01/05/2008

...tempo...


Se eu tivesse só um segundo pra te ver
Só um minuto, o tempo de te fazer um carinho
Só uma tarde para um momento
nos teus braços, a sonhar
Só um dia, juntos tu e eu
Só uma semana em férias, longe, só nós dois
Só um mês pra me fazer um lugar a teu lado
Só um ano pra poder renascer contigo
Só uma vida pra te dizer: Amo-te

Como passar um minuto sem pensar em ti?

(tu?!)

...andorinha...


Se eu fosse uma andorinha
Secreta e mensageira azul dos apaixonados
Suspenderia o meu vôo entre as tuas mãos
E nas minhas asas apaixonadas, levarte-ía
Respirar uma primavera eterna
No coração duma noite de Amor
Sem fim...

Quero-te pra mim, só isso!
Lembra-te de nunca esquecer.

(tu?!)

...obrigado por nós...

Não sei há quanto tempo te amo
Tenho aquela inexplicável sensação
De que sempre te amei
Sempre te procurei em todos os meus amores
Mesmo antes de te encontrar ou conhecer

E olha que não pode ser cegueira
Não pode ser só fantasia, resultante da carência sazonal
Os anos e a vida tornaram-me muito exigente, muito selecta…
Cheguei mesmo a pensar em tempos recentes
Que mais ninguém me levaria à certa
Ninguém mais me conquistaria

Também não sei por quanto tempo te irei amar
Mas tenho uma confortante paz em mim
Que me diz que não preciso correr
Não há mais busca
Não há outro caminho a escolher

Não sei se morro de saudade ou de felicidade
Tenho a plena consciência
De que por feliz acaso, mero destino
O teu ser, o teu eu, cruzou comigo
E encaixou sem esforço algum

Em ti não tenho só afinidade, tenho metade de mim
Ou não tenho, mas pelo menos sei que existe
E sendo assim, já não me sinto incapaz aqui
Como com peças em falta… sei onde estão!

Se dizem os que já fizeram correr rios de tinta
a dissecar a temática dos relacionamentos humanos
que”nada acontece em vão…tudo tem uma razão de ser”
Hoje acredito nisso como quem carrega uma fé
A força que me alimenta o espírito, e o corpo me sossega

Aceito-te, com alegria, sem dramas sem exigir mais
A este imperfeito amor que me preenche na perfeição
Se tu és “O meu grande amor”, só o tempo o dirá
Se não és, obrigado na mesma… por teres vindo

Obrigado por todos os momentos, todas as palavras
Todos os olhares que falaram tanto em silencio
Obrigado pelos sonhos onde me fizeste levitar
Só com uma tua mão na minha, no meu rosto, no meu cabelo
Só com o teu estar juntinho a mim…

A vida não é assim tão cor de rosa…eu sei
Não sei quantos momentos mais ainda me restam contigo
Não sei se mais, não sei se nunca mais, quem saberá?!…
Sei que o facto de existires ou de teres existido
E de me teres feito renascer neste estado hilariante de ternura
O facto de me teres amado sem eu te pedir, como eu sei que amas
Não importa até quando… me ressuscitou!

“Obrigado por existires”
Parece um dito tão banal
Mas é tudo o que me é urgente dizer-te meu amor
Não sei inventar outra frase mais bonita neste momento...

Espero que a dor deste amor, não te faça desistir de nós
Mas, se um dia isso acontecer vou amar-te por igual, tal e qual
E vou dizer- ainda obrigado, por ter havido “nós”…
Nós sim… tu e eu, ou eu e tu, existimos
E isso, é efectivamente a melhor surpresa da vida
A esta altura do campeonato

Podias ser só tu, só eu, mas não
Somos nós, fomos nós, e seremos nós
Por muito tempo ainda, enquanto quiseres, enquanto puderes…
Não sei como, não sei quando, não sei onde voltaremos
Ou chegaremos a ser nós, como realmente merecemos
Sei apenas que hoje, aqui e agora, o universo não faz sentido sem nós
A minha vida não tem sentido sem nós, e não fico surpreendida
Os meus dias, os meus sonhos, as minhas noites, os meus ais
Não existem, sem nós, e não lamento que seja só nosso este recanto
Este lugar onde nós acontecemos

E estamos sempre sós, vazios de nós, perdidos, desesperados… eu sei
Mas espero eu que tu me continues a dar esta coragem de acreditar
A convencer-me de que “nós” vamos conseguir
E até lá, que vivas entre nós, feliz, por nós…

Obrigado por existires
E por sempre dizeres
Aquele que é de nós
Até breve, meu amor

Malu
Alcobaça, 6 de Janeiro de 2008

30/04/2008

...Enquanto dure...

Para sempre… há quem diga que é tempo demais…

Para mim, o para sempre é sentido quando se diz, ou quando apetece dizer… e só por isso já é válido, e nunca é demais dizê-lo…errado seria cortar essa fantasia logo à nascença.

Sempre que se ama, é sem condições, por isso não se põe prazo, nem se diz, enquanto dure…
Sempre que se ama, julga-se que é para sempre. Então porque não dizê-lo?

Tudo o que é verdadeiramente bom, dura o tempo necessário, para que se torne inesquecível, li algures em parte da vida, o que em parte me marcou e, acredito nisso…

Por isso digo e repito:
Amo-te, e não és o primeiro a quem o digo…
Para sempre, e não sei se serás ou não o último… embora tenha muita vontade de acreditar nisso… e esteja tentada a jurar que sim.

Mas se é enquanto dure… então que dure o tempo suficiente para ser verdadeiramente bom, e que nunca tenha a necessidade de se tornar inesquecível porque quero que seja ainda, e não de lá atrás…por muito tempo, e que esse tempo não me pareça nem de mais nem de menos…

Quando te disse pela primeira vez amo-te, respondeste-me :
Não digas isso, é muito forte…não deve ser dito em vão…blá blá blá…tretas… dias depois amas-me tu, e amas-me hoje, como nunca amaste ninguém na vida…

Agora que te digo para sempre…vais assustar-te outra vez…
Mas eu sei que para ti, é eterno.
Por isso acredito.

Obrigado amor… por me amares, neste para sempre, enquanto dure.

...Males de Amor...


Não há nenhum livro que nos ensine a lidar com os males de amor,
ou se há, não li, ou já me esqueci, ou não aprendi
Não sendo uma doença o amor deixa-nos sempre doentes…


O amor não correspondido destrói-nos a auto estima, já que nunca iremos aceitar, o porquê do outro não nos amar, por igual, o desamor.
O amor ausente, testa todos os limites da nossa resistência, da nossa dor, dói em crescente, saber que o outro nos ama por igual, e que não podemos estar juntos no instante, no presente, no futuro, que nos parece sempre longínquo por menos que seja, até não suportarmos mais essa distância temporal ou geofísica.
O amor louco, possessivo, apaixonado, leva-nos à destruição do amor do outro por nós, quando passa a obsessivo.
O amor ainda não encontrado, desconhecido, é aquela eterna incógnita, tanto de esperança como de desconsolo.
O amor encontrado e perdido, é o pior, o vivido e enterrado, que não encontrou mais substituto que fosse fiel ao original.

Estes e outros, são os males de amor, que não são inferiores aos grandes males do universo. Não os menosprezem, não os minimizem, não os enfeitem de curas que não existem. Sendo nós partículas do todo, só geramos bem, amor, se estivermos bem de amor...

Mas isso não se aprende nos livros;
É preciso cada um de nós sentir o amor, e deixar-se sentir por ele, seja ele de qualquer tipo for, de amor.

Não escolhemos o amor
Mas temos a obrigação, para nosso bem físico, emocional e mental, de saber ou aprender às nossas custas, a lidar com o amor que está ou não presente na nossa vida, em cada fase da nossa existência.
Senão, caímos numa espiral maléfica, apanhados nesses males de amor, e nunca mais, vamos crescer com ele, aprender com ele, viver bem com ele, criar amor com ele... E, à nossa volta, o que temos, é o que somos.

Muito já eu li, já vivi, já senti, já esqueci...e entre tudo o que me falta ainda aprender e o pouco que já aprendi sobre a matéria, não sei como é, como escolher, ou como fugir, mas sei como deveria ser o amor:

Apenas é válido, digno de se manter vivo, um relacionamento de amor seja ele presente ou ausente, se esse amor é capaz de nos transformar num ser melhor, se esse amor nos iluminar e nos levar àquele estado que se chama de felicidade, não plena mas acumulativa de fragmentos plenos da mesma, um amor que seja capaz de nos fazer amar o outro a nós mesmos e ao universo... resumindo, um amor positivo, saudável.
Um amor, ou um relacionamento que nos fecha em nós mesmos, que nos isola do mundo, que só existe para nós, e que nos transforma num ser menos tolerante, menos capaz de partilhar, ou até mesmo de apreciar todo o resto, nos leva a ser menos parte de tudo o que nos rodeia, menos bem, será não saudável...

É isso o que acho, o que partilho e mesmo assim, não cumpro à risca;
Só não sendo o amor uma praga, é que nos podemos deixar contagiar por ele!

PS: estou muito doente amor...vem me salvar!

...Para sempre...


Se eu pudesse gritar...que não posso, correrias para mim ?
Se tivesses a certeza...que não tens, chamarias tu por mim?

Existirá alguma prova,
algum atestado físico, para os sentimentos?
Precisarás tu, de algum certificado
algum argumento válido, para o meu querer?

Descobri entretanto que, não se ama por igual, nunca!

Pensava eu que,
bastava eu sentir
que tu sentirias...
bastava eu não esquecer,
que tu não esquecerias...
bastava eu saber que não sabia,
que tu não perguntarias...
bastava eu dizer,
que tu acreditarias...

