04/05/2008

...Transparente...

Confirmo que não sei como estar se não é isto que quero estar. Confesso que não sei mais o que fazer para sossegar o monstro que criei em mim, não por que me consuma, gosto dele, mas porque vejo o quanto incomoda os que me estão próximos. O quanto posso ser uma distracção do que é importante e, acabar por não valer, aos que mais quero.
Tenho essa noção, de que deveria parar às vezes, ou agora mesmo, mas, pelos outros não por mim e se calhar também caio na esparrela de me preocupar com eles mais do que comigo, e nesses "para-arrancas" atraso-me, mas também não tenho pressa.
Mas fujo desse dilema, aliás não fujo, não passa por mim. De tanto passar no passado até acho que já escolho o que me apetece passar e com o que sofrer, embora não saiba viver de outra maneira, mas pelo menos é comigo ou com quem eu escolho que estou a passar-me, com os meus pequenos terrorismos pessoais monstros diários, que às tantas só eu é que alimento e a ninguém em mim aparecem, mas pouco me importa isso.
Não me vejo a viver a vida de mais alguém que não eu.
Vai daí, nem eu me entendo, mas também não peço a mais ninguém pra entender, nem eu me perdoo por não ser de outra forma, nem peço perdão a mais ninguém, por todas as formas em que amo e estou e dou e tiro de volta antes de dar, em que sou ou não sou, em que exijo antes de reconhecer, em que piso e maltrato, em todas as formas em que julgo e selecciono e em que não tolero não cedo, por todas as formas em que ergo aquelas barreiras invisíveis com que impeço qualquer um de me "tocar".

Mas ai até eu me engano às vezes, e alguém sempre fura a protecção e me afecta, mesmo que colateralmente em situações que deveriam ser directas, ou em cheio em outras que não me seriam dirigidas mas que me atingem. Mas paciência, eu não sou, portanto, ninguém é perfeito...
Quer-se dizer: tento viver, para além de sobreviver nesta esfera, e tento percorrer o meu caminho, sem desvios, mas há-os sempre. Há sempre quem apareça pela frente, quem me chame lá atrás não sei de onde, ou quem também erga as suas barreiras distintas das minhas, e por onde eu estava a pensar ir, já não vou conseguir.
Mas a vida não tem um mapa, e as viagens não se repetem, nem são iguais, por mais paralelas que sigam. Apenas existem pontos comuns entre a nossa linha e a linha dos outros, e nesses pontos dizemos, que nos cruzamos. Mas não passa disso, uma cruz, depois cada um segue o fio condutor da sua historia. Nunca se fundem os seres, os existires, se não nos sonhos.
Mas bolas, confirmo que sou eu quem anda às voltas, antes de me decidir, mas porque quero, não porque esteja perdida. Gosto das voltas.
Primeiro que me diga a mim quem vive em mim, se é por ali ou não, e só depois disso eu vou. Não quero que me puxem, não admito que me empurrem, não ceguei ainda ao ponto de terem que me mostrar mais e mais caminhos, não sou totalmente analfabeta nesta escola... Eu vou, hei-de lá chegar, mas no meu compasso, na minha hora. Eu quero desbravar por onde vou, e não peço alcatifas para passar, por onde os outros já pisaram, e dizem que será melhor ou pior. Sei que vou cortar os meus pés, que vão ficar descalços, mas vou... gosto de mim muito mais a ir. E depois, detesto pressões, principalmente as que nos atraem para o buraco negro da normalidade.
Posso ser eu que estou mal, obviamente não nego!
Se sou sempre eu a contrariar e, todos os outros têm razão, então a razão não está comigo, certo! Mas isso é hoje! Amanhã, lá num amanhã longínquo, poderei vir a ter razão, mas novamente estarei no sitio certo na altura errada. Mas nem por isso me sinto deslocada ou à parte deste mundo. Pelo contrário, sei que não sou da época, não sou do bem actual, como ele é estereotipado nos dias em que aqui estou, mas também não me marginalizo.
Adoro esta terra redonda, mas como todos sabemos, nem sempre se achou que ela era redonda, por isso, nunca digam, que tudo é certo como lhes ensinaram que era. Apenas tenho a alma presente, mas ausente, porque não pertenço a este tempo, parece-me que é isso. E daí, parecer que estou sempre inadaptada, ou parecer-me a mim, sei lá!
Há sempre uma busca de mim, em qualquer parte, que não termina, mas não tenho pressa. Vagueio insistentemente como sei, à procura de um sinal da minha pessoa, estampada por árvores que subi, por folhas vermelhas que apanhei do chão, por calçadas que palmilhei, por pedras com que escrevi, por ruas por onde passei, pétalas que arranquei das minhas flores dos jardins que assaltei, por amores que desiludi, por ódios e fracassos que amei, e mesmo que nunca me encontre, ando bem. Estou rodeada desses fragmentos, de mim espalhados ao sol, partilhados com tanta gente, que não me acho no direito de escolher ás vezes, quem deva ou não deixar-me levar.
É o meu estado de sítio este, mas não é uma dor, não é um problema, pelo menos para mim. Só passa a ser, quando nestas minhas incessantes lutas, são apanhados, os que menos queria desorientar, ou abalar.
Diz-se de qualquer um que não sabe o que quer, não sabe o que fazer, não sabe o que sentir, não sabe como viver, que está perdido, e eu nem sequer com isso concordo. Não me sinto perdida. Apenas não me é o bastante encontrar-me aqui ou ali. Se sei onde estou, o que procuro agora já não sou eu. E continuo a procurar, porque me recuso a parar, a morrer.
E esse lugar comum a que chamam usualmente de pessoa inconformada ou anti-social, não me aperta a cabeleira. Sou como sou e ninguém é totalmente transparente. E quem não me aceita, só perde, porque então a esses eu não me dou.
Não sou do contra, só por ser! Só que tenho que ser eu a dizer o que me é contra ou a favor, e ninguém me venha de encontra, descobrir o que ainda nem eu descobri.
Não tenho pressa, como se fosse eu a dona da minha própria vida, sei que o exercício é demorado, com esta minha teimosia é até dificultado em relação aos que me acompanham, sei que fico pra trás, ou atalho por onde ninguém mais, mas sou dessas que preferem ir aonde me leva o coração, e não por ai...Sempre soube que era daqui, e de tanto outro lugar, que não me estranho. Não me custa vacilar, bambalear na minha linha que anda suspensa, já nem cordão é nem rede tem por baixo. Só me fazem hesitar os que amo, pois olho e vejo neles o medo de me perder. Creio que, só os que me amam, sabem que não me podem prender. Mas são eles que me prendem, a tudo o que ainda trago comigo, e sendo assim, sempre que me sinto assim, sei por exclusão de partes, que é porque alguém que amo está por minha causa a sofrer.
O amor, vive em cadeia: Tu dás, o outro dá ao outro, ao a seguir. E se um dia voltar a ti esse amor que deste, é porque o circulo era fechado. Isso não está certo, não deveria ser, mas é assim que funciona e todos dizem que é assim que tem que ser, ensinam-te mesmo a primeiro semeares, pra depois colher, como se o amor fosse um vegetal que pudesses cultivar.
Nem todas as leis da vida foram já encontradas, ou decifradas, levam milhares de anos, a evoluir, E eu não quero reinventar o amor. Mas o certo é que até hoje, ainda ninguém inventou um amor como o meu.
Para receberes amor de volta, de uma pessoa, costumam instigar-te essa velha teoria do ricochete, como se fosse verdade, e ainda há quem acredite, aliás, não encontro é quem como eu não acredite, que seja preciso dar para receber, entre duas pessoas e entre si, ou que se tem que retribuir a quem dá.
Não, não é assim que tem que ser. Os sentimentos e as partilhas podem se trocar, e dessa forma tudo seria mais fácil. As pessoas deveriam deixar de se cobrar, seriam muito mais felizes assim. Dar é dar, e mais nada, sempre se soube, e essa é a única fórmula que prevalece neste mundo que constantemente gira, e consequentemente faz-me girar a mim.
Um exemplo prático é o mais proximo que tenho: Não me admiro, de ser gelada, nem fria sou, sou gelada por exemplo para a minha mãe. É a pessoa que mais me ama, a que mais amo, e não é por causa disso que é quem me tem mais, ou mais amor. Eu não posso fechar o meu circulo.
O que me dás, aprende, não vais receber de volta que eu não te dou. Vou dar a outros que ainda não têm. E essa é a minha forma de estar na vida. Só assim poderei crescer, ou um dia dizer que valeu a pena.
A reciprocidade não manda, nem sequer deveria de existir. O que deveria mandar era a troca, como nos primordiais conceitos de partilha, onde seria mais justo tu dares-me o que não tenho, eu trocar pelo que te posso dar, e na volta, teríamos ambos muito mais, e diversificando na nossa relação iríamos ai sim, sempre mutuamente partilhando e amando. Mas não é assim ainda. Nestes dias em que vivo não nos deixam trocar as coisas valiosas entre si, mesmo que sejam diferentes, e necessárias a ambas as partes por igual. Não há cá misturas, é pão pra pão e queijo pra queijo, e não há a felicidade também , de ter de tudo, o que se possa dar e receber sem mencionar previamente os géneros, e as espécies dos sentimentos implicados.
Por isso é que associam ainda tanto o amor ao sofrimento. Porque as pessoas não foram feitas para retribuir nada, muito menos o amor, e assim o são obrigadas, e assim o são infelizes.
Cá pra mim, é porque se fechou o circulo do amor, que se fechou simultaneamente o do sofrimento. Então, não se queixem!
Não me prendam aos amores aos sofrimentos, aos básicos valores que regem como sendo certos. Eu não vejo isso , para mim, não são e um dia lá chegarão.
Mas nem por isso me acho mais à frente, apenas me atraso, e me deixo ir mais lentamente. Porque enquanto cá andar, sei que vou andar sempre ao contrário. E custa-me muito o que isso faz nos meus, não nos que não me interessam, mas nos meus, que não são do mesmo naipe, mas não têm culpa.
Agarro-me ao que posso, para não desaprender que entre não amar e não sofrer e amar e sofrer é preferível, a segunda situação, nestes tempos atrasados em que a reciprocidade é exigida e a troca não é livre e a partilha feliz.
Agarro-me à vida nos olhos do meu filho, nos abracinhos que me dá, pra me convencer de que ser daqui deste tempo e deste lugar, só por ser mãe dele, até pode ser muito bom. Agarro-me ao que tenho, pra definitivamente não me perder, naquilo a que todos os outros entendem por isso, e não procuro tão exaustivamente, tão ansiosamente. Sei que em tudo o que me encontre, no resto dos meus dias, vou me reconhecer, e não tenho pressa...
Há uma natureza mãe em mim que apesar de tudo, me diz pra viver enquanto estou viva.

