, membros da equipa, operadores, e entre eles o Dr. Clínico do serviço, que é nem mais que o nosso consultado anteriormente Dr. Lozano Lopes, por ali andavam, na sua rotina do costume… na salinha envidraçada de reunião e, entre uma sala e outra dos doentes da enfermaria, e pelos corredores se manifestavam presentes, mas com cara de caso… e perto das 10, ouvimo-lo dizer para a colega… temos que ir ver as vagas que ai temos… porque não há camas e está aqui esta gente toda para internamento à espera…
Eram 9 e meia, e todos ali esperavam naquela sala… pela chamada ainda, todos pensavam que iriam ser internados para ficar… mas entretanto…pelo palmilhar os corredores de um lado ao outro, e pelo corrupio que se verificava, tanto eu como a tia Paula, que me foi acompanhar no levar a minha mãe íamos perguntando e íamos ouvindo… A esta hora, já sabíamos, por esta e por aquele e por mais o outro, que não havia camas… e que não sabiam se daqueles, alguém iria ficar neste dia ali internado…
Mas alguém nos disse?! …Não!!! … A nós, ou aos doentes?! … Até aqui, não…!!!

Ainda não foi desta…!!!

A esta hora, já o Dr. Lozano e o Dr. Ricardo tinham adiantado que, ali, não havia condições de internamento, e que a assistente de secretaria não deveria ter aceite ninguém esta manhã… e, foi-me sugerido para falar com o Dr. Peliz, que estava a dar consulta, no edifício em frente…
Lá fui eu, e a minha mãe… e explicamos assim que houve um intervalito nas consultas ao Dr. que estava uma confusão enorme na enfermaria, que não havia camas, mas que estávamos ali todos, para internar…
Ele apenas confirmou que, era para operar amanhã, quarta-feira, mas se ontem, não havia camas, era para quem estava na enfermaria, um problema a por si resolver… e voltámos… e aguardámos, conforme nos foram sempre pedir…aguardámos…

Os médicos reuniram de novo no envidraçado, e toda esta gente ali, numa espera desesperante, no hall ao lado…
Víamos as suas caras de caso, uns sorrisos e uns olhares e uns silêncios em nada esclarecedores ou animadores vindos de todos os lados… e passámos horas inacreditáveis de incerteza, com a vida a passar-nos em filme a andar para trás, á frente dos olhos, e uma angustia e aperto inaceitáveis no sistema de saúde nacional… Um desconsolo, por estarmos ali, sem uma palavra…sem uma satisfação… sem uma certeza de ir ou ficar, que minimizasse o nosso drama…
Os processos individuais de cada um foram estudados bem vimos… foram decidir quais os casos mais urgentes entre os presentes… e teriam que escolher entre mandar já todos embora, ou pedir a um ou dois para ficarem, no tentarem arranjar cama… mas não… a todos continuavam sem dizer nada… a não ser nada…
Às 11 da manhã mais coisa menos coisa, o Dr. Lozano por nós questionado lá explicou ao fundo do corredor à minha tia acelerada com a situação e a mim que, iria colocar o problema á administração, e que eles resolvessem, e que havíamos de aguardar mais um pouco, e por essa resposta que não vinha…
Também explicou qual era para si, o problema: A enfermaria, a meio gás, porque o outro meio está em obras, foi ocupada na ultima semana de 2008, por pessoas que ali estavam, e os lugares vagos, por outras, e que em situações extremas e pelas urgências entraram naquele serviço e enfermaria, por no hospital já não haver mais camas, em mais lado algum onde os pôr…alguns com situações infecto-contagiosas, onde ninguém poderia ficar mais… e então, esse era o problema de não se poder internar ninguém hoje…não haver camas… pelo que tinha colocado a questão à administração, se seria possível arranjar após alguma alta, uma cama noutras enfermarias, em quaisquer outros serviços do hospital para pelo menos um caso mais urgente…e gritante, por ser já a terceira vez que se adiava, e por ser de longe e tal… que era a minha mãe…!!!
Mais angustiante ainda: estávamos ali há horas, era então quase meio dia…toda a gente… num impasse intolerável, sabendo eu, sem poder dizer, que, estava o hospital inteiro à procura de uma única cama, onde deixar de todas aquelas pessoas apenas uma única, a minha mãe…!!!