Se uma vez te disse : "Amo-te"
pensei que tinhas ouvido, o "Para Sempre", adjacente...

Não te amo... até que a morte nos separe.
Não te amo... até que me farte disto,
até que dê meia volta e não mais me apeteça,
ou porque já não me surpreendas,
ou porque não mais me fazes rir,
ou porque de repente vi que, ficaste velho demais...

Não...não se diz Amo-te
com esta ou aquela outra condição...
Até quando não o digo
o meu "Amo-te" é somente isso:
Amo-te... mas não é o suficiente!


Malu
Alcobaça
27 de Abril de 2008

...Naufrágio...

Tudo parou...
Quando eu mais temia, que o tempo corresse
Custa tanto estar
demora tanto a passar

Nada sou neste tempo
Não me dou, não estou
Não sou daqui
Desaprendi de tudo

Atraquei nesta ilha
Estancou o meu sorriso
Algo muito forte me barrou
Tudo parou...

Impede-me de seguir...
Encontrei-te? ...Perdi-me!
Entrego-me como,
Se jamais me pertenci?

Não te assustes!
Porquê resgatas
esta missão?
Era tua essa mão,
que me estendeu a vida, o amor!?

Estou desprendida, e agora?
Estou nua, ferida?
Sou tua...

Cuida bem de mim por favor!


Malu
Alcobaça, 23 de Janeiro de 2008

...Silêncio Amor!...

Esquece as palavras doces, o carinho;
A tua voz implora uma certeza na minha,
O teu querer, quer ver um espelho em mim.
Isso é cobrança, é dúvida…

Falas como quem mede distâncias;
Paras para ouvir, ou não, as respostas.
A tua fé treme, procura a minha em pranto.
Isso é desespero, é dor…

O medo afoga-nos no vazio, não no fim;
Se choras ou reclamas um abraço efémero,
É o teu coração que não sabe viver assim.
Isso é cansaço, é descrença…

Gritas-me a saudade, as tuas ânsias;
E as palavras que repetes como sendo nossas,
Tem demasiados ses, nem nãos, nem sins.
Isso é esquecimento, é tortura…

Eu calo, não tenho dúvidas, nem certezas…
Consegues tu, ler o meu silêncio?
Não é preciso decifrá-lo, basta senti-lo.
Isso é respeito, é apego…

È brando, é manso,
Não é de guerra,
Não é de morte…

Não faças barulho!
È de amor, meu amor
O meu silêncio!


Alcobaça
29-4-2008
Malu

29/04/2008

...Inv(f)erno...


Se há sol atrás das nuvens
Brilha como tu…
Se há fogo depois de apagar o lume
Ele aquece como o teu olhar…
Se há ternura até nas horas caladas,
Ela toca, como as tuas mãos…
Se há perfume, depois de dois corpos se amarem
Ele espalha-se…como o teu ser e não ser…
Por mim, em mim…assim !

Preciso da chuva…
Dessas lágrimas que trocámos juntos…
Da epopeia de amor que nossos olhos se escreveram em silêncio…
Preciso desse calor cravado pelos teus dedos na minha carne…
Preciso tanto do teu cheiro…
Das tuas mãos no meu pescoço…
Dos teus lábios nos meus…
Dos teus olhos fechados…
Da tua testa na minha…

Preciso tanto de te sentir
Como o urso precisa da sua caverna para fugir…
Pra se esconder… para hibernar
É Inverno aqui meu amor, dentro de mim…
Vem abraçar-me em ti por favor…
Sinto-me morrer de frio…
Neste vazio,
Nesta saudade
Nesta dor…!

Malu

Algures gelada

27/04/2008

...Sou uma pedra ?...


Não se Ama uma Pedra

Amar é reconhecer nos outros um ser misterioso, e não um objecto.
Tu eras uma vibração à tua volta, não a estreita presença de um corpo.
Aqueles que não amamos nem odiamos são nítidos como uma pedra.
Sentir neles uma pessoa é começar a amar ou a odiá-los.
Só amamos ou odiamos quem é vivo para nós.

(«Nunca amaste ninguém...»).

Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'

23/04/2008

...Quase nada...

Não oiço o bater do teu coração
Ao ouvido não me chegam as tuas doces juras de amor
Ao meu corpo não chegam as tuas mãos
O teu abraço faz-me falta demais

Não sinto as tuas saudades
Essas que dizes sentir até doer …
Não sei se ainda me queres tanto como ontem
Ou num daqueles dias quaisquer, em que te tive…
Tanto como eu, hoje ou outro qualquer dia, que te não tenho…

Grito mudamente como te quero
Não sei mais o que fazer
Não me sais do pensamento
Seria bom ao menos se me ouvisses
Neste momento em que desespero…

Não sei como chegar a ti
Sei-te comigo…sempre em mim…
Mas não sei como, não sei onde
Não sei porquê, não sei quando…
Sinto-te longe ás vezes…

Se calhar, daquelas vezes em que até estás mais perto!
Não sei ver esta distância, esta ausência, como aliada
Não sei se estou cega, não sei já de mais nada
O tanto que te amo…
Para ti…é quase nada!

Malu
Alcobaça, 11 de Março de 2008

...desaprender...

Há uma altura em que, depois de se saber tudo, tem de se desaprender. Sucede assim com o escrever. Com o escrever do escritor, entenda-se. Eu, provavelmente poeta, estou a aprender a... desaprender. E para quê e como se desaprende? Para deixar de ronronar, para que o leitor, quando o nosso produto lhe chega às mãos, não exclame, satisfeito ou enfastiado: «- Cá está ele!».
Na verdura dos seus anos, a preocupação do escritor parece ser a da originalidade. Ser-se original é mostrar-se que se é diferente. E as pessoas gostam das primeiras piruetas que um sujeito dá. E o sujeito gosta de que as pessoas vejam nele um talento.
Atenção, vêm aí as receitas, as ideias feitas, os passes de mão, os clichés, os lugares selectos ou, mais comezinhamente, os lugares comuns. O escritor está instalado. Revê-se na sua obra. Começa a abalançar-se a voos mais altos, a mergulhos mais fundos. É a intelectualidade que o chama ao seu seio, o público que o põe, vertical, nas suas prateleiras. Arrumado.

Quase sem dar por isso, o escritor acomodou-se e tornou-se cómodo, quando propendia, nos seus verdes anos, a incomodar-se e a tornar-se incómodo. Organiza «dossiers» com os recortes das críticas que lhe fizeram ao longo da sua carreira (nome, já de si, chamuscante), vai a colóquios, celebrações, congressos. Ganha prémios.
É traduzido e publicado no estrangeiro. Por desfastio (e por que não?, algum dinheiro) aceita colaborar em conspícuas revistas ou em jornais efémeros como o dia a dia em que vão sendo publicados. Está de tal modo visível que já ninguém dá por ele. É o escritor.
Se as coisas continuarem indefinidamente assim, o escritor pode ser alcandorado a gloríola nacional, com todos os direitos inerentes a uma situação dessas: academia, nome de rua, estatueta ou estátua, tudo isso em devido tempo, quer dizer, já velho ou já morto o escritor.
Pedra campal sobre o assunto.

Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim" é o autor desta reflexão, que me alimenta hoje

sim, sei que escrevo quando estou "mal"
sei que faz-me mal escrever...

então porque escreves, perguntas-me tu...?!
porque sim, porque me sai...

por isso, vou parar uns tempos...
o tempo que for preciso para desaprender de tanto sofrer...
tenho que viver, sentir, algo de mais luminoso, para poder voltar... e escrever, em paz...

até breve
malu

20/04/2008

...anjo rafael...



Não consigo ir dormir... faltas tu cá em casa, meu amor pequenino... e esta é a maior perda, que senti desde sempre... sei que não te perdi...mas estás ausente... e longe, fazes-me falta...sempre...

oiço dentro de mim, Paulo Gonzo e penso em ti:

"...teimoso subi...ao cimo de mim
e no alto rasgei...as voltas que dei
sombra de mil sóis em glória...cobrem todo o vale ao fundo
dorme meu pequeno mundo

como um barco vazio...p´las margens do rio
desce o denso véu lilás...desce em silêncio e paz
manso e macio

deixa que te leve... assim tão leve
leve e que te beije meu anjo triste
deixo-te o meu canto canção tão breve
brando como tu amor pediste..."

e choro...
como uma criança, por não te poder dar um beijo esta noite...
morro de saudades tuas...
lembro a nossa musiquinha,
aquela que ainda dentro de mim te cantava, antes de nasceres,
e ainda hoje adoras cantar comigo:

"era uma vez um cavalo
que vivia no seu lindo carrossel
era tão lindo e tão belo
cavalinho, cavalinho de papel...
a correr, tra la la
a saltar, tra la la
cavalinho não saia do lugar, tra la la

o cavalinho era amigo
anjo da guarda fiel
de um bebé muito querido
cavalinho, guarda o bebé Rafael...
a crescer, tra la la
a brincar, tra la la
Rafael vai sorrir ao acordar, tra la la "

assim, nesta ternura
já adormeces-te colado a mim,
tantas...tantas vezes, que agora me parecem tão lá atrás...

beijinho, meu amor

faz ó-ó meu bebé
porque eu velo por ti
só aos anjos
a lua sorri

amanhã
a mamã está aqui,
à tua espera...

...ridículo...



Será que estou mesmo apaixonada?
Porquê amar tem que doer tanto?
Estarei apenas doente?
Às vezes sinto-me completamente ridícula com tanto sofrer...

Não havia necessidade !!!
No entanto já o poeta dizia que :
" Não seriam cartas de amor, se não fossem ridículas..."
Que figuras que nós fazemos...por culpa do amor...!

