11/12/2008

...terror de te amar...


Terror de te amar
num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar
neste lugar de imperfeição

Onde tudo
nos quebra e emudece

Onde tudo
nos mente e nos separa...



Sophia de Mello Breyner Andresen
as tormentas
ou Antologia - Círculo de Poesia
Moraes Editores - 1975

10/12/2008

...a tout le monde...


Dont remember where I was
I realized life was a game
The more seriously I took things
The harder the rules became
I had no idea what itd cost
My life passed before my eyes
I found out how little I accomplished
All my plans denied

So as you read this know my friends
Id love to stay with you all
Please smile when you think of me
My bodys gone thats all
A tout le monde
A tout les amis
Je vous aime
Je dois partir
There are the last words
Ill ever speak
And theyll set me free

If my heart was still alive
I know it would surely break
And my memories left with you
Theres nothing more to say

Moving on is a simple thing
What it leaves behind is hard
You know the sleeping feel no more pain
And the living are scarred


Megadeth
(Em Vilar de Mouros Dave Mustaine fez-me chorar)

...carries on...


Where did we come from?
Why are we here?
Where do we go
when we die?
What lies beyond
And what lay before?
Is anything certain in life?

They say,
"Life is too short,"
"The here and the now"
And "You're only given one shot"
But could there be more,
Have I lived before,
Or could this be all that we've got?

If I die tomorrow
I'd be allright
Because I believe
That after we're
The spirit carries on

I used to be frightened of dying
I used to think death was the end
But that was before
I'm not scared anymore
I know that my soul will transcend
I may never find all the answers
I may never understand why
I may never prove
What I know to be true
But I know that I still have to try

If I die tomorrow
I'd be allright
Because I believe
That after we're gone
The spirit carries on

"Move on, be brave
Don't weep at my grave
Because I am no longer here
But please never let
Your memory of me disappear"
Safe in the light that surrounds me
Free of the fear and the pain
My questioning mind
Has helped me to find
The meaning in my life again

Victoria's real
I finally feel
At peace with the girl in my dreams
And now that I'm here
It's perfectly clear
I found out what all of this means

If I die tomorrow
I'd be allright
Because I believe
That after we're gone
The spirit carries on



recordo na Aula Magna,
um espectáculo incomparável,
um 20 de Abril de um ano destes
sentia os Dream Theather no palco,
e como tantas outras vezes
não consegui conter as lágrimas

...in assenza di te...


Io come un albero nudo senza te
senza foglie e radici ormai
abbandonata così
per rinascere mi servi qui
Non c’è una cosa che non ricordi noi
in questa casa perduta ormai
mentre la neve va giù
è quasi Natale e tu non ci sei più

E mi manchi, amore mio
tu mi manchi come quando cerco Dio
e in assenza di te
io ti vorrei per dirti che
tu mi manchi amore mio
il dolore è forte come un lungo addio
e l’assenza di te
è un vuoto dentro me

Perché di noi è rimasta l’anima
ogni piega, ogni pagina
se chiudo gli occhi sei qui
che mi abbracci di nuovo cosi
E vedo noi stretti dentro noi
legati per non slegarsi mai
in ogni lacrima tu sarai
per non dimenticarti mai
E mi manchi, amore mio
così tanto che ogni giorno muoio anch’io
ho bisogno di te
di averti qui per dirti che
Tu mi manchi, amore mio
il dolore è freddo come un lungo addio
e in assenza di te
il vuoto è dentro me

Tu mi manchi, amore mio
e mi manchi come quando cerco Dio
ho bisogno di te
di averti ancora qui con me
E mi manchi, amore mio
così tanto che vorrei seguirti anch’io
e in assenza di te
il vuoto è dentro me

Grido il bisogno di te
perché non c’è più vita in me
Vivo in assenza, in assenza di te


... do teu corpo ...


Saudades trago comigo
Do teu corpo e nada mais
Pois a lei por que me sigo
Não tem pecados mortais...

Talvez tu queiras saber
Porque em vida já estou morto
São apenas, podes crer,
As saudades do teu corpo...

E tu que sentes por mim
Desde essa noite perdida
Sentes esse frio em ti
Que eu sinto na minha vida ?

Eu sei que o teu corpo
Há-de sentir a falta do meu
Por isso eu tenho a saudade
Que o meu corpo tem do teu


Saudades Trago Comigo
Camané
Composição: António Calém

... Make Believe...

Sat beside the meadow
Watching weeds agrow
Cleaned up all the ashes
Of my soul

Wrote down my own sentence
Now you take your way
Fades the last remembrance
Of your lovely pretty face

I, after all,
Just a lonely man - a lonely heart!

Working on the future
Floating on fate
Faced the circunstances
Cleared up the shades,

so... Make believe
There's no sorrow in your eyes
Can't you see
We could never get back from the start
Minutes waiting, life's been wasted...
maybe I wanna die some other day...

Hear the whispers of your hope
The answer wasn't told
No, don't laugh seeing me cry
The end I've left behind
(... the whispers of your hope are left behind!)

Make believe
There's no sorrow in your eyes
Can't you see
We could never get back from the start
Minutes waiting, life's been wasted

And I've tried,
Maybe you deny
Words of peace
For the future of our lives
Bring to me
Something else than a broken heart
I won't wait 'till my life is wasted...
maybe I wanna die some other day


Rafael Bettencourt
e Andre Matos

...é difícil...


Hoje acordei e senti-me sozinho
Um barco sem vela
Um corpo sem linho.

Amanheci e vesti-me de preto,
Um gesto cansado
O olhar no deserto.

Quando todos vão dormir é mais fácil desistir.
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar.

Eu não quero ser a luz que já não sou,
Não quero ser primeiro
Sou o tempo que acabou.

Eu não quero ser as lágrimas que vês,
Não quero ser primeiro
Sou um barco nas marés.

Adormeci sem te ter a meu lado,
Um corpo sem alma
Guitarra sem fado.

Um sonho na noite e olhei-me ao espelho,
Umas mãos de criança
Num rosto de velho.

Quando todos vão dormir é mais fácil desistir,
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar."


Pedro Abrunhosa

09/12/2008

...Leva-me...


Vês amor… como é tão triste o silêncio…?!
Sentes tu… como dói não te ter?!

Tudo desaba ao meu redor, de mansinho sem barulho…
e eu quieta, com mais medo que vontade de ficar…

Se eu der um ai, se eu der um passo...
Tudo se vai e, eu esqueço…

Deixa-me estar...
Não me posso mexer...
Não quero ainda acabar...
Não me forces a desistir...
A perder... a morrer …!!!

Deixa-me estar...
Não sei mais que dizer...
Não quero ainda o adeus...
Não me peças pra te sorrir ou acenar...
Venha um anjo e leve-me ... sem eu querer...!!!
...

Malu
Dezembro 2008

06/12/2008

...Pena...


Penosos são os tempos

Angustiante é a espera
Desassossegado o contentamento
dos corações separados quando se amam...

Castigos são as horas

Desesperante é a passagem
Devastado o pensamento
das almas prometidas quando se enganam...

Não há dor que pareça maior
a quem chora por amor,
e não pensa em nada mais...

Não há mal que pareça pior
a quem morre de saudade,
e não vive por nada mais...


Alcobaça, 6 de Dezembro de 2008
Malu

04/12/2008

...verdade...


Parece que não é possível…
Tanta água que cai do céu…
E o meu corpo seco…a minha mente encolhida
Sinto a minha força desmesurada, esgotada
Meu sangue apertado, num alvéolo raquítico

Parece que não me ouves…
Tanto amor que tenho em mim...
E o meu coração chora … nem pulsa nem pára
Sinto a minha coragem colossal, enclausurada
Meu sorriso estancado, num rio desaparecido

Parece que não me amas...
Tanta alegria que dás e tiras...
E os meus dias passam… nem são nem deixam de ser
Sinto a minha esperança desmedida, desenganada
Meu olhar esquecido, num gelo desumano

Parece que não tem fim...
Tanta promessa que sai de nós...
E os meus soluços emperram… nem lágrimas mais têm
Sinto a minha paridade genuína, confundida
Meu ar asfixiante, num cinzento remanso

Parece que não há luz...
Tanta alforria que me prende aqui...
E o meu ser aparta-se … nem pula nem cresce
Sinto a minha estrada infindável, interrompida
Meu viver perdido, numa verdade adiada...


Alcobaça, 4 de Dezembro de 2008
Malu

02/12/2008

...Não te digo...