E as horas iam passando e iam dizendo que deveríamos ir esperando…

À uma e meia da tarde, vieram perguntar à minha mãe e á dona Hermínia (uma sofrida mulher-bomba com um aneurisma na cabeça a rebentar a qualquer instante, que só não foi considerada a mais grave a última a mandar embora, porque ali vive a 3 km de distancia do hospital e, a qualquer meia hora assim que houvesse cama poderiam chamá-la para operar), se queriam que mandassem vir almoço para elas… mas que teriam que continuar e esperar…
Não!!! … Era demais!!! … Todos em jejum…fomos todos ao bar… e…
Voltámos…duas da tarde, e sem novidades…

Minutos depois vejo vir ao fundo do corredor o Dr. Lozano que ao passar nos continua a mandar esperar… e esperar que mais um pouquinho e já fala connosco, para mim, para minha mãe e para a minha tia…
Entretanto o Dr. Armando Lopes e o Dr. Armando Rocha chamam os seus doentes ou dos colegas que não estão, desses outros 4, e dizem finalmente que não há vaga…terão que ir embora, mas pelo sim pelo não…esperem mais meia hora, se quiserem… e lá ficamos…

Uns queriam chamar a televisão, para denunciar este triste episodio, outros diziam que iam escrever tudo no jornal…
Outros diziam que assim não tinham condições para trabalhar e ainda ter que dar a cara, e que iriam suspender todas as cirurgias…
Foram-se todos os outros embora…
A minha mãe desesperada, queria mandar-se ao chão e entrar pelas urgências…queria ficar…queria livrar-se deste problema agora…não mais adiar…
A minha tia agitava-se e dizia que isto não é normal, que estão a gozar com o povo em Portugal… que este hospital é uma vergonha… e sim, a minha tia também bem disse ao director clínico lá, ao fundo do corredor: O Problema Dr., não é a falta de camas… o problema é a falta de sensibilidade de todos vós… que se já estavam assim, a abarrotar, a ultima semana, poderiam ter avisado estes doentes para não virem para cá… para não terem que passar por isto… este “fica - não fica” cruel para todos nós, que ali estivemos todo o dia de ontem, naquela ante sala de espera do seu desorganizadamente dirigido serviço de neurocirurgia, do Hospital dos Covões.

O próprio chamou-nos à salinha do médico, eram perto de 3 da tarde… a explicar, que ir embora, até era o melhor para minha mãe…para depois, e assim que possível e assim que vagar cama, a poderem assistir e tratar, nas melhores condições…sim, concordamos com tudo isso, mas não eram precisas 7 horas, a fazer-nos esperar e desesperar…para ter essa conversa connosco… ou eram?!

Não quero ser injusta, porque sei que das 8 ás 15, fizeram todos o que podiam, para arranjar pelo menos uma cama, para pelo menos a minha mãe ficar… mas nem sequer seria num serviço acostumado a tão delicadas situações, e assim foi melhor vir embora…mas custou muito…voltar atrás…mais uma vez.
Tem razão quando nos diz Dr., que é dar um passo atrás para depois dar dois em frente, tem razão… mas, bastava um telefonema, e não teríamos todos ido, todos vivido, e todos sofrido, o dia de ontem… que já ninguém nos tira, nem a si, ninguém lho tira…

Não estou aqui a dizer, nem bem nem mal, nem a falar nem a mencionar nomes, só porque sim… aqui, venho apenas e sempre pelo que sinto… e ontem, foi um dia muito, muito mesmo carregado, de maus sentimentos…que é disso que aqui falo, que poderiam a bem da saúde de todos nós, ser evitados.

Uma saúde, à vossa organização (de), e à de todo esse Hospital…
Um abraço, e votos de um bom ano… e de que num amanhã muito breve, tudo corra agora e assim que possível, menos-mal.


Alcobaça, 6 de Janeiro de 2009
Marta Luis

04/01/2009

...covões...


Vou ali a Coímbra...

Já volto...

Pensem positivo...
Vai mesmo correr tudo bem...




... mamã ...

Sim... acredito que seja a única palavra que seja exclusivamente de meu direito... do meu tesouro... a única que nunca será dita de forma tão carinhosa, a mais ninguém...porque tudo o resto já me está a doer demasiado pro meu gosto... A inevitável e cruel partilha, aos poucos...

E... não é que a primeira grande novidade de 2009, veio mesmo do mais pequenino...!?

Sim, tinha passado a véspera de Natal com a mamã, e como é da praxe e é justo, foi passar a véspera de ano novo com o papá...

Voltou, pra almoçar, no dia de ano novo, e vinha a arrebentar pelas costuras, ansioso por contar das novidades...

Nunca foi de contar nada do que se passa nos fins de semana que vai ao pai... Ninguém o espreme, ninguém lhe pergunta e de quando em vez, lá deixa escapar, que ficou com a avó, que foi aqui ou ali com o papá, e com a avó, mas...desta vez, foi diferente:

Assim que chegou com o pai, largou-se como sempre, nos braços da mamã...sabe sempre melhor a chegada que a despedida...!

E foi um corre corre, a voltar pro carro, pra irmos almoçar, onde tinha sido a passagem de ano entre a família e amigos, mas sem o Rafa, pela primeira vez... e... sem ninguém lhe perguntar nada... até porque já tinha ido ao pai ao Natal,e já tinha passado a euforia das prendas e de tudo isso... sai-se com a boa nova, do bom ano novo...