E, a viver quero que seja com o que amo, com os que amo.
Por isso confirmo que não sei como ficar, porque não sou de ficar, mas vou ficar.

Malu

03/05/2008

respostas em branco

Quando as nossas respostas ficam em branco, procuramos a cor nas palavras que outros já disseram, e com sentido, porque, algumas, até fazem sentido, tanto que parece que conseguem até quase descrever na perfeição, o que sabemos que poderá ser a resposta que não queremos ouvir, ou o que gostaríamos que fosse respondido:
Cinco pequeninos exemplos só... entre muitos outros, invadem-me hoje a massa que leveda...


"Às vezes, é preciso abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar fora a chave. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho, mesmo que não haja caminho, porque o caminho se faz a andar. O sol, o vento o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então, esquecer."

As Crónicas da Margarida, Margarida Rebelo Pinto


"Sempre te amei sem saber porquê. Não preciso de porquês, é mesmo assim. Mas, mais do que porquês ou razões, adoro olhar para ti e perceber o quanto gostas de mim. Não preciso que mo digas para o saber, e não há segurança maior do que a certeza das coisas que são ditas sem palavras."
Espero Por Ti Em Paris, Diana Mendonça & David Marle

"Albert nunca recuperou a ausência física de Marta. Mas guardou os silêncios e reconstruiu-os. Em cada silêncio da sua vida, falava com ela – como fazia dantes, deitado ao seu lado, falando em silêncio, numa nudez absoluta, sem segredos nem medos. Porque nada é mais íntimo e mais indestrutível do que o silêncio partilhado. O silêncio fica porque nunca mente, porque é tão íntimo que não pode ser representado, é tão envolvente que não pode ser rasgado.Conheço bem Albert e Marta sei o quanto se amam em silêncio e à distância e não sei dizer como acabará a sua história. Ele destrói-se, ela defende-se. Cada um deles faz por desejar ou fingir desejar a salvação própria, mas, acima de tudo, teme a salvação do outro. O silêncio é o que lhes resta, o que os une, uma finíssima película de tempo suspenso, para além da qual não há nada mais do que a escuridão dos abismos. E, por isso, nenhum deles ousa qualquer palavra, qualquer gesto, qualquer coisa que possa romper esse ténue fio que os prende à eternidade.É uma história triste e sem fim feliz à vista. Conto-a, porque me parece que ela encerra uma lição útil: nunca devemos amar em silêncio, nada é mais perigoso do que dividir com outrem os pensamentos vividos em silêncio."
Não Te Deixarei Morrer, David Crockett, Miguel Sousa Tavares


"O amor é tempo e tu não tens tempo para mim. Pelo menos agora. Amor é sorte e talvez eu não tenha sorte. Ou tenha, mas não contigo. Há pessoas a quem falta a saúde, outras uma família que as proteja, outras, a realização profissional. Há mulheres que nunca conheceram os pais, ou que não conseguem ter filhos. Há pessoas que trabalham uma vida inteira e nunca conseguem juntar dinheiro. Há pessoas a quem lhes é retirada a liberdade, ou lhes é interditada a vocação. Na existência humana há sempre uma dimensão que falha. Na minha, na qual alcancei muito mais do que alguma vez achei possível, talvez falte este tipo de amor que há tanto tempo procuro: um amor pleno, supremo e incondicional, um amor sereno e seguro que me proteja do mundo, um amor certo e firme, um amor real, em vez do mundo de sonhos em que vivo mergulhada quase desde que me conheço.

Diário da Tua Ausência, Margarida Rebelo Pinto

"..Descobres que só porque alguém não te ama da maneira que queres que te ame, não significa que essa pessoa não te ame, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como demonstrar isso..."
William Shakespeare

... palavras ...

Mais do que ficar à espera que me escrevas, ou que me repreendas com os teus intermináveis silêncios, procuro palavras, para me ligar a ti. Não sei ficar simplesmente desligada de nós e, onde quer que eu pare os meus olhos, há sempre algo, de nós, por toda a parte.
Posso passar um dia inteiro e apenas proferir o indispensável e, viver como muda durante muitos outros dias, pois ninguém mais deverá saber como tu arrancar-me as palavras. Porque aos outros tenho que falar, pra me ouvirem, mas a ti sei que não, sei que tens o coração fora do peito neste preciso momento em que tas digo, em que te escrevo, porque ambos sabemos que meio coração que temos, é do outro.
Sei que estás enclausurado neste silencio manso, tal como eu.
Sei também que te magoo com as palavras, e tu sabes que nada podemos fazer, nem eu nem tu, para o impedir.
Porque as palavras que te digo, rasgam-me o pensamento. Saem de mim, tantas vezes abruptamente, sem querer, que até me assustam, nesta surdez que interrompem sem pedir licença. Assaltam-me, como que gritam dentro de mim, e escrevo-tas, onde nunca as lês, onde não basta, onde não vens, onde não estás...
Onde não te tenho, sinto-te tanto amor!
Onde não quiseste mais ficar, tenho daquelas tão longas conversas contigo...
Perco-me em tantos doces sorrisos, pautados pela musica desse nosso outrora prazer de estar-mos entre um e outro, mesmo que com tudo o resto presente, daquela forma que não incomodava, nada, nem a nós.
Sim, tenho vivido calada, apenas com as nossas palavras, as não ditas, a bailar na minha cabeça, no meu pensamento.
Nunca me recusei verbalmente a amar-te, não o poderia ter feito, embora devesse.
Mas também nunca verbalizei o ultimato que, hoje te traria aqui, ou não, mas pelo menos hoje sabia... e não sei, porque nunca te direi, por mais que te diga, como dói, nunca saberás, por mais que digas como dói, o meu coração.
Acredito que se soubesses, já terias feito uma escolha, daquelas que se tornam físicas não só das intencionais, porque essa fizemos os dois em simultâneo, quando nos entregámos sem palavras.
E é sem palavras, que te vou tendo, que te vou ouvindo, que te vou amando, com respostas em branco inalcançáveis para essas perguntas e medos intransponíveis, que vão sempre existir, mesmo depois de ditas todas as palavras.
Não preciso das palavras pra sentir-te. Em silencio ou não e quer queiramos quer não, estamos em toda a parte por onde ande.
O sabor amargo e doce das descobertas mutuas anda sempre na minha boca.
Os beijos que me fizeram sentir mulher como nunca, estão vivos, estão ansiosos, como as palavras.
Os planos suspendidos, continuam guardados numa caixa metálica em forma de coração, vermelha, aquela que abris-te comigo e, nela deixas-te que te fechasse, pra te abrir todos os momentos, em que não estás comigo.
As tuas mãos que desviam dos meus lábios os meus cabelos, estão sempre aqui, ora apenas me seguram a almofada, me aconchegam o edredom, me passam o guardanapo, me estendem um bombom, ora mergulham suavemente no meu corpo liquido de tanto esperar que descongela, e volta a aquecer, num estado morno, quente, a escaldar, em que me percorres todos os sentidos, só de nos lembrar.
Os teus olhos, aquele claro azul claro translucido dos teus olhos, está sempre a olhar pra mim, ora no mais profundo da minha alma, sem palavras como sempre, ora de pálpebras revestido, a pedir-me que te cubra de beijos e carinhos.
Os teus mimos, a tua saudade, estão sempre em mim, pesem embora as palavras, as ditas e as não ditas, as que nunca te disse, e as que nunca me dirás.
Mas, não preciso das palavras para amar-te, valha-nos isso.
E não serão palavras, que poderão mudar isso, ou isto.
O mar quando me obrigo a ficar frente-a-frente com ele, tráz-me todos os teus recados.
O sol, o luar, o pão e o queijo que substituem a refeição, o corpo do vinho que me ensinaste a saborear, repetem-me todos os teus segredos.
O vento numa noite escura e o frio que me range os dentes, o calor abrasador embora à sombra dentro de um carro fechado, os caminhos de areia e mato para todo-o-terreno percorridos em loucas tardes num ligeiro alugado, as baladas que nos encantaram e que sentimos nossas, as promessas em que nos relemos nas cartas de amor que todos os apaixonados se escrevem, trazem-te de volta, de cada vez que andas afastado.
Onde quer que eu pare o meu coração por milésimos de segundo para descansar, mesmo que apeteça às vezes não voltar a deixá-lo bater sem ti, estás tu em mim com a metade de teu coração que bate no meu e me pertence, pra me dar força pra suspirar, em vez de parar no tempo, e mesmo sem palavras, continuar a respirar o nosso amor, e mesmo sem ele, e com o coração inteiro a sangrar, continuar a viver.
"Espera por mim, amo-te e quero-te só pra mim!"... Pode ser só impressão, pode ser só desejo, saudade, mas acho que foram essas palavras de coragem, que acabaste agora de me sussurrar ao ouvido!

Malu

02/05/2008

...a natureza não tem pressa...