Não te digo que sim

De cada vez que me perguntas, se te amo
De cada vez que me interrogas, se penso em ti
De cada vez que me questionas, das saudades de nós

Não te digo que sim

Quando espero por ti, cada segundo da minha vida
Quando sofro por te não ter, nem um minuto a meu lado
Quando choro por me lembrar de todos, e estarmos sós

Não te digo que sim

Nos momentos em que queria dizer, que não
Nos dias em que te sinto, nem perto nem longe
Nos desencontros em que te tenho, e que te perco

Não te digo que sim

A cada beijo que mandas, e não recebo
A cada toque que sonhas, e não acordo
A cada promessa que soltas, e não acredito

Não te digo que sim

Porque os meus olhos, se quiseres, mostram o que vivo
Porque o meu coração, se o escutares, grita sempre assim
Porque a minha alma, se a conheceres, fala por mim

Não te digo que sim

Se hoje, só tu sabes, o que eu não aguento mais
Se esse amor, se abafa, e sufoca aos nossos ais
Se a dor, continua a acompanhar-me a cada Não…!


Malu

28/11/2008

..100...

Mensagem número 100
Terá algum significado?!

Aqui tenho vindo nos últimos tempos deixar conversas comigo mesma, para que alguém possa escutar (todos um dia escutamos em algum acaso ou não, as conversas dos outros) aqui tenho mantido ou trocado segredos, pensamentos, leituras que me marcaram em certas passagens que sublinho para nunca esquecer… dos livros ou dos dias que escrevo conforme passo pela vida que me alberga de momento.

Serão lamentos, serão momentos, será o meu lado mágico a brincar com as palavras, as que me dão, e as que vos dou, enquanto ando por aqui, serão sonhos, ou tormentos.

Interpretem como acharem que seja, sem indiferença, sem julgamento leviano.
Tudo o que aqui venho deixar…faz parte de mim… Fragmentos de um diário inexistente, que partilho, sempre em busca do que me completa.

Elegi algumas “coelhices”, para esta mensagem nº 100
Porque também aqui sei que… não posso parar de sonhar… não vou deixar de escrever…obrigado a todos os que gostam de aqui estar.


Alcobaça, 28 de Novembro de 2008– Malu


“O homem nunca pode parar de sonhar.
O sonho é o alimento da alma, como a comida é o alimento do corpo.
Muitas vezes, em nossa existência, vemos nossos sonhos desfeitos e nossos desejos frustrados, mas é preciso continuar sonhando, senão nossa alma morre...

O Bom Combate é aquele que é travado porque o nosso coração pede…dentro de nós mesmos…é aquele que é travado em nome de nossos sonhos…Matamos nossos sonhos porque temos medo de combater o Bom Combate…

…O primeiro sintoma de que estamos matando nossos sonhos é a falta de tempo…
As pessoas mais ocupadas que conheci na minha vida sempre tinham tempo para tudo. As que nada faziam estavam sempre cansadas, não davam conta do pouco trabalho que precisavam realizar, e se queixavam constantemente que o dia era curto demais. Na verdade, elas tinham medo de combater o Bom Combate.

O segundo sintoma da morte de nossos sonhos é nossas certezas.
Porque não queremos olhar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a nos julgar sábios, justos e correctos no pouco que pedimos da existência. Olhamos para além das muralhas do nosso dia-a-dia e ouvimos o ruído de lanças que se quebram, o cheiro de suor e de pólvora, as grandes quedas e os olhares sedentos de conquista dos guerreiros. Mas nunca percebemos a alegria, a imensa Alegria que está no coração de quem está lutando, porque para estes não importa nem a vitória nem a derrota, importa apenas combater o Bom Combate.

Finalmente, o terceiro sintoma da morte de nossos sonhos é a Paz.
A vida passa a ser uma tarde de Domingo, sem nos pedir grandes coisas, e sem exigir mais do que queremos dar. Achamos então que estamos maduros, deixamos de lado as fantasias da infância, e conseguimos nossa realização pessoal e profissional. Ficamos surpresos quando alguém de nossa idade diz que quer ainda isto ou aquilo da vida. Mas na verdade, no íntimo de nosso coração, sabemos que o que aconteceu foi que renunciamos à luta por nossos sonhos, a combater o Bom Combate…

…Quando renunciamos aos nossos sonhos e encontramos a paz …temos um pequeno período de tranquilidade. Mas os sonhos mortos começam a apodrecer dentro de nós, e infestar todo o ambiente em que vivemos. Começamos a nos tornar cruéis com aqueles que nos cercam, e finalmente passamos a dirigir esta crueldade contra nós mesmos. Surgem as doenças e as psicoses. O que queríamos evitar no combate – a decepção e a derrota – passa a ser o único legado de nossa covardia. E um belo dia, os sonhos mortos e apodrecidos tornam o ar difícil de respirar e passamos a desejar a morte, a morte que nos livrasse de nossas certezas, de nossas ocupações, e daquela terrível paz das tardes de domingo…

...Já aprendeu a aceitar as aventuras e os desafios da vida, mas continua querendo negar o extraordinário… todos os dias: vemos sempre o melhor caminho a seguir, mas só andamos pelo caminho que estamos acostumados…

A única maneira de salvarmos nossos sonhos, é sendo generosos connosco mesmos. Qualquer tentativa de auto punição – por mais subtil que seja, deve ser tratada com rigor. Para saber quando estamos sendo cruéis connosco mesmos, temos que transformar em dor física qualquer tentativa de dor espiritual: como culpa, remorso, indecisão, covardia.
Transformando uma dor espiritual em dor física, saberemos o mal que ela pode nos causar.”

Petrus – O Diário de Um Mago

“…existe uma pergunta que todos nós devemos fazer, sempre que começamos qualquer coisa. A pergunta é a seguinte: “Para quê? Para que tenho que fazer isto?”
– Porque a gente sempre destrói aquilo que ama … A gente sempre destrói aquilo que mais ama em campo aberto, ou numa emboscada; alguns com a leveza do carinho outros com a dureza da palavra; os covardes destroem com um beijo, os valentes, destroem com a espada….
– Então é para isso … Para quebrar a maldição…
– Pelo amor. Pela vitória. E pela Glória de Deus – respondeu...”

Diálogo entre J e Paulo PRÓLOGO de AS VALKÍRIAS


“O caminho da Magia é o caminho das pessoas comuns.
Um homem pode ter um mestre, seguir uma Tradição esotérica, possuir disciplina necessária para realizar rituais; mas a Busca Espiritual é feita de constantes começos (daí a palavra “Iniciado”, aquele que está sempre iniciando algo), e a única coisa que conta – sempre – é a vontade de seguir adiante.”

Paulo Coelho sobre As Valkírias


em http//: www.paulocoelho.com

...que o mundo saiba...

Que alguém grite o que eu sinto, para que o mundo o saiba.
Que alguém me leia, como um livro,
que me saibam ver, e estudar.
Decorem o meu rosto, cada linha, o meu corpo,
cada traço o meu ser ...devagar.
Que alguém me grite,
grite esta angústia de não poder dizer.
Que alguém fale, fale deste meu mar
E segrede baixinho, dos meus lábios aos teus
esta vontade imensa de te amar.

by midnight

27/11/2008

...sugiro...

Sugiro-te que vás ao meu amargo coração
E decifres a raiz das palavras galopantes que doem como razão.
Guarda sem vãs resistências todas as sensações, apegos, desvios,
Presencia os latejos descompassados,
Apura estritamente o que te agride,
Prega numa tábua todas as letras,
Conta todas as inúmeras gotas,
Dessas lágrimas ciclónicas, desse sangue
Que detém todos os surtos cativos do meu sopro.

Sugiro-te que vás ao meu esvaziado âmago
E beijes todas as penas que encontrares.
Marca todas as paragens em que te vejas,
Todas as passagens onde não estejas
Cura em mim as tuas mágoas, meus e teus tormentos,
Bane a vida libertina desses fantasmas
Ilumina se quiseres todos os anjos
Lacra todos os medos dessa criatura
Que erra em todas as horas do meu existir

Sugiro-te que vás ao meu epicentro
E desemaranhes onde mora a minha esperança
Estanca a minha terra de toda a agonia diluviana que me mata,
Que a hospedes em ti, e trates bem dela,
Que a faças forte, e ma devolvas...
Sugiro-te que vás, que eu não consigo,
Desaprendi todos os caminhos, perdi todas as cábulas...
Sugiro-te ainda que me leves contigo lá aonde…
Que eu, com ou sem ti, não sei mais ir.


Malu
Alcobaça
27 de Novembro de 2008

...medo...


"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida,
há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."

Clarice Lispector

26/11/2008

...refém...


Esquecer-me o pensamento era-me o bastante

Não me apetece pedir-me nada,
Não pretendo torturar-me hoje
Rebentaram as forças do meu sangue
Que já não alimenta alegremente o meu corpo
Não me inquieta a rebeldia de outrora
Que já não aquece nem faz pulsar meu coração


Meus olhos baços fechados, era-me o bastante

Não me já dói sequer cansá-los mais
Não sei mais procurar-te hoje
Esgotaram os lugares vagos onde te escondes
Onde não posso andar a teu lado
Não entendo como me manténs refém
Onde em cruel liberdade me aprisionas


Ter-te comigo ao acordar era-me o bastante

Não me digas que o não podes hoje
Não me digas que o não sabes quando
Dilaceras o meu ser, a minha alma
Que já te não têm, e têm sempre em mim
Não me é mais nem menos, essa dor
Que já te não vê, e te sente assim …
Malu
Alcobaça, 26 Novembro 2008

...querer animal...