...Serei?...


Serei carne fria, crua
Serei terra molhada, apertada
Serei flor murcha, pétala solta
Serei pena que não tem onde cair
Serei apenas uma sina mal marcada
Serei de mais alguém
Sem ser de mim
Serei eu tua?!

Serei apenas alma perdida, desamada
Talvez sombra periférica de uma estrada
Que me mostraste e não segui
Que me ensinaste e não aprendi
Serei apenas semente que não reguei
Serei um frasco de um bom perfume
Que não abri?!

Talvez seja apenas um ser banal:
Não contente com o “ser” apenas
Insatisfeita com o “viver” apenas
Despedaçada com o “querer” apenas
Vazia com tanto “ter” apenas
Que não me preenche todas as partes ocas
Que não junta em mim todas as peças
Que não completa em nada, nunca
Tudo o tão pouco que preciso nesta vida…

Queria apenas sorrir com vontade
Amar-te mais, em liberdade…
Correr, brincar
Seguir sem medo, sem esta ansiedade
Serei exigente demais
Contigo, comigo, com a vida?!
Serei muda, surda
Serei nada disto,...tudo
Responde-me:
Serei eu tua ?!…

Malu

19/04/2008

...vício traidor...

Não sei porquê desespero …se te não quero… se te não espero…
Talvez seja o meu coração que não é sincero…
Ensinei-lhe a te não chamar, a te não beber
E ele disse que aprendera a lição
Desde o dia em que agarrei a tua mão
E me disseste que te não podia prender…

Como vou eu agora fazer
Para não sofrer…pra não te perder
Se o meu coração me mentiu
Se apaixonou por ti e me fugiu…
Sequioso colou à tua bagagem
E se foi…sem olhar…sem me levar…?!

Corro atrás de mim… preciso do meu coração
E não te apanho…tenho a certeza de que me perdi…
Já não sei como o sossegar sem ti…
Sem nada mais que o prenda aqui…
Salta, grita… não pára… teima em não estar em mim
Ficou dependente…viciado…e foi roubar sangue por ti

Fiquei eu… sem batida…sem vida…
Agarrada…ressacada…desesperada…
Não posso viver sem ti…meu coração
No meu peito gravado…aconchegado
Volta amor, mata este vicio traidor
Não mo deixes neste estado… despedaçado…


Malu

17/04/2008

...palavras pintadas...


Picasso pintava…
Escrito está de suas palavras que:
“Nada é mais difícil que uma linha!…”

E eu…não sei pintar
Não sei escrever…
Nem às cores, nem a preto e branco…
E queria tanto dizer-te algo…
Com que entendesses a minha linguagem
A mensagem…

Não é fácil dizer que te amo…
Sinto-o…
Com tanta certeza que tenho medo
Tenho dúvida de que acredites
Quando to disser…
Quando to não disser…

Não é normal este querer-te…
Parece que vive em mim
Desde sempre
E para sempre…
Este saber de pertencer-te
Que me faz tanto recuar…

Aterroriza-me não saber
Fazer sentir-te igual
Ou o mesmo…
Não sei por que te amo assim
Sei que preciso que me ames
Tal e qual…

Sei que, vendo um dia que te quero demais
Demais para ti…
Prefiro fugir… prefiro que te não tenha
Do que ter-te, sem ser assim…
Sem seres de mim
Sem seres para mim!…


Malu


Algures em ti

16/04/2008

...cântico negro...


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

será que as nossas vidas se perpetuam e se entreciclam...?
será que alguém escreveu isto por mim, alguém que nasceu 71 anos antes de mim, em 1901... com o nome de josé maria dos reis pereira...?!

eu não sou licenciada em letras... mas juro-vos que poderia ter sido eu a escrever este cântico... desde que me lembro de ler, e procurar pensamentos escritos onde me reveja, sem qualquer defesa, que este, foi sempre um dos meus preferidos...não que me anime, não que me alente...mas por ser assim, tal como que, meu... de mim...

ainda bem que nos identificamos com alguma coisa não é, neste mundo...?!
escusava era de ser um tão negro exemplar a perseguir-me...

este terá sido um daqueles artistas que escreve, o que não sente... ou o que sente ?
ò Jose Régio... não acredito nisso...nem eu...nem tu...!!!
quem escreve assim... pode ser que eu me engane, mas escreve, tal e qual eu, tal e qual o que lhe vai na alma...

... e está tão escuro hoje...!!!

15/04/2008

...carrossel...


Faltam-me as palavras
Mas o pensamento não pára
Como um carrossel desgovernado…
Atormenta-me esta apatia
Esta necessidade bruta de me sacudir pra nenhum lado…
Viro-me do avesso, e de mim não cai nada…

Secaram-me todas as lágrimas
Desmontou-se todo o meu corpo
Encolheram todos os meus tecidos
Não sei já que líquido corre nestas veias
Apaguei-me em todos os meus circuitos
E não sinto nenhuma paz…

O meu coração reclama
Pede força, pede vida, pede alento…
Minha alma não quer sossego
Meus olhos não querem descanso
Vive em mim uma certa inquietude
Que atropela qualquer pedaço de razão

Tantos precisam de mim, certa segura
E eu não estou, não sou capaz…
Não há ancora alguma, qualquer raiz
Nesta pessoa que hoje sou

Vagueio insistentemente
Pelos sempre mesmos lugares
E dou com tudo, com todos
Menos comigo…

Desconheço a forma
Em que se terá transformado a minha massa
Depois de tudo…
Depois de nada !

Já dei tantas voltas, e não me encontrei
Que já não me iludo… e estou infinitamente cansada…
Se não sei onde estás
Não sei para onde vou !…


Malu

(na feira dos sentidos)

...artista de pincel...

Se eu fosse artista de pincel
Pintaria uns olhos feitos amêndoa
De uma pessoa que conheço à distância.

Se eu fosse artista de pincel
Riscava a tela de tons dourados
Bem à semelhança dos seus cabelos.

Se eu fosse artista de pincel
Desenharia um nariz arredondado
Bem oriental por isso mais bonito.

Se eu fosse artista de pincel
Esboçava uns lábios carnudos
Numa boca sensual, apetitosa.

Mas não sou artista de pincel:
Por isso limito a minha acção
A contemplar, a admirar, a desejar…


Ass: Orlando Dias Agudo



Sim, hoje estou de folga, e faço uma pausa, porque, já sei que quando escrevo demais, é porque estou a sofrer... prefiro deixar aqui o pensamento poético de um amigo, daqueles que conseguem omitir os sentimentos, e esconder-se atrás das personagens e conseguem não ser transparentes como eu, mas um amigo que respeito, e que espero ainda me ensine muitos dos seus truques.

Um artista das letras, digo eu, e não do pincel, por isso, foi fácil conseguir escrever o que pensa, o que sente, sem sofrer, e aqui também, digo eu...
Bastou uma foto e...uns olhos lindos... de uma mulher que não se diz o nome, para revelar... aquele artista...

E a arte, é realmente para ser apreciada... e eu aprecio, os que conseguem assim escrever... não como eu... mas libertos de si mesmos, muitas vezes levados por uma grande faculdade de imaginação, na ficção... onde o proprio coração pouco pesa, tantas vezes... não como eu... outras vezes levados pela sensação que agora substitui a autrora paixão, e é apenas um doce apreciar, de encantamento...quem sabe...à distância...

Um dia, quando for grande...também serei assim... e saberei, contemplar sem me precepitar, admirar sem me apaixonar e apenas desejar, como que aprenderei a arte de viver... sem deixar o sofrer me abalrroar...

Obrigado mestre...conto consigo.

14/04/2008

...Celeste...


… e havia aquela fantástica senhora… que ouviamos a meio da sesta, a meio do relax, de barriga para o ar, deitados na toalha aquecida, no imenso areal… e nos animava… era tão familiar…
- olhaaaaaa booolacha amaricaaaaaaaaaana…!
- olhaaaaaa booolacha amaricaaaaaaaaaana…!

Desde os seus anos de jovem mulher que palmilhava diariamente e vivamente por todo o Verão, umas 4 ou 5 vezes por dia, de um lado ao outro, toda a praia. Sempre havia alguém que a ouvia passar, de lés a lés… com os pés calejados, escaldados a seco mas alegres e habituados às areias quentes e nada finas, da Nazaré…

Tinha as bolachas ao pé do São Miguel…lembro-me tão bem…!
Naquela dispensa dos concessionários, junto às casas de banho dos veraneantes debaixo do muro, assim que passávamos as dezenas de peixeiras a oferecerem…..barracas….quartinhos…chambres….rooms…:
- Aaaaahhh lindas…vão ficar quanto tempo ? Na quer uma barraquinha…? Um quartinho p`a passar a noite ?… alugo barato…!

A minha tia, não era peixeira… Era do Valado, por isso valadeira… mas, todos sabem quem era a velhinha, que desde nova vendia, a bolacha americana na praia.
Todos os meus conhecidos, e amigos e desconhecidos e outros, passaram por ela um dia, e diziam, a respeito da minha tia:
- Simpática a senhora, sei quem é…!!!