Mais uma noite acordada, mais um dia a vaguear na sombra de nós e na saudade de te ter aqui, vazia de ti.
Às vezes custa, dói sem medida, esse silêncio impar de quando procuro as tuas mãos, os teus olhos e não estás, não te dás.
Às vezes sossega um pouco este desespero, atenua-se essa tristeza profunda da nossa ausência e brilha o sol do nosso amor dentro de mim quando te sinto em mim como sinto, como tenho a certeza que também estou em ti.
Por vezes morro de solidão, choro desalmadamente, desgasto-me em pranto por não te ter e doer tanto.
Outras vezes consigo com a tua força e a tua paz acreditar que cada dia que passa, tão devagar, é apenas menos um dia sem ti, apenas mais um que passou e que nos aproximou. Porque a nossa historia ainda não começou, não vai a meio, nem acaba aqui. A nossa historia tem obviamente um final feliz onde estamos juntos e não assim, onde podemos andar livres de mãos dadas na rua de noite, de dia, por onde o vento nos levar, sem medos, sem meias verdades, sem mais dramas, sem mais lágrimas, a não ser de felicidade…
Mas um dia passa devagar, mais ou menos, a cada um. E as forças imbatíveis da galáxia, movem só a seu tempo as energias a favor do bem.
Tudo se há-de concertar a seu tempo! Sim, bem creio que, tudo o que estiver desconectado, deverá ir ao lugar certo. Mas os dias continuarão a passar, muito devagar. A natureza não tem pressa, muito menos em nos juntar.
Será que tiveste tempo neste longo dia, para te lembrares de mim?
Sentes como eu, que sem nós, os dias passam tão cruelmente devagar?
Se o tempo pode carregar o amor, sei que todo este tempo que estás sem mim, mas em mim, sabes como te tenho amado!

Malu

01/05/2008

..se este amor se perder...

Nem sequer te vi, já me disseste adeus
Não chorei por ti, cerraste os olhos meus
Não te conheci, escondeste-me entre os teus
Não reconheci quando te apresentaste
Nem desconfiei quando te apaixonaste
Não estremeci quando me beijaste…
Não, não percebi, que tanto te queria
Não no primeiro olhar, não no primeiro dia
Nem hoje sei sequer, o que antes não sabia…

Porquê, tinha eu que te amar assim ?!
Porquê, tinhas tu que olhar pra mim ?!
Como vamos agora conseguir viver
Este grande amor, que nasceu sem saber ?!
Um sentimento tão forte que dói
Um querer tão imenso que destroi
Uma vida tão complicada, desavinda
Uma tão tumultuosa estrada, infinda…

Como, quando vamos ficar juntos meu amor?
Como, quando vai parar este terror?
Este medo de te ter, te querer tanto, te amar
e não saber…
Como parar de sofrer, de magoar?
O que vai ser de nós…se este amor se perder ?!

Malu

Fevereiro 2008

...saudades...


Saudades...
Do pouco que tive, do muito que senti
Dos abraços apertados, dos momentos que vivi
Do olhar os teus olhos e me sentir desejado
Da tua timidez que me deixava acanhado

Saudades...
Dos carinhos vindos das tuas mãos
De caminhar ao teu lado mesmo sem direção
Das adversidades que vinham nos assolar
Dos mais simples gestos que tinha pra me acalmar

Saudades...
Das canções que junto a ti ouvia
Dos momentos que por nada, agente ria
Dos poemas que pra mim recitava
Da mais bela voz que me deixou encantado

Saudades...
Da brisa, da lua, da chuva
Do instante em que me senti completamente teu
De ficar e estar contigo
Das noites a conversar até ao amanhecer

Saudades...
Da forma mais linda como me beijavas
Da maneira carinhosa como me tocavas
Do olhar de menina que me fascinou
Do teu gosto e teu cheiro que em mim ficou.

Saudades de ti meu Amor.


(com os devidos créditos, o poema original
é assinado por uma renata, e foi publicado
em poemas.com.brasil, mas
(tu) adaptaste a nós)

...saberias...

saberias o que fazer comigo... se eu não soubesse...?
saberias como estar comigo... se eu não estivesse ...?
saberias amar-me mais ou menos...como eu necessitasse...?
saberias dizer-me como sentir, quando eu não sentisse...?
saberias dizer-me como parar...quando eu não conseguisse ...?
saberias dizer-me como avançar... quando eu emperrasse...?
saberias ajudar-me a levantar...quando eu caisse...?

Ninguém sabe...eu sei...
até ao momento...
Quero que saibas apenas que
adoraria, que tentasses descobrir...

amo-te muito

(de mim para ti)

..quero...

Quero o sol nas manhãs que não estás comigo
Para aquecer-me como fazias todos os dias quando a teu lado estava
Quero a agua fresca na minha boca
Para matar a sede dos teus beijos
Quero a brisa na minha face
Para que eu possa lembrar-me dos teus doces carinhos
Quero a erva verde à beira duma lagoa
Para que eu possa passar horas mergulhado em recordações
Quero a musica em forma de lembrança...as nossas
Quero o calor para que o meu suor me faça lembrar o deslizar dos teus cabelos
Quero a estrada calma
Para ouvir a tua voz nas nossas longas conversas
Quero uma cabana no alto de uma montanha
Para lembrar dos nossos melhores momentos
Quero um pinheiro manso
Para debaixo dele poder declarar todo o meu amor
Quero amar-te na brisa do oceano
Quero amar-te ao som das ondas, sentado numa pedra...e tu distante e tão perto ao mesmo tempo
Quero o frio da madrugada ...com noites geladas
Quero a lua para me levar atè perto de ti pra toda a minha vida
Quero o sol nas manhãs que não estás comigo...
Quero-te junto a mim.

(a daniela publicou em supertextos o poema original
mas tu adaptaste a nós)

...em pessoa...


“Nunca amamos ninguém. Amamos, tão somente, a idéia que fazemos de alguém. É um conceito nosso, em suma, é a nós mesmos que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa.”

“A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.”

“O amor é um sonho que chega para o pouco ser que se é”.

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem...Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

“A felicidade está fora da felicidade.”

“Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso”.
O Homem é do tamanho do seu sonho.”

Fernando Pessoa
(pessoa em ti)

...Sinto a tua falta...

Sinto a tua falta....
Sinto falta do teu cheiro...da tua voz, dos teus sorrisos...
Da tua boca a dizer-me segredos só a mim revelados
Segredos nossos,bem guardados no mais intímo do meu ser.
Falta-me um pedaço....
Um pedaço do meu coração...
Da minha essência de ser que se despreendeu de mim para te fazer companhia...
Que de ti não se quis separar.....
Devolve-me amor meu aquilo que me pertence....
A metade do meu coração que completa o teu....
Sem ela sou um ser pela metade...
Sinto a eterna saudade....
Prisioneira do teu amor no tempo...
Liberta-me ou vem fazer-me feliz.....
Só tu podes fazer-me feliz....quero-te!
Sem medo ou ansiedade....
Com calma e tranquilidade
Que só os verdadeiros seres que se completam podem dar um ao outro
Amo-te.......muito e eternamente......
O teu amor encontrou-me....
A tua força de vida brilhou por mim, para mim....
E a minha explodiu em uma profusão de cores no universo
Quando atingiu o limite do teu ser...

26 de Novembro de 2004
Lisboa-Portugal
Ass: Convidado anónimo

(este alguém publicou no forum aveiro no terravista

e tu deste-me a ler... adorei)

...estar longe...

Estar longe de ti é ter a noção do tempo e não saber preenchê-lo...
É perder a paz e conhecer a ausência de alguém presente.
Estar longe de ti, talvez seja o maior desafio pro meu coração,
É ter necessidade de me manter acordado para a vida
enquanto o meu corpo adormece na tua ausência.
Estar longe de ti, é tentar permanecer calado
enquanto o meu peito grita...
É procurar respostas e não encontrar...
É descobrir forças no infinito,
É morrer de saudades
a todo instante que penso em ti!

(tu adaptaste e aportuguesaste, pra mim...e ficou mui lindo, mas a publicar, deixo os créditos á daniela, dos super textos, no original "ficar sem você" que de resto, muitos já usaram também nos seus fotoblogs e em outras mensagens de amor, obrigado

...

não preciso de um poeta em ti, basta-me saber que és sensível, à poesia, tanto que a transformas, para me agradar, e dares-te a esse trabalho, jé é um grande trabalho, reconheço)

...para o meu grande amor...

Se o amor for grande,
A espera não será eterna,
Os problemas não serão dilemas,
E a distância será vencida.

Se a compreensão existir,
As brigas fortalecer-nos-ão,
Os factos farão-nos rir,
E os diálogos marcar-nos-ão.

Se o respeito prevalecer,
Os carinhos serão doces e suaves,
Os beijos profundos e cheios de valor,
E os abraços calorosos e reconfortantes.

Se a confiança existir,
A dúvida se extinguir-se-á,
As perguntas serão respondidas,
E as palavras poderão ser ditas.

Talvez não seja um amor eterno.
E não é um amor doentio,
Nem um amor ideal.
Mas um amor Verdadeiro.

Aquele que vence as barreiras
Impostas pela vida e pelas ocasiões.
Aquele que não teme a escolha,
E faz a opção de simplesmente
Ser intensamente vivido.

( as palavras,
seja o poema é de Myrian Sartori)
Amo-te. (acrescentaste tu)

...Não sei...


Não sei porque escrevo, ....sim sei, são estas saudades que crescem dia após dia... mas palavras não transmitem aquilo que o meu coração sente. E uma vontade de parar de escrever cresce como a vontade de estar contigo. Sonho o dia em que a distancia não será sentida. E paro de escrever para sonhar...sonhando escrevo o que não sei dizer ou expressar em pensamento real. E porque é sonho paro!
Perdido nos labirintos do meu ser não quero parar de escrever. Como se a escrita me levasse a uma saída o encontro comigo no próprio ser, encontro maravilhoso de sentimentos puros... Talvez eu lá esteja não sei... Continuo perdido.
E como que reclamando o meu lugar descubro que não estou na totalidade perdido, pedaços de mim estão em mais alguém...
Dava a minha vida para estar contigo...sei que é impossível, por agora, mas eu não consigo esquecer-me de ti...aliás, não quero esquecer-me de ti ...porque na verdade... eu Amo-te!

(tu, e as tuas adaptações... até que ficam bem, e tocam-me sim
adoro saber que ao leres, te apetece fazer-me passar a mesma mensagem

Esta, está em mensagens virtuais ponto come, no tema saudade é a 18ª, e foi originalmente cedida por uma tal de Pathy, a mesma que não quero que me acuse de plágio, mas tu, e as tuas adaptações, merecem que recorde este texto, nem que seja só pela última palavra, e para sempre)

...a doer...

Nos momentos mais inesperados, vejo-me a pensar em ti.
Muitas vezes, acordo e sinto-te ao meu lado, mas não estás, foi apenas um sonho.
Outras, andando sem rumo certo, vejo-te entre a multidão, mas foi apenas ilusão.
Pergunto ao vento,como fazer para te encontrar?