"Quem és tu, donde vens, adorável pantera,
Mistura de anjo, de gata, de fera,
Que mistério é esse que me enfeitiça?
Enquanto teu corpo me aceita carente,
Me derreto em prazeres, deliciosamente,
No incêndio que esta fagulha atiça."

Piero Valmart

...ferve...


… esta saudade ferve...
enquanto os nossos corpos gelam de tão longe...

...se soubesses como eu te amo,
não precisarias de pedir-me
para te amar, como tu me amas...

22/11/2008

...grito...

Estou num enorme silêncio,
Tudo à minha volta é silêncio
Estou só,
As coisas que me rodeiam são silêncio,
Tudo está parado no devido lugar.
Silêncio, Silêncio, Silêncio…
Até que me farto e…
Grito: AMO-TE!!!
Estou farta deste silêncio,
Preciso de te dizer que te amo.
Tenho necessidade de o gritar
Grito o amor que sinto por ti,
Cada vez mais alto,
Na esperança de me ouvires.
Estejas onde estiveres
Com quem quer que seja.
Vais-me ouvir!?
E vais ficar em silêncio,
Ou apenas
dizes que também me amas?

By: Ana Rendeiro

18/11/2008

...Vivo, vivíssima...

Intento ser, à minha maneira, um estóico prático, mas a indiferença como condição de felicidade nunca teve lugar na minha vida, e se é certo que procuro obstinadamente o sossego do espírito, certo é também que não me libertei nem pretendo libertar-me das paixões. Trato de habituar-me sem excessivo dramatismo à ideia de que o corpo não só é finível, como de certo modo é já, em cada momento, finito. Que importância tem isso, porém, se cada gesto, cada palavra, cada emoção são capazes de negar, também em cada momento, essa finitude? Em verdade, sinto-me vivo, vivíssimo, quando, por uma razão ou por outra, tenho de falar da morte…


Novembro 18, 2008 by José Saramago
Publicado em O Caderno de Saramago

14/11/2008

...doce...



... "dou-te um doce...

em troca de um beijo

salgado"... lá ra la la lai la



Manjar dos Deuses - venceu o 1º prémio da mostra dos doces conventuais,
este fim de semana em Alcobaça.

vê aqui...como foi...
http://www.tvfatima.com/portal/index.php?id=1479

Lá vamos nós, assim que der, manja-lo
à pastelaria Alcoa...no rossio...

Vens ?!

10/11/2008

...

Sei que tinha dito anteriormente que não abusaria aqui de imagens neste blog, meu refúgio capital... Mas também já o disse e sabem os que me reconhecem que, mudo constantemente, de estado, de sentir, de humor, de sorrir, de calar, de gritar, de chorar, de fingir...

Hoje doi tanto, que tive que vir aqui... E rendi-me à colocação de uma imagem que retiro da net, a tentar explicar-me, quando me faltam as palavras...

Dizem que uma...vale por mil... Entendes-me ? O meu coração, não aguenta mais!!!

06/11/2008

...silêncio da tua ausência ...


"Espero-te ...Todos os dias . Será a minha espera vã ?... Será sempre assim ?
Que mais posso pedir-te ? ... Poderei pedir ?... Deverei ? ...
Tu és aquele que eu devia ter tido medo de amar ...
Tu és aquele que amo sem medo .
Tu és aquele de quem eu devia ter fugido ...
Tu és aquele para quem mais quero ir .
Posso pedir-te inocentemente que acredites
no sonho , isso posso ...
Sinto-me só , meu amor .
A realidade levou-te já há alguns dias para longe de Nós .
Estou só ... Porque nestes dias tudo é mais pesado ,
tudo é mais verdade que Nós .
Estou triste ...
Que será de mim contigo ?
Que será de mim sem ti ?
Quantas questões ...
Sinto as minhas mãos demasiado vazias,
num vazio que não faz sentido .
Porque nos amamos tanto,
porque nos queremos não para
hoje ou amanhã, mas para sempre .
Só queria adormecer nos teus braços hoje .
Só queria acordar neles amanhã .
Ver-te sorrir nesse sorriso transparente que tens.
Queria encontrar-me nos teus olhos todas as manhãs ,
na certeza serena e doce de que me pertences, de que te pertenço .
É tão fácil amar-te mais todos os dias .
Tu és feito de doçura , generosidade , bondade , beleza.
Foi tão fácil sonhar-te . Deixar que sonhasses comigo ...
Mas é tão dificil não pensar, não questionar,
não me sentir só, perdida sem ti .
E sei que a tua voz busca a minha
todos os dias ,
mesmo na distância .
Dás-me o que podes, roubando à tua vida momentos para Nós .
Mas nada chega para apagar esta ausência ...
este silêncio da tua ausência ... "


Publicada por paula em http://www.silenciodatuaausencia.blogspot.com/

(De mim pra ti...sempre senti nosso, este pensamento meu amor)

05/11/2008

...A Àmon...

Único é o oculto que permanece velado para os deuses, sem que a sua verdadeira forma seja conhecida.
Nenhum deles conhece a sua verdadeira natureza que não é revelada em nenhum escrito. Ninguém o pode descrever, é demasiado vasto para ser apreendido, demasiado misterioso para ser conhecido.
Quem pronunciasse o seu nome secreto seria fulminado...


Hino a Ámon , Mitologia Egípcia

04/11/2008

... não direi adeus ...


Ontem escrevi uma carta...

Uma carta de despedida, como que de despedida, de uma segunda casa que tenho, de um lugar onde até há alguns tempos atrás me sentia sempre bem, de um refúgio que até mesmo onde já não me sinto bem, o continua a ser...

Não tenho vindo aqui...

Tenho vagueado por outors blogs, onde me passeio e me encanto, e vou descobrindo que, tal como eu, há gente que consome as palavras e a escrita e a simplicidade dos sentires como alimento para a alma, como escape do quotidiano e como bálsamo para a dor, dos desencontros amorosos por que passamos todos.
Tenho andado perdida, o que não será novidade, mas distânte mesmo de mim, com muito trabalho, escalado ou voluntário, e com o coração preso, e apertado, do medo que é ter uma mãe doente, à espera de uma cirurgia delicada, a um tumor na cabeça...violento sim, mas cá se vai indo... e mais, essa "operação" foi adiada... será mais um mês de ansia que aproveito como nunca...

Sempre que temos medo ou certezas intimas de que vamos perder algo ou alguém, é quando lhe damos mais atenção, mais valor, mais tempo, do nosso tão precioso e disperso tempo, por coisas e pensamentos e divagações tão mais fúteis ou menos importantes do que a do momento em que chegamos a essa conclusão, de que estamos a perder alguém que amamos...

É esse sentimento que me veste, nestes ultimos tempos, de perda, de dura perda, e de revolta.

É voltando a ler a carta que escrevi ontem, e voltando a chorar com ela, que me recuso a clicar no "enviar"...

Não... não direi adeus a essa casa, porque também é minha... já fui embora de muitos corações, de muitos lugares de muitos projectos deixados a meio, por me fazerem mal durante o caminho antes do fim, e me acobardar, e desistir de lutar, pra lá chegar.

Não direi adeus..
Não hoje, não agora...
Não mereço tanta despedida ao mesmo tempo...

Engulo a ferida que abriu, e mais uma vez tento sarar, com o remédio santo que é, olhar prá frente... e levantar a crista e continuar a marchar... pisando toda a porcaria que está a nossos pés, e onde se estavamos a deixar afundar...

Como será viver sem a rádio? Sem a minha rádio? pensei eu esta noite...

E entre olhar pra trás, e ver tudo o que já passei ali, naquele mesmo lugar, com aquelas mesmas pessoas de há quase 20 anos a esta parte, coisas más e coisas boas, e ultimamente mais más que boas, que me fizeram mais uma vez pensar em abandonar... e, em vez disso, olhar pra frente e me imaginar, sem esse bichinho dentro de mim a vibrar, o de comunicar, esquecendo tudo o resto, e vivendo a rádio, só pra mim, e me lixar pró que acontece atrás dos microfones, em off... preferi o segundo cenário...decidi...
Vou ficar... ferida, de asa murcha, mas pronta pra voltar a arrebitar.

Que se lixem, todos os que me querem ver pelas costas, também aqui...
Posso chorar, posso barafustar, posso vacilar... quase posso quebrar...
Mas não direi adeus, não hoje, não agora...
Guardo em rascunho, para me lembrar e me engordar, já que tudo o que não nos mata torna-nos mais fortes.