- A vida não é fácil…! Dizia-me a minha tia… quando ainda se mexia, sempre com um ar despachado, alegre, entregue com todas as forças àquela vida… rude, difícil, dorida…tão maltratada pelo sol nosso de cada dia, e ainda pelo seu próprio sol…

O tio Manel, era, e ainda é conhecido, por ser o homem dos gelados…
E toda a vida, desde que me lembro, a acompanhou, e ela a ele, em todos os momentos públicos, mais ou menos difíceis de cada um…
Nos outros, que eram só deles, e do seio lá de casa… uma casa pobre, como quase todas as da nossa família, não sei…
Nunca me despertou curiosidade saber como vivia aquele casal, nas minhas primeiras 3 décadas de vida….
Em pequenina…adorava-os, eram os tios dos gelados e da bolacha, que sempre todos os anos pelo menos numa das minhas idas à praia, me presenteavam com aquela gulodice…
Mas em criança ainda, tive um clic, que me afastou deles.
E só deles, porque andavam sempre juntos, mas nunca da minha tia, interiormente…porque, desde sempre, embora pouco o convívio, gostava muito dela…muito…era das irmãs do meu pai… a que sentia mais próxima de mim, de todos eles, e todas elas…
Não julgo apenas por um mero preconceito monstruoso que viva em mim desde a meninice… sinto simplesmente que o afastamento, foi por causa dele, ou então, estou agora aqui a ser extremamente injusta, mas sem meias palavras, de fora vejo que foi a vida que o fez assim…
Ele era mau, e cá para mim tinha tiques de pedófilo, pelo que, não me aguentava muito tempo a deixar-me ser apaparicada … evitava… nunca me senti segura em casa da minha tia, nem criei a assiduidade de voltar, nem vontade… e tenho pena…!

Os meus primos, sempre ficaram um tanto afastados, só o Filipe, que continuou a vender na praia, o via mais vezes… mas os outros, raramente. Só nas férias de Verão, naqueles espalhafatosos encontros de emigrantes, e mesmo assim…muito de fugida e, nem todos, nem todos os anos…
Só com a Zélia, e mais propriamente com os filhos da Zélia, ganhei mais afinidade, talvez e mais em particular com a Sandra, lembro-me muita vez dela, dado o termos estado mais próximas, por altura do casamento da Vera, a afilhada que o meu pai adora, tal como à outra, e que está longe… emigrada… e que hoje, nem me conhece… !!!

Nos últimos 5 anos, e mesmo desde a doença do tio Manel, por incrível, tenho-os visto até mais vezes, aqui, ali, nos médicos, na praça em Alcobaça, na praia ainda agastados pelo velhaco do trabalho, aquele casal de vendedores, dos quais esqueci neste entretanto as imagens do antigamente, e me afeiçoei mais a uma visão de tios queridos e velhinhos…

Nos últimos meses, desde que se atiçou a doença da tia, mesmo sem até há bem pouco tempo ninguém desconfiar de nada… a vida, não só foi nada fácil, como também foi muito difícil para eles…
De repente, a tia, é internada, operada de urgência, e fica acamada… um cancro desventrou-a completamente, galopantemente, e continuou, por estas ultimas semanas, a consumi-la, a cobrá-la, não sei de quê, não sei por quê, tão devagarmente, como que um castigo deveras inapropriado, enganado, no seu alvo sofredor…

Foi tudo muito rápido…
Numa questão de mês e meio, todos os filhos e a maioria dos netos, genros e noras, e sobrinhos e irmãos e próximos e afastados, ficaram a saber que, a tia estava muito mal… e deu-se um corrupio de cruzamentos em família como só a morte, conseguiu alcançar…

Faz hoje uma semana, a minha tia, chorou agarrada à minha mão…
Tinha-me ali, e a mim se agarrava, como quem suplicava para que fosse diferente, o seu fim... Não queria, deixar o tio… deixar o hospital… queria ir para casa, tratar dele, sem ver que em casa, não tinha quem tratasse convenientemente de si...
Ouvia mal, sem o seu aparelho que entretanto perdera naquele mini quarto da cirurgia, e apenas por ironia do destino, coube-me a mim tentar consolá-la, naquela hora que foi a última vez que a vi…

Sim, foi uma hora negra, que me transtornou… no meio de tanta família, tanto filho tanto neto, que andou pra trás e prá frente, entre cá e lá, França, Angola, Portugal, aqui ao lado… e todos tão longe, naquela hora, que veio sem avisar...
Naquele dia, sim, mais uma vez digo por ironia do destino, eu acabara de ser internada para a minha cirurgia, que agora me empurrou para o repouso absoluto em casa, quando na mesma enfermaria, a tia teve alta… já nada havia ali a fazer, e foi enviada para o lar, onde deveria viver em paz, e em dignidade, os seus últimos dias…

E quem estava alí…?…eu… a descansá-la… a confortá-la, a convencê-la, a ela e ao tio Manel, de que era o melhor que lhes podia acontecer agora…nesta altura do campeonato…serem separados, para mais tarde, assim que possível, pudessem estar juntos, e juntos ficarem até ao fim dos dias, num outro lar, onde os dois pudessem ser acompanhados.
A doença, a velhice, a injustiça da dor que nos esmaga, quando nos sentimos impotentes perante estas conformidades da vida, ou da morte, transtornam-me muito…aliás, comovem qualquer um… revoltam qualquer um, quanto mais eu… tão inconformada como sempre…

5 dias depois, deu-se o alarme pela manhã…
No lar, a minha tia, não podia ficar, os diabetes subiram a 600 e, teve que vir para o (S.O.) para os cuidados intensivos... De novo para o hospital, mas agora, numa área restrita, onde nem eu podia entrar… como internada… também dali não podia passar…
Foi a Zélia quem me avisou… tadinha, despedaçada, sofrida. Veio mais uns dias a Portugal, pra estar com a mãe, e pressentira que iria ser o fim… aliás…os médicos chamaram-na à parte e isso mesmo disseram…
E a Zélia, lá preparou tudo, com a maior das coragens… e mesmo sabendo que tinha uns irmãos longe, embora com ela, e outro a enfernizar-lhe a vida por causa da ida para aquele lar… Sabe que foi o mais certo… queria ter dado paz, nas últimas, à sua mãe, que toda a vida sofreu, e merecia morrer bem tratada, acarinhada, e não sozinha numa cama de hospital, como acabou por acontecer…

A Zélia tinha viagem marcada para hoje… o Zé também… mas, já nem sei como vai ser…
A tia, morreu ontem à noite, disse-me há pouco o meu pai… e agora, vai enterrar…
Vai partir finalmente para um lugar mais calmo, onde não mais as dificuldades desta vida, andarão a rondá-la, a massacrá-la, onde não mais vai ver o seu querido marido, por mais mau que tenha sido, a sofrer sem o poder valer, onde não mais, vai ver os filhos discutirem, e andarem às zaragatas… onde não mais, vai ter que palmilhar o areal a vender bolacha americana para viver… acabou-se… silenciosamente… apagou-se!

E eu tive alta do hospital, no dia em que ela voltou, e não pude ir vê-la!
Nem hoje, me poderei ir juntar aos que a amaram e levá-la, como diz o povo, à sua última morada…
Fico mais uma vez, presa neste repouso absoluto, mas que não posso infringir… e aterro numa planície de plena tristeza, inquietude, e uma sensação de um pesado vazio que me atormenta… sei que hoje… a vida não está fácil tia…

Deixas-me mais um buraco imenso no meu coração, e isso deve querer dizer que nele, o teu lugar é cativo… Não vou dizer-te adeus…nunca o poderia ! Foi há uma semana que me despedi de ti, e sim, nessa altura, eu o sabia…! Digo-te até breve, até sempre, até um dia.

Invade-me uma amarga alegria, por saber que finalmente, parou o teu sofrer, acabou a tua estrada…
Continuarás a ser a nossa tia "Celeste", agora mais que nunca, pois sei que estarás no céu, a olhar por nós…
Vai e descansa em paz…!
Há quem diga que o fim da estrada… é o início do caminho… e assim, talvez um dia nos encontremos por aí, e eu possa dar-te um doce abraço… um beijinho…!…

Alcobaça , 14 de Abril de 2008

Malu
(à tia Celeste )

...recomeçar...


Não vou despedir-me
Nunca mais…
Foste tu quem me ensinou
A não dizer adeus ao que se ama

Largo estas pedras
Este chão,
Este cheiro
Deixo para trás tudo o que é meu…

Com olhos tristes, a arder com saudades
Que vão acompanhar-me por muito tempo…
Enquanto não me esquecer
Que aqui, também fui feliz…

Não vou dizer um até breve
Sei que não vou voltar…
Vou apenas certa de que vou
E sou daqui…e de tanto outro lugar…

Quem não chora
Nunca sentiu
Os laços que nos unem
Às memórias que nos ferem…

Quando nos obrigam a partir…
Quando não há mais por que ficar…
Sim…vou embora
Vou por mim…!

Ninguém me empurrou
Ninguém…
Não te culpes…
Eu não te culpo…

Está na hora
Não de temer, não de parar…
Está na hora de nascer
Recomeçar…


Malu
Ataíja de Baixo, Alcobaça
20 de Setembro de 2007

13/04/2008

...ainda tu...


Ainda ontem te vi
No claro azul claro dos teus olhos
Sim… Ainda lembro como se fosse ontem
E já passou algum tempo
Algum… demasiado tempo
Sem te ver

Ainda agora te senti
Teus ossos nos meus
Como se o teu abraço me apertasse
Como eu tanto queria agora… antes de ir dormir
Antes de mais uma vez fechar os olhos
E voltar a adormecer… a acordar…
sem ti a meu lado…

Ainda amanhã…
E depois de amanhã …
E depois
Muitos mais amanhãs virão depois
E estaremos ainda longe … separados
Ainda desolados…ainda
atordoados com esse elo que nos invadiu…
sem sabermos ainda de onde vindo
E nos mantém ainda unidos…

Ainda ontem…
Ainda amanhã
Ainda agora…
Ainda há tanto tempo
Ainda por muito tempo ainda…
Ainda não sei porquê
Nem quero saber… ainda…!