Ele sopra tão rápido que não ouço a resposta.
Pergunto, então aos pássaros que voam pelos céus, eles voam tão alto, que não consigo entender o que dizem.
Nos meus sonhos nocturnos e naqueles em que estou acordado, nas minhas caminhadas solitárias, nas minhas saudades doloridas, em qualquer lugar que eu ande,

vejo-me a pensar em ti. Ocupas os meus pensamentos por inteiro.
Tento desvia-los, à procura de novos horizontes, mas tudo me faz lembrar de ti, até as lágrimas que derramo, derramo-as por me lembrar de ti, pois

Amo-te tanto... que chega a doer.

(tu... ou talvez não... mas também não importa)

...podes tu?...

Se tu pudesses ver dentro da minha alma
Ver dentro do meu coração
Tu saberias como eu tenho tempo para ti
Mesmo, sempre, estando tão longe
Se tu pudesses ver dentro da minha cabeça
Se os pensamentos são coisas para ver
Sabes... eu mostrar-te-ia com agrado
Tudo quanto significas pra mim
Todas as maneiras com que tu me reconfortas
A tua maneira de ser que me mantem próximo
Tu que sabes exatamente como fazer
Para acabar com todo o meu medo
As expressões dos teus lindos olhos
O brilho do teu sorriso, a melodia da tua voz...
A cor da tua alma, do teu TU
São apenas algumas das muitas razões
Para eu te Amar e te querer tanto
Saber que posso falar contigo
Sobre tudo e qualquer coisa
E saber que juntos iremos um dia
Através das nossas vidas.... viver !
Eu poderia percorrer o mundo
E isso, eu sei que é verdade!
Eu nunca encontraria um outro amor
Tal como o amor que encontrei em ti.
Embora a cada novo dia, a cada amanhecer
Não possamos saber o que virá a ser
Há uma coisa que eu sei ao certo
Eu Amo-te cada vez mais e mais
Portanto, se tu pudesses ver dentro da minha cabeça
Se os pensamentos são coisas que se possam ver
Tu saberias que eu me sinto bem, muito bem
E gostaria que assim continua-se...
Num sem fim...juntos e muito felizes.
Ajudas-me?


(tu? Não sei!
mas se tu pudesses ler dentro de mim,

eu também te poderia escrever uma coisa assim ;))

...perdoa-me...

Perdoa-me pelos momentos de coragem e de fraqueza...
Perdoa-me pelos instantes de alegria e também pelos momentos de tristeza...
Perdoa-me por tudo...
Perdoa-me por nunca conseguir atingir a perfeição tão esperada por ti...
Perdoa-me por te amar tanto a ponto de não querer viver sem ti...
Perdoa-me pelos momentos que errei, mas perdoa-me também pelos momentos em que acertei.
Perdoa-me até mesmo por eu existir!
Perdoa-me por não conseguir estar sem ti...
Mas perdoa-me também pelos momentos que pude viver ao teu lado... E podes estar certa que estes momentos realmente eu os vivi!
Perdoa-me por cada dia que te fiz feliz e infeliz também...
E obrigado, muito obrigado por me amares!
Eu também te amo... Muito, demais, a ponto de te pedir para me perdoares por todo este amor que eu sinto...
Perdoa-me, Amor, perdoa-me por tentar fazer-te feliz de tão longe e não conseguir...
Perdoa-me por esta intrusão na tua vida pacata...
Perdoa-me, meu anjo, se o desespero for tão grande que tu não me consigas esperar-me...
Meu Anjo perdoa-me...Porque no teu perdão talvez eu consiga encontrar-te...
Perdoa a minha fraqueza de não saber esperar...mas quero-te tanto!
Perdoa-me até por eu não perceber o porquê dessa vontade de esperar!
Perdoa-me...Por eu não conseguir ser diferente...
Perdoa-me por desejar tanto os teus abraços pra me sentir seguro...
Perdoa-me pela revolução inesperada que em tão pouco tempo nasceu.
Perdoa-me por necessitar do teu corpo, alma e coração aqui presentes... Aqui comigo...
Perdoa-me por me sentir obrigado a ausentar-me da tua vida por tanto tempo...
Mas também te peço perdão por me deixares tão perdido....Tão sem saber como vai ser amanhã...Tão sem vontade de continuar a vida...mas a querer tanto vivê-la contigo!
Perdoa-me por te amar...
Perdoa-me por não saber entender a tua ausência permanente...
Perdoa-me por todas as mudanças que sofres-te por minha causa...
Perdoa-me por tanto te amar...
Perdoa-me...Simplesmente perdoa-me por tudo que fiz e também por tudo que não fiz... Amo-te, ontem, hoje e amanhã... Amo-te eternamente!
Perdoa-me, Meu Amor, pelos meus gestos, pelas minhas palavras ditas e não ditas...
Perdoa-me pela minha coragem e também pela minha cobardia...
E perdoa-me até por teres que ler esta mensagem e também por me escutares...
Perdoa-me...se puderes!
Perdoa-me...

Adoro-te

(tu escreveste à nossa maneira, adaptaste e não pedes perdão, porque não há que pedir, mas transcrevendo tu, devo creditar o pensamento original ao publicar aqui... perdoe-nos a Xinha, em Sintra, que te inspirou, no seu blog refúgio sagrado)

...existir em mim...


Perdoa-me de eu existir,
Perdoa-me de eu te amar,
De eu à esperança gritar
De querer um dia o teu olhar.

Perdoa-me de te ter conhecido,
Perdoa-me de me entregar,
De não me ter esquecido
De hoje continuar a sonhar.

Perdoa-me de pensar em ti,
Perdoa-me não te esquecer,
Sofrimento, ainda não aprendi
Talvez um dia quando morrer.

Perdoa-me de ser assim,
Perdoa-me de eu te sorrir,
Se fizeres parte de mim
Perdoa-me de eu existir.


(o poema "Perdoa-me de eu Existir"é de FranKlim Amaral, e faz parte do livro "O Grito do Silêncio", e tu dás-mo a ler como quem confessa que o queria ter escrito, e exorcizas o teu não existir em mim)

...tempo...


Se eu tivesse só um segundo pra te ver
Só um minuto, o tempo de te fazer um carinho
Só uma tarde para um momento
nos teus braços, a sonhar
Só um dia, juntos tu e eu
Só uma semana em férias, longe, só nós dois
Só um mês pra me fazer um lugar a teu lado
Só um ano pra poder renascer contigo
Só uma vida pra te dizer: Amo-te

Como passar um minuto sem pensar em ti?

(tu?!)

...andorinha...


Se eu fosse uma andorinha
Secreta e mensageira azul dos apaixonados
Suspenderia o meu vôo entre as tuas mãos
E nas minhas asas apaixonadas, levarte-ía
Respirar uma primavera eterna
No coração duma noite de Amor
Sem fim...

Quero-te pra mim, só isso!
Lembra-te de nunca esquecer.

(tu?!)

...obrigado por nós...

Não sei há quanto tempo te amo
Tenho aquela inexplicável sensação
De que sempre te amei
Sempre te procurei em todos os meus amores
Mesmo antes de te encontrar ou conhecer

E olha que não pode ser cegueira
Não pode ser só fantasia, resultante da carência sazonal
Os anos e a vida tornaram-me muito exigente, muito selecta…
Cheguei mesmo a pensar em tempos recentes
Que mais ninguém me levaria à certa
Ninguém mais me conquistaria

Também não sei por quanto tempo te irei amar
Mas tenho uma confortante paz em mim
Que me diz que não preciso correr
Não há mais busca
Não há outro caminho a escolher

Não sei se morro de saudade ou de felicidade
Tenho a plena consciência
De que por feliz acaso, mero destino
O teu ser, o teu eu, cruzou comigo
E encaixou sem esforço algum

Em ti não tenho só afinidade, tenho metade de mim
Ou não tenho, mas pelo menos sei que existe
E sendo assim, já não me sinto incapaz aqui
Como com peças em falta… sei onde estão!

Se dizem os que já fizeram correr rios de tinta
a dissecar a temática dos relacionamentos humanos
que”nada acontece em vão…tudo tem uma razão de ser”
Hoje acredito nisso como quem carrega uma fé
A força que me alimenta o espírito, e o corpo me sossega

Aceito-te, com alegria, sem dramas sem exigir mais
A este imperfeito amor que me preenche na perfeição
Se tu és “O meu grande amor”, só o tempo o dirá
Se não és, obrigado na mesma… por teres vindo

Obrigado por todos os momentos, todas as palavras
Todos os olhares que falaram tanto em silencio
Obrigado pelos sonhos onde me fizeste levitar
Só com uma tua mão na minha, no meu rosto, no meu cabelo
Só com o teu estar juntinho a mim…

A vida não é assim tão cor de rosa…eu sei
Não sei quantos momentos mais ainda me restam contigo
Não sei se mais, não sei se nunca mais, quem saberá?!…
Sei que o facto de existires ou de teres existido
E de me teres feito renascer neste estado hilariante de ternura
O facto de me teres amado sem eu te pedir, como eu sei que amas
Não importa até quando… me ressuscitou!

“Obrigado por existires”
Parece um dito tão banal
Mas é tudo o que me é urgente dizer-te meu amor
Não sei inventar outra frase mais bonita neste momento...

Espero que a dor deste amor, não te faça desistir de nós
Mas, se um dia isso acontecer vou amar-te por igual, tal e qual
E vou dizer- ainda obrigado, por ter havido “nós”…
Nós sim… tu e eu, ou eu e tu, existimos
E isso, é efectivamente a melhor surpresa da vida
A esta altura do campeonato

Podias ser só tu, só eu, mas não
Somos nós, fomos nós, e seremos nós
Por muito tempo ainda, enquanto quiseres, enquanto puderes…
Não sei como, não sei quando, não sei onde voltaremos
Ou chegaremos a ser nós, como realmente merecemos
Sei apenas que hoje, aqui e agora, o universo não faz sentido sem nós
A minha vida não tem sentido sem nós, e não fico surpreendida
Os meus dias, os meus sonhos, as minhas noites, os meus ais
Não existem, sem nós, e não lamento que seja só nosso este recanto
Este lugar onde nós acontecemos

E estamos sempre sós, vazios de nós, perdidos, desesperados… eu sei
Mas espero eu que tu me continues a dar esta coragem de acreditar
A convencer-me de que “nós” vamos conseguir
E até lá, que vivas entre nós, feliz, por nós…

Obrigado por existires
E por sempre dizeres
Aquele que é de nós
Até breve, meu amor

Malu
Alcobaça, 6 de Janeiro de 2008

30/04/2008

...Enquanto dure...