_ Mamã...! A Tatiana mora em casa do papá... e eu gosto muito dela!

Assim...de chofre e sem qualquer anestesia prévia...

_ Sim amor... então e quem é a Tatiana, é tua amiga filho...?

_ Sim, é minha amiga, e amiga do pai... e é grande ... e agora mora lá, em casa do pai... e é minha amiga, e deu-me uma prenda embrulhada!

Daaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhh

Não é que não se esperasse... ! Mais dia menos dia, o papá iria mostrar a sua amiga, ao mundo, ao filhote... a todos menos à mamã... Mas o Rafa nada esconde... e anuncia com toda a alegria, que o papá tem uma namorada nova.

E a mamã:

_ Sim filho, então e gostas da Tatiana?! Ainda bem que ela é tua amiga. Vá agora vamos papar a casa do Ricardo da Madrinha tá bem?!

_Sim , mamã... mas eu gosto muito da Tatiana. Ela deu-me um jogo de carros, e estava embrulhado...

_ A Tatiana estava a tomar banho...

_A Tatiana dormiu comigo e com o pai...

_ A Tatiana daaaaaaaahhh...

Passa a sexta, passa o sábado, e lá escapa mais uma vez, a tatiana isto, a Tatiana aquilo... não incomoda por ciume, incomoda por não interessar, e ter que se acenar que sim, e que está bem filho e, que ainda bem, e tal... É a novidade tanto pro pai como pro filho, como prá mãe...

Mas .... Sim... prefiro que ele venha entusiasmado com a Tatiana e tudo queira contar, e revele que o tratam bem, que me venha a chorar, chocado ou enciumado como o faz comigo, que não me deixa falar nem aproximar de ninguém...

Sim, também sem saber bem porquê, mas reconheço que deve ser natural confesso; fez-me uma certa confusão inicial... mas já digeri, já encaixei.

Espero sinceramente que a Tatiana, e o pai, sejam amigos do meu filho e que o deixem sempre entusiasmado de partilhar os fins de semana com eles, quando larga a mamã... e que se não a Tatiana pelo menos o pai, estejam sempre lá, quando ele precisar...!

Espero também que, todos nós inclusivé eles, sejamos felizes.

Acho que sim...que já está na altura, e que ambos merecemos!!!

E espero que um dia o Rafa entenda, que o meu único medo perante tal novidade, é o de perder o seu "mamã" carinhoso que me mantém viva...

E espero ainda que um ano destes, um dia destes, também ele, o meu Rafinha, possa dizer... a mamã tem um namorado... que mora em casa com ela... e eu estou feliz...

E aí, a mamã já não vai chorar...

E aí, ele não vai ter que me abraçar e dizer...

_ Mamã, não fiques assim.... porquê estás assim?...

_ Eu também gosto de ti !

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Ai ai... como os nossos filhos crescem.... como a vida passa, com os anos...não é ?!

O assunto "Tatiana" não merece a minha atenção ao ponto de o publicar aqui... até porque, mais tati menos ana, alguém iria aparecer, pois o papá tem direito de refazer a sua vida, assim como a mamã...

O papá e a mamã, tiveram muitos bons e muitos maus momentos, e ambos já passaram.

Foi difícil, aceitar que o meu marido, agora e desde há um tempo significativo ex, nunca tinha gostado de mim o suficiente, pra me dizer que me amava quando as coisas correram mal, ou que queria lutar por mim, o que também não sei se teria sido possivel na altura, nem quero remoer no que já lá vai...

Foi difícil ver um lar desfeito, uma casa linda abandonada e um filhote pequeno que será sempre dividido, atingido, pelos nossos erros... Falhei na altura, por não ter conseguido ser melhor...por não ter feito eu, o papá feliz...mas estou feliz agora, por ele ter encontrado alguém, que finalmente, o possa fazer...

Agora falto eu... continuas a faltar tu... pra que o Rafa também possa ver, a mamã sorrir...!!!

E o que merece a minha atenção, nesta mensagem, é o "mamã" delicioso do meu filhote, que não quero nunca esquecer de como sabe bem... pra me aguentar... no meio de tanta felicidade geral e tanta tristeza em particular...

...momentos...

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Há anos bons... há dias bons, há momentos bons...

Começamos bem... pra captar o melhor pro resto de 2009...

Há-de ser positivo o somatório... o tal balanço prometido pra daqui a uns tempos...

Vejamos só...

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Conseguimos no meio de muitas renitencias, e muita apreensão, e muita dificuldade emocional e material, ter largos sorrisos, novidades anunciadas e banhos de esperança...

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Ora quantos são...

Vamos a eles !!!

Havemos de superar tudo...