15/10/2008

...Tasquinhas...

As novas tasquinhas….sem tasquinhas.
A tradição afinal, nem nos mais “tradicionais” eventos da cidade, já não é mesmo o que era…!!!

“Casa de pasto ordinária.” É o significado definido no dicionário de língua portuguesa para a

palavra “Tasca”, não ordinária no sentido de “rasca”, interpreto eu, mas no sentido de comum, ou corriqueira.
Isto, nos tempos em que as tradições ainda eram o que eram…Quem nunca foi ouvir o fado e comer um bom caldo verde e uma bela duma chouriça assada a uma boa Tasca, sem sair de lá, menos de bem, ou mais mal alimentado, tanto culturalmente como gastronomicamente falando…?!

As Tasquinhas dos passados seriam um conjunto de barraquinhas de pasto ordinárias, que funcionavam por altura dos santos nos locais disponibilizados por freguesias e autarquias, no nosso caso no Merco, antros em que se saciavam as delícias dos visitantes desse mesmo espaço, onde pelo meio das compras dos frutos secos e outros para o dia do Pão por Deus e outros, e perante a animação cultural típica, se apreciava a arte de bem cozinhar em Portugal, e mais propriamente em Alcobaça, e em cada uma das freguesias com petiscos e doces em alguns casos genuínos e incomparáveis, e que deveriam considerar-se património imperecível.
Tasquinhas que estavam ali, a fim de proporcionar o maior prazer a quem come, o que de melhor e tradicional temos na nossa terra, trazendo à feira os pratos típicos e petiscos e valorizando a arte de comer bem e de apreciar os bons acepipes, acompanhados da prova da água pé nova, e de um bom punhado de amigos, e ladeados de animação cultural à medida da boa “tasca”…com direito a folclore e tudo, e onde se entrava de borla, para degustar e confraternizar, e se saia satisfeito com vontade de voltar.

Mais tarde, as nossas tasquinhas, passaram a ser de entrada simbolicamente paga, para evitar a concentração de grupos não resistentes ao abuso e não só prova da água-pé, e imunes aos horários e ás regras do bem saber estar entre os demais. Nessa altura, e logo ai, a maioria dos afluentes ás ditas tasquinhas protestavam, e sentiam-se cobrados de um direito anteriormente adquirido. Mas entenda-se que a inovação da entrada, veio para impor um certo calibre, e um certo bom-tom, que era exigível.

Este ano, a novidade cai que nem um balde de água fria no meio do povo, aquele que consome as tasquinhas e as vive na sua verdadeira essência, que é agora abandonada.

A feira de S. Simão, deixou de lado este ano as tradicionais tasquinhas, excluindo da festa as colectividades do concelho, que não acredito que não estivessem ou não se mostrassem interessadas. Com o decorrer dos anos, foram impostas a essas mesmas colectividades que traziam à feira o bom do petisco que não faz mal a ninguém ou aquele docinho de cunho pessoal das nossas e nossos excelentes cozinheiras (os) por ai distribuídas (os) por esses lugares de excelência suprema dos sabores, que agora são desvalorizados, em vez de enobrecidos… e esses tesouros perdem-se, assim como o perfume das tasquinhas de outrora.
Anunciam-se “Pratos requintados, comida gourmet e produtos da terra”... Como “a proposta que a Autarquia apresenta para o novo conceito da Feira de São Simão”... E …”considerando os novos padrões de consumo, o Município assume o desafio de apostar num novo formato, e traz à Feira sugestões alimentares para um estilo de vida saudável e ecologicamente consciente.

Tudo bem! Que se considerem os novos padrões, mas que não se descurem os anteriormente existentes, tradicionais e bastante válidos. Onde vai estar o petisco, a iguaria, o pecado que é permissível em altura de festa?

Onde é que, pára a coerência, e o bom senso?
Onde é que daqui a mais uns dias, levar o povo a encher-se de doces e mais doces, se bem que conventuais e merecedores do nosso destaque, é promover uma alimentação ou um estilo de vida saudável?

O restaurante “vegetariano” pode entrar nas tasquinhas e na feira que era do povo, mas as colectividades saíram e as tasquinhas também?!
Onde é que isto é bom, para o nosso património gastronómico?!
Tudo bem que se sigam as tendências do novo conceito de nutrição humana, tudo bem que se promovam outros negócios agora na “moda” e bem-vindos como os produtos gourmet, os protegidos os biológicos, mas não se diga que se acaba com as tasquinhas, para promover os “Produtos Tradicionais e de qualidade”; esses e a sua confecção com mãos e tachos e frigideiras “da casa”, estão a ser postos de lado.

“Assegurar a visibilidade dos fabricantes e de produtos”, “promover recursos de forma a gerar crescimento económico e impulsionar o desenvolvimento local” tudo isso era possível, mantendo as tasquinhas…. Mas optaram por apagá-las do prospecto e excluir as colectividades do nosso mapa de boas paragens por Alcobaça durante o ano.

Este é um novo desafio que em tudo o que inova é de aplaudir, na minha opinião, e sei que não esquece os já habituais frutos secos, a animação que vai estar a cargo de várias actividades embora não conte com a presença de nenhum rancho ou grupo folclórico ou banda do concelho, como também já aferi no programa. Mantém até o artesanato e ainda a presença de restaurantes durante o certame.
Mas, na nova feira de S. Simão, não havia necessidade, de remover as tasquinhas! Isso não…!!! Mesmo tendo muitos pontos a somar, e desejo as maiores felicidades ao certame, este ponto marca pela negativa, esta nova roupagem!

Sei que vou visitar a feira de S. Simão este ano, e mesmo antes de entrar vou sentir falta dessa excelência de tasquinhas que as colectividades nos proporcionavam, uma vez que já se anuncia que, não estarão lá…
Mas é esta ausência, a prova maior de que estavam presentes, e que ali, era o lugar delas.

Não julgo severamente, porque em algum passo à frente sei que serei eu julgada com a mesma severidade, apenas acho que se é verdade que não de pode agradar a gregos e troianos, e apesar de concordar que temos que a pouco e pouco mudar, tentar educar e inovar, não devemos nunca esquecer ou ter vergonha das nossas origens…
E, o povo de Alcobaça é um povo de “bom garfo”.
Que o comprovassem até hoje, as tasquinhas...

03/10/2008

... enterra-me ...

A minha vida acabou ali. Naquele instante em que te me negaste e mais a tudo o que me poderia prender a ti. Tu não estavas lá... mas se visses, nem acreditarias...ou saberias que finalmente venceras desde quando disseras que eu não teria coragem... de ir até ao fim... Mas qual fim? Deveria eu ter coragem de mergulhar na alegria de um amor que não queres que exista, porque não podes ser meu ainda, porque não inteiro estás em mim, mas só nos meus sonhos...mas não tenho. Preferia que tivesses tu, a coragem e o orgulho de me amar.
Não é que eu tenha um mau perder, mas, é que...era bom demais para terminar. Toda a vida não chegava, pra te amar assim como eu te amo, e como não chega, nunca chegará... Um dia, já tinha avisado...eu cairia sim... quando me faltassem as tuas asas. Não era ainda esperado esse dia, mas de tanto esperar por outro dia, noutros dias em que me negaste o que num dia poderia bastar pra durar mais outro dia, e outro dia, um dia desses chegar ao fim... de tanto querer e não ter (não esse dia, mas o pouco a pouco em cada dia que me levaria a esse fim, enquanto esperava por esse dia) chegou entretanto sem avisar, o dia em que caí...
Esse dia foi hoje...é já de noite, e não tem luar...

Tenho em mente um ser extraordinário que conheci, que apesar de não acreditar em Deus, me pediu para ter fé, no amor... Que ironia...! Depois disse-me que não tinha o direito de me pedir pra esperar, por quem sabe ...um dia... Sim...desisti...!!! Morri... no meio da nossa dor.
E olha que esta não foi mais uma historia ... Não aconteceu... Não tem o dia a seguir, pra se contar Não foi uma página, não foi um romance inacabado... Nem sei se foi... ou se chegou a ser... Morri eu, sabendo que nem é meu nem morreu aquele amor que não deixaste viver...!!!
Agora, Dai-me tempo Amor para chorar... para esquecer, e quem sabe um dia...ressuscitar !


3 de Outubro de 2008
o dia em que não mais te digo adeus

02/10/2008

...lembro-me...

"... sim lembro-me do teu cheiro
da tua pele
do teu sorriso
dos nossos carinhos
dos momentos que passamos juntos
das longas conversas
dos abraços
dos olhares
e das lagrimas também!
nada de ti eu me
esqueço meu Amor..."


como se gravado em mim
obrigado por existires

22/09/2008

...indisposição...