Ainda me amas meu amor ?!…
Sempre … Sim …
Ainda e sempre, sei que sim …
Sei que ainda
E também sei que ainda não chegou o nosso tempo…

Ainda e desde sempre te espero…
Hoje…
Amanhã…
E ainda depois…

Por quanto tempo ainda … meu amor ?


Alcobaça

4 de Março de 2008
Malu

12/04/2008

...amanhã...ou depois...


Amanhã…depois…
Entre muitos outros…só em mim
Cheia de palavras…completamente muda
Crescida, tão certa…tão indefesa
Menos mal…assim-assim
Tão diferente…tão sempre igual…

Quantas caras tem
O amanhã…o depois ?!

Quantas vezes
Ninguém responde…ninguém sabe
Porque choras…porque ris…?!

Tantas vezes
Tá tudo bem…é mais um dia…
E tudo é nada… é tanta coisa
Que não está bem…que te desvia…
O teu caminho não é esse, sabes bem…

Quantas vezes
Vais ter que voltar atrás
Refazer toda a caminhada…
Entre mãos que te dão, a que de dás
Quando te afundam, te seguram
Te levam o teu quase nada… ?!

Será amanhã … ou depois …
Quando vais aprender a ficar parada
A deixar-te ser amada…?!

Ataíja de Baixo - Setembro 2007
Malu

11/04/2008

...errante...


“amor errante…amor distante (…) volta depressa… enquanto há tempo” …
A canção fere-me, sempre que a oiço, e oiço nela falar de nós, cantar pra nós!
Sempre que me lembro, mesmo sem ouvir essa música, esse chamar-me a ti, esse chamar por ti. Será errante o nosso amor ? Errante será errado, será um erro ?!
Distante é certamente, ou então não o é, não pode ser. Não te sinto distante. Não estou de ti distante. No meio dos nossos desencontros sim, é errante este amor,
este não estar. É errado passar mais tempo a adiá-lo, é um erro pensar que temos todo o tempo do mundo à nossa frente.
Volta depressa meu amor, por favor! É errado não viver a teu lado todos os meus dias
É errado não ter-te aqui agora e poder apenas abraçar-te muito apertado, muito demoradamente.
Quem será que se enganou, eu, tu?! Quem foi o errante que nos uniu, nos separou…?!
Será um erro pensar assim; querer-te para mim enquanto há tempo … ?!


Alcobaça, 19 de Janeiro de 2008

Malu


(com a canção "amor errante" dos Diva na cabeça)

07/04/2008

...fé...


Será que te perdi ?!
Será este um dos momentos em que preferes estar sozinha ?!
Será que me ouves respirar… dormir… soluçar… desistir ?!
Será que ainda estás em mim… perdida… esgotada…
À espera de ser resgatada ?!

Será que me escapas-te entre desejos, entre medos
Entre “entra-e-sai” de segredos… ?!
Daqueles que ferem de dor…
Daqueles que ardem de felicidade…
Daqueles tão perfeitos momentos…
Tão imperfeitos fragmentos de verdade…
Tão inoportunos e rebeldes sentimentos…
Tão esguios e raros… e tão seguros… tão frágeis…
Preciosos toques da tua alma… teus e meus sorrisos…
Por entre tão doces, imprevisíveis… sentidos…
Por entre os meus e os teus rios de lágrimas…
Entre tantos sonhos impossíveis…

Será que ainda estás aí ?!
Nesse lugar onde me encontro … tão escondida… tão sem abrigo
Desprotegida… nesse olhar infinito…
Nesse silêncio em que desgastas…
Nesse abraço que me negas… que não dás sem me sentir…
Será que me queres ainda… como noutro dia qualquer ?!

Onde andas?!
Vem me ver
Vem-me dizer
Vem-te mostrar...
Como posso não te perder,
Como faço?!
Está a doer
Vem me sarar...

Malu

Alcobaça, 13 de Janeiro de 2008

...insónia...




Não faz frio esta noite …
não me apetece ir dormir…
Não ligo a televisão…
Não oiço os teus cds…
Não desligo sequer dos barulhos deste prédio…
Não sei que horas são…
Não sei mais que fazer…

Já corri toda a casa…fui à rua… não vi vivalma…
Os carros passam lá fora…
Só passam…nenhum pára…nada pára…
Tudo gira…tudo avança tão calmamente…
Tão naturalmente se estende a noite em madrugada…
Daqui a pouco é já de manhã…
Só eu não paro …
Não me apetece ir dormir…

As crianças já foram dormir…
Os vizinhos já foram dormir…
Preparam-se para mais um dia amanhã…
Cheios de dores, de trabalho, de dissabores…
De um esforço incrédulo em sobreviver…
Quase sem tempo para respirar, para sofrer, para sorrir…
Mas lá estão…lá vão…embalados pelas vidas desgastadas…
Descansam…! Só eu …. não me apetece ir dormir…

Tenho medo de me esquecer da cor dos teus olhos…
Tenho medo que esqueças como é sentir os teus lábios nos meus…
Tenho medo que adormeça o teu amor por mim…
Sinto tanto… apenas tanto, tanto a tua falta
Que não me apetece ir dormir…
Não quero acordar sem ti a meu lado…
Abraça-me amor…
Não me apetece ir dormir!…

Alcobaça, 9 de Janeiro de 2008

Malu

06/04/2008

...contar o tempo...


Há quanto tempo estarei aqui no meio de nada…
Nem perdida, nem achada ?!
São tão desventrados de tudo estes caminhos, estas paredes…
São tão iguais a labirintos estas ruas…
Esta cidade, estas pessoas que comigo se, ou não se cruzam !
Onde terei eu batido com a cabeça…
Com o coração …com o corpo todo… ?!
Pra me sentir assim tão vazia, tão acordada…adormecida desta pancada
Que “Côma” é este… que estado de : “não estar” ? “não saber“ !
Que gosto é este…tão amargo…tão sem sal… ?!
Nos meus dias…nas minhas noites…

Há quanto tempo estarei aqui, tão sem pra onde me virar…?!
Estarei a ficar louca…?! Serei eu louca…e não sei ?!
Quanto tempo faltará para me reencontrar…?!
Não sei de mim…
E sinto tanto a minha falta…
Onde está o brilho dos meus olhos… o meu sorriso…?!
A minha garra… essa vontade de viver… de crescer… ?!
Onde estou …para onde vou agora ?!
São tantas perguntas … sem tantas respostas que já nem quero…
Estou cansada de girar à minha volta,
Sem conseguir parar…fechar os olhos, descansar !!!
Onde está o meu amor !!!
Dá-me a tua mão… vem me buscar…

Há quanto tempo estarei aqui…?!
Já não sei
Já não sou capaz de contar…!!!


Alcobaça, 13 de Janeiro de 2008
Malu

31/03/2008

... um destes dias ...

Se eu soubesse como atravessar essa ponte, não estaria aqui agora…
Se eu soubesse de que matéria é feita a distância,
não descansaria enquanto não arranjasse antídoto…

Se eu pudesse pedir ao tempo para esperar… para me levar…
Não escureceria mais, cada meu amanhecer sem ti…
Já te disse um destes dias, que os dias passam devagar,
mui cruelmente devagar…!

Se eu pudesse pedir ao vento para seguir-te, pra me trazer-te…
Não choraria, de cada vez que cai a noite e
custa tanto acreditar que, não estás aqui…

Se eu soubesse como não te amar…
Não estarias aqui agora…tão longe e tão presente em mim…

Se eu soubesse como viver sem te querer…
Não estaria tão grata por ter acontecido
Esse milagre de te ter conhecido
Esse destino de te ter sentido
Esse encontro do teu ser, comigo…

Se eu soubesse que eras mais feliz sem mim
Não existiria mais… aprenderia a desistir…

Se eu pudesse esquecer-te, não te chamaria…
Dir-te-ia . “vai amor … e sê feliz!”
Mas não sei… não posso…
Desculpa-me amar-te tanto…
Volta por favor… um destes dias…!

Malu
Alcobaça , 10 de Janeiro de 2008

... secretamente ...

Esta terra redonda, esfera azul
Deveria saber o quanto te amo…
Deixaria de girar atrás de um sol
Que não me aquece…que me enlouquece !
Não sei que lua me deu,
Não sei se me apetece
Passar mais um dia … assim…!

Estas paredes brancas, ninho alheio
Deveriam saber o quanto te amo…
Deixariam de me cegar entre uma e outra
Que não me pertence, que me arrepia !
Não sei como sair daqui,
Não sei se me merece
O mundo lá fora … ou em mim …!

Os teus dias sem me ver, sem me tocar
Deveriam saber o quanto te amo…
Não mais se perpetuariam uns aos outros cruelmente

As tuas lágrimas, no me querer e me não ter
Deveriam saber o quanto te amo…
Não mais longe de mim escorreriam em teu rosto

Os teus olhos, a tua boca, as tuas mãos
Deveriam saber o quanto te amo…
Não mais me negariam esse amor

Secariam esta dor … secretamente …!

Alcobaça - 5 de Março de 2008
Malu

06/02/2008

...Palhaço Triste...

Não choveu hoje, e o povo saíu à rua...
Houve desfile, carros alegóricos, muitos confetis, serpentinas...
Sátiras previsíveis, inocentes brincadeiras...
Musica de Carnaval, e o algodão das feiras...

Foram algumas horas
em que levei os teus netos pra brincar...
até chegaram a dançar...
Uma pediu pipocas, outro um balão...
Divertimo-nos ... ?! ... talvêz, entre a muldidão...
por escassos momentos, esquecidos...na confusão...

Levámos mais de uma hora, para sair da praia...
lanchámos pelo caminho...
adiámos o que pudemos, esse regresso, de mansinho...