E quanto mais difícil, mais valioso...!

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Obrigado aos que estão sempre comigo...

02/01/2009

...hás-de chegar ...


Hás-de chegar com o corpo
Encostado ao rosto
Da cidade.

Com teus olhos
Decididamente tristes
Vens tomar a minha mão
Dar-lhe o gosto das cerejas
E levá-la ao teu
Mais secreto descaminho.

Hás-de chegar
Nas asas do silêncio
Tão mansa como a tarde
Que se esvai
Entornando sobre o chão
O perfil agudo das paredes.

Chegas hoje ou amanhã
Quem sabe?

Hás-de chegar de surpresa
Como sempre
Desviando o sentido dos relógios
E pedindo que o desejo
Se vista de veludo.


José Fanha,
Elogio dos Peixes,
das Pedras e dos Simples

...Só por isso mãe...


Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.

Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso,
Quero enfunar a minha vela.

Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso,
Quero vestir-lhe o meu poema.

Só porque tu existes,
Vale a pena!

Lopes Morgado

Nos próximos dias, vou estar ausente....mais presente na vida dos que mais amo, porque, são dias difíceis... e hoje, só quero vir aqui, dizer à minha mãe, que Nunca...mas NUNCA mesmo, a vou perder... muito menos agora !!!

Mãe... acredita... vai tudo correr bem !!!

...este ano...


Se fores... vai mais longe!
Se fizeres... faz diferente!
Se rires... ri até chorar!
Se sonhares... sonha mais alto!
Se arriscares... arrisca tudo!
Se pensares... pensa por ti!
Se saíres... sai da rotina!
Se mudares... muda tudo!

Se contares... CONTA COMIGO!!!

Bom Ano Novo!!

(a todos os que contam)

28/12/2008

...fim de ciclo...

A propósito de últimos dias do ano... partilho um texto "daqueles"... que me lembram pra, pensar POSITIVO.... e que espraia de apenas um final de ciclo, aquilo que podemos dizer que acontece, quando um ano termina... aguardando com energia positiva, o começo, ou recomeço de um novo ano, um novo ciclo, uma nova página no livro da nossa vida, que não devemos pretender nunca deixar em branco:

"Se observarmos cuidadosamente, os finais de ciclo são épocas desgastantes, às vezes tristes, às vezes monótonas, às vezes dolorosas, mas sempre pouco atraentes em relação às fases de crescimento.
Sendo assim, o "inferno astral" ou o fechamento do ciclo é semelhante a uma morte, ao término de um namoro e à fase de falta de criatividade pela qual passa um artista ou escritor após a conclusão de uma obra.
É preciso "fermentar" ou "incubar" uma nova manifestação.
É preciso voltar-se para dentro, encolher-se a fim de que seja possível dar um salto, espremer um pouco, para poder passar por uma abertura estreita até um local melhor - isso é o nascimento...- o que não é necessariamente ruim.
Por outro lado, um período de transformações e de conscientização dos próprios limites pode ser confundido com um agravamento de condições difíceis ... Atitudes e convicções também produzem problemas erroneamente atribuídos a essa fase do ano.

O que acreditamos é o que somos. O que criamos na mente, fazemos acontecer no cotidiano, mesmo que não percebamos ou não queiramos perceber.
Se dizemos: "Epa… chegou aquela fase do ano. Agora ferrou." - então esqueça: você se ferrou mesmo. O universo inteiro vai conspirar a favor de seu próprio pensamento, ou seja, contra você.
Seja graças à mídia, seja graças à falta de senso crítico, as crenças vão-se confirmando, especialmente quando não lembramos que queremos ver aquilo, quer dizer, a mente humana, seletiva que é, verá o que quer ver.
Se o pensamento é muito negativo, quando alguém usa a gíria "Fulano é uma fera na empresa", tende-se a pensar que o sujeito é irritadiço e grosseiro, quando na verdade quer-se dizer que o Fulano é muito competente.
A atitude mental é tão importante que, se estivermos com mania de perseguição, nem mesmo ciclos afortunadíssimos poderiam atenuar os sentimentos incômodos, ainda que tudo à volta parecesse normal.

Um final de ciclo, não deixa de ter suas mazelas. Apesar disso... existe quem passe muito bem mesmo e não são poucas as pessoas nessas condições.
Não se trata somente de ter um olhar positivo sobre a vida, o que, é claro, reduz tremendamente as adversidades. Trata-se de um ciclo de vida individual e de um crescimento em percepção."

Carlos Hollanda

27/12/2008

...se...