Para sempre… há quem diga que é tempo demais…

Para mim, o para sempre é sentido quando se diz, ou quando apetece dizer… e só por isso já é válido, e nunca é demais dizê-lo…errado seria cortar essa fantasia logo à nascença.

Sempre que se ama, é sem condições, por isso não se põe prazo, nem se diz, enquanto dure…
Sempre que se ama, julga-se que é para sempre. Então porque não dizê-lo?

Tudo o que é verdadeiramente bom, dura o tempo necessário, para que se torne inesquecível, li algures em parte da vida, o que em parte me marcou e, acredito nisso…

Por isso digo e repito:
Amo-te, e não és o primeiro a quem o digo…
Para sempre, e não sei se serás ou não o último… embora tenha muita vontade de acreditar nisso… e esteja tentada a jurar que sim.

Mas se é enquanto dure… então que dure o tempo suficiente para ser verdadeiramente bom, e que nunca tenha a necessidade de se tornar inesquecível porque quero que seja ainda, e não de lá atrás…por muito tempo, e que esse tempo não me pareça nem de mais nem de menos…

Quando te disse pela primeira vez amo-te, respondeste-me :
Não digas isso, é muito forte…não deve ser dito em vão…blá blá blá…tretas… dias depois amas-me tu, e amas-me hoje, como nunca amaste ninguém na vida…

Agora que te digo para sempre…vais assustar-te outra vez…
Mas eu sei que para ti, é eterno.
Por isso acredito.

Obrigado amor… por me amares, neste para sempre, enquanto dure.

...Males de Amor...


Não há nenhum livro que nos ensine a lidar com os males de amor,
ou se há, não li, ou já me esqueci, ou não aprendi
Não sendo uma doença o amor deixa-nos sempre doentes…


O amor não correspondido destrói-nos a auto estima, já que nunca iremos aceitar, o porquê do outro não nos amar, por igual, o desamor.
O amor ausente, testa todos os limites da nossa resistência, da nossa dor, dói em crescente, saber que o outro nos ama por igual, e que não podemos estar juntos no instante, no presente, no futuro, que nos parece sempre longínquo por menos que seja, até não suportarmos mais essa distância temporal ou geofísica.
O amor louco, possessivo, apaixonado, leva-nos à destruição do amor do outro por nós, quando passa a obsessivo.
O amor ainda não encontrado, desconhecido, é aquela eterna incógnita, tanto de esperança como de desconsolo.
O amor encontrado e perdido, é o pior, o vivido e enterrado, que não encontrou mais substituto que fosse fiel ao original.

Estes e outros, são os males de amor, que não são inferiores aos grandes males do universo. Não os menosprezem, não os minimizem, não os enfeitem de curas que não existem. Sendo nós partículas do todo, só geramos bem, amor, se estivermos bem de amor...

Mas isso não se aprende nos livros;
É preciso cada um de nós sentir o amor, e deixar-se sentir por ele, seja ele de qualquer tipo for, de amor.

Não escolhemos o amor
Mas temos a obrigação, para nosso bem físico, emocional e mental, de saber ou aprender às nossas custas, a lidar com o amor que está ou não presente na nossa vida, em cada fase da nossa existência.
Senão, caímos numa espiral maléfica, apanhados nesses males de amor, e nunca mais, vamos crescer com ele, aprender com ele, viver bem com ele, criar amor com ele... E, à nossa volta, o que temos, é o que somos.

Muito já eu li, já vivi, já senti, já esqueci...e entre tudo o que me falta ainda aprender e o pouco que já aprendi sobre a matéria, não sei como é, como escolher, ou como fugir, mas sei como deveria ser o amor:

Apenas é válido, digno de se manter vivo, um relacionamento de amor seja ele presente ou ausente, se esse amor é capaz de nos transformar num ser melhor, se esse amor nos iluminar e nos levar àquele estado que se chama de felicidade, não plena mas acumulativa de fragmentos plenos da mesma, um amor que seja capaz de nos fazer amar o outro a nós mesmos e ao universo... resumindo, um amor positivo, saudável.
Um amor, ou um relacionamento que nos fecha em nós mesmos, que nos isola do mundo, que só existe para nós, e que nos transforma num ser menos tolerante, menos capaz de partilhar, ou até mesmo de apreciar todo o resto, nos leva a ser menos parte de tudo o que nos rodeia, menos bem, será não saudável...

É isso o que acho, o que partilho e mesmo assim, não cumpro à risca;
Só não sendo o amor uma praga, é que nos podemos deixar contagiar por ele!

PS: estou muito doente amor...vem me salvar!

...Para sempre...


Se eu pudesse gritar...que não posso, correrias para mim ?
Se tivesses a certeza...que não tens, chamarias tu por mim?

Existirá alguma prova,
algum atestado físico, para os sentimentos?
Precisarás tu, de algum certificado
algum argumento válido, para o meu querer?

Descobri entretanto que, não se ama por igual, nunca!

Pensava eu que,
bastava eu sentir
que tu sentirias...
bastava eu não esquecer,
que tu não esquecerias...
bastava eu saber que não sabia,
que tu não perguntarias...
bastava eu dizer,
que tu acreditarias...

Se uma vez te disse : "Amo-te"
pensei que tinhas ouvido, o "Para Sempre", adjacente...

Não te amo... até que a morte nos separe.
Não te amo... até que me farte disto,
até que dê meia volta e não mais me apeteça,
ou porque já não me surpreendas,
ou porque não mais me fazes rir,
ou porque de repente vi que, ficaste velho demais...

Não...não se diz Amo-te
com esta ou aquela outra condição...
Até quando não o digo
o meu "Amo-te" é somente isso:
Amo-te... mas não é o suficiente!


Malu
Alcobaça
27 de Abril de 2008

...Naufrágio...

Tudo parou...
Quando eu mais temia, que o tempo corresse
Custa tanto estar
demora tanto a passar

Nada sou neste tempo
Não me dou, não estou
Não sou daqui
Desaprendi de tudo

Atraquei nesta ilha
Estancou o meu sorriso
Algo muito forte me barrou
Tudo parou...

Impede-me de seguir...
Encontrei-te? ...Perdi-me!
Entrego-me como,
Se jamais me pertenci?

Não te assustes!
Porquê resgatas
esta missão?
Era tua essa mão,
que me estendeu a vida, o amor!?

Estou desprendida, e agora?
Estou nua, ferida?
Sou tua...

Cuida bem de mim por favor!


Malu
Alcobaça, 23 de Janeiro de 2008

...Silêncio Amor!...

Esquece as palavras doces, o carinho;
A tua voz implora uma certeza na minha,
O teu querer, quer ver um espelho em mim.
Isso é cobrança, é dúvida…

Falas como quem mede distâncias;
Paras para ouvir, ou não, as respostas.
A tua fé treme, procura a minha em pranto.
Isso é desespero, é dor…

O medo afoga-nos no vazio, não no fim;
Se choras ou reclamas um abraço efémero,
É o teu coração que não sabe viver assim.
Isso é cansaço, é descrença…

Gritas-me a saudade, as tuas ânsias;
E as palavras que repetes como sendo nossas,
Tem demasiados ses, nem nãos, nem sins.
Isso é esquecimento, é tortura…

Eu calo, não tenho dúvidas, nem certezas…
Consegues tu, ler o meu silêncio?
Não é preciso decifrá-lo, basta senti-lo.
Isso é respeito, é apego…

È brando, é manso,
Não é de guerra,
Não é de morte…

Não faças barulho!
È de amor, meu amor
O meu silêncio!


Alcobaça
29-4-2008
Malu

29/04/2008

...Inv(f)erno...


Se há sol atrás das nuvens
Brilha como tu…
Se há fogo depois de apagar o lume
Ele aquece como o teu olhar…
Se há ternura até nas horas caladas,
Ela toca, como as tuas mãos…
Se há perfume, depois de dois corpos se amarem
Ele espalha-se…como o teu ser e não ser…
Por mim, em mim…assim !

Preciso da chuva…
Dessas lágrimas que trocámos juntos…
Da epopeia de amor que nossos olhos se escreveram em silêncio…
Preciso desse calor cravado pelos teus dedos na minha carne…
Preciso tanto do teu cheiro…
Das tuas mãos no meu pescoço…
Dos teus lábios nos meus…
Dos teus olhos fechados…
Da tua testa na minha…

Preciso tanto de te sentir
Como o urso precisa da sua caverna para fugir…
Pra se esconder… para hibernar
É Inverno aqui meu amor, dentro de mim…
Vem abraçar-me em ti por favor…
Sinto-me morrer de frio…
Neste vazio,
Nesta saudade
Nesta dor…!

Malu

Algures gelada

27/04/2008

...Sou uma pedra ?...


Não se Ama uma Pedra

Amar é reconhecer nos outros um ser misterioso, e não um objecto.
Tu eras uma vibração à tua volta, não a estreita presença de um corpo.
Aqueles que não amamos nem odiamos são nítidos como uma pedra.
Sentir neles uma pessoa é começar a amar ou a odiá-los.
Só amamos ou odiamos quem é vivo para nós.

(«Nunca amaste ninguém...»).

Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'

23/04/2008

...Quase nada...

Não oiço o bater do teu coração
Ao ouvido não me chegam as tuas doces juras de amor
Ao meu corpo não chegam as tuas mãos
O teu abraço faz-me falta demais

Não sinto as tuas saudades
Essas que dizes sentir até doer …
Não sei se ainda me queres tanto como ontem
Ou num daqueles dias quaisquer, em que te tive…
Tanto como eu, hoje ou outro qualquer dia, que te não tenho…

Grito mudamente como te quero
Não sei mais o que fazer
Não me sais do pensamento
Seria bom ao menos se me ouvisses
Neste momento em que desespero…

Não sei como chegar a ti
Sei-te comigo…sempre em mim…
Mas não sei como, não sei onde
Não sei porquê, não sei quando…
Sinto-te longe ás vezes…

Se calhar, daquelas vezes em que até estás mais perto!
Não sei ver esta distância, esta ausência, como aliada
Não sei se estou cega, não sei já de mais nada
O tanto que te amo…
Para ti…é quase nada!