E... voltámos... ao INFERNO !!!...
Lá...continuavas...amuado, enrezinado...
Preparado para abalroar tudo e todos... no teu caminho...

Horas antes...
teus olhos de fogo enraivecidos...
teus braços fortes...vencidos...
tinham desejado... a morte...
aos meus mais queridos...

E...mais uma vez, pai...
fizeste tanto mal...aos que te amam...
por causa desses fantasmas que te enganam...
te consomem...te roubam de nós...!

Sinto tanto a tua falta ...
E nunca te tive !
Maldita seja, essa guerra...
Que em ti vive !!!...

(... ao meu pai... um palhaço pobre e triste...
em terça feira de entrudo)

5 de Fevereiro de 2008

Marta Luis

02/01/2008

... sempre em mim ...

Toda a madrugada, a chuva escorregou de mansinho na minha janela, como quem sulplicava para entrar. O teu cheiro deambulou toda a noite, pelos meus lençóis, prendendo-me à cama, aconchegando o meu sentir.Estavas ali…não estavas meu amor ?!
Como dizer-te que estou bem, estou feliz, por te esperar...?

Tu estás sempre em mim, pese embora essa distância cruel. Não é justo o que vivemos, mas é verdadeiro. Não me peças para seguir outro caminho que não o teu rasto.
Não dependo de ti, não te perseguirei, não vou parar de viver, enquanto não estás.
Doi muito a tua ausencia sim, mata, mas sei que doeria muito mais, se não existisses, se me esquecesses.
Sigo feliz, com mais ou menos força, com essa saudade que aperta e conforta ao mesmo tempo, pois sei que um dia vais voltar.
Até lá meu amor... nunca te esqueças de me lembrar, pra que nunca me lembre de te esquecer. E não resistas; ama-me, como só tu sabes ... como eu preciso tanto!
Eu só estarei bem, se me deixares ficar, sempre em ti...

Malu

15/12/2007

... ilumina-me...

Hoje não consigo escrever-te, a ti que me lês para te sentires melhor, menos mal, menos desorientado. Não há em mim luz alguma. Não há estrela que me guie neste trajecto que me tracei. Perdi as forças para andar de gatas, ou às apalpadelas e, falta-me aquela margem, pra me orientar entre o mal e o bem, entre o certo e o incerto, entre o amor e o desespero, entre o querer ficar, e o querer partir. Falta-me essa tua pauta que me segura, que não me deixa levitar.
Não te posso pedir que me leves. Não te posso trazer junto a mim. Não tenho fome, não tenho sono, não tenho sede... Não sinto nada, apenas um amargo imenso na garganta, uma tremenda e cortante vontade de chorar, sem ter pena de mais nada neste mundo, sem me ralar com mais ninguém... Sinto-me apenas desabar.
Não aguento mais diria qualquer um... não serei eu quem o vou dizer!
Amo-te até à exaustão do meu existir. Perco-me por não saber como esquecer-te, nestes momentos em que me mata essa saudade, em que não consigo ser feliz sem ti
e não tenho a grandeza de me esquivar destes pensamentos, e não consigo ignorar o meu desespero, e não me deixo distrair por nada mais senão pela dor de te não ter.
Mesmo estando à minha volta quem me chame, mesmo sabendo que tenho uma missão, há alturas em que não consigo escrever as palavras certas, em que não consigo calar ou ouvir as coisas certas, em que não consigo contentar-me com o que tenho, em que não consigo lamentar-me com o que não tenho, porque a única coisa que tenho certa ou não certa és tu, sempre em mim...
Desculpa-me ser tão egoista e haver estas alturas em que me afundo de tanto sentir a tua falta que não consigo amparar-me em mais nada, mais ninguém, senão na tua ausência para me justificar ser tão imperfeita, tão incapaz de ser racional como qualquer outra.

05/09/2007

...Pró...Fundo...


"Odiar todas as rosas
Porque uma te espetou...
Entregar todos os teus sonhos
Porque um deles não se realizou
Perder a fé em todas as orações
Porque numa não foste atendido
Desistir de todos os esforços
Porque um deles fracassou
Condenar todas as amizades
Porque uma te traiu...
Descrer de todo amor
Porque um deles te foi infiel.
Jogar fora todas as chances de ser feliz
Porque uma tentativa não deu certo.
Espero que na tua caminhada
Não cometa estas loucuras
Lembrando que sempre
Há uma outra chance...
Uma outra amizade
Um outro amor
Uma nova força
É só ser perseverante e
Procurar ser mais feliz a cada dia
A glória não consiste em
Jamais cair, mas sim erguer-se todas as vezes que forem necessárias! "

Sim... cheguei ao fundo... mas vou voltar a voar... !!!
Estes são os primeiros dias do resto da minha vida...

29/08/2007

...Morrer é tão lento...


“Morre Lentamente
Quem não viaja
Quem não lê
Quem não ouve música
Quem não encontra graça em si mesmo.

Morre Lentamente
Quem destroi seu amor próprio
Quem não se deixa ajudar

Morre Lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajectos
Quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor
Ou não conversa com quem não conhece

Morre Lentamente
Quem evita uma paixão
E seu redemoinho de emoções
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos
E os corações aos tropeços

Morre Lentamente
Quem não vira a mesa, quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho
Quem não se permite
Pelo menos uma vez na vida
Fugir dos conselhos sensatos...

Viva Hoje !
Arrisque hoje !
Faça Hoje !

Não se deixe morrer lentamente
Não se esqueça...de ser feliz !!! “


Pablo Neruda

... perfume ...

Como um grão de areia, solto na onda
Este vai e vem da maré
Não sei se me enjoa
Não sei se me embala

Como uma penugem, que se deixa cair
Da ave que se penica
Não sei se vou mais longe
Não sei se siga o vento

Esta dor, que se me agarra á pele
Como o hábito se cola ao monge
Não sei se me alimenta
Não sei se me mata

Sei que, dar mais um passo, me sabe sempre bem
Sei que, olhar para trás, de cada vez, é mais fútil
Cortando os pés, no piso frio, do gelo que parte
Olhando no escuro, não nei se real, se prepositado...

Sei que preciso de uma paragem, um suspiro
Olhar longe, e esticar os trilhos desta viagem
Colhendo as pétalas, desta flor que vai secando
Sentindo o perfume, que me acompanha desnorteado...

11 de Janeiro de 2002
Marta Luis.

Não me perguntes mais há quanto tempo me sinto assim...

eu sou assim...

28/08/2007

... quase ...


" Quase acreditei que não era nada, ao me tratarem como nada.
Quase acreditei que não seria capaz, quando não me chamavam, por acharem que eu não era capaz.
Quase acreditei que não sabia, quando não me perguntavam, por acharem que eu não sabia.
Quase acreditei ser diferente entre tantos iguais, entre tantos capazes e sabidos,
entre tantos que eram chamados e escolhidos.
Quase acreditei estar de fora, quando me deixavam de fora por que... que falta fazia ?

E de quase acreditar adoeci; busquei ajuda com doutores, mestres, magos e querubins.
Procurei a cura em toda parte, e ela estava tão perto de mim

Me ensinaram a olhar para dentro de mim mesmo e perceber que sou exactamente,
como os iguais que me faziam diferente. E acreditei profundamente em mim.
E tenho como dívida com a vida. Fazer com que cada ser humano se perceba,
se ame, se admire de si mesmo, como verdadeira fonte de riqueza.

Foi assim que cresci: acreditando.
Sou exactamente do tamanho de todo ser humano.
E por acreditar perdi o medo de dizer, de falar, participar e até de cometer enganos. E se errar? Paciência, continuo vivendo,por isso aprendendo. E errar é humano. "

Não quero arrepender-me se errar... sempre ouvi dizer que, só se arrependemos de não tentar ser felizes ... mesmo que para isso tenhamos que errar...

...Tu és o meu Amor...

“… Corri por entre os vales verdes,
Flutuei nas águas agrestes desses rios,
Saltei de nuvem para nuvem,
À procura desse Amor...
Subi montanhas, desci desfiladeiros,
Demorei toda a minha vida para te encontrar.
Cada segundo que levei para ouvir a tua voz,
Para sentir o teu sorriso,
Para saber que eras tu por quem eu tinha nascido,
Parece preencher o espaço do nada
Que antes havia dentro de mim.
Chorei lágrimas salgadas,
Que se tornaram doces ao som das tuas palavras,
Vivi momentos de angústia,
Que se tornaram vitórias porque estavas comigo.
Salvaste-me do eco da solidão que criei para mim.
Tinha medo de saltar e avançar em frente,
Agora não sei que outra coisa posso fazer por ti,
Que não sejam as maiores loucuras,
Aceitar os mais fortes desafios,
Travar a maior luta que alguma vez tive,
Aqui dentro de mim...
Tudo sobre mim se decide agora, em ti...
Não sei o que é certo ou errado,
Não sei o que é a terra ou o céu,
Não sei o que é a realidade ou o sonho,
Quando penso em ti.
Jamais dentro de mim ardeu um fogo assim,
Jamais a chuva me pareceu beijos do meu Amor
Entregues por anjos, como agora.
Tu és o meu Amor...
O Amor com que sempre sonhei,
Que sempre quis e nunca tive.
E que só de ti quero receber.
É só a ti que eu quero,
É só contigo que eu sonho,
E só a ti pertenço...
De corpo e alma, teu quero ser.
Diz-me que me queres também
E eu irei até ao fim do mundo,
Ao sétimo céu,
Onde quer que a felicidade esteja!
O universo inteiro ganha sentido
Quando te sinto como sinto
Aqui dentro do meu peito,
Não há mistérios, não há sobrenatural,
Não há omissão, não há escuridão...
Tu és o meu mundo,
Não importa se o real se o dos sonhos,
Pois a vida é autêntica quando penso em ti...”