"Depois de as coisas acontecerem, é quase irresistível reflectir, sobre o que teria sido a vida, se se tem feito diferente. "

São as primeiras linhas do primeiro capítulo de "Equador", de Miguel Sousa Tavares

E já agora, sublinho também a definição que consta, logo na página 3 do livro, a lançar o mote, ao que vem depois:

Equador: linha que divide a terra em hemisfério norte e sul. Linha simbólica de demarcação, de fronteira entre dois mundos. Possível contracção da expressão «é com a dor» («é-cum-a-dor» em português antigo)

A ler sim... recomendo porque, adorei...neste final de ano...foi uma lufada...e por coincidência, também arrancou na TV, a série baseada no mesmo...

Serve, a série, para compararmos aqueles pormenores, que na leitura interpretámos "assim", e o realizador interpretou ou faz interpretar com a série, de milhentas formas diferentes...

É isto o que me atrai na escrita... já que, escrever, volto a dizer, é pessoal, enquanto ler, é universal, e pode ter interepretações inúmeras, o mesmo enredo, visto por tantos de nós, tão diferentes...

... o último...


é o último fim de semana deste ano
é o último ano que quero que passe o mais rápidamente possível
é a última passagem de ano que quero ficar aqui... sem ti

assim ... não quero mais
buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

sei que tenho eu, e tens tu, tanto tanto em que pensar, com que nos preocuparmos agora... e chega a hora, de toda a farra, toda a energia, da noite mais longa do ano... dos balanços, das superstições... toda a euforia de mais uma festa, onde se almeja, a mudança... e nada muda em meu coração...

nem a dor de te não ter
nem a alegria de te querer

Vou tentar estar feliz...este fim de semana, este dia, este ano, e no próximo...
... e a todos os que amo e me rodeiam, ou não, quero que tenham sinceramente, motivos pra isso, pra serem felizes, em 2009... e que todos, façamos por isso... se não, não valerá a pena...

beijinhos da malu

22/12/2008

...por te rever...

Quisera roubar-te essas palavras e morrer
Trazer-te assim até ao fim do que eu puder
E começar um dia mais eternamente

Por te rever, só

Pudesse eu guardar-te nos sentidos e na voz
E descobrir o que será de nós
E demorar um dia mais eternamente

Por te rever, só

Quisera a ternura, calmaria azul do mar
O riso o amor o gosto a sal o sol do olhar
E um lugar pra me espraiar eternamente

Por te rever, só

Pudesse eu ser tempo a respirar no teu abraço
Adormecer e abandonar-me de cansaço
Quisera assim perder-me em mim eternamente

Por te rever, só

mafalda veiga no album cantar de 1988

... we ...

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...basta olhar...

Nós somos a forma bonita, completa, de se cantar
Nós somos a voz e a palavra que nunca vão acabar
Cantando e amando e vivendo
Com toda a vontade que é possível ter
Nós somos a forma bonita, completa, de se viver

Nós somos o ser extravasado que o nosso sentir nos dá
O mito complexificado em busca do que não há
Cantando e amando e vivendo
Com toda a verdade que é possível ter
Nós somos a forma bonita,
completa, de se viver

E eu canto e eu quero o que eu canto
Eu preciso de cantar para encher essa forma
Eu sou o que eu canto
É na voz que eu rebento de mim
Alguém completado na vida
Prolongado na morte que já ninguém tem
A partir do momento em que a forma bonita
Se encheu de uma essência qualquer de ser

Nós somos a dor mais profunda que existe em todo o planeta
Mas somos também a alegria melhor que se inventa
Se alguém perguntar afinal
O que é que nós somos de tão lindo assim
A resposta é tão simples
Basta olhar pra vocês e pra mim

"Nós" Mafalda Veiga - Pássaros do sul

Dedico à minha Aninhas, porque os tempos que se avizinham, serão dos mais difíceis, que "nós" iremos conseguir ultrapassar...

...só pra dizer, que te amo...

Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.

Problema de expressão

Carlos Tê - Clã

http://pt.netlog.com/go/explore/videos/videoid=66592

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Será que uma imagem, um olhar, poderá alguma vez valer por mil palavras...? ... ai a tens já que te faz tanta falta "ver-me", e não há outra forma possível, de momento... Só pra dizer, que te amo, e que aqui estou... assim...

Só falta o teu abraço este Natal... e todos os dias.

21/12/2008

...Inverno...

Hoje começa oficialmente o Inverno...
E os meus dias são cinzentos desde que te foste...
O meu corpo está gelado, há tanto tempo,
o tanto quanto o que espera por ti...

Meu amor...
Só esse amor pode aquecer meu sangue...
Só essa clareza dos teus olhos pode adoçar o meu olhar,
deixá-lo vivo, com vontade de rir...
Tenho tantas saudades dos teus olhos em mim...

Só a certeza desse amor, pode fazer-me seguir...
Só a alegria de te saber, pode conseguir-me emergir
deste meu estado caóticamente hibernado,
de lenda ainda não inventada,
de prenda ainda embrulhada... deixada...
naquela tão triste árvore de Natal naquele canto,
naquele lugar pra onde não me apetece voltar...