Malu
Alcobaça, 11 de Março de 2008

...desaprender...

Há uma altura em que, depois de se saber tudo, tem de se desaprender. Sucede assim com o escrever. Com o escrever do escritor, entenda-se. Eu, provavelmente poeta, estou a aprender a... desaprender. E para quê e como se desaprende? Para deixar de ronronar, para que o leitor, quando o nosso produto lhe chega às mãos, não exclame, satisfeito ou enfastiado: «- Cá está ele!».
Na verdura dos seus anos, a preocupação do escritor parece ser a da originalidade. Ser-se original é mostrar-se que se é diferente. E as pessoas gostam das primeiras piruetas que um sujeito dá. E o sujeito gosta de que as pessoas vejam nele um talento.
Atenção, vêm aí as receitas, as ideias feitas, os passes de mão, os clichés, os lugares selectos ou, mais comezinhamente, os lugares comuns. O escritor está instalado. Revê-se na sua obra. Começa a abalançar-se a voos mais altos, a mergulhos mais fundos. É a intelectualidade que o chama ao seu seio, o público que o põe, vertical, nas suas prateleiras. Arrumado.

Quase sem dar por isso, o escritor acomodou-se e tornou-se cómodo, quando propendia, nos seus verdes anos, a incomodar-se e a tornar-se incómodo. Organiza «dossiers» com os recortes das críticas que lhe fizeram ao longo da sua carreira (nome, já de si, chamuscante), vai a colóquios, celebrações, congressos. Ganha prémios.
É traduzido e publicado no estrangeiro. Por desfastio (e por que não?, algum dinheiro) aceita colaborar em conspícuas revistas ou em jornais efémeros como o dia a dia em que vão sendo publicados. Está de tal modo visível que já ninguém dá por ele. É o escritor.
Se as coisas continuarem indefinidamente assim, o escritor pode ser alcandorado a gloríola nacional, com todos os direitos inerentes a uma situação dessas: academia, nome de rua, estatueta ou estátua, tudo isso em devido tempo, quer dizer, já velho ou já morto o escritor.
Pedra campal sobre o assunto.

Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim" é o autor desta reflexão, que me alimenta hoje

sim, sei que escrevo quando estou "mal"
sei que faz-me mal escrever...

então porque escreves, perguntas-me tu...?!
porque sim, porque me sai...

por isso, vou parar uns tempos...
o tempo que for preciso para desaprender de tanto sofrer...
tenho que viver, sentir, algo de mais luminoso, para poder voltar... e escrever, em paz...

até breve
malu

20/04/2008

...anjo rafael...



Não consigo ir dormir... faltas tu cá em casa, meu amor pequenino... e esta é a maior perda, que senti desde sempre... sei que não te perdi...mas estás ausente... e longe, fazes-me falta...sempre...

oiço dentro de mim, Paulo Gonzo e penso em ti:

"...teimoso subi...ao cimo de mim
e no alto rasgei...as voltas que dei
sombra de mil sóis em glória...cobrem todo o vale ao fundo
dorme meu pequeno mundo

como um barco vazio...p´las margens do rio
desce o denso véu lilás...desce em silêncio e paz
manso e macio

deixa que te leve... assim tão leve
leve e que te beije meu anjo triste
deixo-te o meu canto canção tão breve
brando como tu amor pediste..."

e choro...
como uma criança, por não te poder dar um beijo esta noite...
morro de saudades tuas...
lembro a nossa musiquinha,
aquela que ainda dentro de mim te cantava, antes de nasceres,
e ainda hoje adoras cantar comigo:

"era uma vez um cavalo
que vivia no seu lindo carrossel
era tão lindo e tão belo
cavalinho, cavalinho de papel...
a correr, tra la la
a saltar, tra la la
cavalinho não saia do lugar, tra la la

o cavalinho era amigo
anjo da guarda fiel
de um bebé muito querido
cavalinho, guarda o bebé Rafael...
a crescer, tra la la
a brincar, tra la la
Rafael vai sorrir ao acordar, tra la la "

assim, nesta ternura
já adormeces-te colado a mim,
tantas...tantas vezes, que agora me parecem tão lá atrás...

beijinho, meu amor

faz ó-ó meu bebé
porque eu velo por ti
só aos anjos
a lua sorri

amanhã
a mamã está aqui,
à tua espera...

...ridículo...



Será que estou mesmo apaixonada?
Porquê amar tem que doer tanto?
Estarei apenas doente?
Às vezes sinto-me completamente ridícula com tanto sofrer...

Não havia necessidade !!!
No entanto já o poeta dizia que :
" Não seriam cartas de amor, se não fossem ridículas..."
Que figuras que nós fazemos...por culpa do amor...!

...Serei?...


Serei carne fria, crua
Serei terra molhada, apertada
Serei flor murcha, pétala solta
Serei pena que não tem onde cair
Serei apenas uma sina mal marcada
Serei de mais alguém
Sem ser de mim
Serei eu tua?!

Serei apenas alma perdida, desamada
Talvez sombra periférica de uma estrada
Que me mostraste e não segui
Que me ensinaste e não aprendi
Serei apenas semente que não reguei
Serei um frasco de um bom perfume
Que não abri?!

Talvez seja apenas um ser banal:
Não contente com o “ser” apenas
Insatisfeita com o “viver” apenas
Despedaçada com o “querer” apenas
Vazia com tanto “ter” apenas
Que não me preenche todas as partes ocas
Que não junta em mim todas as peças
Que não completa em nada, nunca
Tudo o tão pouco que preciso nesta vida…

Queria apenas sorrir com vontade
Amar-te mais, em liberdade…
Correr, brincar
Seguir sem medo, sem esta ansiedade
Serei exigente demais
Contigo, comigo, com a vida?!
Serei muda, surda
Serei nada disto,...tudo
Responde-me:
Serei eu tua ?!…

Malu

19/04/2008

...vício traidor...

Não sei porquê desespero …se te não quero… se te não espero…
Talvez seja o meu coração que não é sincero…
Ensinei-lhe a te não chamar, a te não beber
E ele disse que aprendera a lição
Desde o dia em que agarrei a tua mão
E me disseste que te não podia prender…

Como vou eu agora fazer
Para não sofrer…pra não te perder
Se o meu coração me mentiu
Se apaixonou por ti e me fugiu…
Sequioso colou à tua bagagem
E se foi…sem olhar…sem me levar…?!

Corro atrás de mim… preciso do meu coração
E não te apanho…tenho a certeza de que me perdi…
Já não sei como o sossegar sem ti…
Sem nada mais que o prenda aqui…
Salta, grita… não pára… teima em não estar em mim
Ficou dependente…viciado…e foi roubar sangue por ti

Fiquei eu… sem batida…sem vida…
Agarrada…ressacada…desesperada…
Não posso viver sem ti…meu coração
No meu peito gravado…aconchegado
Volta amor, mata este vicio traidor
Não mo deixes neste estado… despedaçado…


Malu

17/04/2008

...palavras pintadas...


Picasso pintava…
Escrito está de suas palavras que:
“Nada é mais difícil que uma linha!…”

E eu…não sei pintar
Não sei escrever…
Nem às cores, nem a preto e branco…
E queria tanto dizer-te algo…
Com que entendesses a minha linguagem
A mensagem…

Não é fácil dizer que te amo…
Sinto-o…
Com tanta certeza que tenho medo
Tenho dúvida de que acredites
Quando to disser…
Quando to não disser…

Não é normal este querer-te…
Parece que vive em mim
Desde sempre
E para sempre…
Este saber de pertencer-te
Que me faz tanto recuar…

Aterroriza-me não saber
Fazer sentir-te igual
Ou o mesmo…
Não sei por que te amo assim
Sei que preciso que me ames
Tal e qual…

Sei que, vendo um dia que te quero demais
Demais para ti…
Prefiro fugir… prefiro que te não tenha
Do que ter-te, sem ser assim…
Sem seres de mim
Sem seres para mim!…


Malu


Algures em ti

16/04/2008

...cântico negro...


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

será que as nossas vidas se perpetuam e se entreciclam...?
será que alguém escreveu isto por mim, alguém que nasceu 71 anos antes de mim, em 1901... com o nome de josé maria dos reis pereira...?!

eu não sou licenciada em letras... mas juro-vos que poderia ter sido eu a escrever este cântico... desde que me lembro de ler, e procurar pensamentos escritos onde me reveja, sem qualquer defesa, que este, foi sempre um dos meus preferidos...não que me anime, não que me alente...mas por ser assim, tal como que, meu... de mim...

ainda bem que nos identificamos com alguma coisa não é, neste mundo...?!
escusava era de ser um tão negro exemplar a perseguir-me...

este terá sido um daqueles artistas que escreve, o que não sente... ou o que sente ?
ò Jose Régio... não acredito nisso...nem eu...nem tu...!!!
quem escreve assim... pode ser que eu me engane, mas escreve, tal e qual eu, tal e qual o que lhe vai na alma...

... e está tão escuro hoje...!!!

15/04/2008

...carrossel...


Faltam-me as palavras
Mas o pensamento não pára
Como um carrossel desgovernado…
Atormenta-me esta apatia
Esta necessidade bruta de me sacudir pra nenhum lado…
Viro-me do avesso, e de mim não cai nada…

Secaram-me todas as lágrimas
Desmontou-se todo o meu corpo
Encolheram todos os meus tecidos
Não sei já que líquido corre nestas veias
Apaguei-me em todos os meus circuitos
E não sinto nenhuma paz…

O meu coração reclama
Pede força, pede vida, pede alento…
Minha alma não quer sossego
Meus olhos não querem descanso
Vive em mim uma certa inquietude
Que atropela qualquer pedaço de razão

Tantos precisam de mim, certa segura
E eu não estou, não sou capaz…
Não há ancora alguma, qualquer raiz
Nesta pessoa que hoje sou

Vagueio insistentemente
Pelos sempre mesmos lugares
E dou com tudo, com todos
Menos comigo…

Desconheço a forma
Em que se terá transformado a minha massa
Depois de tudo…
Depois de nada !