Gera-me uma certa indisposição,
não saber exactamente onde estou...

desde que inventaram os mapas urbanos
onde se assinala um centro num pequenino círculo
onde se identifica o lugar e o "você está aqui"
que me sinto desorientada
completamente perdida nesta selva

Onde fica a tua rua meu amor?!
Indicas-me o caminho?

Fico fraca de esperar que o vento me leve ou que os trilhos se notem
para que possa perseguir um qualquer rasto
não há guias generosos e não passam transportes públicos
não há sequer luz, neste beco onde me deixaste

Vou estancar aqui
não consigo mais chorar
meu corpo já não me obedece
minha alma não me pertence
meu coração não me escuta
só bate...
apaga-se...e bate...
e já nada mais me importa

Não sei
exactamente onde estou
e isso,
gera-me uma certa indisposição...!!!



Setembro 2008
Alcobaça
Malu

21/09/2008

...pesadelo...

Poderei desculpar esse ruído
que me ensurdece e leva o sono
quando uma hora qualquer me calar
esse grito que emana inconformidade
numa marcha feroz
que jamais me deixa acordar

Poderei até beijar-te de manhã
esquecida de tanta volta
nesses lençois que já nem sei se rasguei ou remendei
de tanto brigar comigo
no terror dessa velocidade
com que fugia de mim essa minha voz

Gritei tão mudamente e demorada
que poderei não ter ouvido...não vi nada
Ceguei o pavor de medo...

Sei que desatarei todos esses nós que me amarram
Só não sei quando o poderei finalmente...
Só serei livre dessa dor quando abrir os olhos
e tu esiveres aqui !

O amor é um pesadelo?! Não... não o deixes ser:
Não quero mais dormir,

não quero mais despertar
sem ti ...!


17 Set 2008

Malu

12/09/2008

...Nunca acredites...

Nunca acredites
Nestes meus esporos que só passam por ti
Nunca te levem ou te tragam

Minha alma é despojada
De sentimentos de qualquer espécie

Despeito tudo o que não consentes
Sei de tudo o que, ou não atinges
E não me presto a amortecer
Nada do que sou
Nada do que te fere…

Não são de mais ninguém,
Quase nem são minhas
As lesões de que padeço!

Nunca acredites
Que choro por ti…

Nem sequer por mim
Eu deito tréguas ao teu encanto
Ou alquebro o meu espírito,
mutuante, ausente…

Nesta vida…
nesta lida…
É por mim, que espero!!!



Marta Luis
12-Setembro-2008
Alcobaça

25/08/2008

... muda de vida ...

Muda de vida... ou muda de poema...

"Um poema não é uma coisa que se coloca sobre o teu dia como um condimento sobre o teu almoço. A vida de uma pessoa não tem material semelhante a nada que conheças. Existir é feito de peças impossíveis de copiar. E a poesia não entra nesse material único - a vida de uma pessoa - como o avião no ar ou o acidente do avião na terra dura. Um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal.Os homens não se medem pelos poemas que leram, mas talvez fosse melhor. O que é a fita métrica comparada com algo intenso? Há poemas que explicam trinta graus de uma vida e poemas que são um ofício de demolição completa: o edifício é trocado por outro, como se um edifício fosse uma camisa. Muda de vida ou, claro, muda de poema. "

Gonçalo M. Tavares, in 'A Perna Esquerda de Paris'

05/07/2008

...não estou...


não há
nem chuva
nem sol

não há
nem brilho
nem escuridão

não há
nem silêncio
nem confusão

desde que me esqueci
da luz
do riso
do sal
de mim


malu

13/06/2008

...amar não basta...

Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar.
Aos que pensam em voltar...

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O AMOR É ÚNICO, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, A SEDUÇÃO tem que ser ininterrupta...

Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança, acabamos por sepultar uma relação que poderia
SER ETERNA

Casaram.
Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável.
O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes, nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, RESPEITO.
Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência...
Amor só, não basta.
Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura, para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver BOM HUMOR para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar.
Amar só é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas,
contas para pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra.
Não adianta, apenas, amar.
Entre casais que se unem , visando à longevidade do matrimônio, tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada
um. Tem que haver confiança. Certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão.
E que amar "solamente", não basta.

Entre homens e mulheres que acham que O AMOR É SÓ POESIA, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande, mas não são dois. Tem que saber se aquele amor faz bem ou não, se não fizer bem, não é amor. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

Um bom Amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!

Artur da Távola

28/05/2008

...Já não me importo...


Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.

Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei

Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,
Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,

Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.

E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.

Fernando Pessoa

26/05/2008

...recordo...sem pena...

Os meus pensamentos foram-se afastando de mim, mas, chegado a um caminho acolhedor, repilo os tumultuosos pesares e detenho-me, de olhos fechados, enervado num aroma de afastamento que eu próprio fui conservando, na minha pequena luta contra a vida. Só vivi ontem. Ele tem agora essa nudez à espera do que deseja, selo provisório que nos vai envelhecendo sem amor. Ontem é uma árvore de longas ramagens, e estou estendido à sua sombra, recordando. De súbito, contemplo, surpreendido, longas caravanas de caminhantes que, chegados como eu a este caminho, com os olhos adormecidos na recordação, entoam canções e recordam. E algo me diz que mudaram para se deter, que falaram para se calar, que abriram os olhos atónitos ante a festa das estrelas para os fechar e recordar... Estendido neste novo caminho, com os olhos ávidos florescidos de afastamento, procuro em vão interceptar o rio do tempo que tremula sobre as minhas atitudes. Mas a água que consigo recolher fica aprisionada nos tanques ocultos do meu coração em que amanhã terão de se submergir as minhas velhas mãos solitárias...

Pablo Neruda, in 'Nasci para Nascer'

promessas...só promessas ... esse "só" já te não basta...?!
pena que já nada tenhas pra me dizer... mesmo que não seja novo...!!!

23/05/2008

...as pessoas...


Há sempre uma selecção
Os melhores dos melhores, ou aqueles que mais nos marcaram...

os filmes da nossa vida
as canções da nossa vida
os bichos da nossa vida
e as pessoas
as pessoas da nossa vida
e há ainda os autores, os pensadores da nossa vida
e Shakespear é mesmo um deles, e traduz no que diz tudo o que eu teria dito se o próprio me perguntasse, pelas pessoas...ou pelo tamanho delas...e nas pessoas, o tamanho realmente importa muito:

O Tamanho das Pessoas...

"Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri .É pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amorUma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida, quando procura alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto contigo. E pequena quando se desvia do assunto.Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de acções e reacções, de expectativas e frustrações.Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.O egoísmo unifica os insignificantes.Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... é a sua sensibilidade, sem tamanho..."

Willian Shakespeare

17/05/2008

...maré...

Era um tapete... Era uma margem

Um aconchego... Uma paragem

Era um tripé

Era uma rede... Um pedaço de vida

Era uma fé... Nesta maré

Nada mais é...

Volto à viagem... Sigo na estrada

Essa espuma branca... È quem me leva

Sou grão solto...

Uma espécie de areia... Bato na rocha

E volto atrás...

Em reboliço... Sem porto ou farol

Essa força impermeável

É quem me arrasta

É quem me enche

É quem me vaza...

Não sei mais boiar... Nem sei nadar

Estou afundável... Vou naufragar

Afundo de tudo...

Flutuo à deriva...

Dispo o desespero...

E só quando te vejo ... Carrego forças

Corres pra mim

Tenho-te comigo...

Despejo o meu corpo... Oiço que me chamas

Devolves-me a coragem

Volto a morder o isco...

Atraco nessa praia

E... Quando me pedes colo

Recomeço, a lutar...


Ao Rafa,

15 Maio 2008,

a mamã Malu

09/05/2008

... um dia ...


Um dia ri contigo, depois de chorarmos, de suarmos
Um dia chorei contigo, depois de nos revelarmos e amámo-nos
Um dia foste quase nada, um olá mais no meu bom dia
Um dia foste quase tudo, um quero mais, como à vida

Um dia quis que fosses meu, e aprendi tal como diz a canção
que ninguém é de ninguém
Um dia quis que me levasses, depois de saber que não posso ir
Um dia pedi que ficasses, depois de ver que tinhas que partir

Um dia vou perguntar aos céus, porquê te amo tanto…
E quando a resposta chegar, não estarás cá para ouvir…
Um dia a mais, um dia a menos, não vão importar mais…
Não vão fazer-me querer-te de outra forma

Vou esperando, vou amando como sei que toda a minha vida te esperei…
Quando chegar o fim do nosso longo caminho estarei feliz, mesmo que não o seja
Nesse dia, não vou sentir-me sozinha,

mesmo que ninguém, nem tu estejas a meu lado

Sei que, um dia, esse teu caminho, será o mesmo que o meu,
e isso basta-me …
Um dia lá atrás, aqui, ainda longe
Quem sabe um dia que já vivemos juntos
Quem sabe um dia que ainda possamos partilhar


Um dia encontrei-te, e rendi-me ali
Aceitei todo o resto dessa indomável força bruta da minha existência
Sem mais defesas, baixei as armas, sem querer fazer mais perguntas


Um dia, o teu olhar, a tua brandura, deixaram-me sem palavras
Depois de pensar que em mim tudo era parte desconcertada sem nexo neste universo
Senti-me o centro da gravidade com a tua mão na minha,


Percebi, porquê valera a pena esperar mais um dia


Um dia, sei que vais servir-me de terapia, por isso quero guardar-te
Quero curar-te, porque sei que também estás doente de mim
Quero poder devolver-te o que me deste, um dia…


Um dia contigo e eu equilibro-me perfeitamente, no fio que me leva bamboleando
por todos os outros dias, sem ti…


Um dia, eu cairei… mas não hoje…
Hoje é apenas um dia

e... tu sabes que estás aqui… !