Só a força desse amor, pode fazer-me acreditar
que passar mais um dia, mais um inverno
mais um Natal, mais um ano, sem ti...
poderá querer dizer que,
se a nossa história ainda não acabou...
é porque ainda não chegou ao fim...

Não está fácil...
Mas é Natal... e prontos... e tal... estamos aí...



Batem leve, levemente
como quem chama por mim
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria….
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

Augusto Gil - Balada da neve

20/12/2008

...Com o Tempo...


Com o tempo você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar , não precisar dela.
Percebe também que aquele alguém que você ama(ou acha que ama)e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você...

Mário Quintana

18/12/2008

...Serei capaz...


"Como sabes eu vivo de relâmpagos; contigo partilhei uma trovoada um pouco mais longa do que o habitual. Foi apenas isso. De qualquer modo, a morte espreita sobre todos os prazeres dessa cronologia a que nos agarramos para escapar ao tempo. O que somos para além do que vamos sendo? O meu além eras tu- íman da minha íntima, impessoal temporalidade. Redenção dos males que me amputaram. Tu

Feliz por estar ao teu lado outra vez. Ao lado dessa que já estava morta um bom par de anos antes de tu morreres. Fazes-me falta. Mas a vida não é mais do que uma sucessão de faltas que nos animam. A tua morte alivia-me do medo de morrer. Contigo fora de jogo, diminui o interesse da parada. E se tu morreste, também eu serei capaz de morrer, sem que as ondas nem o céu nem o silêncio se transtornem. Cair em ti, cada vez mais longe da mísera ficção de mim."

Inês Pedrosa em "Fazes-me falta"

...intervalo...

Vivemos apenas quando o mundo nos marca.

Tudo o resto é intervalo:


(...)
a vida segue dentro de momentos.

...abraços...


Ultimamente, tenho me perguntado muitas coisas... pois sinto que a minha vida anda meio sem um rumo concreto...
Estou divagando no vazio me sinto acorrentado e enfrentando muitos monstros internos... e me pergunto até quanto aguentarei essa loucura na qual a minha vida se meteu ?... é meio complicado quando nós sentimos "sozinhos"... meio complicado explicar esse sozinho mas sinto um grande buraco que esta preste a me devorar... e enquanto isso me agora no pouco da sanidade que me resta para continuar a viver... é complicado... mas sei que vou conseguir vencer esse grande dilema... e como dizia Nietzsche... " Quem luta com os monstros devem tomar cuidado para não se tornar um monstro. Porque se você olhar a fundo dentro de um abismo, o abismo também vai olhar dentro de você..."....quando se entra nas sombras temos que tomar cuidado... para não esquecermos que ainda somos mortais... e que ainda sentimos dor...


Aos condolentes meus abraços sombrios....


jnt
no blog
no fundo dos seus olhos

16/12/2008

...dias...

Todos os meus dias são um adeus

François Chateaubriand

...fazes-me falta...

O tempo passa... tudo fica igual
O tempo escorre e tudo permanece

A erosão corrói ... mudamos
A mente entorpece, o corpo envelhece

Tudo petrifica e eterniza
Ignorando-nos
O medo e a dor escraviza
Toma conta e destrói
Moldando-nos
O Futuro encobre o que a memória esquece
O Presente ocupa-nos
E o Passado arrefece!



( Alberto Vagaroso )
em http://www.fazesmefalta.blogs.sapo.pt/

14/12/2008

...ser livre...


"Ser livre,
é querer ir e ter um rumo...
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.

É pensar,
e logo transformar o fumo do pensamento
em braços...

É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis...
e arrancar teimosamente do caminho...
sonhos de sol...
com fúrias de raiz.

É estar atado,
amordaçado, em sangue, exausto...
e, mesmo assim,
só de pensar gritar...

gritar,
e só de pensar ir...
ir e chegar ao fim."

Armindo Rodrigues
E tu...?
E eu ...?
Seremos livres ...?

11/12/2008

...só sei...


Sem ti,
só sei o que são saudades!
Quase nada,
quase um interior vazio
que não soube preencher-me...

Sem nós,
só sei o que é a dor

Quase morte,
quase vida que me seguiu
que não soube guiar-me...

Sem o amor,
só sei o que é desistir

Quase esquecimento,
quase memória que fui
que não soube perseguir-me...

Sem a alegria,
só sei o que é a falta

Quase pele,
quase orgão vital arrancado
que não soube devolver-me...

Sem a coragem,
só sei o que é a espera

Quase tortura,
quase desespero... intento
que não soube acompanhar-me...

Sem a história,
só sei o que é agora
Quase futuro,
quase passado iminente
que não soube presentear-me...


Malu
Alcobaça, 11 de Dezembro de 2008

...terror de te amar...