Olha como é lindo ...!!!
Se alguém sem tu esperares te dedicasse estas palavras, o que sentirias ?!
Eu sentiria-me renascer... e acreditaria do fundo do coração que, o amor, e a vida estariam a dar-me, uma segunda oportunidade...

e agora ... ?1 ... como enfrentar ... como viver ... como acreditar ...?!


ps : neste apenas omitis-te a ultima frase, e a que dá sentido a todo o resto do poema, mesmo não sendo teu, mesmo não sendo dita, ou escrita:

"Amo-te com todo o meu coração"

07/07/2007

... procura-se um amigo ...

Vinícios de Moraes, tem entre muitas uma admirável poesia que diz:

"Procura-se um amigo... Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive..."

E tu...és realmente meu amigo ?!

10/03/2007

...valeu a pena...

"Não quero alguém que morra de amor por mim... Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abrace sempre que o meu olhar peça um abraço. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importo com que intensidade. Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim.
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível... E que esse momento será inesquecível... Só quero que meu sentimento seja valorizado. Quero sempre poder ter um sorriso estampando no meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor. Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém... e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto. Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho... Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, os meus sentimentos... e não brinque com eles. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesma... Não quero brigar com o mundo mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para lhe mostrar que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,talvez tenha êxito e seja plenamente feliz. Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas... Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim".Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento. Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena nos doar-mos às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena!!!"

Não escrevi, transcrevi, porque me enviaram este texto sem mencionar o autor, por isso não lhe dou o devido crédito, mas o que importa aqui sublinhar, é que eu senti que tinha sido escrito desta vez para mim... e desta vez, não por mim... obrigado por me mostrares o caminho... os amigos são a nossa luz...quando escurecem dias sem fim.

29/12/2006

..."Um Bom Ano"...

Sempre que muda o ano, é tempo de balanço, para os que se propõem olhar para trás, como que fazendo a revisão do aprendido, sublinhando as falhas, para tentar não repeti-las, pelo menos, até à próxima vez...

Sempre que muda o ano...desejamos..."um bom ano", e quando esse ano chega ao fim, na hora do balanço, ninguém teve um bom ano, mas pede sempre, pelo menos igual, para o ano seguinte, e... "já não seria mau", ainda todos dizem...

Há muitos anos, que não tenho "um bom ano", mas disso todos se queixam, e ninguém tem o remédio...

Como toda a gente, basta-me sentir feliz naquele momento em que o digo, para dizer que o ano está bem, quando acaba bem...como tudo...mas... a vida não é assim tão linear...e este ano...estou viva, amo a vida, mas a vida, se me ama, anda esquecida...!!!

Mas, mesmo assim, continuo a dizer, tal como Chaplin diria, que, já tive anos piores...
"Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também já decepcionei alguém.

Já abracei para proteger, já dei risadas quando não podia e, também ri quando a minha vontade era chorar, fiz amigos eternos, amei e fui amada, mas também já fui rejeitada, fui amada e não amei.

Já gritei e pulei de tanta feliciade, já vivi de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara" muitas vezes! Já chorei ouvindo música e vendo fotografias, já liguei só para ouvir uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!

Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida...
Bom mesmo é viver com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, ... perder com classe e vencer com ousadia, ... porque o mundo pertence a quem se atreve e, a vida é MUITO para ser insignificante... "

Pensem nisso, como um mote para o ano novo de 2007…como quem olha em frente sem medos…

Como todas as pessoas, também este ano velho, tive coisas boas, que me souberam a pouco, e tive momentos difíceis, que me deixam marcas para sempre, e dos quais recuperar me é uma expressão longínqua…

Como todas as pessoas, desejo a paz no mundo, a erradicação da pobreza, a protecção da terra e, a tão desejada saúde, alegria, e muito amor para todos… mas, não posso, como qualquer outra pessoa, esperar que a vida venha ao meu encontro…tenho que dar tudo de mim, a essa vida... e aí sim... estarei em condições de desejar que em 2007, a vida seja atenciosa comigo, e não me maltrate…assim como o desejo, a todos os que me estão próximos, e a todos os que amo…

Um bom ano…!!!
Sábios os que Sabem viver...!

Malú

22/06/2006

...Solidão...

Há conjuntos, arranjos, cordilheiras soltas de palavras, saídas de pensamentos de outrém, que nos intimidam...a mim pelo menos...Faz-me espécie como há coisas, que ao ler, me parecem tão familiares, como que se escritas por mim... Não serão afinidades, não serão coincidências, serão realmente palavras que sairam de nós, e algures num ponto incerto alguém as escreveu, para nos dar a ler, nesta altura, nesse momento em que as lemos de nós, para nós...só pode !

Descubro cada coisa, que não me espanta, não me arrepia, não me assusta por tanto me parecer minha...apenas me consola...porque se há alguém capaz de sentir tão próximo ao que eu sinto, então, a palavra solidão, para mim, deixa de fazer sentido.

Nunca estamos sós, hoje e depois de pensar que tanta solidão já senti, tenho a certeza disso.

Este pensamento, este poema que aqui transcrevo, é um dos exemplos desta minha constatação de hoje:

"Solidão"

"...
Estou só Senhor
Estou sempre só de tudo o que me rodeia.

Só no meio da multidão
Mas sobretudo estou só do Mar
Que me dá vida e do
Sol que me dá calor
Só! só da família que me criou
Só! só do cheiro dos pinheiros e
Dos eucaliptos
Da maresia e
Da terra lavrada

Estou só Senhor
Mas sobretudo estou sempre só
Quando algo me faz o
Coração chorar e a
Alma se escurece

Só! quando de pés e mãos atado
Não consigo dar um passo
Só! só nas grandes e pequenas caminhadas
Nas grandes e pequenas decisões

E até só! nas grandes e pequenas encruzilhadas

Onde a vida e a morte se espreitam
E onde tudo oque sou
Está fente a frente
Com aquilo que eu não sou.

Onde o que eu posso ser
O que eu sou realmente
O que eu julgo ser
O que eu sou visto ser
Se encontram num só ser
Dando-me este sentir
De imensa solidão
Que até julgo sentir que
De ti Senhor tambem

ESTOU SÓ
..."

O autor poderia ter sido eu aqui e agora, mas não,

estas palavras foram escritas por
Afonso Almondino da Silva,
em Toronto a 12 Maio 1986

Marta Luis

30/04/2006

... Obrigado Mãe ...

Porque será que o dia da mãe, me dá para chorar? Será que sou uma mãe frágil?
Será que sinto a falta da minha mãe? Será que, queria ser mais, muito mais Mãe e, simplesmente tenho pena de o não conseguir?

Reflicto apenas nas mães que mais me são próximas, e só entre meia dúzia de pessoas, já haveria tanto para sentir, para dizer, para relatar, para acarinhar, transpondo este cordão para todas as mães desta galáxia e arredores, tanto, tanto, quer dizer a palavra mãe…
O dia é de palavras mansas sim. Muitos nem ligam, outros, que já nem têm paciência para prendas, nem “tempo”, porque está difícil para todos, lá dão apenas um toque, um telefonema, um abraço, um “adoro-te mãe”, e passa mais um domingo, primeiro de Maio, mais um dia da mãe.

Aproxima-se a data, e preparo-me mentalmente, para o que será que este dia significará para mim. Para os outros, nem tanto me importa. Alguns querem apenas, “vender”, o dia da mãe, e lucrar com ele. Outros, querem esquecer que ele existe, porque estão demasiado ocupados para lembrar a sua mãe, ou simplesmente, porque, essa mãe, só de lembrá-la, os faz sofrer. Talvez, já não tenham mãe. Talvez tenham uma mãe daquelas que, nunca o soube ser…nunca esteve presente…nunca mereceu um abraço de um filho, uma filha, porque simplesmente, foi mãe, sem o ser… Conheço casos destes, tão próximos que me magoam demais, principalmente neste dia.

No dia em que fui mãe, e foi muito difícil acreditem, foi o dia mais completo da minha existência. Estive quase a partir, para uma outra, mas, fiquei, para provar a mim mesma que, sim, também sou mulher, uma grande mulher, e também mereço e, vou ser a melhor mãe que conseguir.
Hoje sou, passados 14 meses, uma mãe galinha, a mais galinha que conheço, babada pelo meu rebento, sempre pronta para lhe dar, o melhor de mim, a minha atenção, o carinho todo e mais algum, todos os mimos, e ainda, como todas as mães, sempre desejosa por um xi-coração. O coração apertasse-me de cada vez que há um dia menos bom, um dentinho a romper, um trambolhão, ou mesmo um grande hematoma, como foi o caso de hoje. Dói mais à mãe que, aos filhos, a maior parte das vezes.

E o que é para mim ser mãe: é ser vida, é ser a força que faz mover o mundo, nem que seja só, dentro das nossas quatro paredes. Ser mãe é ser, dona e escrava e não ter pena... agradecer, por essa dádiva.
E ter mãe? Oh meu Deus…ter mãe, é o que mais te agradeço neste mundo.
Sim, que seria de mim, sem minha mãe… Ela, aquela que firme me ampara, aquela que é rocha e aguenta toda a força bruta da maré viva e ainda me resiste, sem sol, sem carinho, sem o apoio que merecia, e não tem…
Essa sim, é uma grande mulher, a minha mãe, que eu admiro profundamente pela persistência em remar… remar sempre, e em me arrastar… Aquela que sei que nunca vou conseguir ser igual… e, tão mal estimada que é!