Malu
Alcobaça, 28 de Dezembro de 2007

04/05/2008

...Transparente...

Confirmo que não sei como estar se não é isto que quero estar. Confesso que não sei mais o que fazer para sossegar o monstro que criei em mim, não por que me consuma, gosto dele, mas porque vejo o quanto incomoda os que me estão próximos. O quanto posso ser uma distracção do que é importante e, acabar por não valer, aos que mais quero.
Tenho essa noção, de que deveria parar às vezes, ou agora mesmo, mas, pelos outros não por mim e se calhar também caio na esparrela de me preocupar com eles mais do que comigo, e nesses "para-arrancas" atraso-me, mas também não tenho pressa.
Mas fujo desse dilema, aliás não fujo, não passa por mim. De tanto passar no passado até acho que já escolho o que me apetece passar e com o que sofrer, embora não saiba viver de outra maneira, mas pelo menos é comigo ou com quem eu escolho que estou a passar-me, com os meus pequenos terrorismos pessoais monstros diários, que às tantas só eu é que alimento e a ninguém em mim aparecem, mas pouco me importa isso.
Não me vejo a viver a vida de mais alguém que não eu.
Vai daí, nem eu me entendo, mas também não peço a mais ninguém pra entender, nem eu me perdoo por não ser de outra forma, nem peço perdão a mais ninguém, por todas as formas em que amo e estou e dou e tiro de volta antes de dar, em que sou ou não sou, em que exijo antes de reconhecer, em que piso e maltrato, em todas as formas em que julgo e selecciono e em que não tolero não cedo, por todas as formas em que ergo aquelas barreiras invisíveis com que impeço qualquer um de me "tocar".

Mas ai até eu me engano às vezes, e alguém sempre fura a protecção e me afecta, mesmo que colateralmente em situações que deveriam ser directas, ou em cheio em outras que não me seriam dirigidas mas que me atingem. Mas paciência, eu não sou, portanto, ninguém é perfeito...
Quer-se dizer: tento viver, para além de sobreviver nesta esfera, e tento percorrer o meu caminho, sem desvios, mas há-os sempre. Há sempre quem apareça pela frente, quem me chame lá atrás não sei de onde, ou quem também erga as suas barreiras distintas das minhas, e por onde eu estava a pensar ir, já não vou conseguir.
Mas a vida não tem um mapa, e as viagens não se repetem, nem são iguais, por mais paralelas que sigam. Apenas existem pontos comuns entre a nossa linha e a linha dos outros, e nesses pontos dizemos, que nos cruzamos. Mas não passa disso, uma cruz, depois cada um segue o fio condutor da sua historia. Nunca se fundem os seres, os existires, se não nos sonhos.
Mas bolas, confirmo que sou eu quem anda às voltas, antes de me decidir, mas porque quero, não porque esteja perdida. Gosto das voltas.
Primeiro que me diga a mim quem vive em mim, se é por ali ou não, e só depois disso eu vou. Não quero que me puxem, não admito que me empurrem, não ceguei ainda ao ponto de terem que me mostrar mais e mais caminhos, não sou totalmente analfabeta nesta escola... Eu vou, hei-de lá chegar, mas no meu compasso, na minha hora. Eu quero desbravar por onde vou, e não peço alcatifas para passar, por onde os outros já pisaram, e dizem que será melhor ou pior. Sei que vou cortar os meus pés, que vão ficar descalços, mas vou... gosto de mim muito mais a ir. E depois, detesto pressões, principalmente as que nos atraem para o buraco negro da normalidade.
Posso ser eu que estou mal, obviamente não nego!
Se sou sempre eu a contrariar e, todos os outros têm razão, então a razão não está comigo, certo! Mas isso é hoje! Amanhã, lá num amanhã longínquo, poderei vir a ter razão, mas novamente estarei no sitio certo na altura errada. Mas nem por isso me sinto deslocada ou à parte deste mundo. Pelo contrário, sei que não sou da época, não sou do bem actual, como ele é estereotipado nos dias em que aqui estou, mas também não me marginalizo.
Adoro esta terra redonda, mas como todos sabemos, nem sempre se achou que ela era redonda, por isso, nunca digam, que tudo é certo como lhes ensinaram que era. Apenas tenho a alma presente, mas ausente, porque não pertenço a este tempo, parece-me que é isso. E daí, parecer que estou sempre inadaptada, ou parecer-me a mim, sei lá!
Há sempre uma busca de mim, em qualquer parte, que não termina, mas não tenho pressa. Vagueio insistentemente como sei, à procura de um sinal da minha pessoa, estampada por árvores que subi, por folhas vermelhas que apanhei do chão, por calçadas que palmilhei, por pedras com que escrevi, por ruas por onde passei, pétalas que arranquei das minhas flores dos jardins que assaltei, por amores que desiludi, por ódios e fracassos que amei, e mesmo que nunca me encontre, ando bem. Estou rodeada desses fragmentos, de mim espalhados ao sol, partilhados com tanta gente, que não me acho no direito de escolher ás vezes, quem deva ou não deixar-me levar.
É o meu estado de sítio este, mas não é uma dor, não é um problema, pelo menos para mim. Só passa a ser, quando nestas minhas incessantes lutas, são apanhados, os que menos queria desorientar, ou abalar.
Diz-se de qualquer um que não sabe o que quer, não sabe o que fazer, não sabe o que sentir, não sabe como viver, que está perdido, e eu nem sequer com isso concordo. Não me sinto perdida. Apenas não me é o bastante encontrar-me aqui ou ali. Se sei onde estou, o que procuro agora já não sou eu. E continuo a procurar, porque me recuso a parar, a morrer.
E esse lugar comum a que chamam usualmente de pessoa inconformada ou anti-social, não me aperta a cabeleira. Sou como sou e ninguém é totalmente transparente. E quem não me aceita, só perde, porque então a esses eu não me dou.
Não sou do contra, só por ser! Só que tenho que ser eu a dizer o que me é contra ou a favor, e ninguém me venha de encontra, descobrir o que ainda nem eu descobri.
Não tenho pressa, como se fosse eu a dona da minha própria vida, sei que o exercício é demorado, com esta minha teimosia é até dificultado em relação aos que me acompanham, sei que fico pra trás, ou atalho por onde ninguém mais, mas sou dessas que preferem ir aonde me leva o coração, e não por ai...Sempre soube que era daqui, e de tanto outro lugar, que não me estranho. Não me custa vacilar, bambalear na minha linha que anda suspensa, já nem cordão é nem rede tem por baixo. Só me fazem hesitar os que amo, pois olho e vejo neles o medo de me perder. Creio que, só os que me amam, sabem que não me podem prender. Mas são eles que me prendem, a tudo o que ainda trago comigo, e sendo assim, sempre que me sinto assim, sei por exclusão de partes, que é porque alguém que amo está por minha causa a sofrer.
O amor, vive em cadeia: Tu dás, o outro dá ao outro, ao a seguir. E se um dia voltar a ti esse amor que deste, é porque o circulo era fechado. Isso não está certo, não deveria ser, mas é assim que funciona e todos dizem que é assim que tem que ser, ensinam-te mesmo a primeiro semeares, pra depois colher, como se o amor fosse um vegetal que pudesses cultivar.
Nem todas as leis da vida foram já encontradas, ou decifradas, levam milhares de anos, a evoluir, E eu não quero reinventar o amor. Mas o certo é que até hoje, ainda ninguém inventou um amor como o meu.
Para receberes amor de volta, de uma pessoa, costumam instigar-te essa velha teoria do ricochete, como se fosse verdade, e ainda há quem acredite, aliás, não encontro é quem como eu não acredite, que seja preciso dar para receber, entre duas pessoas e entre si, ou que se tem que retribuir a quem dá.
Não, não é assim que tem que ser. Os sentimentos e as partilhas podem se trocar, e dessa forma tudo seria mais fácil. As pessoas deveriam deixar de se cobrar, seriam muito mais felizes assim. Dar é dar, e mais nada, sempre se soube, e essa é a única fórmula que prevalece neste mundo que constantemente gira, e consequentemente faz-me girar a mim.
Um exemplo prático é o mais proximo que tenho: Não me admiro, de ser gelada, nem fria sou, sou gelada por exemplo para a minha mãe. É a pessoa que mais me ama, a que mais amo, e não é por causa disso que é quem me tem mais, ou mais amor. Eu não posso fechar o meu circulo.
O que me dás, aprende, não vais receber de volta que eu não te dou. Vou dar a outros que ainda não têm. E essa é a minha forma de estar na vida. Só assim poderei crescer, ou um dia dizer que valeu a pena.
A reciprocidade não manda, nem sequer deveria de existir. O que deveria mandar era a troca, como nos primordiais conceitos de partilha, onde seria mais justo tu dares-me o que não tenho, eu trocar pelo que te posso dar, e na volta, teríamos ambos muito mais, e diversificando na nossa relação iríamos ai sim, sempre mutuamente partilhando e amando. Mas não é assim ainda. Nestes dias em que vivo não nos deixam trocar as coisas valiosas entre si, mesmo que sejam diferentes, e necessárias a ambas as partes por igual. Não há cá misturas, é pão pra pão e queijo pra queijo, e não há a felicidade também , de ter de tudo, o que se possa dar e receber sem mencionar previamente os géneros, e as espécies dos sentimentos implicados.
Por isso é que associam ainda tanto o amor ao sofrimento. Porque as pessoas não foram feitas para retribuir nada, muito menos o amor, e assim o são obrigadas, e assim o são infelizes.
Cá pra mim, é porque se fechou o circulo do amor, que se fechou simultaneamente o do sofrimento. Então, não se queixem!
Não me prendam aos amores aos sofrimentos, aos básicos valores que regem como sendo certos. Eu não vejo isso , para mim, não são e um dia lá chegarão.
Mas nem por isso me acho mais à frente, apenas me atraso, e me deixo ir mais lentamente. Porque enquanto cá andar, sei que vou andar sempre ao contrário. E custa-me muito o que isso faz nos meus, não nos que não me interessam, mas nos meus, que não são do mesmo naipe, mas não têm culpa.
Agarro-me ao que posso, para não desaprender que entre não amar e não sofrer e amar e sofrer é preferível, a segunda situação, nestes tempos atrasados em que a reciprocidade é exigida e a troca não é livre e a partilha feliz.
Agarro-me à vida nos olhos do meu filho, nos abracinhos que me dá, pra me convencer de que ser daqui deste tempo e deste lugar, só por ser mãe dele, até pode ser muito bom. Agarro-me ao que tenho, pra definitivamente não me perder, naquilo a que todos os outros entendem por isso, e não procuro tão exaustivamente, tão ansiosamente. Sei que em tudo o que me encontre, no resto dos meus dias, vou me reconhecer, e não tenho pressa...
Há uma natureza mãe em mim que apesar de tudo, me diz pra viver enquanto estou viva.