Terror de te amar
num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar
neste lugar de imperfeição

Onde tudo
nos quebra e emudece

Onde tudo
nos mente e nos separa...



Sophia de Mello Breyner Andresen
as tormentas
ou Antologia - Círculo de Poesia
Moraes Editores - 1975

10/12/2008

...a tout le monde...


Dont remember where I was
I realized life was a game
The more seriously I took things
The harder the rules became
I had no idea what itd cost
My life passed before my eyes
I found out how little I accomplished
All my plans denied

So as you read this know my friends
Id love to stay with you all
Please smile when you think of me
My bodys gone thats all
A tout le monde
A tout les amis
Je vous aime
Je dois partir
There are the last words
Ill ever speak
And theyll set me free

If my heart was still alive
I know it would surely break
And my memories left with you
Theres nothing more to say

Moving on is a simple thing
What it leaves behind is hard
You know the sleeping feel no more pain
And the living are scarred


Megadeth
(Em Vilar de Mouros Dave Mustaine fez-me chorar)

...carries on...


Where did we come from?
Why are we here?
Where do we go
when we die?
What lies beyond
And what lay before?
Is anything certain in life?

They say,
"Life is too short,"
"The here and the now"
And "You're only given one shot"
But could there be more,
Have I lived before,
Or could this be all that we've got?

If I die tomorrow
I'd be allright
Because I believe
That after we're
The spirit carries on

I used to be frightened of dying
I used to think death was the end
But that was before
I'm not scared anymore
I know that my soul will transcend
I may never find all the answers
I may never understand why
I may never prove
What I know to be true
But I know that I still have to try

If I die tomorrow
I'd be allright
Because I believe
That after we're gone
The spirit carries on

"Move on, be brave
Don't weep at my grave
Because I am no longer here
But please never let
Your memory of me disappear"
Safe in the light that surrounds me
Free of the fear and the pain
My questioning mind
Has helped me to find
The meaning in my life again

Victoria's real
I finally feel
At peace with the girl in my dreams
And now that I'm here
It's perfectly clear
I found out what all of this means

If I die tomorrow
I'd be allright
Because I believe
That after we're gone
The spirit carries on



recordo na Aula Magna,
um espectáculo incomparável,
um 20 de Abril de um ano destes
sentia os Dream Theather no palco,
e como tantas outras vezes
não consegui conter as lágrimas

...in assenza di te...


Io come un albero nudo senza te
senza foglie e radici ormai
abbandonata così
per rinascere mi servi qui
Non c’è una cosa che non ricordi noi
in questa casa perduta ormai
mentre la neve va giù
è quasi Natale e tu non ci sei più

E mi manchi, amore mio
tu mi manchi come quando cerco Dio
e in assenza di te
io ti vorrei per dirti che
tu mi manchi amore mio
il dolore è forte come un lungo addio
e l’assenza di te
è un vuoto dentro me

Perché di noi è rimasta l’anima
ogni piega, ogni pagina
se chiudo gli occhi sei qui
che mi abbracci di nuovo cosi
E vedo noi stretti dentro noi
legati per non slegarsi mai
in ogni lacrima tu sarai
per non dimenticarti mai
E mi manchi, amore mio
così tanto che ogni giorno muoio anch’io
ho bisogno di te
di averti qui per dirti che
Tu mi manchi, amore mio
il dolore è freddo come un lungo addio
e in assenza di te
il vuoto è dentro me

Tu mi manchi, amore mio
e mi manchi come quando cerco Dio
ho bisogno di te
di averti ancora qui con me
E mi manchi, amore mio
così tanto che vorrei seguirti anch’io
e in assenza di te
il vuoto è dentro me

Grido il bisogno di te
perché non c’è più vita in me
Vivo in assenza, in assenza di te


... do teu corpo ...


Saudades trago comigo
Do teu corpo e nada mais
Pois a lei por que me sigo
Não tem pecados mortais...

Talvez tu queiras saber
Porque em vida já estou morto
São apenas, podes crer,
As saudades do teu corpo...

E tu que sentes por mim
Desde essa noite perdida
Sentes esse frio em ti
Que eu sinto na minha vida ?

Eu sei que o teu corpo
Há-de sentir a falta do meu
Por isso eu tenho a saudade
Que o meu corpo tem do teu


Saudades Trago Comigo
Camané
Composição: António Calém

... Make Believe...

Sat beside the meadow
Watching weeds agrow
Cleaned up all the ashes
Of my soul

Wrote down my own sentence
Now you take your way
Fades the last remembrance
Of your lovely pretty face

I, after all,
Just a lonely man - a lonely heart!

Working on the future
Floating on fate
Faced the circunstances
Cleared up the shades,

so... Make believe
There's no sorrow in your eyes
Can't you see
We could never get back from the start
Minutes waiting, life's been wasted...
maybe I wanna die some other day...