Já dei tantas voltas, e não me encontrei
Que já não me iludo… e estou infinitamente cansada…
Se não sei onde estás
Não sei para onde vou !…


Malu

(na feira dos sentidos)

...artista de pincel...

Se eu fosse artista de pincel
Pintaria uns olhos feitos amêndoa
De uma pessoa que conheço à distância.

Se eu fosse artista de pincel
Riscava a tela de tons dourados
Bem à semelhança dos seus cabelos.

Se eu fosse artista de pincel
Desenharia um nariz arredondado
Bem oriental por isso mais bonito.

Se eu fosse artista de pincel
Esboçava uns lábios carnudos
Numa boca sensual, apetitosa.

Mas não sou artista de pincel:
Por isso limito a minha acção
A contemplar, a admirar, a desejar…


Ass: Orlando Dias Agudo



Sim, hoje estou de folga, e faço uma pausa, porque, já sei que quando escrevo demais, é porque estou a sofrer... prefiro deixar aqui o pensamento poético de um amigo, daqueles que conseguem omitir os sentimentos, e esconder-se atrás das personagens e conseguem não ser transparentes como eu, mas um amigo que respeito, e que espero ainda me ensine muitos dos seus truques.

Um artista das letras, digo eu, e não do pincel, por isso, foi fácil conseguir escrever o que pensa, o que sente, sem sofrer, e aqui também, digo eu...
Bastou uma foto e...uns olhos lindos... de uma mulher que não se diz o nome, para revelar... aquele artista...

E a arte, é realmente para ser apreciada... e eu aprecio, os que conseguem assim escrever... não como eu... mas libertos de si mesmos, muitas vezes levados por uma grande faculdade de imaginação, na ficção... onde o proprio coração pouco pesa, tantas vezes... não como eu... outras vezes levados pela sensação que agora substitui a autrora paixão, e é apenas um doce apreciar, de encantamento...quem sabe...à distância...

Um dia, quando for grande...também serei assim... e saberei, contemplar sem me precepitar, admirar sem me apaixonar e apenas desejar, como que aprenderei a arte de viver... sem deixar o sofrer me abalrroar...

Obrigado mestre...conto consigo.

14/04/2008

...Celeste...


… e havia aquela fantástica senhora… que ouviamos a meio da sesta, a meio do relax, de barriga para o ar, deitados na toalha aquecida, no imenso areal… e nos animava… era tão familiar…
- olhaaaaaa booolacha amaricaaaaaaaaaana…!
- olhaaaaaa booolacha amaricaaaaaaaaaana…!

Desde os seus anos de jovem mulher que palmilhava diariamente e vivamente por todo o Verão, umas 4 ou 5 vezes por dia, de um lado ao outro, toda a praia. Sempre havia alguém que a ouvia passar, de lés a lés… com os pés calejados, escaldados a seco mas alegres e habituados às areias quentes e nada finas, da Nazaré…

Tinha as bolachas ao pé do São Miguel…lembro-me tão bem…!
Naquela dispensa dos concessionários, junto às casas de banho dos veraneantes debaixo do muro, assim que passávamos as dezenas de peixeiras a oferecerem…..barracas….quartinhos…chambres….rooms…:
- Aaaaahhh lindas…vão ficar quanto tempo ? Na quer uma barraquinha…? Um quartinho p`a passar a noite ?… alugo barato…!

A minha tia, não era peixeira… Era do Valado, por isso valadeira… mas, todos sabem quem era a velhinha, que desde nova vendia, a bolacha americana na praia.
Todos os meus conhecidos, e amigos e desconhecidos e outros, passaram por ela um dia, e diziam, a respeito da minha tia:
- Simpática a senhora, sei quem é…!!!

- A vida não é fácil…! Dizia-me a minha tia… quando ainda se mexia, sempre com um ar despachado, alegre, entregue com todas as forças àquela vida… rude, difícil, dorida…tão maltratada pelo sol nosso de cada dia, e ainda pelo seu próprio sol…

O tio Manel, era, e ainda é conhecido, por ser o homem dos gelados…
E toda a vida, desde que me lembro, a acompanhou, e ela a ele, em todos os momentos públicos, mais ou menos difíceis de cada um…
Nos outros, que eram só deles, e do seio lá de casa… uma casa pobre, como quase todas as da nossa família, não sei…
Nunca me despertou curiosidade saber como vivia aquele casal, nas minhas primeiras 3 décadas de vida….
Em pequenina…adorava-os, eram os tios dos gelados e da bolacha, que sempre todos os anos pelo menos numa das minhas idas à praia, me presenteavam com aquela gulodice…
Mas em criança ainda, tive um clic, que me afastou deles.
E só deles, porque andavam sempre juntos, mas nunca da minha tia, interiormente…porque, desde sempre, embora pouco o convívio, gostava muito dela…muito…era das irmãs do meu pai… a que sentia mais próxima de mim, de todos eles, e todas elas…
Não julgo apenas por um mero preconceito monstruoso que viva em mim desde a meninice… sinto simplesmente que o afastamento, foi por causa dele, ou então, estou agora aqui a ser extremamente injusta, mas sem meias palavras, de fora vejo que foi a vida que o fez assim…
Ele era mau, e cá para mim tinha tiques de pedófilo, pelo que, não me aguentava muito tempo a deixar-me ser apaparicada … evitava… nunca me senti segura em casa da minha tia, nem criei a assiduidade de voltar, nem vontade… e tenho pena…!

Os meus primos, sempre ficaram um tanto afastados, só o Filipe, que continuou a vender na praia, o via mais vezes… mas os outros, raramente. Só nas férias de Verão, naqueles espalhafatosos encontros de emigrantes, e mesmo assim…muito de fugida e, nem todos, nem todos os anos…
Só com a Zélia, e mais propriamente com os filhos da Zélia, ganhei mais afinidade, talvez e mais em particular com a Sandra, lembro-me muita vez dela, dado o termos estado mais próximas, por altura do casamento da Vera, a afilhada que o meu pai adora, tal como à outra, e que está longe… emigrada… e que hoje, nem me conhece… !!!

Nos últimos 5 anos, e mesmo desde a doença do tio Manel, por incrível, tenho-os visto até mais vezes, aqui, ali, nos médicos, na praça em Alcobaça, na praia ainda agastados pelo velhaco do trabalho, aquele casal de vendedores, dos quais esqueci neste entretanto as imagens do antigamente, e me afeiçoei mais a uma visão de tios queridos e velhinhos…

Nos últimos meses, desde que se atiçou a doença da tia, mesmo sem até há bem pouco tempo ninguém desconfiar de nada… a vida, não só foi nada fácil, como também foi muito difícil para eles…
De repente, a tia, é internada, operada de urgência, e fica acamada… um cancro desventrou-a completamente, galopantemente, e continuou, por estas ultimas semanas, a consumi-la, a cobrá-la, não sei de quê, não sei por quê, tão devagarmente, como que um castigo deveras inapropriado, enganado, no seu alvo sofredor…

Foi tudo muito rápido…
Numa questão de mês e meio, todos os filhos e a maioria dos netos, genros e noras, e sobrinhos e irmãos e próximos e afastados, ficaram a saber que, a tia estava muito mal… e deu-se um corrupio de cruzamentos em família como só a morte, conseguiu alcançar…

Faz hoje uma semana, a minha tia, chorou agarrada à minha mão…
Tinha-me ali, e a mim se agarrava, como quem suplicava para que fosse diferente, o seu fim... Não queria, deixar o tio… deixar o hospital… queria ir para casa, tratar dele, sem ver que em casa, não tinha quem tratasse convenientemente de si...
Ouvia mal, sem o seu aparelho que entretanto perdera naquele mini quarto da cirurgia, e apenas por ironia do destino, coube-me a mim tentar consolá-la, naquela hora que foi a última vez que a vi…

Sim, foi uma hora negra, que me transtornou… no meio de tanta família, tanto filho tanto neto, que andou pra trás e prá frente, entre cá e lá, França, Angola, Portugal, aqui ao lado… e todos tão longe, naquela hora, que veio sem avisar...
Naquele dia, sim, mais uma vez digo por ironia do destino, eu acabara de ser internada para a minha cirurgia, que agora me empurrou para o repouso absoluto em casa, quando na mesma enfermaria, a tia teve alta… já nada havia ali a fazer, e foi enviada para o lar, onde deveria viver em paz, e em dignidade, os seus últimos dias…

E quem estava alí…?…eu… a descansá-la… a confortá-la, a convencê-la, a ela e ao tio Manel, de que era o melhor que lhes podia acontecer agora…nesta altura do campeonato…serem separados, para mais tarde, assim que possível, pudessem estar juntos, e juntos ficarem até ao fim dos dias, num outro lar, onde os dois pudessem ser acompanhados.
A doença, a velhice, a injustiça da dor que nos esmaga, quando nos sentimos impotentes perante estas conformidades da vida, ou da morte, transtornam-me muito…aliás, comovem qualquer um… revoltam qualquer um, quanto mais eu… tão inconformada como sempre…

5 dias depois, deu-se o alarme pela manhã…
No lar, a minha tia, não podia ficar, os diabetes subiram a 600 e, teve que vir para o (S.O.) para os cuidados intensivos... De novo para o hospital, mas agora, numa área restrita, onde nem eu podia entrar… como internada… também dali não podia passar…
Foi a Zélia quem me avisou… tadinha, despedaçada, sofrida. Veio mais uns dias a Portugal, pra estar com a mãe, e pressentira que iria ser o fim… aliás…os médicos chamaram-na à parte e isso mesmo disseram…
E a Zélia, lá preparou tudo, com a maior das coragens… e mesmo sabendo que tinha uns irmãos longe, embora com ela, e outro a enfernizar-lhe a vida por causa da ida para aquele lar… Sabe que foi o mais certo… queria ter dado paz, nas últimas, à sua mãe, que toda a vida sofreu, e merecia morrer bem tratada, acarinhada, e não sozinha numa cama de hospital, como acabou por acontecer…

A Zélia tinha viagem marcada para hoje… o Zé também… mas, já nem sei como vai ser…
A tia, morreu ontem à noite, disse-me há pouco o meu pai… e agora, vai enterrar…
Vai partir finalmente para um lugar mais calmo, onde não mais as dificuldades desta vida, andarão a rondá-la, a massacrá-la, onde não mais vai ver o seu querido marido, por mais mau que tenha sido, a sofrer sem o poder valer, onde não mais, vai ver os filhos discutirem, e andarem às zaragatas… onde não mais, vai ter que palmilhar o areal a vender bolacha americana para viver… acabou-se… silenciosamente… apagou-se!