E, a viver quero que seja com o que amo, com os que amo.
Por isso confirmo que não sei como ficar, porque não sou de ficar, mas vou ficar.

Malu

03/05/2008

respostas em branco

Quando as nossas respostas ficam em branco, procuramos a cor nas palavras que outros já disseram, e com sentido, porque, algumas, até fazem sentido, tanto que parece que conseguem até quase descrever na perfeição, o que sabemos que poderá ser a resposta que não queremos ouvir, ou o que gostaríamos que fosse respondido:
Cinco pequeninos exemplos só... entre muitos outros, invadem-me hoje a massa que leveda...


"Às vezes, é preciso abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar fora a chave. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho, mesmo que não haja caminho, porque o caminho se faz a andar. O sol, o vento o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então, esquecer."

As Crónicas da Margarida, Margarida Rebelo Pinto


"Sempre te amei sem saber porquê. Não preciso de porquês, é mesmo assim. Mas, mais do que porquês ou razões, adoro olhar para ti e perceber o quanto gostas de mim. Não preciso que mo digas para o saber, e não há segurança maior do que a certeza das coisas que são ditas sem palavras."
Espero Por Ti Em Paris, Diana Mendonça & David Marle

"Albert nunca recuperou a ausência física de Marta. Mas guardou os silêncios e reconstruiu-os. Em cada silêncio da sua vida, falava com ela – como fazia dantes, deitado ao seu lado, falando em silêncio, numa nudez absoluta, sem segredos nem medos. Porque nada é mais íntimo e mais indestrutível do que o silêncio partilhado. O silêncio fica porque nunca mente, porque é tão íntimo que não pode ser representado, é tão envolvente que não pode ser rasgado.Conheço bem Albert e Marta sei o quanto se amam em silêncio e à distância e não sei dizer como acabará a sua história. Ele destrói-se, ela defende-se. Cada um deles faz por desejar ou fingir desejar a salvação própria, mas, acima de tudo, teme a salvação do outro. O silêncio é o que lhes resta, o que os une, uma finíssima película de tempo suspenso, para além da qual não há nada mais do que a escuridão dos abismos. E, por isso, nenhum deles ousa qualquer palavra, qualquer gesto, qualquer coisa que possa romper esse ténue fio que os prende à eternidade.É uma história triste e sem fim feliz à vista. Conto-a, porque me parece que ela encerra uma lição útil: nunca devemos amar em silêncio, nada é mais perigoso do que dividir com outrem os pensamentos vividos em silêncio."
Não Te Deixarei Morrer, David Crockett, Miguel Sousa Tavares


"O amor é tempo e tu não tens tempo para mim. Pelo menos agora. Amor é sorte e talvez eu não tenha sorte. Ou tenha, mas não contigo. Há pessoas a quem falta a saúde, outras uma família que as proteja, outras, a realização profissional. Há mulheres que nunca conheceram os pais, ou que não conseguem ter filhos. Há pessoas que trabalham uma vida inteira e nunca conseguem juntar dinheiro. Há pessoas a quem lhes é retirada a liberdade, ou lhes é interditada a vocação. Na existência humana há sempre uma dimensão que falha. Na minha, na qual alcancei muito mais do que alguma vez achei possível, talvez falte este tipo de amor que há tanto tempo procuro: um amor pleno, supremo e incondicional, um amor sereno e seguro que me proteja do mundo, um amor certo e firme, um amor real, em vez do mundo de sonhos em que vivo mergulhada quase desde que me conheço.

Diário da Tua Ausência, Margarida Rebelo Pinto

"..Descobres que só porque alguém não te ama da maneira que queres que te ame, não significa que essa pessoa não te ame, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como demonstrar isso..."
William Shakespeare

... palavras ...