Hear the whispers of your hope
The answer wasn't told
No, don't laugh seeing me cry
The end I've left behind
(... the whispers of your hope are left behind!)

Make believe
There's no sorrow in your eyes
Can't you see
We could never get back from the start
Minutes waiting, life's been wasted

And I've tried,
Maybe you deny
Words of peace
For the future of our lives
Bring to me
Something else than a broken heart
I won't wait 'till my life is wasted...
maybe I wanna die some other day


Rafael Bettencourt
e Andre Matos

...é difícil...


Hoje acordei e senti-me sozinho
Um barco sem vela
Um corpo sem linho.

Amanheci e vesti-me de preto,
Um gesto cansado
O olhar no deserto.

Quando todos vão dormir é mais fácil desistir.
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar.

Eu não quero ser a luz que já não sou,
Não quero ser primeiro
Sou o tempo que acabou.

Eu não quero ser as lágrimas que vês,
Não quero ser primeiro
Sou um barco nas marés.

Adormeci sem te ter a meu lado,
Um corpo sem alma
Guitarra sem fado.

Um sonho na noite e olhei-me ao espelho,
Umas mãos de criança
Num rosto de velho.

Quando todos vão dormir é mais fácil desistir,
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar."


Pedro Abrunhosa

09/12/2008

...Leva-me...


Vês amor… como é tão triste o silêncio…?!
Sentes tu… como dói não te ter?!

Tudo desaba ao meu redor, de mansinho sem barulho…
e eu quieta, com mais medo que vontade de ficar…

Se eu der um ai, se eu der um passo...
Tudo se vai e, eu esqueço…

Deixa-me estar...
Não me posso mexer...
Não quero ainda acabar...
Não me forces a desistir...
A perder... a morrer …!!!

Deixa-me estar...
Não sei mais que dizer...
Não quero ainda o adeus...
Não me peças pra te sorrir ou acenar...
Venha um anjo e leve-me ... sem eu querer...!!!
...

Malu
Dezembro 2008

06/12/2008

...Pena...


Penosos são os tempos

Angustiante é a espera
Desassossegado o contentamento
dos corações separados quando se amam...

Castigos são as horas

Desesperante é a passagem
Devastado o pensamento
das almas prometidas quando se enganam...

Não há dor que pareça maior
a quem chora por amor,
e não pensa em nada mais...

Não há mal que pareça pior
a quem morre de saudade,
e não vive por nada mais...


Alcobaça, 6 de Dezembro de 2008
Malu

04/12/2008

...verdade...


Parece que não é possível…
Tanta água que cai do céu…
E o meu corpo seco…a minha mente encolhida
Sinto a minha força desmesurada, esgotada
Meu sangue apertado, num alvéolo raquítico

Parece que não me ouves…
Tanto amor que tenho em mim...
E o meu coração chora … nem pulsa nem pára
Sinto a minha coragem colossal, enclausurada
Meu sorriso estancado, num rio desaparecido

Parece que não me amas...
Tanta alegria que dás e tiras...
E os meus dias passam… nem são nem deixam de ser
Sinto a minha esperança desmedida, desenganada
Meu olhar esquecido, num gelo desumano

Parece que não tem fim...
Tanta promessa que sai de nós...
E os meus soluços emperram… nem lágrimas mais têm
Sinto a minha paridade genuína, confundida
Meu ar asfixiante, num cinzento remanso

Parece que não há luz...
Tanta alforria que me prende aqui...
E o meu ser aparta-se … nem pula nem cresce
Sinto a minha estrada infindável, interrompida
Meu viver perdido, numa verdade adiada...


Alcobaça, 4 de Dezembro de 2008
Malu

02/12/2008

...Não te digo...


Não te digo que sim

De cada vez que me perguntas, se te amo
De cada vez que me interrogas, se penso em ti
De cada vez que me questionas, das saudades de nós

Não te digo que sim

Quando espero por ti, cada segundo da minha vida
Quando sofro por te não ter, nem um minuto a meu lado
Quando choro por me lembrar de todos, e estarmos sós

Não te digo que sim

Nos momentos em que queria dizer, que não
Nos dias em que te sinto, nem perto nem longe
Nos desencontros em que te tenho, e que te perco

Não te digo que sim

A cada beijo que mandas, e não recebo
A cada toque que sonhas, e não acordo
A cada promessa que soltas, e não acredito

Não te digo que sim

Porque os meus olhos, se quiseres, mostram o que vivo
Porque o meu coração, se o escutares, grita sempre assim
Porque a minha alma, se a conheceres, fala por mim

Não te digo que sim

Se hoje, só tu sabes, o que eu não aguento mais
Se esse amor, se abafa, e sufoca aos nossos ais
Se a dor, continua a acompanhar-me a cada Não…!


Malu