E eu tive alta do hospital, no dia em que ela voltou, e não pude ir vê-la!
Nem hoje, me poderei ir juntar aos que a amaram e levá-la, como diz o povo, à sua última morada…
Fico mais uma vez, presa neste repouso absoluto, mas que não posso infringir… e aterro numa planície de plena tristeza, inquietude, e uma sensação de um pesado vazio que me atormenta… sei que hoje… a vida não está fácil tia…

Deixas-me mais um buraco imenso no meu coração, e isso deve querer dizer que nele, o teu lugar é cativo… Não vou dizer-te adeus…nunca o poderia ! Foi há uma semana que me despedi de ti, e sim, nessa altura, eu o sabia…! Digo-te até breve, até sempre, até um dia.

Invade-me uma amarga alegria, por saber que finalmente, parou o teu sofrer, acabou a tua estrada…
Continuarás a ser a nossa tia "Celeste", agora mais que nunca, pois sei que estarás no céu, a olhar por nós…
Vai e descansa em paz…!
Há quem diga que o fim da estrada… é o início do caminho… e assim, talvez um dia nos encontremos por aí, e eu possa dar-te um doce abraço… um beijinho…!…

Alcobaça , 14 de Abril de 2008

Malu
(à tia Celeste )

...recomeçar...


Não vou despedir-me
Nunca mais…
Foste tu quem me ensinou
A não dizer adeus ao que se ama

Largo estas pedras
Este chão,
Este cheiro
Deixo para trás tudo o que é meu…

Com olhos tristes, a arder com saudades
Que vão acompanhar-me por muito tempo…
Enquanto não me esquecer
Que aqui, também fui feliz…

Não vou dizer um até breve
Sei que não vou voltar…
Vou apenas certa de que vou
E sou daqui…e de tanto outro lugar…

Quem não chora
Nunca sentiu
Os laços que nos unem
Às memórias que nos ferem…

Quando nos obrigam a partir…
Quando não há mais por que ficar…
Sim…vou embora
Vou por mim…!

Ninguém me empurrou
Ninguém…
Não te culpes…
Eu não te culpo…

Está na hora
Não de temer, não de parar…
Está na hora de nascer
Recomeçar…


Malu
Ataíja de Baixo, Alcobaça
20 de Setembro de 2007

13/04/2008

...ainda tu...


Ainda ontem te vi
No claro azul claro dos teus olhos
Sim… Ainda lembro como se fosse ontem
E já passou algum tempo
Algum… demasiado tempo
Sem te ver

Ainda agora te senti
Teus ossos nos meus
Como se o teu abraço me apertasse
Como eu tanto queria agora… antes de ir dormir
Antes de mais uma vez fechar os olhos
E voltar a adormecer… a acordar…
sem ti a meu lado…

Ainda amanhã…
E depois de amanhã …
E depois
Muitos mais amanhãs virão depois
E estaremos ainda longe … separados
Ainda desolados…ainda
atordoados com esse elo que nos invadiu…
sem sabermos ainda de onde vindo
E nos mantém ainda unidos…

Ainda ontem…
Ainda amanhã
Ainda agora…
Ainda há tanto tempo
Ainda por muito tempo ainda…
Ainda não sei porquê
Nem quero saber… ainda…!

Ainda me amas meu amor ?!…
Sempre … Sim …
Ainda e sempre, sei que sim …
Sei que ainda
E também sei que ainda não chegou o nosso tempo…

Ainda e desde sempre te espero…
Hoje…
Amanhã…
E ainda depois…

Por quanto tempo ainda … meu amor ?


Alcobaça

4 de Março de 2008
Malu

12/04/2008

...amanhã...ou depois...


Amanhã…depois…
Entre muitos outros…só em mim
Cheia de palavras…completamente muda
Crescida, tão certa…tão indefesa
Menos mal…assim-assim
Tão diferente…tão sempre igual…

Quantas caras tem
O amanhã…o depois ?!

Quantas vezes
Ninguém responde…ninguém sabe
Porque choras…porque ris…?!

Tantas vezes
Tá tudo bem…é mais um dia…
E tudo é nada… é tanta coisa
Que não está bem…que te desvia…
O teu caminho não é esse, sabes bem…

Quantas vezes
Vais ter que voltar atrás
Refazer toda a caminhada…
Entre mãos que te dão, a que de dás
Quando te afundam, te seguram
Te levam o teu quase nada… ?!

Será amanhã … ou depois …
Quando vais aprender a ficar parada
A deixar-te ser amada…?!

Ataíja de Baixo - Setembro 2007
Malu

11/04/2008

...errante...


“amor errante…amor distante (…) volta depressa… enquanto há tempo” …
A canção fere-me, sempre que a oiço, e oiço nela falar de nós, cantar pra nós!
Sempre que me lembro, mesmo sem ouvir essa música, esse chamar-me a ti, esse chamar por ti. Será errante o nosso amor ? Errante será errado, será um erro ?!
Distante é certamente, ou então não o é, não pode ser. Não te sinto distante. Não estou de ti distante. No meio dos nossos desencontros sim, é errante este amor,
este não estar. É errado passar mais tempo a adiá-lo, é um erro pensar que temos todo o tempo do mundo à nossa frente.
Volta depressa meu amor, por favor! É errado não viver a teu lado todos os meus dias
É errado não ter-te aqui agora e poder apenas abraçar-te muito apertado, muito demoradamente.
Quem será que se enganou, eu, tu?! Quem foi o errante que nos uniu, nos separou…?!
Será um erro pensar assim; querer-te para mim enquanto há tempo … ?!


Alcobaça, 19 de Janeiro de 2008

Malu


(com a canção "amor errante" dos Diva na cabeça)

07/04/2008

...fé...


Será que te perdi ?!
Será este um dos momentos em que preferes estar sozinha ?!
Será que me ouves respirar… dormir… soluçar… desistir ?!
Será que ainda estás em mim… perdida… esgotada…
À espera de ser resgatada ?!

Será que me escapas-te entre desejos, entre medos
Entre “entra-e-sai” de segredos… ?!
Daqueles que ferem de dor…
Daqueles que ardem de felicidade…
Daqueles tão perfeitos momentos…
Tão imperfeitos fragmentos de verdade…
Tão inoportunos e rebeldes sentimentos…
Tão esguios e raros… e tão seguros… tão frágeis…
Preciosos toques da tua alma… teus e meus sorrisos…
Por entre tão doces, imprevisíveis… sentidos…
Por entre os meus e os teus rios de lágrimas…
Entre tantos sonhos impossíveis…

Será que ainda estás aí ?!
Nesse lugar onde me encontro … tão escondida… tão sem abrigo
Desprotegida… nesse olhar infinito…
Nesse silêncio em que desgastas…
Nesse abraço que me negas… que não dás sem me sentir…
Será que me queres ainda… como noutro dia qualquer ?!

Onde andas?!
Vem me ver
Vem-me dizer
Vem-te mostrar...
Como posso não te perder,
Como faço?!
Está a doer
Vem me sarar...

Malu

Alcobaça, 13 de Janeiro de 2008

...insónia...




Não faz frio esta noite …
não me apetece ir dormir…
Não ligo a televisão…
Não oiço os teus cds…
Não desligo sequer dos barulhos deste prédio…
Não sei que horas são…
Não sei mais que fazer…

Já corri toda a casa…fui à rua… não vi vivalma…
Os carros passam lá fora…
Só passam…nenhum pára…nada pára…
Tudo gira…tudo avança tão calmamente…
Tão naturalmente se estende a noite em madrugada…
Daqui a pouco é já de manhã…
Só eu não paro …
Não me apetece ir dormir…

As crianças já foram dormir…
Os vizinhos já foram dormir…
Preparam-se para mais um dia amanhã…
Cheios de dores, de trabalho, de dissabores…
De um esforço incrédulo em sobreviver…
Quase sem tempo para respirar, para sofrer, para sorrir…
Mas lá estão…lá vão…embalados pelas vidas desgastadas…
Descansam…! Só eu …. não me apetece ir dormir…

Tenho medo de me esquecer da cor dos teus olhos…
Tenho medo que esqueças como é sentir os teus lábios nos meus…
Tenho medo que adormeça o teu amor por mim…
Sinto tanto… apenas tanto, tanto a tua falta
Que não me apetece ir dormir…
Não quero acordar sem ti a meu lado…
Abraça-me amor…
Não me apetece ir dormir!…

Alcobaça, 9 de Janeiro de 2008

Malu

06/04/2008

...contar o tempo...


Há quanto tempo estarei aqui no meio de nada…
Nem perdida, nem achada ?!
São tão desventrados de tudo estes caminhos, estas paredes…
São tão iguais a labirintos estas ruas…
Esta cidade, estas pessoas que comigo se, ou não se cruzam !
Onde terei eu batido com a cabeça…
Com o coração …com o corpo todo… ?!
Pra me sentir assim tão vazia, tão acordada…adormecida desta pancada
Que “Côma” é este… que estado de : “não estar” ? “não saber“ !
Que gosto é este…tão amargo…tão sem sal… ?!
Nos meus dias…nas minhas noites…

Há quanto tempo estarei aqui, tão sem pra onde me virar…?!
Estarei a ficar louca…?! Serei eu louca…e não sei ?!
Quanto tempo faltará para me reencontrar…?!
Não sei de mim…
E sinto tanto a minha falta…
Onde está o brilho dos meus olhos… o meu sorriso…?!
A minha garra… essa vontade de viver… de crescer… ?!
Onde estou …para onde vou agora ?!
São tantas perguntas … sem tantas respostas que já nem quero…
Estou cansada de girar à minha volta,
Sem conseguir parar…fechar os olhos, descansar !!!
Onde está o meu amor !!!
Dá-me a tua mão… vem me buscar…

Há quanto tempo estarei aqui…?!
Já não sei
Já não sou capaz de contar…!!!


Alcobaça, 13 de Janeiro de 2008
Malu