Mais do que ficar à espera que me escrevas, ou que me repreendas com os teus intermináveis silêncios, procuro palavras, para me ligar a ti. Não sei ficar simplesmente desligada de nós e, onde quer que eu pare os meus olhos, há sempre algo, de nós, por toda a parte.
Posso passar um dia inteiro e apenas proferir o indispensável e, viver como muda durante muitos outros dias, pois ninguém mais deverá saber como tu arrancar-me as palavras. Porque aos outros tenho que falar, pra me ouvirem, mas a ti sei que não, sei que tens o coração fora do peito neste preciso momento em que tas digo, em que te escrevo, porque ambos sabemos que meio coração que temos, é do outro.
Sei que estás enclausurado neste silencio manso, tal como eu.
Sei também que te magoo com as palavras, e tu sabes que nada podemos fazer, nem eu nem tu, para o impedir.
Porque as palavras que te digo, rasgam-me o pensamento. Saem de mim, tantas vezes abruptamente, sem querer, que até me assustam, nesta surdez que interrompem sem pedir licença. Assaltam-me, como que gritam dentro de mim, e escrevo-tas, onde nunca as lês, onde não basta, onde não vens, onde não estás...
Onde não te tenho, sinto-te tanto amor!
Onde não quiseste mais ficar, tenho daquelas tão longas conversas contigo...
Perco-me em tantos doces sorrisos, pautados pela musica desse nosso outrora prazer de estar-mos entre um e outro, mesmo que com tudo o resto presente, daquela forma que não incomodava, nada, nem a nós.
Sim, tenho vivido calada, apenas com as nossas palavras, as não ditas, a bailar na minha cabeça, no meu pensamento.
Nunca me recusei verbalmente a amar-te, não o poderia ter feito, embora devesse.
Mas também nunca verbalizei o ultimato que, hoje te traria aqui, ou não, mas pelo menos hoje sabia... e não sei, porque nunca te direi, por mais que te diga, como dói, nunca saberás, por mais que digas como dói, o meu coração.
Acredito que se soubesses, já terias feito uma escolha, daquelas que se tornam físicas não só das intencionais, porque essa fizemos os dois em simultâneo, quando nos entregámos sem palavras.
E é sem palavras, que te vou tendo, que te vou ouvindo, que te vou amando, com respostas em branco inalcançáveis para essas perguntas e medos intransponíveis, que vão sempre existir, mesmo depois de ditas todas as palavras.
Não preciso das palavras pra sentir-te. Em silencio ou não e quer queiramos quer não, estamos em toda a parte por onde ande.
O sabor amargo e doce das descobertas mutuas anda sempre na minha boca.
Os beijos que me fizeram sentir mulher como nunca, estão vivos, estão ansiosos, como as palavras.
Os planos suspendidos, continuam guardados numa caixa metálica em forma de coração, vermelha, aquela que abris-te comigo e, nela deixas-te que te fechasse, pra te abrir todos os momentos, em que não estás comigo.
As tuas mãos que desviam dos meus lábios os meus cabelos, estão sempre aqui, ora apenas me seguram a almofada, me aconchegam o edredom, me passam o guardanapo, me estendem um bombom, ora mergulham suavemente no meu corpo liquido de tanto esperar que descongela, e volta a aquecer, num estado morno, quente, a escaldar, em que me percorres todos os sentidos, só de nos lembrar.
Os teus olhos, aquele claro azul claro translucido dos teus olhos, está sempre a olhar pra mim, ora no mais profundo da minha alma, sem palavras como sempre, ora de pálpebras revestido, a pedir-me que te cubra de beijos e carinhos.
Os teus mimos, a tua saudade, estão sempre em mim, pesem embora as palavras, as ditas e as não ditas, as que nunca te disse, e as que nunca me dirás.
Mas, não preciso das palavras para amar-te, valha-nos isso.
E não serão palavras, que poderão mudar isso, ou isto.
O mar quando me obrigo a ficar frente-a-frente com ele, tráz-me todos os teus recados.
O sol, o luar, o pão e o queijo que substituem a refeição, o corpo do vinho que me ensinaste a saborear, repetem-me todos os teus segredos.
O vento numa noite escura e o frio que me range os dentes, o calor abrasador embora à sombra dentro de um carro fechado, os caminhos de areia e mato para todo-o-terreno percorridos em loucas tardes num ligeiro alugado, as baladas que nos encantaram e que sentimos nossas, as promessas em que nos relemos nas cartas de amor que todos os apaixonados se escrevem, trazem-te de volta, de cada vez que andas afastado.
Onde quer que eu pare o meu coração por milésimos de segundo para descansar, mesmo que apeteça às vezes não voltar a deixá-lo bater sem ti, estás tu em mim com a metade de teu coração que bate no meu e me pertence, pra me dar força pra suspirar, em vez de parar no tempo, e mesmo sem palavras, continuar a respirar o nosso amor, e mesmo sem ele, e com o coração inteiro a sangrar, continuar a viver.
"Espera por mim, amo-te e quero-te só pra mim!"... Pode ser só impressão, pode ser só desejo, saudade, mas acho que foram essas palavras de coragem, que acabaste agora de me sussurrar ao ouvido!

Malu

02/05/2008

...a natureza não tem pressa...

Mais uma noite acordada, mais um dia a vaguear na sombra de nós e na saudade de te ter aqui, vazia de ti.
Às vezes custa, dói sem medida, esse silêncio impar de quando procuro as tuas mãos, os teus olhos e não estás, não te dás.
Às vezes sossega um pouco este desespero, atenua-se essa tristeza profunda da nossa ausência e brilha o sol do nosso amor dentro de mim quando te sinto em mim como sinto, como tenho a certeza que também estou em ti.
Por vezes morro de solidão, choro desalmadamente, desgasto-me em pranto por não te ter e doer tanto.
Outras vezes consigo com a tua força e a tua paz acreditar que cada dia que passa, tão devagar, é apenas menos um dia sem ti, apenas mais um que passou e que nos aproximou. Porque a nossa historia ainda não começou, não vai a meio, nem acaba aqui. A nossa historia tem obviamente um final feliz onde estamos juntos e não assim, onde podemos andar livres de mãos dadas na rua de noite, de dia, por onde o vento nos levar, sem medos, sem meias verdades, sem mais dramas, sem mais lágrimas, a não ser de felicidade…
Mas um dia passa devagar, mais ou menos, a cada um. E as forças imbatíveis da galáxia, movem só a seu tempo as energias a favor do bem.
Tudo se há-de concertar a seu tempo! Sim, bem creio que, tudo o que estiver desconectado, deverá ir ao lugar certo. Mas os dias continuarão a passar, muito devagar. A natureza não tem pressa, muito menos em nos juntar.
Será que tiveste tempo neste longo dia, para te lembrares de mim?
Sentes como eu, que sem nós, os dias passam tão cruelmente devagar?
Se o tempo pode carregar o amor, sei que todo este tempo que estás sem mim, mas em mim, sabes como te tenho amado!

Malu

01/05/2008

..se este amor se perder...

Nem sequer te vi, já me disseste adeus
Não chorei por ti, cerraste os olhos meus
Não te conheci, escondeste-me entre os teus
Não reconheci quando te apresentaste
Nem desconfiei quando te apaixonaste
Não estremeci quando me beijaste…
Não, não percebi, que tanto te queria
Não no primeiro olhar, não no primeiro dia
Nem hoje sei sequer, o que antes não sabia…

Porquê, tinha eu que te amar assim ?!
Porquê, tinhas tu que olhar pra mim ?!
Como vamos agora conseguir viver
Este grande amor, que nasceu sem saber ?!
Um sentimento tão forte que dói
Um querer tão imenso que destroi
Uma vida tão complicada, desavinda
Uma tão tumultuosa estrada, infinda…

Como, quando vamos ficar juntos meu amor?
Como, quando vai parar este terror?
Este medo de te ter, te querer tanto, te amar
e não saber…
Como parar de sofrer, de magoar?
O que vai ser de nós…se este amor se perder ?!

Malu

Fevereiro 2008

...saudades...


Saudades...
Do pouco que tive, do muito que senti
Dos abraços apertados, dos momentos que vivi
Do olhar os teus olhos e me sentir desejado
Da tua timidez que me deixava acanhado

Saudades...
Dos carinhos vindos das tuas mãos
De caminhar ao teu lado mesmo sem direção
Das adversidades que vinham nos assolar
Dos mais simples gestos que tinha pra me acalmar

Saudades...
Das canções que junto a ti ouvia
Dos momentos que por nada, agente ria
Dos poemas que pra mim recitava
Da mais bela voz que me deixou encantado

Saudades...
Da brisa, da lua, da chuva
Do instante em que me senti completamente teu
De ficar e estar contigo
Das noites a conversar até ao amanhecer

Saudades...
Da forma mais linda como me beijavas
Da maneira carinhosa como me tocavas
Do olhar de menina que me fascinou
Do teu gosto e teu cheiro que em mim ficou.

Saudades de ti meu Amor.


(com os devidos créditos, o poema original
é assinado por uma renata, e foi publicado
em poemas.com.brasil, mas
(tu) adaptaste a nós)

...saberias...

saberias o que fazer comigo... se eu não soubesse...?
saberias como estar comigo... se eu não estivesse ...?
saberias amar-me mais ou menos...como eu necessitasse...?
saberias dizer-me como sentir, quando eu não sentisse...?
saberias dizer-me como parar...quando eu não conseguisse ...?
saberias dizer-me como avançar... quando eu emperrasse...?
saberias ajudar-me a levantar...quando eu caisse...?

Ninguém sabe...eu sei...
até ao momento...
Quero que saibas apenas que
adoraria, que tentasses descobrir...

amo-te muito

(de mim para ti)

..quero...

Quero o sol nas manhãs que não estás comigo
Para aquecer-me como fazias todos os dias quando a teu lado estava
Quero a agua fresca na minha boca
Para matar a sede dos teus beijos
Quero a brisa na minha face
Para que eu possa lembrar-me dos teus doces carinhos
Quero a erva verde à beira duma lagoa
Para que eu possa passar horas mergulhado em recordações
Quero a musica em forma de lembrança...as nossas
Quero o calor para que o meu suor me faça lembrar o deslizar dos teus cabelos
Quero a estrada calma
Para ouvir a tua voz nas nossas longas conversas
Quero uma cabana no alto de uma montanha
Para lembrar dos nossos melhores momentos
Quero um pinheiro manso
Para debaixo dele poder declarar todo o meu amor
Quero amar-te na brisa do oceano
Quero amar-te ao som das ondas, sentado numa pedra...e tu distante e tão perto ao mesmo tempo
Quero o frio da madrugada ...com noites geladas
Quero a lua para me levar atè perto de ti pra toda a minha vida
Quero o sol nas manhãs que não estás comigo...
Quero-te junto a mim.

(a daniela publicou em supertextos o poema original
mas tu adaptaste a nós)