Uma senhora, sim, uma senhora também mãe, fez manchete recentemente numa revista cor de rosa, com a frase “Ser mãe, é aceitar viver o resto da vida com o coração fora do peito”. Achei essa frase de L. Castelo-Branco linda… Linda e, sentida…
E por estes dias, já que nunca consegui abraçar a minha mãe, vá-se lá saber porquê(são sempre os que mais amo os que mais afasto de mim) quero agradecer-lhe, tanta generosidade, por continuar a viver, há mais de 35 anos, com o coração fora do peito, por mim, e por meu irmão, por minha sobrinha, e pelo meu filho, e por muitos mais filhos, de outras mães, que bem a poderiam, chamar de mãe, também.
Minha mãe, é uma ancora velha, mas que apesar de desfiada, mantém a corda que nos segura, a todos. Minha mãe, é aquela pessoa que, nunca quero que me falte e, a quem tenho tanto faltado... Perdoa-me mãe, não saber ser como tu.

E que dizer, dos que não têm mãe? Aqueles que a perderam, guardam-na eternamente no coração, acredito. Mas, e aqueles que a têm, e não têm!? Aqueles que tiveram o infortúnio de nascer de uma mãe, que os abandonou, que os desprezou, e que em anos e anos, nunca se preocupou com eles? A esses eu deixo o meu respeito, por conseguirem, virar-se sem mãe, sempre com vestígios de marcas maiores sim, mas podem sempre chamar mãe, àquela que realmente os criou, os amou, e continua a ser sempre a avó, ou a tia, de mãe. (sim, falo da minha querida sobrinha, aquela que daria tudo, para ter sido eu a mãe, e daria tudo para não ter deixado passar tudo o que passou, e tudo o que ainda a faz querer chamar-me a mim, de mãe, ou de mãe, à minha mãe.

Sim…é muito bonito o dia da mãe, mas a mim, faz-me chorar!… Porque nem todos o sentem da mesma forma. Porque nem todos tem, ou não tem mãe, da mesma forma.
Porque nem todas as mães são como eu, ou a minha mãe. Porque, também para as mães, este mundo está virado ao contrário, e é muito injusto na maioria dos casos.

Por me deixar ver e sentir este e todos os outros dias, em tantas diferentes vertentes, por isto tudo, e muito mais: obrigado a essa "força maior", que me deu mãe, e que me fez mãe!... Oxalá, um dia, daqui a muitos anos neste dia, eu seja merecedora de um abraço carinhoso, e de um simples:“obrigado mãe

...Não te fartes de mim...!

sim esta foto é minha e está em
www.olhares.com/maluvik
Estou farta!
Farta de esperar…parar
De ficar sempre farta…
Farta de esperar
A esperança chegar…!

Será que há alguém, …há algo
Por que valha a pena
Tanto fartamento?!

Oh …que fartice!!!
Nunca te fartes de mim…
Amo-te afartadamente…
Até nunca me fartar .


Marta Luís
10-10-1991


20/04/2006

...Ilusões...


A dor que atinge os pássaros
Que cantam, sem terem eco...
Soa alto neste céu
Que me encanta, sem se mexer...

É tão belo,
O sorriso de uma criança que passa fome...
Raro...triste...
Tanto, que ninguém pode esquecê-lo...

É tanto o amor, que finge não existir
E se fecha neste beco...
Enche o mundo, só neste quarto,
que me adormece...sem me conhecer...

É tão estúpido...esse sentimento
Que luta, para não ser descoberto...
Tão imenso, que grita...
Sabendo que ninguém pode ouvi-lo...!

Tão bom seria,
Poder abrir teu coração que se faz descrente,
E plantar, e regar...
A semente que faz brilhar esses teus olhos...
E ficar,
Para sempre, dentro de ti...

Tão cruel,
É saber que tudo,...são ilusões que me enchem a mente...
E chorar,
Com a certeza que me traz de volta...
E aceitar, sem medo...
Que eu... morri !


Marta Luis
11-01-1996

(1º Prémio de Poesia
no Festival da Canção e Poesia da Martingança)

09/04/2006

…Nascida para amar…

Nascida para amar
A ti, a ele e, a outro alguém
Vencida por tanto chorar
Sofrida por tanto rir
Querida, por tão pouco querer
Quem um dia, me fez tanto sonhar…
Depois temida, por tanto prometer
A quem do sonho, me fez acordar!

Que importa, ser feliz, ou infeliz, agora…
Fechada e trancada a porta…lá atrás…?!
Já não me conforta, a ideia de voltar
Para o presente, para este mundo…
Quando se torna indiferente, e ausente, o amor.

Aquela criança já cresceu,
E ainda não viveu…

Nascida para amar
A ti, a ele, e a outro alguém,
Essa mulher, sou eu…
Aquela, a que no dia em que nasceu, morreu…
Para nunca na vida chegar…a amar, ninguém!

Marta Luís
07-09-1994

…Lágrimas…

Lágrimas…para quê?!
Vou sorrir…vou dar a volta por cima, amor…!
Não quero recordar-te,
Pelo quanto me fizeste chorar…!
Quero apenas lembrar,
O quão feliz, fui ao teu lado…!

Lágrimas…!...Para quê?!
Apenas quero ficar com o teu jeito gozado
De tornar tão lindo o meu existir…
Quero apenas, em silêncio, ter saudade…
Desse segredo, que te fez meu, por uns tempos!

Lágrimas, …não amor…metem-me medo:
Todas as lágrimas do mundo,
Não afundariam a dor,
De te ter, …
Para te perder…!

Marta Luis

07/04/2006

...Teu silêncio manso...e gasto...

Um gosto a sal, encobre todo o sabor doce da vida.O amargo, nos teus olhos, traz a minha alma ferida. O teu jeito indiferente, de fingires que és quem nada sente faz de mim inútil. Faz de mim, apenas mais um, a mais no teu caminho.
Será, que de todas as lágrimas que choraste, nem numa só, me reclamaste? Será, que nesse teu silêncio manso e gasto, nunca me chamaste?
Eu, sou aquele que te amou, de cada vez que por mim passaste e, foste embora. Eu, sou aquele que te escolheu, quando te olhou e, amaldiçoa agora essa hora.
Mas tu… Tu, mal amada.. andas cá, mas noutro mundo. Sofres tanto, sempre só… Caminhas às voltas, pelo fundo de um abismo, sem escada e não queres voltar para o sol, para os que riem. Preferes continuar a chorar por esses que te causaram tanta dor, tão sem dó. E não deixas ninguém te amar… nem eu, que nada mais sei fazer!

Mas eu, não quero ocupar o lugar, desse alguém que, tanto amaste. Nem sequer quero, que o vás esquecer. Quero apenas dizer-te que me roubaste, toda a razão de viver.
Quero apenas que partilhes comigo esse sentimento que fizeste nascer.
Quero apenas ser teu amigo, amor, por favor!
Lembra-te… Foste tu quem me ensinou: “A dois, …não é tão difícil sofrer!!!”

Ass: por um amigo…à Marta

...Porque sou homem...

"Existo...
Sem saber como ou porquê
Sei que, tu e eu, nós existimos,
vivemos, ou tentamos sobreviver…

Cheiro uma flor
Uma frágil flor que sente sem responder,
que sofre sem reclamar…

Queria dizer que não o faço, de propósito
Que, não a tirei da fonte da vida por mal
Porque, nem sei, porque lhe arranco as pétalas
Sem dó, nem satisfação.
Apenas as destruo, porque sim
Porque sou homem,
Sou homem, e posso!

Hoje abraço e beijo
Amanhã largo e maltrato…
Sou homem
E por isso descolo, derrubo, desligo,
Sem dó nem satisfação…!

Agora desejo e amo
Depois repudio e enjoo,
Porque sou homem,
Sou homem, e posso!

E tanto faço e desfaço
Penso e repenso
Que agora,
Vejo que, já não desejo nem amo
Não faço nem desfaço
Não construo nem destruo
Não vivo nem sobrevivo

Apenas existo…!
Mas…existo sempre?!
Não.
Porque sou homem,...
Sou homem, e
não posso!"

Este foi um poema que ouvi no programa Companheiros da Noite, na RLO, há já muitos anos, mesmo muitos anos atrás, (pelo menos 15) e gravava a emissão nessa altura, e gostei muito, pelo que o partilho...
Lembro-me que fora enviado para aquele programa (onde muitos ouvintes, tal como eu, colaboravam enviando o produto da sua veia poética), por um recluso que, estava detido à data...faz sentido... mas não me lembro do nome do autor...não gravei essa parte.

… Plásticas …

Restos de sol, ferem meu último olhar.
Rastos de luz, escurecem o meu eterno viver.
Sombras, de tudo o que fui e o que vi,
Mancham de negro, o nada que serei.
Apenas partes, espalhadas, roubadas de mim,
Se separam, se desvanecem, pelos cantos onde estive.
E, mesmo nada tendo para guardar,
Recolho hoje tesouros do meu ser,
Reclamo agora, por glórias que perdi,
Em tantas páginas que saltei, desse livro,
Meio lido…meio apagado e, sem fim…
Contando em branco, as histórias,
Da alma morta, que em mim vive…
Cantando baixinho, memórias…
As que sonhei e, não tive!

E, de rastos, me vêm à alma,
Essas lembranças ocas do tempo que não passa…
E, já presa…me alerto para fugir e,
Para não seguir, onde não vou...
E, é de toda aquela que me chamaram;
A deslouvada…a louca…até a calma;
De toda aquela que é minha própria massa,
Feita de matéria única…mas, a ruir,
Que…pedaços de mim, escondem o que sou...
E só não mostram aquela...
Que todos vocês amaram…!
São apenas plásticas, as palavras…vãs e inúteis…
Essas, que todos vós, por mim, falaram…!!!

Marta Luis
Alcobaça
19-10-1995